ENTREVISTA TPD DE SUCESSO Nº 05

DURVAL JANUZZI

 

 

Nosso homenageado da semana foi membro fundador e, posteriormente, secretário da Associação dos Protéticos Dentários do Estado de São Paulo – APDESP, da qual é o sócio número 003. Foi também fundador da Associação Brasileira dos Laboratórios de Prótese – ABRALAP, sob número 002. No CRO-SP é o TPD com a inscrição número 001. Foi também presidente do Sindicato dos Protéticos Dentários do Estado de São Paulo e da Confederação Latino Americana de Protesistas Dentais. Já ministrou mais de 300 cursos, no Brasil e em vários países da América Latina, numa história que se confunde com a própria prótese.

 

Qual foi sua primeira profissão?

Nascido em Cássia MG, meus pais tinham boa situação econômico-financeira, porém não puderam sustentá-la, dado a isso, mudamos para várias cidades. Aos quatorze anos, viemos para São Paulo a procura de melhor qualidade de vida. Vendo-me numa cidade grande, tudo estranho, para começar, fui ser engraxate de rua.

 

Como foi seu início na Prótese Dentária?

Trabalhei como entregador e de limpeza em um laboratório de prótese do José Schikman na Praça da Sé. Este laboratório mudou-se para a Rua Boa Vista 322. Lá, também esteve Artêmio Luis Zanetti durante alguns anos. Ele seguiu o caminho do sucesso que hoje desfruta. Eu almejava um estilo diferente, mas a mentalidade da época era outra: a maioria dos profissionais não transmitiam seus conhecimentos. Pela amizade do Waldemar Schafran, sobrinho de José, passei a frequentar os meios associativos da Faculdade de Farmácia e Odontologia na Rua Três Rios, onde ele estudava. Então, conheci o Dr. Reinaldo Todescan, quem concorreu para meus primeiros passos no campo das caracterizações de prótese total. Assim fui encorajado a abrir minha primeira modestíssima oficina na década de 50, na Rua Boa Vista, período em que prestei o exame de prótese na Faculdade de Odontologia da USP.

 

Que foi marcante nesta sua fase?

Em 1955, conheci de vista, uma aluna de Odontologia, que depois de formada tornou-se minha cliente. Dado ao caráter e honestidade impecável era a minha preferida. Pelas diferenças de religiões, ela da judaica e eu da católica, estávamos irremediavelmente, sem que percebêssemos, namorando e prontos a enfrentar quaisquer situações, até nos casarmos. Foi um ótimo casamento durante 37 anos, até seu falecimento. Tivemos dois excelentes filhos, Marco Antônio e Sandra.

 

Porque era difícil aprender prótese?

Depois transferi-me para a Av. Ipiranga 1.284, 10°andar, com o laboratório anexo ao consultório de minha esposa. Sabia que precisava aprender mais, pois as dificuldades eram imensas. Era proibido o ensino a protéticos em órgãos oficiais. Não era permitido protético frequentar eventos, mesmo que fossem de prótese. Apesar de ser proibido a protéticos ensinarem abertamente, resolvi proferir minha primeira conferência em nossa primeira associação: Associação dos Protéticos Dentários de São Paulo (sem o E como é hoje), por isso, sofri muitas críticas e pressões. Mesmo assim, após alguns anos, convenci-me de que devia dar cursos práticos de cerâmica pura e de metalocerâmica. Em um deles participaram Carlos Alberto Crudo e Elias Palmero. Depois de poucos dias, voltaram separadamente, com vários dentes individuais e múltiplos (ponte fixa) para avaliação, então, pensei: estes dois querem e precisam, progredirão e vencerão na profissão, como aconteceu.

 

Quem fez parte da história desta Associação?

Aquela primeira Associação da qual fui associado foi presidida por Radames Pugliese, Oswaldo Balerini e transformada no Sindicato dos Protéticos do Estado de São Paulo, na gestão de Álvaro Mendonça Filho, seguidos por Waldir Romão, Nicolau Jose Cury e Durval Januzzi, respectivamente, presidente, tesoureiro e secretário. Em 1975, o Brasil foi eleito sede da Confederação Latino Americana de Protesistas Dentais e foi fundada a associação atual, APDESP, quando o Gelsimino Magaleno e eu nos propusemos a elaborar um ante projeto, pela necessidade de ser preciso 7(sete) associações para se fundar uma federação com o fim de representar o país. No Brasil, só existia uma no Rio de Janeiro e o sindicato em São Paulo.

 

Que outra associação ajudou a fundar?

Vários colegas pediram-me que elaborasse um anteprojeto de uma entidade empresarial. Acatei a idéia, pois tudo para progredir salutarmente é preciso que haja concorrência, seja em qualquer campo, no social, econômico, esportivo etc. Estando os laboratórios unidos de forma irrestrita, haverá progresso saudável, todos os TPD serão beneficiados. Mas, depois de muito tempo de fundação da entidade, a Associação Brasileira dos Laboratórios de Prótese Dentária (ABRALAP) estacionou, pois muitos não mais a apoiarem.

 

Esta é a que se reuniu na Odontex?

O desejo de se reativar esse empreendimento ainda subsiste na mente de muitos outros mais, visto que ele é de suma importância. Somos gratos ao Sr. Antônio Inácio Ribeiro pela gentil contribuição, dentre outras, em ceder a sede de sua empresa para a primeira reunião em 1975. Então, contamos uma vez mais com sua valiosa colaboração, Ribeiro. Há uma foto da época em que apareço, com o Artêmio e mais seis pessoas (tenho os nomes).

 

Cite uma passagem inesquecível da sua vida!

Um fato curioso: num sábado, à tarde eu trabalhando esperava minha esposa na Avenida Ipiranga para um passeio. Ela adentrou ao laboratório aparentemente muito assustada. Depois de muito insistir, ela disse que alguém estava na marquise prestes a se jogar. Ela sabia que eu não deixaria de ajudar. Fui à janela e vi um policial segurando pelo tronco do braço uma jovem dependurada. Entrei na marquise, a mão do policial já estava no punho e os dois correndo o risco de caírem. Com uma das mãos segurei a moça e com a outra, puxei o rapaz. Após algum tempo, com a ajuda de bombeiros ela foi posta dentro de seu apartamento. Guardo uma foto e uma publicação no Diário Oficial em que o governador do Estado de São Paulo, Abreu Sodré, outorga-me uma medalha devido ao fato.

 

Este é Durval Zanuzzi! Sempre disposto a ajudar. Sinto-me honrado e feliz em fazer parte da sua história, que é parte da própria Prótese Dentária. Sempre o admirei pela coragem de empreender em prol da sua amada profissão. Agora mais ainda por saber detalhes que desconhecia. Por ter dado minha parcela de contribuição. E ver que os Técnicos em Prótese Dentária evoluíram a ponto de serem hoje uma categoria de expressão no cenário da Odontologia brasileira. Junto-me aos milhares que o homenageiam com esta entrevista, colocando seu e-mail e telefone:  cursosdurvaljanuzzi@yahoo.com.br e 11.3661.7120.

 

QUE MUITOS OUTROS SIGAM SEU EXEMPLO!

 Antônio Inácio Ribeiro     ribeiro@odontex.com.br

 

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