- Outra cidade em que o
verde abundante contrasta com o conglomerado urbano e seus
edifícios é a capital do Mato Grosso do Sul. Sempre
pronunciamos o nome destes dois estados e poucas vezes nos
detemos a pensar em seu significado, talvez pela ação do
homem que quase dizimou a madeira ali antes existente e
que tem levado madeireiros e serrarias numa corrente
migratória que começou em Santa Catarina, correu pelo
oeste paranaense, derrubando pinheiros e subiu pelos dois
Mato Grosso, andou por Rondônia e Acre, para, quando
imaginávamos que fossem entrar pela Bolívia e Peru,
instalaram-se no Pará e Maranhão.
- Seus primeiros
colonizadores vieram de Minas Gerais, atraídos por um
campo grande e plano para criação mais fácil de seu gado
em pastagens planas e com água abundante. A fundação da
cidade data de pouco mais de duzentos anos, sendo uma das
mais jovens dentre as capitais brasileiras. A razão de sua
localização é a estrada boiadeira que existia na região e
seu desenvolvimento teve a colaboração dos militares que
mais tarde decidiram ali sediarem diversos comandos
militares, assim como a passagem da ferrovia que na
seqüência une Corumbá a Santa Cruz de la Sierra na
Bolívia. Para os estrangeiros, a ferrovia era uma das
maneiras de conhecer melhor a biodiversidade do
ecossistema da região, numa época em que não dominávamos
bem o significado destas palavras diferentes. O impulso
mais recente para a cidade foi a divisão em dois novos
estados para o antigo grande Mato Grosso no atual e no
Mato Grosso do Sul, tendo sido Campo Grande, pelo fato de
ser a maior cidade e por sua estratégica localização
geográfica a escolhida para ser sua capital.
- Pelo fato de ser porta de
entrada obrigatória para os que se destinam por via
rodoviária ao pantanal, a cidade procura caracterizar-se
como tal adotando garças, araras e tucanos em seus
orelhões de telefonia, compondo um visual diferente à sua
paisagem urbana. Assim, até alguns jacarés podem ser
encontrados em pleno centro de Campo Grande, com um
oportuno telefone dentro, permitindo falar com seus
parentes e amigos e participar-lhes a novidade de estar
perto, senão dentro de um dos animais típicos do pantanal
mato-grossense, maneira encontrada para não se discutir
onde se encontra decididamente o pantanal e que os
políticos da região, sabedores de seu potencial turístico,
souberam preservar para seus respectivos estados a partir
da divisão acontecida em 1977.
- Outro fato pitoresco e
curioso da região onde se localiza Campo Grande refere-se
à estrada de ferro que lá chegou em 1914, trazendo
habitantes, dinheiro e progresso para a região. Pela
necessidade e por economia ela deveria simplesmente
atravessar a cidade, ou melhor, passar a seu largo. Por um
destes caprichos da engenharia política, a estrada faz uma
curva, para somente depois da estação realizar uma
verdadeira meia volta e aí então seguir para Corumbá. Este
fato é bem perceptível para os que chegam por via aérea,
pois alterou o trajeto de ruas e até bairros, visíveis na
rota de aproximação habitual ao aeroporto da cidade.
- Aos que pretendem conhecer
a parte sul do pantanal e optarem pelo avião, se recomenda
conhecer alguns pontos de atração da cidade, aproveitando
a escala para mudança do meio de transporte. Para tanto,
procuraremos destacar os mais importantes e fazer alguns
comentários acerca de cada um. Nos monumentos, o que
merece destaque é o Obelisco, localizado na esquina da Av.
Afonso Pena com José Antônio (rua em homenagem a José
Antônio Pereira, mineiro fundador da cidade). Para os que
conhecem, tem similaridade com o existente na Av. 9 de
Julho em Buenos Aires. Como na capital argentina, aqui
também existe um relógio construído em comemoração ao
aniversário da cidade. Para os que estão na cidade por
outros motivos e não irão conhecer o pantanal, uma opção
para conhecer a flora da região é visitar o Horto
Florestal, numa área de cerca de cinco hectares, incluída
uma pista de Cooper. Além de sua importância paisagística,
o parque tem valor histórico, pois está situado no local
do acampamento que deu origem à cidade e que hoje preserva
seu paisagismo.
