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Cinqüenta anos em cinco
Acabo de completar meio século de existência, desejando
que a medicina me permita completar a outra metade. Tenho um
avô e uma avó que passaram dos noventa e seria ótimo poder
usufruir mais de tudo o que aprendemos e plantamos. Acompanhei
a construção de Brasília e a chegada do homem à Lua. Lembro-me
da notícia da morte de John Kennedy e de Tancredo Neves. Fui à
inauguração da Ponte da Amizade e senti orgulho quando cruzei
a Rio-Niterói. Estive em Itaipu e na Bacia de Campos.
Atravessei todos os túneis do Rio e o Ayrton Senna em São
Paulo, sentindo um misto de orgulho e emoção. Torci nas copas
de 58 e 62 pelo rádio e nas de 70 e 94 pela TV, acompanhei as
vitórias de Fittipaldi, Piquet e Senna, tendo-o conhecido
pessoalmente. Hoje sou torcedor de Guga, a quem dediquei meu
livro do sucesso. Curto as nossas grandes obras e feitos.
Estou certo de que verei o Brasil como grande potência
mundial, se não a primeira, mas certamente uma das três
maiores.
Atualmente participo de dois
empreendimentos vitoriosos, de grande crescimento e sucesso: a
Odontex e a direção científica e editorial do JAO. Vejo, sinto
e confio que, se derem chance, o brasileiro chega lá. Não
precisa emprestar dinheiro ou isentar impostos, é só dar-lhe
oportunidade. Temos persistência e espírito empreendedor.
Somos de luta e trabalho. Temos um território e um mercado
invejáveis. Temos fontes de energia, muito mar e uma terra que
tudo dá. Um povo trabalhador e alegre, com gosto de viver.
Tudo conduz a uma grande nação. A uma superpotência mundial.
Temos quase tudo para sê-lo.
Particularmente quero progredir.
Tenho uma empresa que vai completar 25 anos, já publiquei 20
livros, ministrei quase 150 cursos, fabrico mais de 600
componentes implantológicos, mas sinto que pouca atenção é
dada a quem faz. Sempre quem desfaz é mais notícia. A mídia
tem pouco espaço para quem produz. Também, com tanto escândalo
para noticiar, tanta safadeza para cobrir, as atenções estão
quase sempre voltadas para o que estão roubando e para quem
está mentindo. Sobra pouco espaço para quem é honesto. Se não
vamos com nossa própria força a divulgar o que fazemos,
ninguém tomará conhecimento.
Pena que a maioria só lembre disto
depois das eleições. Com muito esforço e desgaste de imagem,
cassamos o mandato de um ou outro, mas quantos continuam a
enganar, quando foram escolhidos unicamente para representar?
Se juntássemos tudo o que foi investido em projetos não
concluídos, mas que tiveram suas verbas consumidas, daria para
se construir um outro Brasil, maior do que o que temos e estar
como imagino, entre as três maiores potências deste mundo. Se
bem que esta conta não sirva para nada, pois este dinheiro não
voltará. O que precisamos é nos livrar desses corruptos que só
fazem despertar nossa ira e atrasar nosso crescimento.
Exercite sua cidadania. Valorize
quem faz e distancie-se de quem desfaz. E conscientize quem
não sabe votar. Temos tempo até a próxima eleição. Que será
decisiva.
Antônio Inácio Ribeiro
PUBLICADO NA JAO Nº25 DE MAI/JUN DE 2001 PELA EDITORA MAIO
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