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Mudança no Ranking
Quando pergunto, em meus cursos de marketing odontológico,
qual é a especialidade odontológica com maior número de
profissionais, a resposta é sistematicamente a mesma:
ortodontia. Até dezembro passado, comentava o engano,
surpreendendo a muitos, com a informação de que a campeã de
especialistas era a endodontia.
A partir deste ano, uma mudança
nas primeiras posições guindou a odontopediatria à condição de
maior especialidade da Odontologia. O fato em si constata uma
dinâmica entre as preferências por cursos de especialização,
mas traz consigo algo maior. Uma mudança na postura dos
tratamentos odontológicos, que com a endodontia se
caracterizavam por curativos restauradores e que na
odontopediatria denotam uma clara tendência preventiva.
Esta nova realidade, talvez também
conseqüente de uma aspiração atual dos pacientes e seus
responsáveis pela cultura de saúde bucal, deve mudar também o
enfoque dos profissionais quanto ao direcionamento de suas
carreiras, partindo de um anseio e chegando à conclusão de uma
realidade já conhecida em outros centros: a prevenção mudará o
futuro da Odontologia.
Para reflexão das posições
intermediárias, em ordem de preferência, encontram-se a
ortodontia, a prótese e a periodontia, em que a lógica
consecutiva é confirmada pela fase da vida em que cada uma
intervém, ficando como surpresa da análise o fato de mais se
interessarem pela radiologia do que pela dentística.
No extremo oposto, a prótese buco,
que em mais de vinte anos motivou apenas 38 profissionais a
ela se dedicarem em todo o país. Como a 2ª ANEO ousou em criar
cinco novas especialidades, a 3ª poderá se preocupar em
reavaliar as outras que menos tem mobilizado interesse:
estomatologia, odonto legal e patologia bucal, que no Mato
Grosso (estado cujo Jornal do CRO nos forneceu os dados para
esta análise) não sensibilizaram um único interessado nos
últimos dez anos.
Antônio Inácio RIBEIRO
Diretor Científico
PUBLICADO NA JAO Nº30 DE MAR/ABR DE 2002 PELA EDITORA MAIO
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