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AS MISSÕES /

LAS MISIONES

Como sai caro a falta de informação e de conhecimento! Não raras vezes, e não com poucos, acontece de gastarmos milhares de dólares, semanas em cansativas viagens para ver coisas que nem sempre nos impressionam e que muitas vezes nem merecem o destaque que tem ou que lhe é dado por um forte marketing das agências de turismo.

Como sai caro a falta de informação e de conhecimento! Não raras vezes, e não com poucos, acontece de gastarmos milhares de dólares, semanas em cansativas viagens para ver coisas que nem sempre nos impressionam e que muitas vezes nem merecem o destaque que tem ou que lhe é dado por um forte marketing das agências de turismo.

Entro desta forma no assunto, para dizer que o belo e histórico, o curioso e pitoresco, o diferente e emocionante nem sempre estão longe, e como a felicidade, muitas vezes está bem mais próxima do que imaginamos.

O título em português e em espanhol não é porque somos lidos em países da América Latina, mas sim porque a atração com que queremos motivar sua próxima viagem situa-se em territórios de três países: Brasil, Argentina e Paraguai, o que por si só já, dá um caráter internacional à nossa viagem, muito embora as missões estejam à 1500 quilômetros de São Paulo, o que em se tratando de um país continental como o nosso, não é uma distancia muito grande, até porque se localizam entre 250 e 500 quilômetros de Foz do Iguaçu, uma outra atração bem servida de acessos, o que diga-se de passagem, pode servir de opção para uma viagem de uma semana ou dez dias nas cataratas.

HISTÓRIA
Diferentemente do que poderiam pensar os brasileiros, as missões começaram a partir do Paragauai, mais precisamente de Assunción, onde os espanhóis fizeram um acordo com os padres jesuítas pelo qual estes se encarregariam de aculturar os indígenas que habitavam a região compreendida entre os rios Paraguai e Uruguai e depois de civilizados ao mundo espanhol, usá-los para defesa de suas terras e busca de riquezas que caracterizavam o espírito colonialista da época.

Neste objetivo, por volta de 1600, os jesuítas fundaram quase cinqüenta reduções, que é como chamavam as aldeias de índios por eles organizadas. Destas, vinte e nove tem vestígios até hoje, sendo sete em território brasileiro, catorze no argentino e oito no paraguaio. Algumas chegaram a ter quase dez mil habitantes, com uma organização urbana e social que fazia inveja às cidades da época, o que pode ter contribuído para o seu extermínio. Seu apogeu envolveu riqueza a partir de um modelo de desenvolvimento econômico baseado na agricultura, com evoluções que chegaram ao domínio da fundição do ferro, um pioneirismo para a época, nesta região do planeta.

Outra particularidade das reduções, era o fato de não haverem propriedades particulares, nem de terras, nem de bens. Tudo era de todos e a vantagem do índio era receber tudo o que precisava para viver, produzir e constituir família.

Nem a herança era passada aos filhos que casando-se muito cedo (por volta dos quinze anos), propiciavam um desenvolvimento rápido. A habilidade dos espanhóis na arquitetura muito colaborou para que as missões além de organizadas fossem também bonitas. A qualidade das construções em muito contribuiu para que se tenha até hoje ruínas em bom estado de conservação.

A duração da presença dos jesuítas nas missões durou cerca de cento e cinqüenta anos, sendo sua expulsão ainda não totalmente esclarecida, só sendo justificada pelas desavenças entre espanhóis e portugueses durante o período de colonização da América, incluindo-se nestas as questões de demarcação de terras, item em que os povos indígenas ficaram no epicentro de conflitos por estarem localizados numa região que envolvia interesses dos dois países.
 

LADO BRASILEIRO
São sete os povos das missões em nosso território, a saber: Santo Ângelo, São Miguel, São João, São Nicolau, São Luís, São Lourenço e São Borja. Comparativamente com as missões na Argentina e Paraguai, as brasileiras estão em pior estado de conservação, não existindo nenhuma que conserve a aparência original de cidade. A de maior interesse para o turista é São Miguel, por ostentar em bom estado sua igreja e por apresentar à noite um espetáculo de luzes e história das missões.

Como curiosidade, a catedral de Santo Ângelo, cidade mais indicada para se pernoitar durante a visita à região missioneira é uma réplica da igreja de São Miguel, existindo na cidade um bom museu e razoável volume de informações e souvenirs. Outra que merece visita é a redução de São João Batista, até por que foi lá que o apogeu dos índios chegou até o domínio da fundição do ferro.

