QUITO A CAPITAL DO EQUADOR
ANTÔNIO INÁCIO
RIBEIRO
Com quase dois milhões de
habitantes, é uma surpresa para aqueles que, como a maioria,
não a conhecem e dela muito pouco ouviram falar. A chegada
por via aérea é um impacto, pois Quito está situada em um
vale ao lado da Cordilheira dos Andes, ao pé do vulcão
Pichincha, o maior entre outros vulcões de cerca de 3000
metros que rodeiam a cidade, com seus picos cobertos de
neve, numa paisagem difícil de imaginar, em se tratando da
linha do equador.
Os que a visitam serão bombardeados com informações acerca
de sua fundação, história, período inca, período colonial e
as transformações no período da independência e a mudança
radical, ora em curso, transferindo o centro comercial para
a área nova e preservando o centro histórico e colonial
quase que integralmente para o turismo. A parte nova, igual
à maioria das cidades em desenvolvimento, também não carece
de maiores comentários, em vista da quantidade de coisas a
ver e a relatar de sua parte antiga, que justificaram a sua
declaração, pela UNESCO, como Patrimônio Cultural da
Humanidade.
Geograficamente bem delimitado em um raio de um quilômetro
ao redor da Praça da Independência, não é permitida nenhuma
modificação urbanística no setor histórico. É justamente
neste perímetro que se concentram os atrativos e para onde
convergem os dois corredores de ônibus que, para gáudio de
curitibanos e brasileiros, são exportação de tecnologia no
transporte de massa, usado na capital dos paranaenses. Não
só no projeto e execução, como também na fabricação dos
ônibus, tudo genuinamente brasileiro, o que nos enche de
orgulho e pelo qual somos lembrados sempre e quando alguém
nos identifica pelo idioma.
Sua origem remonta a 2500 anos antes da chegada dos
descobridores espanhóis, quando os incas se impunham entre
outros povos da região, ditando colonização e cultura, a fim
de monopolizar a região que eles chamavam de ”a eterna
primavera”, por sua temperatura quase constantemente ao
redor dos quinze graus. Nela quase não se distingue o verão
do inverno, a não ser pela época de seca ou de chuvas, se
bem que estas são quase sempre na forma de aguaceiros nos
finais de tarde.
A Praça Grande, como também é conhecida, é o coração da
cidade. Nela se encontram o Palácio de Governo, a
Prefeitura, a Catedral e o Palácio Arcebispal, como toda
cidade de origem espanhola. Seu centro é demarcado pelo
monumento aos heróis, que foi construído na Itália e
trasladado, em partes, até onde se encontra. Sua figura de
destaque é o condor, ave símbolo dos Andes, e o leão,
simulando sua ligação com a Espanha. Para visitação ao seu
interior, a Catedral é entrada obrigatória, já que sua
construção data de 1535, muito embora tenha sido
reconstruída em 1797, por causa do grande terremoto que
quase a destruiu.
Aproveitando o espírito religioso, vale visitar, na
seqüência e imediações, a Igreja do Sacrário e a da
Companhia de Jesus, seguramente a mais impressionante visita
da cidade, com suas colunas salomônicas, que se reproduzem
em seu interior, reluzentes de esplendor, por seu
revestimento em ouro, abundante no século XVII, época de sua
construção definitiva.
Mudando de praça, deve-se ir para a de São Francisco, onde
se encontram o mosteiro e a igreja de mesmo nome, os mais
antigos do país, ocupando três quilômetros quadrados.
Depois, para a de Santo Domingo e, posteriormente, para a
Basílica de Mercedes, onde se encontram as igrejas de mesmo
nome. Aos que estão pensando que se visita quase só igrejas,
deve-se ainda visitar as de São Diego e Santo Agostinho,
porque no passado e presente dos espanhóis a igreja ocupou e
ocupa lugar especial, sendo comum pessoas assistirem missas
todos os dias, fazendo com que as igrejas estejam sempre
cheias de fiéis e turistas. Para variar, pergunte pela Casa
de Cultura, Teatro Nacional e Hemeroteca. Não deixe de pegar
as duas linhas de ônibus da cidade, indo até o final e
voltando. É um ótimo e barato passeio para conhecer hábitos
e costumes dos equatorianos, um povo simples e atencioso.
PUBLICADO NO JAO Nº29 DE NOV/DEZ 2001