- Para conhecer a cultura
dos primitivos pantaneiros da região uma sugestão é a
Barroarte, na Av. Afonso Pena onde é exibido o trabalho de
artesãos e artistas plásticos. Compondo ambiente, a mostra
se localiza numa casa de estilo colonial e seu ponto forte
são as peças indígenas. A culinária da região e doces
caseiros são a parte gastronômica do passeio. Numa linha
parecida, está também a Casa do Artesão, localizada na
antiga sede do Banco do Brasil na Av. Calógeras.
Concentra-se em apresentar peças do artesanato do estado,
em argila, retratando imagens sacras e artefatos
indígenas.
Numa mudança radical de aparências e hábitos, a Catedral
de Nossa Senhora da Abadia, substitui a original, na forma
de um templo de linhas modernas e arrojadas,
principalmente por tratar-se de uma catedral, que
normalmente imaginamos grande e antiga. De arquitetura
original, a que se conserva é a Igreja de São Francisco,
localizada na rua 14 de julho e abriga os padres
franciscanos.
- Dentre os museus da
cidade, destacam-se o José Antônio Pereira, na Av.
Guaicurus, a cinco quilômetros do centro da cidade, numa
antiga fazenda conhecida pela denominação de Bálsamo, onde
o fundador da cidade residiu por muitos anos. Bens e
costumes dos antigos moradores estão representados por
monjolos, carros de boi e uma casa de pau a pique, comuns
na época. Em outro oposto, não só por situar-se no centro
da cidade, mas por reunir obras dos artistas plásticos do
estado, está, na Av. Calógeras perto da Casa do Artesão, o
Museu de Arte Contemporânea, que estimula as artes,
mantendo oficinas de arte para os interessados em
desenvolverem seus talentos. Não poderia faltar o museu do
índio, denominado Museu Dom Bosco e localizado na rua
Barão do Rio Branco. Originado por iniciativa dos padres
salesianos, seu ponto alto são mais de mil animais
empalhados. Este trabalho teve fundamental participação do
taxidermista Giovanni Magrin, que andou por todo o
pantanal em busca da fauna pantaneira. Outro atrativo do
museu, este de ligação direta com seu objetivo, são cerca
de cinco mil peças dos índios bororós, xavantes, moros e
carajás, além de outros não tão conhecidos. Tanto a parte
indígena como os animais impressionam pela perfeição e
riqueza de variedades.
- Ainda na linha indígena,
devem ser visitados o Parque das Nações Indígenas e a
Feira Indígena. O parque se localiza nos altos da Av.
Afonso Pena e se compõe de mais de 100 hectares, onde
anterior a ele, pesquisadores que exploraram a região
encontraram sinais da civilização pré-colombiana,
evidenciando a presença de povos pré-históricos na região.
A feira se localiza na praça do Mercado Municipal, na
praça Oshiro Takemori. Tem finalidade social, pois
centraliza a venda de raízes e artesanato produzidos pelos
próprios índios da região, que assim encontram seu meio de
sustento. Existe ainda o Memorial da Cultura Indígena no
bairro Tiradentes, na saída para Três Lagoas em direção a
São Paulo via Araçatuba, que tem como diferencial ser a
única aldeia indígena urbana do país. Seu prédio
principal, construído de bambu e coberto por palha tem
mais de trezentos metros dedicados à comercialização de
produtos do artesanato indígena.
- Ponto pitoresco e atração
histórica é a Morada do Baís, também conhecida como Pensão
Pimentel. É hoje espaço cultural para exposições e
apresentações. Sua construção data do começo do século
passado e foi residência de um dos primeiros comerciantes
que posteriormente viria a se tornar característica da
presença árabe na cidade. Nela funciona também um
restaurante de comidas típicas da região e está aberta até
as 20 horas.
Estas são algumas referências e particularidades de Campo
Grande, cidade agradável e hospitaleira que sempre nos
brinda com a simpatia de seus habitantes. Para entrar de
imediato no que a cidade construiu para atrair turistas
(há dez anos nenhuma delas existia) escolha a Linha do
Turismo, um roteiro feito em ônibus antigo tipo
jardineira, com grandes vidros para que se possa apreciar
ao máximo a paisagem. O sistema é ótimo: por apenas seis
reais você recebe um passe que lhe dará direito a conhecer
dezessete atrações turísticas de primeira, com
possibilidade de escolher quatro para visitar mais
detalhadamente em períodos múltiplos de meia hora, tempo
que leva o ônibus seguinte para chegar.
- Com este trajeto, vamos
destacar os pontos obrigatórios de nossa cidade.