A caminho de São Luís Gonzaga, que pouco tem para mostrar de seu passado missioneiro, pode-se visitar o lugar em que foram mortos os padres Roque Gonzales, Afonso Rodrigues e João de Castilho, considerados os mártires dos jesuítas. É uma fonte pitoresca, com uma capela e via sacra. Não confundir esta com as Fontes Jesuíticas que situam-se perto das ruínas de São Miguel e que em recentes estudos ficou comprovado como sendo o sistema de abastecimento de água potável para a redução.

A porta de saída do Brasil para o lado argentino passa por São Borja, que no tempo das missões era conhecida como São Francisco de Borja, mesmo não tendo quase nenhum atrativo por conta das missões, merece ser visitada por ter sido cidade natal de dois ex-presidentes: Getúlio Vargas e João Goulart. A passagem para a Argentina é feita por moderna e grande ponte com cabos de aço típicos das pontes americanas, mas com um desenho arrojado e moderno.
 

LADO ARGENTINO
Nesta mesopotâmia em versão latino-americana, onde localizam-se as províncias (estados) de Entre Rios, Corrientes e Missiones, concentram-se em maior número as reduções jesuíticas, catorze ao todo. É também o País em que os povos estavam mais dispersos, numa distância de aproximados trezentos quilômetros.

De todas, a mais concorrida é San Ignacio Mini, por ser aquela em que as edificações encontram-se em melhor estado de conservação e onde a mão do homem atuou no sentido de preservar e acrescentar melhores condições de infra-estrutura turística. Localiza-se a 59 quilômetros de Posadas, capital da província de Missiones e melhor cidade da região, servida por boas estradas e que conta com moderno aeroporto com vôos regulares a Puerto Iguazu, na fronteira com o Brasil.

Em San Ignacio Mini tudo esta conservado. Pode-se observar perfeitamente a organização social da cidade, a igreja, a praça principal, hospital, cemitério, colégio, cadeia, casas dos índios simetricamente bem dispostas, relógio de sol, horta, dentre outras. Merece um dia de visitas ou mais para aproveitar e conhecer duas outras reduções menores nas proximidades: Corpus e Loreto.

Como atrativo adicional, em cerca de cem quilômetros de excelente rodovia, localiza-se Yacyreta, a Itaipu dos argentinos, a maior barragem do mundo, em extensão, com seus setenta quilômetros de ponta a ponta. Aqui podemos pernoitar em um pitoresco hotel à beira do rio, dentro da cidade construída para alojar os engenheiros que trabalharam na construção da barragem. Para os aficionados da pesca, ela localiza-se na intendência (município) de Ituzango, o paraíso da pesca argentina em água doce. A caminho das missões paraguaias podem ser vistas outras missões de menor importância.
 

LADO PARAGUAIO
Sem dúvida é onde as edificações encontram-se em melhor estado de conservação. As de melhor acesso para os brasileiros são as de Jesus, Trinidad e São Cosme, porque localizam-se perto de Encarnación, que é a cidade paraguaia que faz fronteira com a argentina Posadas, também ligadas por uma excelente ponte.

Uma opção aos provenientes de Foz do Iguaçu por terra é virem pela estrada argentina (passando por San Ignacio) e voltando pela estrada paraguaia, também nova e em bom estado e que leva em menos de trezentos quilômetros à Ciudad Del Este.

De todas as reduções dos três países, a que está em melhor estado e a mais completa para se entender o estado de desenvolvimento atingido pelos nossos indígenas é a de Trinidad, que se encontra a menos de um quilômetro da estrada e a igreja melhor preservada e restaurada é a de Jesus, localizada no lado oposto da mesma estrada, com o detalhe, que em dias de chuva não é aconselhável sua visitação por veículos de passeio. Havendo possibilidade, a simples ida a estas duas reduções dá-nos uma dimensão das missões paraguaias, ficando as demais, mais distantes, para os aficcionados ou que disponham de mais tempo.
 

FINAL
Indiscutivelmente as missões são uma lição da nossa história, tão bela, rica e desconhecida do nosso povo, que muitas vezes sai em busca de outros continentes, sem antes conhecer bem o seu próprio País, que depois dos quinhentos anos tem ainda muito mais história para contar.

PROPÓSITO
Com as cerca de 20 colunas já publicadas no JAO - Jornal de Assessoria ao Odontologista, mais as outras 15 a 20 que ainda vamos publicar, temos intenção de juntá-las em um livro, com fotos, que bem poderá ser um roteiro de viagens para toda a América do Sul, da qual só não conhecemos ainda a Bolívia e os estados do Amazonas, Pará, Maranhão e Piauí, que espero conhecer em breve.

 

 

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