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UM NOVO MODELO DE CONGRESSOS



No número anterior, escrevi uma matéria acerca dos problemas atuais da Odontologia sem apresentar soluções. Em função da repercussão da matéria e dos debates que provocou, percebi que o tema merece análise mais profunda, principalmente junto àqueles que convivem com tais problemas no seu dia-a-dia e sentem na pele suas conseqüências. Vários tópicos foram abordados, como: diminuição da receita, aumento dos custos, novas despesas, pacientes mais exigentes, aumento da concorrência, queda nos valores, condições de pagamento, convênios e planos de saúde, entre outros (Leia no JAO 22).
 

Refletindo sobre a melhor maneira de fazê-lo, que apresentasse resultados imediatos, ocorreu-me a idéia de sugerir que os congressos da categoria não tivessem somente feira, cursos e conferências, mas abrissem espaços para discussões sobre problemas que afetam aqueles que exercem a profissão, tendo uma perspectiva de dias melhores, não só pela atualização, mas também pelas soluções para problemas comuns.
 

O ideal seria que fossem montadas comissões para análise e debates para cada um dos problemas, onde as dificuldades não seriam apresentadas e sim discutidas pelos interessados, que teriam para essas atividades livre acesso, bastando, para tanto, que estivessem inscritos no congresso. Poderia ser constituída, através de um telefone da entidade, uma ouvidoria, para que os associados votassem previamente nos problemas que julgam mais graves para a região, de forma que se pudesse formar comissões para discutir os problemas mais votados. Um ativador e um moderador seriam bem-vindos para ordenar e conduzir as participações, além de um secretário que se encarregaria de anotar as proposições e, ao perceber que o tema discutido está maduro, promovesse votações, de forma que os resultados refletissem posições da maioria.
 

Tais soluções poderiam, a partir deste novo modelo de congressos, ser apresentadas na forma de conclusões nos periódicos da entidade que promoveu o evento, tornando congressos e entidades mais próximos de seus associados e participantes, cumprindo outra de suas funções: a busca conjunta de soluções para os problemas da classe.
 

Este dividendo, para o associado, representará mais do que resultados financeiros dos congressos (ainda que transformados em sedes e patrimônio), principalmente se considerarmos benfícios práticos imediatos ao associado, que na maioria das vezes luta isolado em seu consultório contra um mundo globalizado, sem chances de interferir. Dessa maneira, pelo menos no que lhe diz respeito, teria condições de participar.
 

Talvez a mudança mais importante promovida por este novo modelo seria o fato de tornar os congressos mais participativos, onde os participantes deixassem de ser meros ouvintes e conquistassem seu espaço, também para falar, motivando novamente os que acreditam que já não existem tantas novidades que justifiquem tantos cursos, muitas vezes repetitivos, que já havia visto em congresso anterior.

Antônio Inácio RIBEIRO
Diretor Científico

PUBLICADO NA JAO Nº23 DE JAN/FEV DE 2001 PELA EDITORA MAIO

 

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