SÃO PAULO
Conheço metade das grandes
cidades da América Latina e 3/4 das do Brasil. São tantas,
que às vezes fico em dúvida sobre qual escrever primeiro ou
se alguns amigos não irão se sentir diminuidos por ainda não
ter escrito sobre a cidade deles. Não tenho tido um critério
definido na escolha; a cada número uma vai tomando minha
preferência e sem que eu perceba, acaba sendo a escolhida.
Tanto é verdade que somente no número passado vim a escrever
sobre minha cidade natal, Porto Alegre, onde vivi quase 22
anos. Na penúltima edição, abordei Curitiba, onde vivo há 12
anos e nesta falarei de Sampa, onde morei de 72 a 87. Talvez
o fato de não ter lógica ou critério na escolha me deixe
mais à vontade para falar do que mais gosto em cada uma
delas.
A maioria das pessoas sempre associa São Paulo a trabalho e
negócios. Com razão. Lá conquistei meu primeiro milhão, fiz
nome e aprendi a trabalhar. Continuo indo mensalmente a São
Paulo, sempre a negócios. Mas não se assustem, não vou mais
falar de negócios. Vamos tratar de conhecer o outro lado da
segunda maior cidade do mundo. Com certeza, não teremos como
abordar todos, mas procuraremos não esquecer os
principais.
Museu do Ipiranga
Vamos começar com um pouco da história desta cidade “quatrocentona”,
porque o Parque da Independência, onde se localiza o museu,
está localizado na região onde aconteceu a proclamação da
independência de nosso País. O museu recebeu este nome
porque situa-se próximo ao riacho do Ipiranga, onde Dom
Pedro I nos fez independentes de Portugal. Foi inaugurado em
1895 e tem seu forte em objetos, telas, jóias, armas,
indumentárias, mobiliários e outros aspectos importantes do
período imperial. Um de seus pontos altos é uma grande
biblioteca, com documentação histórica da época da
Independência do Brasil. Aborda também a história paulista,
com objetos de bandeirantes e índios. Sua construção foi
recentemente restaurada, segue estilo neoclássico,
conferindo-lhe aspecto de um palácio europeu. Destaca-se
ainda mais por estar localizado em ponto alto e de destaque
dentro do Parque da Independência, sendo visível desde o
lado de fora, a partir da Avenida Independência, ao final da
qual está situado.
O parque, que está aberto diariamente das 6 às 18 horas, tem
acesso gratuito e abriga, além do museu, a Capela Imperial,
a Casa do Grito, uma réplica dos jardins de Versailles e um
grande monumento em homenagem à proclamação da nossa
independência. O museu está aberto à visitação de terça a
domingo, das 9 às 17 horas, com ingressos a R$2,00.
Centro Antigo
Programe passeio a pé pela região onde a cidade foi fundada
e surpreenda-se com algumas preciosidades, como o Pátio do
Colégio e Mosteiro de São Bento, que se localizam próximo à
praça da Sé, que tem como destaque principal a Catedral
Metropolitana. Na rua Venceslau Braz, uma de suas travessas,
está o local onde foi fundada, há mais de 50 anos, a Dental
Gaúcho. Pontos históricos a serem visitados são também a
Igreja José de Anchieta, o Conjunto Franciscano e a Igreja
da Ordem Terceira do Carmo. Existe um roteiro com duração de
cerca de três horas, saindo do largo de São Bento, às nove
horas, com acompanhamento de guias especializados e ônibus
exclusivo para grupos de mais de 20 pessoas. Caminhando, vá
pelo Viaduto do Chá até o Teatro Municipal e volte pelo
Viaduto Santa Efigênia, igualmente marcos da história antiga
da cidade.
Parque do Ibirapuera
Variando e alternando a programação, eleja para a parte da
tarde o mais famoso e bonito parque da cidade que, em sua
grandiosidade, oferece opções para todos os gostos e idades.
Projetado por Oscar Niemeyer e com paisagismo de Burle Marx,
nossos maiores nomes, tem uma área total de 1,6 milhão de
metros quadrados, bem ao estilo da grandiosidade de São
Paulo.
Seu principal atrativo são passeios a pé por entre plantas,
lagos, árvores, quadras de esportes, playgrounds, pistas de
cooper, ciclismo, skate, roller e outros. Por isso, é a
principal área de lazer do paulistano e também local de
importantes shows de música popular, dança, teatro e outras
atividades culturais, gratuitas.
