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ENTREVISTA TPD DE SUCESSO Nº 08 |
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Nosso homenageado é Diretor do Laboratório Ero Prótese, Técnico em Prótese Dentária formado no SENAC, na turma de 1973. Atua na profissão há 42 anos, tendo sido Fundador e Presidente da Associação Brasileira de Laboratórios de Prótese – ABRALAP.
Como teve a idéia de trabalhar com Prótese? Aos nove anos, fui vendedor de porta em porta, primeiro de banana, manga, laranja, produtos da Avon, toalhinhas de plásticos e por ai afora. Naquela época, em 1968, a única idéia ou sonho maior que um menino de 13 anos poderia ter era conseguir um emprego de aprendiz independente da profissão, pois para mim todas eram bem vindas e já seria uma grande conquista. Eu procurei emprego de sapateiro, marceneiro, mecânico, em oficinas, lojas pequenas, fábricas, construções, enfim, circulei todas as áreas comerciais de Campo Grande - MS durante dias e depois de duas semanas de procura consegui um emprego de aprendiz de marceneiro no início de 1968, cujo patrão era cunhado de um protético importante. Mas o meu emprego durou pouco. Em 1º de maio, que é o dia do trabalho, eu fui convocado para trabalhar o dia todo, e por minha conta e risco, resolvi faltar na parte da tarde (fui andar de bike e tomar banho na lagoa), afinal de contas era feriado. No dia seguinte fui demitido e foi ai que eu tive a idéia de procurar emprego no protético Altamiro Souza, onde fui aceito.
Como foi seu início na profissão? Meu inicio foi em maio de 1968. Foi empolgante. Daí eu percebi que estava ganhando um grande tesouro. Foi algo que abracei de coração.
Lembra como foi o seu primeiro trabalho como aprendiz? O meu primeiro trabalho como aprendiz de protético foi vazar um molde para prótese total da velha e boa godiva. Eu tinha a maior preocupação em não jogar nada fora, qualquer pedacinho de gesso. Mas na verdade, fui faxineiro, auxiliar de gesso e “bicicleto boy” (detalhe: na época não tinha telefone, eu visitava todos os clientes de manhã e a tarde perguntando se tinha serviço – essa atividade chama-se: “correr dentista”).
Como conquistou o seu titulo de Técnico em Prótese Dentária? Em 1972, inscrevi-me no SENAC em SP, na Rua 24 de Maio, no Centro, que era a única escola de Técnico em Prótese Dentária. Formei-me em 1973. E tive o privilégio de ter como professores: Dr. Amim Yunes e nosso consagrado colega da prótese total, Tomaz Gomes.
Quais as dificuldades que teve na área técnica na época? Acho que é a dificuldade que faz com que a gente tome atitudes. Não estava muito satisfeito profissionalmente em ser polidor de ponte móvel e tenho o maior respeito pelo técnico que executa esta tarefa, pois não é fácil, o motor é barulhento, muita poeira de metal e abrasivos e o pior, sem aspirador, isto quando eu atuava. Hoje eu sei que é um pouco melhor. Enfim, a maior dificuldade que encontrei foi sair dessa área, pois eu era muito bem remunerado para essa função. Mas com determinação, busquei emprego em consultório dentário, clínicas populares, e aos poucos eu consegui atuar em outras áreas da prótese.
Lembra de algum caso pitoresco acontecido no laboratório? Era comum fazer umas comidinhas no laboratório e o que eu mais gostava e me tornei especialista, era assar lingüiça no forno depois das fundições de ponte móvel. Eu fazia isso todos os dias religiosamente. Só falhava quando não tinha fundição.
Quais foram seus maiores e melhores momentos? · Quando recebi meu certificado reconhecido pelo CRO e quando montei meu 1º laboratório em 1974. Eu trabalhava 40 horas, sem descanso e sem dormir de tanta empolgação, alegria e vontade de vencer na vida. Eu era o técnico, a secretária, o faxineiro e o boy, 4 em 1.
· Depois, em 1977 quando mudei para minha sede própria na Rua da Consolação.
· Quando dei minha primeira aula de prótese em 1993 pela Implamed. Foram 3 dias, 19 horas de aula. Falei de próteses sobre implantes, protocolo, etc., foi uma loucura, prova de fogo, fui feliz.
Qual o marketing que usou para trabalhar? Meu primeiro marketing foi um modelo de gesso com uma coroa metalo-cerâmica, um provisório e uma tabelinha de preços, batendo de porta em porta nos consultórios dentários no bairro dos Jardins.
Tem algum protético na família? Sim! quatro irmãos, três filhos e dois sobrinhos que tive o privilégio de poder iniciá-los e tomar pelas mãos essas pessoas queridas encaminhando-as à magnífica profissão de TPD.
Quem é seu maior ídolo na Prótese? Consciente do que ocorreu na minha vida profissional e na minha carreira, tenho como ídolo, aquele me ensinou e me orientou com disciplina, seriedade, acreditou no meu potencial e foi como um “Paitrão” para mim, o TPD Sr. Rolando Felizardo, a quem devo minha gratidão. Com ele aprendi a fazer próteses fixas, incrustações, fundições de ouro, troquéis metalizados, etc. Foi para mim um grande Mestre e ainda continua sendo um grande profissional atuante.
Na Profissão, quem são seus grandes amigos? Durante estes 42 anos de profissão conquistei muitos amigos, parceiros de trabalho, colaboradores e aqueles que talvez eu nem saiba, que são meus amigos. Foram tantas pessoas que influenciaram na minha vida profissional que eu acho muito singular citar um nome ou outro, e se eu tivesse que citar todos, estas páginas não seria o suficiente. Por isso, deixo meu sincero agradecimento a todos que fazem parte da minha vida profissional.
