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EMPRESA ODONTOLÓGICA



Muito se discutiu sobre o lado amadorístico do futebol brasileiro em décadas passadas. Algumas verdades maiores são inquestionáveis: ele era mais bonito, os jogadores tinham mais suor na camisa e a torcida mais amor do que a paixão e violência dos dias de hoje. O lado negativo eram os resultados, não os títulos, mas os financeiros. Exatamente neste ponto crucial e comum com a Odontologia de nossos dias queremos tocar, fazendo uma analogia com o futebol dos novos tempos.
 

A arte de Fouchard continua bela e cada vez mais apaixonamte, com as contínuas evoluções. O que têm preocupado aos que a ela se dedicam são justamente os resultados, cada vez mais apertados, com muitos empates e poucas vitórias no livro caixa. O público também diminuiu e nem as vantagens das cotas de televisionamento existem aqui para compensar. O jogo está difícil e é preciso virá-lo!
 

Algumas alternativas de cooperativismo e de planos odontológicos têm aparecido como tentativas de solução para este problema de todos. Acreditamos que em horas de crise todas as experiências são válidas. Algumas delas dão resultados para alguns, para outros não. Como administrador de empresas, entendo que na hora da redução das receitas temos que prestar redobrada atenção nas despesas, mas muito mais do que isto precisamos rever o processo. Para ativar receitas, o amadorismo do relacionamento direto profissional-paciente precisa evoluir para uma atuação conjunta das outras figuras envolvidas, no caso ACD’s, THD’s e TPD’s.
 

O conceito do liberal e o do neoliberal também, está desgastado e urge trocá-lo por algo mais atual e eficiente. O consultório empresa, porque não dizer mais empresa que consultório. A imagem do Cirurgião-Dentista seria ampliada de extirpador da dor e corretor de sorrisos para a de diretor ou gerente de uma equipe voltada à parte importante de sua saúde. Seria mais valorizado e considerado como o são as boas empresas, por que cobrado como tal ele já o é, à partir do surgimento do Código de Defesa do Consumidor.
 

A mudança não seria só contábil, muito embora nesta nova figura os prejuízos possam ser lançados e o imposto de renda compensado. Seria também de postura, trocando a figura de uma pessoa a quem se busca nas horas de necessidade pela de uma empresa prestadora de serviços a que se escolhe por critérios de qualidade e preço, que me parece bem mais condizente com a passagem do milênio e suas conseqüências mutatórias.
A empresa odontológica é o futuro.

Antônio Inácio RIBEIRO
Diretor Científico

PUBLICADO NA JAO Nº17 DE JAN/FEV DE 2000 PELA EDITORA MAIO
 

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