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ENTREVISTA TPD DE SUCESSO Nº 02 |
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Esta coluna tem o objetivo de homenagear os TPDs que fizeram história e ajudaram no engrandecimento da profissão. O de hoje é meu amigo dos tempos que morei em São Paulo (1972 a 1987), por termos o hábito de ir aos congressos. É um dos pioneiros, tanto que seus números de registro no CRO-SP são TPD 105 e TPDLAB 108. Conheci-o no tempo do Laboratório Suíço e lembro que citava o Dr. Newton Melani nos meus cursos por ele ter um carro para buscar os pacientes em casa. Depois quando montou o Laboratório Crudo, o citava pela placa, que imponente, dava destaque para quem passava pela Rua Domingos de Morais. Mais recentemente voltamos a ter contato na fase das próteses sobre implantes, pois ele usa nossos componentes nos modelos que ajudam os CDs a demonstrarem seus serviços a candidato a pacientes. Mantemos contato pela Internet com troca de e-mails reforçando nossa amizade. Além de mandarmos e-mails aos nossos clientes. Por conta dela o Milton Neves já me citou no Terceiro Tempo, como o gaúcho fanático pelo Inter. E outras camaradagens. Parabéns, Carlos! Que continues assim, tendo muito sucesso!
Como teve a idéia de trabalhar com Prótese? Meu pai estava enfermo e senti a necessidade de ajudar no orçamento doméstico. Disse à minha mãe: me ajude a procurar um serviço para trabalhar? Ela achava cedo demais, mas eu não. Ai nos dirigimos a uma farmácia do Sr. Luiz (farmacêutico) profissão que eu simpatizava, mas o destino não quis assim. O Sr. Luiz me disse: está vendo aquele menino ali? Ele entrou hoje para fazer um teste para auxiliar, por isso não há vaga para você. Vendo minha cara de descontentamento, me disse: Eu sei de um amigo que está precisando de um auxiliar. Na hora ele me levou na parte superior da farmácia onde ficava um consultório dentário.
Como foi o inicio na profissão? O inicio foi de seguinte maneira. Neste consultório havia uma poltrona enorme, onde nem alcançava os pés no chão, pois tinha apenas 11 anos, era de porte pequeno e ainda usava ainda calcas curtas. Após aguardar por uns trinta minutos, lá vem um Dr. em minha direção: É você quem quer trabalhar? Disse sim!! Era 29 de fevereiro de 1958! Então o Dr. Caizar Gebara me levou para o laboratório de prótese a uns quarteirões dali. Chegando lá, estava um rapaz mais ou menos 20 anos, Pantaleão Carrato, meu primeiro Professor da Prótese, que me deu uma explanação geral sobre a profissão de Protético, que era pouco conhecida na época. O laboratório estava precisando de uma faxina geral. Como todo auxiliar na época, já começava a limpar, mantendo o laboratório sempre limpo e ao mesmo tempo auxiliando o Técnico em seus serviços. Arregacei as mangas e comecei a trabalhar e não parei até hoje. No dia seguinte comecei a visitar de manhã e a tarde mais ou menos uns dez Dentistas, porque na época não havia telefone. As visitas tinham que ser duas vezes ao dia, para entregar e retirar trabalhos. Nas horas de “folga”, ficava vendo o professor fazer os trabalhos, e fui aprendendo esta bela profissão.
Lembra como foi o seu primeiro trabalho como aprendiz? Quando fiz meu primeiro modelo, um antagonista de prótese total, acompanhei toda a trajetória do modelo e quando chegou ao laboratório, foi jogado no lixo pois não era mais necessário, então fui no lixo resgatá-lo, levei-o para casa para mostrar aos meus familiares.
Como conquistou o seu primeiro titulo de Técnico em Prótese Dentaria? Aos 16 anos comecei a preparar-me para fazer exame na FOUSP (Rua Três Rios) onde fui orientado pelo Dr. Álvaro Mendonça Filho, Presidente do Sindicato dos Protéticos Dentários do Estado de São Paulo. Com 18 anos prestei exame na FOUSP e fui aprovado com muita tranqüilidade, obtendo o diploma de Protético Dentário. A partir desse momento passei a trabalhar como autônomo dentro do próprio laboratório, cuidando como se fosse meu. Desde os 14 anos já assistia a palestras promovidas pelo Sindicato dos Protéticos. Foram varias sobre todos os assuntos. Em 1971, fiz o curso do SENAC (Rua 24 de maio) com o Prof. Dr. Amim Yunes e Prof. José Zarella, onde conquistei muitos amigos que até hoje mantemos contato. Como bom aluno, fui convidado a trabalhar com o Dr. Newton Melani, que na época trazia muitas novidades da Europa, quando tive a oportunidade de aprender na área de fresagens e attachments. Montamos o “Laboratório Suíço” (1971 -1973) e em agosto de 1973 montei meu próprio laboratório onde estou até hoje, com sede própria, na Vila Mariana, pelo qual passaram vários profissionais, dos quais muitos montaram seus laboratórios e alguns se formaram em Odontologia, (um deles com muito orgulho, minha filha Adriana Crudo)
Quais as dificuldades que teve na área técnica na época? O tempo. Eu que ajudava com “fole” para encher de ar um reservatório juntamente com gasolina para formar gás/ar para fazer fundição (somente ouro e prata), juntamente com o giramundi onde fazíamos a força centrifuga com mãos e braços para concluir-mos a fundição. Mais tarde passamos a usar compressor, centrífuga e maçarico, numa fundição mais “moderna”. Hoje você gradua a temperatura que o metal recomenda e o restante a maquina faz. Na área do gesso, não havia cortador de gesso, e ai? Cortávamos com uma faca bem afiada e uma grosa para desgastar o gesso. Dava cada modelo!!! Secar moldagem quando vinha do consultório, o jeito era usar algodão, pois não havia compressor. A Prótese Total, para ser polimerizada, somente numa espiriteira com querosene e ar, ali eram feitos nossos trabalhos, pois não era normal ter fogão a gás. Os anéis para serem fundidos, eram colocados de boca para baixo nesta espiriteira ou lamparina a álcool, para desidratação e após a eliminação da cera eram aquecidos no maçarico e fundidos com ouro ou prata direto no giramundi, pois não existiam fornos para anéis, salvo alguns laboratórios mais avançados. Com o aparecimento do níquel cromo, a maioria dos laboratórios já estava equipada com fornos, maçaricos para baixa e alta fusão, gás oxigênio, etc. Os laboratórios que faziam removíveis já tinham fornos, arco voltaico, etc. Hoje, estamos na era dos implantes, cerâmicas, alta tecnologia, sistemas Cad-Cam, etc. Temos por obrigação acompanhar todos estes sistemas, para ficarmos sempre atualizados.
