GRAMADO E CANELA
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NA ROTA DO SUL
ANTÔNIO INÁCIO
RIBEIRO
Somos um povo quente, num país
tropical. Nosso território é cortado pelo Equador em sua
parte mais extensa e em sua maior área, as temperaturas são
altas. Em boa parte do Brasil, frio é notícia na televisão.
O bom do turismo é conhecer lugares diferentes, com clima
idem, costumes e hábitos distintos. Para ver, comer e
comentar. Talvez por isso muitos europeus e argentinos
adoram o Brasil. Nossa origem portuguesa nos levou a viver
preferencialmente perto do mar e rios e em lugares quentes.
Poucas são no Brasil as cidades onde o frio é a
característica. Talvez seja exatamente por isso que Gramado
e Canela sejam atração. Com alemães e italianos em sua
composição, ricamente manifesta em sua arquitetura.
Nem por isso você vai passar ou sofrer com o frio. Todos os
bons hotéis e restaurantes têm calefação ou aquecimento. As
comidas possuem calorias próprias e os passeios externos são
feitos em horários apropriados. Sem falar no calor humano.
Distante 1.000 quilômetros de São Paulo e cerca de 1.500 do
Rio de Janeiro, a Serra Gaúcha está a um terço da distância
de Bariloche e um décimo da Europa, com preços
proporcionalmente mais baixos e em reais. Duas são as opções
de chegada: por Caxias do Sul (a 65 km), a cidade industrial
que mais cresce no Sul do país ou por Porto Alegre (a 130
km), a capital dos gaúchos e do chimarrão. Embora as duas
cidades somadas tenham mais de 100 hotéis e mais de 15.000
leitos, não vá sem reserva, principalmente nas épocas de
eventos turísticos maiores: Natal Luz, Festival de Cinema
(agosto), Páscoa, Festa da Colônia Festival de Inverno e
durante o mês de julho. Aproveite para consultar sobre
pacote que inclua as principais atrações turísticas da
região. Se quiser deslumbramento total vá entre novembro e
fevereiro, quando milhões e milhões de hortênsias aguardam
sua pose na fotografia.
Como primeiro passeio, escolha ver sem parar a moderna
estrada que liga Gramado a Canela. São 7 quilômetros de
lojas com estilo alemão, restaurantes italianos, sem faltar
o tradicional churrasco gaúcho e o folclore, com músicas e
danças típicas. Uma opção para os turistas são os ônibus
caracterizados com janelas próprias para desfrutar o
panorama. Neste trajeto estão três atrações imperdíveis, até
para quem já esteve antes: a nova cascata do Caracol, agora
vista de um teleférico, onde você pode se deslumbrar vendo-a
desde o alto do morro até quase na sua base, sem ter que
caminhar, apenas admirando, de uma moderna e segura
cadeirinha. Para os que gostam da natureza, no acesso ao
parque está o maior e mais antigo pinheiro do sul do país.
Lembrete: o Parque do Caracol só perde em número de
visitantes para o Parque do Iguaçu onde está outra queda
d’água famosa.
Parada obrigatória também, é o museu de carros antigos e
motos Harley Davidson. Não são carros velhos e sim jóias das
décadas de 50 e 60 em impecável estado de conservação, todos
com interiores retratando a opulência e esplendor daquelas
décadas. É uma viagem no tempo, com lembranças não muito
distantes, dos carrões que circulavam por nossas ruas. Outra
atração obrigatória é uma visita ao mundo a vapor, uma
coletânea de miniaturas de vários tipos e aplicações de
máquinas a vapor utilizadas no século passado, inclusive uma
da famosa barcaça do Rio Mississipi. Dois lagos dão moldura
para a maravilhosa beleza natural de Gramado: o Rita Bier do
Parque Hotel, onde em dezembro se realiza o mega concerto do
Natal Luz, com mais de mil vozes num coral digno do Guiness
e o Lago Negro, uma Europa incrustada na natureza da América
Latina. Tendo tempo e espírito, uma das maneiras de
desfrutar sua vegetação é dar um passeio com barco a pedal.
Outra é dar a volta ao lago caminhando por entre plátanos e
ciprestes oriundos da Floresta Negra da Alemanha. Próximo ao
Parque Hotel está o Mini-mundo, uma cidade em miniatura que
é o delírio das crianças. Ao redor do Lago Negro existe um
bairro de mansões e vistas deslumbrantes para o vale, em
direção a Porto Alegre.
Vista em forma de panorama, com mirante, tem-se também em
outro hotel famoso, o Laje de Pedra, onde, nos dias sem
nuvens, pode-se apreciar a paisagem num raio de mais de cem
quilômetros. A noite é um dos “points” da região e, ao meio
dia, almoço com uma das melhores vistas no cardápio. Afora a
estrada que liga as duas cidades, as ruas principais de
ambas estão repletas de lojas com malhas, móveis, chocolates
e produtos regionais, com preços que não nos deixam
resistir. Em Canela, o centro das atrações é uma igreja de
pedra, que, se for vista iluminada, à noite, é foto
obrigatória e cartão postal da cidade. O apelo turístico da
região é tão forte e seu potencial tão alto que, no momento,
estão sendo construídos de uma só vez, dois mega centros de
convenções que, em breve, estarão colocando estas duas jóias
do Rio Grande do Sul em um circuito diferenciado: o dos
grande eventos, feiras e congressos, fazendo da região sul
do país, o novo destino dos brasileiros, que já tinha como
polarizantes as cataratas de Foz do Iguaçu e a Octoberfest
de Blumenau.
PUBLICADO NA JAO Nº 13 DE MAR/ABR 1999