Em seu interior, encontram-se também o pavilhão da Bienal, o
Planetário da cidade e o Museu de Arte Moderna, Museu de
Arte Contemporânea e Museu da
Aeronáutica.
Outras atrações são o Obelisco e o Monumento às Bandeiras,
ambos cartões postais da cidade. Uma opção diferente é o
Pavilhão Japonês, com réplica do Palácio Imperial de Kioto,
incluindo um lago com carpas coloridas. Em todo o parque,
variados restaurantes, sorveterias e lanchonetes garantem a
alimentação.
Avenida Paulista
O metro quadrado mais caro do Hemisfério Sul merece ser
visitado por ainda abrigar algumas das aristocráticas
residências dos barões do café, lado a lado com os maiores e
mais modernos edifícios do País. Na Avenida Paulista
situa-se o coração financeiro da cidade, além dos
escritórios de grandes empresas. São dois quilômetros de
pura emoção e deslumbramento.
Seu ponto alto é um dos prédios mais baixos, mas de
arquitetura arrojada, por estar totalmente sustentado em
apenas quatro pilastras: o MASP - Museu de Arte de São
Paulo. É, sem dúvida, o mais importante museu de arte
ocidental da América Latina, onde destacam-se pinturas de
Rembrant, Van Gogh, Renoir, além de mestres brasileiros,
como Di Cavalcanti. O MASP não funciona às segundas, e aos
domingos tem atrativo adicional, uma feira de antiguidades
em seu vão livre.
Jardim Botânico
Embora distante do centro da cidade, é visitação sugerida
por sua grandiosidade e variedade. Para se ter uma idéia,
somente em seu orquidiário existem 700 espécies. Todo o
conjunto é um tributo à natureza e um culto ao verde. É
muito mais que um parque, porque nele se estuda, são feitas
pesquisas e difundida a cultura de árvores e flores.
Em sua área estão englobados o Instituto de Botânica, a
Biblioteca, o Museu Botânico, o Bosque Pau-Brasil, além de
lagos e réplicas de jardins europeus do século XVIII. Seu
herbário é igualmente grandioso e, juntamente com o todo do
Jardim Botânico, é um programa diferente, não só para
paulistano acostumado a altos edifícios, como tambem para
todos os apreciadores da mãe natureza. Não funciona às
segundas e terças.
Memorial da América Latina
Também projetado por Oscar Niemeyer, é um grande centro
cultural e cívico, idealizado para ser o marco da integração
da América Latina. Foi inaugurado em 1989, com quase 80.000
m2, na forma de um conjunto de edifícios arrojados,
compostos em uma Praça Cívica, dos quais se destacam: Salão
de Atos, com o impressionante Tiradentes de Portinari;
Biblioteca das Américas; Auditório Simon Bolívar, com 1.670
lugares; Pavilhão da Criatividade, com exposições
permanentes de arte popular do México, Colombia, Perú,
Bolívia e Brasil, sem dúvida, as mais expressivas da parte
Sul da América. Uma interessante maquete da América Latina,
representando a arquitetura e o folclore de quase todos os
países do Continente, tanto quanto a figura símbolo do
Memorial, atraem a curiosidade da maioria.
Shopping Centers
Desista da idéia de fazer turismo e conhecer todos os
shopping centers. São muitos e quase todos de tamanhos
monumentais. Opte por um, e se delicie em conhecê-lo bem.
Sugerimos o mais antigo e tradicional da cidade, o Iguatemi,
que depois de duas reformas, também conquistou ares de
“mega-shopping”, sem perder sua classe. Tem charme próprio,
a começar por estar situado na Avenida Faria Lima, que só
perde em importância, na cidade, para a Paulista. Aproveite
para conhecer esta avenida, que em seu percurso original
também não era muito longa, mas seu prolongamento a fez
unir-se à região onde se constrói o futuro chic da cidade.
Todas as principais redes de
lojas finas do País estão presentes no Iguatemi. Suas
vitrines, além de colírio para os olhos, são um passeio pela
moda, que também está presente em boa parte de seus
frequentadores, talvez por estar localizado no coração dos
bairros finos das cidade, os Jardins Paulista e Paulistano e
a uma ponte do Morumbi, o mais rico e famoso. Cinemas,
restaurantes e lanchonetes, em diferentes pontos do
shopping, também ajudam a fazê-lo diferente, além de
propiciar áreas de descanso no longo percurso necessário
para conhecê-lo inteiramente
Simba Safari
Passeio indicado para os que visitarem São Paulo de
automóvel, pois é distante do Centro, pelo tipo de aventura
em que o veículo entra no parque onde estão soltos leões,
tigres, macacos, zebras, antílopes e outros animais
africanos, num total de aproximadamente 300, que
tranqüilamente permitem que você se acerque com o automóvel,
quase os tocando.