Lembra de algum caso pitoresco acontecido no laboratório? Época de Natal, estava trabalhando há mais ou menos três dias sem parar, dormindo pouco, no próprio laboratório. Véspera de Natal, entregamos todos os trabalhos, fui descansar um pouco, acabei dormindo e acordei praticamente quase na hora da “ceia”.
Quais foram seus maiores ou melhores momentos? Tivemos a oportunidade de viajar aos EEUU e aí fizemos curso de cerâmica na “Willams”, junto com mais ou menos dez colegas. Fomos chamados de os “Miquelangelos da Prótese”. Também estivemos na Itália onde fizemos cursos de Fresagem combinada com Attachments, tecnologia em Titânio e fundição por indução. Tive o orgulho de participar dos primeiros anos da APDESP em 1976, quando fui segundo secretario do então Presidente Wanderlei F. Pardo, época em que tínhamos que fazer “vaquinha” para pagarmos o aluguel e a secretária. Hoje é uma entidade que honra a nossa classe, fruto de um trabalho honesto de muitos colegas.
Qual o marketing que usou para começar? Ribeiro, na época não tínhamos o habito de fazer marketing, mas quando te conheci, aprendi muito com seus conselhos.
Tem algum protético na família? Sim, minha filha, que me ajudou muito. Hoje ela é Cirurgiã Dentista e segue seus próprios passos.
Quem é seu maior ídolo na Prótese? Meus ídolos foram muitos. É até difícil enumerá-los, mas com todo respeito: Nicolau Cury, Waldir Romão, João Fernandes e Durval Januzzi. Cito estes em nome de todos os outros, que representam a Prótese Dentária. A todos os meus parabéns!
Na profissão, quem são seus grandes amigos? Todos, pois não tenho inimigos.
Quem fez mais pela Prótese Dentária nestes anos todos? Pergunta difícil! Acho que todos nós estamos empenhados em criar situações, resolver, pesquisar, inovar, enfim todos temos a responsabilidade de fazer o melhor pela Prótese Dentária.
Qual seu livro ou autor preferido na profissão? Todos os de Prótese Dentária são meus preferidos.
Qual a revista na área da Prótese que mais gosta de ler? APDESP Informa.
O que acha da Prótese Dentária hoje? A Prótese Dentária está num estágio muito avançado, exigindo do Técnico muita habilidade, dedicação, ética e principalmente responsabilidade.
Qual será o caminho mais indicado para a Prótese no futuro? Se comparar-mos com 30/40/50 anos atrás, a Prótese evoluiu muito. É preciso que estejamos sempre acompanhando a alta tecnologia em que a Prótese caminha.
Quem o ajudou a obter o sucesso profissional? Todos os palestrantes, professores, colegas, em todos os cursos em que tive a oportunidade de participar.
Sente-se realizado profissionalmente? Sim, mas sempre tenho algo a aprender.
Congressos, palestras e cursos, qual o mais importante? Todos tem valor nota dez.
A Prótese convencional vai permanecer por muito tempo? Sim, em um mundo com diferentes classes sociais, a Prótese convencional vai perdurar por muito tempo.
Qual a área da Prótese Dentária que mais atua? Sobre implantes, é a que mais me envolve, mas também tenho me dedicado às mesas demonstrativas sobre implantes, para que os pacientes tenham noção do que é uma prótese sobre implantes. Temos um acervo de quase 100 modelos com vários tipos de prótese sobre implantes que em quase todos os congressos ficam expostos.
Deixe uma mensagem para os Técnicos mais novos: A todos os colegas mais novos, que estão começando na profissão, como tudo que fazemos nesta vida, sempre temos os “altos e baixos”, mas devemos confiar que os “altos” sempre predominam , empenhando-nos para sempre fazer o melhor.
A palavra é sua para considerações finais. À minha família, esposa, filhas, genros e netos, sou grato pelo apoio que sempre me deram. A você Ribeiro, que nestes longos anos em que nos conhecemos, sempre me incentivou, o meu muito obrigado.
Carlos,é uma honra ter tua amizade. És um baluarte da Prótese Dentária. Mais ainda pelo teu desprendimento e dedicação. Quero continuar por muitos anos sendo seu amigo. Anoto o teu e-mail e telefone para os outros amigos que tens, poderem te dar os parabéns por esta linda história de vida!
Carlos Alberto Crudo; e-mail: labcrudo@uol.com.br e telefone: (11) 5571-9341 SUGIRA QUEM VOCÊ ACHA QUE DEVERÍAMOS ENTREVISTAR Antônio Inácio Ribeiro ribeiro@odontex.com.br
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