RIO DE
JANEIRO A
DEZEMBRO
Maravilhosa Cidade
ANTÔNIO INÁCIO
RIBEIRO
Descer no Galeão, agora Antônio
Carlos Jobim, alugar um carro, pegar a Linha Vermelha, subir
no Elevado Paulo Frontin, cruzar os túneis Rebouças e Dois
Irmãos, contornar a Lagoa Rodrigo de Freitas, passar outro
túnel, chegar a São Conrado, ir por cima de uma autopista de
dois andares, chegar na Barra da Tijuca, cansar de ver gente
bonita, indo até o Recreio, voltar pela Avenida Niemeyer,
descer no Leblon, cruzar Ipanema pela Viera Souto, olhar o
Arpoador e entrar em Copacabana pela Avenida Atlântica até o
Leme, cruzar o túnel, dar uma volta na Urca, ver o Pão de
Açúcar, percorrer o aterro, passando por Botafogo e
Flamengo, e pegar a Ponte Aérea no Santos Dumont, é
overdose... de beleza.
Dizer que ainda assim não conheceu o Rio é verdade. Faltou o
Cristo Redentor, a Ponte Rio Niterói, Paquetá, a Lapa e seu
Bondinho, a Catedral, a Marquês de Sapucaí, a Confeitaria
Colombo, os Museus de Arte Moderna e Belas Artes, o
Maracanã, o Belvedere Dois Irmãos, a Vista Chinesa, a
Floresta da Gávea, o Planetário, o Jardim Botânico, o
Autódromo Nelson Piquet e o Rio Centro. Sem falar de um
chopinho, um bar, um restaurante, uma boate, samba e
mulheres bonitas. E muito papo. E mais um chopinho. Outra
overdose... de prazer.
A partir daí você já estará começando a falar arrastado,
como o carioca, dizendo que esta é a melhor, a maior e mais
bela cidade do mundo, que é Flamengo, Vasco, Botafogo ou
Fluminense, torce pela Portela, Mangueira, Imperatriz, Beija
Flor ou outra, vai se imaginar trabalhando na Globo, nem que
seja um Bozó, querendo morar na Barra, para ver a sua pele
bronzeada depois de muitos dias de praia, e dizer que é
amigo de muitos artistas, os quais apenas viu caminhando em
um dos muitos calçadões da cidade. Pena que as férias
terminaram, o dia de voltar chegou, o sonho acabou e está na
hora de acordar e voltar para casa.
Para quem for conhecer a cidade maravilhosa, algumas dicas.
Não fique nos lugares mais badalados tipo Copacabana,
Ipanema ou Barra. São mais perigosos e tudo neles é mais
caro, pois neles se paga o preço do turista internacional,
onde até as gorjetas são aferidas em dólares. Se não for de
carro, busque a conveniência de um metrô por perto ou a
comodidade de um “frescão”, ônibus com ar condicionado que
cruza a cidade de ponta a ponta, facilitando o acesso aos
principais pontos turísticos. Tendo espírito de aventura,
ande de ônibus. São seguros, embora abriguem muitos pilotos
aperfeiçoados nas transmissões da Fórmula 1. Pergunte sempre
que preciso, inclusive para não andar em lugares que não são
tão seguros. E não esqueça de fazer como os da terra: evite
tudo que o identifique como turista: relógios, jóias,
bolsas, filmadoras. Máquina fotográfica, só das pequenas e
baratas.
Comece pelas atrações fáceis e obrigatórias. O Cristo
Redentor é uma boa, pois, além de belo, dá uma idéia geral
da cidade e mostra a maioria das coisas a visitar. O Pão de
Açúcar é outra. Preste atenção, pois neste bairro mora
Roberto Carlos, que costuma ir à missa sem seguranças. A
próxima parada é Copacabana. Além de garotas e garotos, veja
o Copacabana Palace e os hotéis, que no passado soltavam
cascatas de fogos no 1º do ano. Caminhe pela beira mar,
mesma sugestão para Ipanema, pois, em ambas, certamente
encontrará alguém conhecido, não de sua cidade, mas das
telas, das revistas ou dos jornais. O Arpoador, rochas e
morros entre as duas, é um lugar de vista privilegiada e de
surfistas. A Avenida Niemeyer, encravada na rocha e
separando o internacional Hotel Sheraton de uma favela e
servindo de endereço para um motel de cinema, é o caminho
para São Conrado, onde se encontra a Favela da Rocinha,
passagem obrigatória para a Barra, a mais badalada e maior
das praias da cidade. Se tiver sorte, vai encontrar Romário
jogando futevôlei. Um ônibus até o Recreio dos Bandeirantes
vai mostrar como é grande o futuro do Rio de Janeiro.
Se tiver interesse, na sua parte interna estão o autódromo
da cidade e o Rio Centro, onde se realizam o congresso da
ABO e outras grandes feiras e eventos. Voltando por dentro,
poderá ir à Floresta da Tijuca, Jardim Botânico, onde, além
de muitas espécies vegetais, poderá conhecer o lugar das
estrelas globais. A lagoa Rodrigo de Freitas é mais um
postal da cidade, assim como o Jockey Club e o estádio da
Gávea, onde você não entenderá como ali cabe a maior torcida
do Brasil. Se for domingo ou quarta à noite, provavelmente
ela estará no Maracanã, perto da outra Tijuca, o bairro, um
dos mais populosos da cidade.
No centro antigo, de acordo com os interesses, vale uma
visita ao Morro de Santa Tereza, onde, além de Roberto
Marinho, vivem outras celebridades. Um bondinho que passa
por cima dos arcos do antigo aqueduto da Lapa é um belo, mas
arriscado, passeio. A Catedral e o edifício sede da
Petrobrás são construções modernas que chamam a atenção e
devem ser visitadas. Assim como os antigos: Teatro
Municipal, Museu de Belas Artes, Biblioteca Nacional e a
igreja da Candelária.
Não se preocupe em não ter podido visitar todos os pontos
atrativos da cidade. O mesmo aconteceu conosco, que não
pudemos aqui descrever todas, e acontece com a maioria dos
turistas estrangeiros, que fazem disto a razão de ser o Rio
de Janeiro, o destino mais procurado para re-visitas. Volte
com a certeza de que um dia voltará. E o Cristo Redentor e
os cariocas estarão de braços abertos para recebê-lo
novamente.
PUBLICADO NA JAO Nº 30 DE JAN/FEV 2002