São mais de 100.000m2 de parque, com segurança treinada para
orientá-lo quanto à maneira correta de observar os animais e
eventualmente alertar para algum abuso ou negligência que
possam pô-lo em risco. Não são aceitos veículos com teto
solar e para os que chegaram a São Paulo por ar ou de
ônibus, o parque dispõe de kombis para que você não perca
esta sensacional atração. Atenção para os preços e horários:
Terça a sexta, das 10h às 16:30h, e sábados, domingos e
feriados, das 9 às 16:30. Carro próprio paga de R$21,50 (um
adulto) a R$59,00 (seis adultos). A kombi do parque cobra
R$11,00 por pessoa.
Jockey Club
Passeio sofisticado e elegante para as noites de segunda,
quarta e quinta-feira, para os que gostam ou para os que
desejam um lugar requintado, como o terraço panorâmico.
Nesses dias, quase toda a Zona Sul da cidade visualiza o
clarão da super iluminação da pista, o que facilita
inclusive a sua localização para os que estejam indo pela
primeira vez.
Aos sábados e domingos, a programação das corridas se
desenvolve no período da tarde, iniciando-se às 14h e
terminando às 20h. Sua localização é a Marginal do Rio
Pinheiros, com entrada pela Av. Lineu de Paula Machado,
bairro Cidade Jardim, como também é conhecido o Jockey Club
de São Paulo.
Instituto Butantã e USP
Próximo ao Hipódromo, se localizam dois ninhos de cobras
muito conhecidos da cidade: um deles é o centro de pesquisas
de animais peçonhentos, comumente conhecidos como cobras,
incluindo dois museus e a atração maior que são
serpentários, onde podem ser vistas cobras de quase todas as
partes do mundo. O outro é a cidade universitária da USP,
com suas centenas de mestres e doutores. Vale a visita pela
conservação de seu extenso campus, que tem, além de uma
linha de ônibus interna, uma prefeitura para administrá-la,
tal o seu tamanho.
Diversões
Igualmente são muitas e variadas. Opte pelo gosto da
maioria. Se tiver que decidir, lembre das duas mais
conhecidas: a primeira e mais tradicional, o Playcenter,
localizado na Marginal do Tietê, que faz o contorno da
cidade e é facilmente identificada por seus brinquedos mais
altos, ou pelas proximidades dos edifícios da Editora Abril
e do jornal O Estado de São Paulo.
Parque nos moldes dos maiores americanos, com as atrações
típicas dos mesmos, com montanha russa, teleférico e uma
infinidade de jogos e brinquedos que satisfazem não só
crianças e adolescentes, como também os próprios adultos,
que a exemplo das crianças, não querem mais ir embora. Opção
mais nacionalista é o Parque da Mônica, criação do
desenhista Maurício de Sousa, o primeiro parque temático do
Brasil, está localizado dentro do Shopping Center Eldorado,
na Avenida Rebouças, junto à Marginal do Rio Pinheiros que,
para quem não conhece, é a continuação quase natural da
Marginal do Rio Tietê, bastando observar as placas
sinalizadoras próximo ao “Cebolão”, o maior complexo de
viadutos do País, com extensão superior à da ponte
Rio-Niterói.
Nesse espaço destinado às crianças, elas se divertem com
cenários e personagens da Turma da Mônica. Os mais
procurados são: a Turma do Pedalinho, a Casa do Louco, o
Teatro da Turma, a Fórmula Zoom e o Cinema 3D.
Esportes e Noite
Pela grande diversidade de opções, serão objeto de outra
matéria, que abordará estádios, autódromos, ginásios e
outros locais para prática de esportes, bem como bares,
restaurantes, discotecas e outras casas noturnas, sem
conotação comercial, simplesmente destacando o que é
imperdível em São Paulo, como por exemplo, a esquina da
Ipiranga com a Avenida São João, imortalizada por Caetano
Veloso e cantada por quatro em cada três paulistanos.
Explico melhor: três que moram em Sampa e um que, como eu,
já morou e continua apaixonado pela mais louca cidade
brasileira, a cidade que nunca pára.
PUBLICADO NA JAO Nº 23 NOV/DEZ 2000 PELA EDITORA MAIO