Quem fez mais pela Prótese Dentária nestes anos todos? Seria injusto eu citar nomes, mas acredito que desde os anos 60 até hoje, todas as entidades de classe, tais como: sindicatos e associações dos protéticos dentários de todo o Brasil, ABRALAP (Associação Brasileira dos Laboratórios de Próteses) colaboraram, fizeram e continuam fazendo muito pela prótese dentária, com destaque para a APDESP, sua diretoria e equipe, que realiza o mais importante congresso da América do Sul.
Qual seu livro ou autor preferido na profissão? Reabilitação Bucal em Prótese sobre Implantes – autor: Vicente Jimenes Lopes e Implante Odontológico Contemporâneo – autor: Carl E. Misch.
Qual a revista na área da Prótese que mais gosta de ler? APDESP Informa: Sem dúvida é a melhor revista para o TPD. O próprio nome diz: Informa, esclarece e vende bem. Muito boa.
O que acha da Prótese Dentária hoje? E no futuro! Eu vejo que a prótese dentária está em franco crescimento qualitativo, quantitativo e tecnológico. Um mercado cada vez mais crescente e acessível aos clientes de todas as faixas de renda e uma grande oportunidade para os laboratórios desenvolverem-se. Com tanta tecnologia disponível, a prótese dentária destaca-se entre as profissões mais cobiçadas. Num futuro muito próximo, ou seja, daqui a pouco, estaremos dividindo esse mercado com a indústria e comércio, aquilo que era exclusivamente do TPD. A mecanização e a industrialização da prótese já é uma realidade.
Qual será o caminho mais indicado para a Prótese no futuro? O que estou visualizando para a prótese no futuro e que dificilmente se reverterá e que devemos estar atentos, é a mecanização e a industrialização de alguns processos da prótese que eram artesanais e de competência do TPD. Tecnologias cada vez mais avançada na área de CadCam, prototipagens, modelos estereolitografia, estruturas virtuais, etc., não resta dúvidas, tecnologias e as máquinas tomarão espaço dentro e fora do nosso laboratório. Portanto, o futuro do protético é capacitar-se tecnicamente e desenvolver suas habilidades e investir em conhecimento.
Quem o ajudou a obter o sucesso profissional? No decorrer desses 42 anos de profissão, foram tantas pessoas que me ajudaram e continuam me ajudando. Entre elas: minha família, amigos, clientes, fornecedores, professores, meus funcionários e, sobretudo Deus. Sem todas estas pessoas eu jamais faria sucesso!
Sente-se realizado profissionalmente? Sem dúvida, pois muito mais do que uma profissão, a prótese permiti-me trazer de volta o sorriso e a auto-estima das pessoas. Também tive o privilégio de formar novos TPDs. Tenho a perfeita consciência do meu dever e minha gratidão a profissão e sinto-me realizado profundamente.
Congressos, palestras e cursos, qual o mais importante? Para mim os três são importantes, pois cada um tem sua peculiaridade. Aquele que deseja ser um técnico, precisa de cursos para sua formação; um técnico já experiente, precisa de palestras para aprender novas técnicas e os congressos permitem troca de experiências com os colegas, ampliando seus conhecimentos e relacionamentos.
A Prótese convencional permanecerá por muito tempo? Acredito que sim, até pelas condições geográficas e sociais do nosso país. Porque em áreas longínquas, sempre terá alguém fazendo a prótese convencional, até porque ela não necessita de tecnologia, além de ter um baixo custo e ser acessível.
Qual área da Prótese Dentária que mais atua? Próteses sobre implantes e metal free.
Deixe uma mensagem para os Técnicos mais novos: Disciplina, determinação, ética e comprometimento. O sucesso profissional só é alcançado através do esforço contínuo e da perseverança. Atualizar-se sempre, pois os avanços tecnológicos não param e o técnico precisa acompanhar essa evolução! Importante não esquecer que o técnico está atuando em uma área muito sensível. Você estará trabalhando com a expectativa, o sonho e a reabilitação de um ser humano. Portanto, trabalhe com consciência tentando fazer o melhor e fazer o certo da primeira vez, e sempre se colocar no lugar do Dentista e do paciente.
A palavra é sua para considerações finais. Agradeço essa oportunidade de participar dessa sua iniciativa interessante e muito positiva em prol da valorização do TPD e dando oportunidade de nós, técnicos podermos contribuir com a nossa vivência e experiência para os novos colegas que estão atuando na profissão e os que ainda atuarão. A sua iniciativa faz com que a nossa profissão se destaque cada vez mais além de permitir uma maior integralização nesta grande família odontológica. Vejo que ainda há muito por fazer, como por exemplo, um melhor entrosamento entre as associações de classe para buscar junto ao Conselho Federal, nosso direito a uma participação mais efetiva de fato como destaque nos jornais dessas entidades competentes que são: CRO, CFO e em breve tempo nosso próprio conselho de prótese dentária. Com certeza temos nomes de pessoas de valor para atuar e levantar esta bandeira. Espero que isso aconteça tão logo possível. Meu muito obrigado! Muito sucesso para você!!
Obrigado pelos votos e pela entrevista. Você é um dos modelos de sucesso na profissão, que soube aproveitar o momento dos implantes e deles fazer sua alavanca para um merecido sucesso. Típico dos que conseguem ver o caminho e se põem a trilhá-lo com dedicação e determinação. Foi uma honra fazer esta merecida homenagem.
RECONHECIMENTO É UM DOM A SER CULTIVADO Antônio Inácio Ribeiro ribeiro@odontex.com.br
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