- Embora você possa escolher
o ponto que mais lhe atraia para começar, iniciaremos pelo
número um, que é a Praça Tiradentes, região onde Curitiba
foi fundada em 1693. Nela, situa-se a Catedral Basílica
Menor de Nossa Senhora da Luz. A próxima parada é no Largo
da Ordem, o centro histórico da cidade, onde seu antigo
casario hoje abriga espaços culturais, bares, restaurantes
e onde, aos domingos pela manhã, acontece uma organizada e
concorrida feira de artesanato e artes. A seguir, a parada
na Praça Generoso Marques, onde funcionou o primeiro
mercado público e que ainda preserva a primeira sede de
nossa Prefeitura, hoje Museu Paranaense. A parada seguinte
é em outra de nossas muitas e diferentes praças, a Santos
Andrade, onde situam-se a Universidade, já mencionada, e o
Teatro Guaíra, também conhecido como Guairão, por ser o
maior da América Latina.A próxima parada merece um
destaque maior - É a Rua das Flores, o primeiro calçadão
do país, construído entre 1972 e 1973. É uma das
expressões máximas do urbanismo curitibano. À pé, podemos
ir até o edifício que ficou nacionalmente conhecido como o
"coral dos pequenos cantores do natal", que mesmo não
sendo dezembro, é lindo por preservar a arquitetura de uma
época marcante.
- A partir dele, pode-se
voltar à praça Santos Andrade ou pular as duas atrações
seguintes, que são o Passeio Público (parque criado em
1886) e o Centro Cívico (onde localizam-se os mais
importantes órgãos do poder público). Atravessando a bela
e arborizada Praça Osório, pode-se conhecer a Rua 24
Horas, outro pioneirismo de nossa cidade, uma rua onde as
lojas, lanchonetes e restaurantes não fecham nunca. Quase
em frente a sua entrada está o ponto de ônibus para
retomar o veículo que nos conduz a esse passeio. Segue-se
à parada das pedras filosóficas, cujos dizeres passam
mensagens de paz e amizade. Logo a seguir, vem o Prado
Velho, onde localiza-se o campus da PUC-PR e o Teatro
Paiol, que até 1971 guardava pólvora e hoje explode como
um diferente ponto cultural. Logo a seguir, você
identificará um dos cartões postais da cidade, o Jardim
Botânico, conjunto de jardins nos moldes do Versalhes, uma
estufa cinematográfica, um bosque original para caminhadas
e um lago com área para pequenos eventos, tudo com a marca
registrada da cidade: tubos de ferro e troncos de madeira.
Imperdível. Reserve de meia hora a uma hora para
conhecê-lo e apreciá-lo. Retome a jardineira no mesmo
ponto em que desceu e, após uma breve passagem de
apresentação pela rodoferroviária, prepare-se para a parte
nobre do circuito.Inicia-se pelo Bosque João Paulo II, um
conjunto de lindas e típicas casas no estilo polonês, em
madeira rústica, onde esteve o papa em sua primeira
passagem pelo Brasil.
-
- Segue-se à Ópera de Arame,
um teatro em estrutura de metal e vidro, construído dentro
de uma pedreira e em cima de um lago formado no seu
interior, onde você verá placas da passagem dos maiores
nomes mundiais que lá se apresentaram. A seu lado, em uma
distância pequena e ideal para uma caminhada, a Pedreira
Paulo Leminski, uma área ao ar livre para grandes shows,
com capacidade para mais de cinqüenta mil pessoas, onde,
confessou Paul McCartney, há a melhor acústica em espaço
aberto no mundo. Tendo curiosidade ou consciência
ambiental, visite a Universidade Livre do Meio Ambiente,
toda construída com materiais naturais e utilizada para
estudos e debates sobre ecologia, outro diferencial de
nossa cidade. No mesmo ritmo, segue-se à parada no Bosque
Alemão onde, passeando por seu interior, podemos
acompanhar uma deliciosa estória infantil, terminando em
uma réplica de prédio alemão, digna de mais uma foto para
recordação. Dois enormes e diferentes parques completam a
programação verde - o Tingüi, com a caravela comemorativa
aos 500 anos e o Tangüá, com águas e quedas em todos os
lados, ambos em homenagem aos índios que habitaram a
região. Tendo fome, em função do horário, ou simplesmente
para conhecer, pare em Santa Felicidade, o maior bairro
gastronômico do país onde, entre mais de uma centena de
restaurantes, destacam-se dois que estão no Guiness Book
como os maiores do mundo, com mais de quatro mil lugares,
ótima comida italiana e preços razoáveis. Ou ainda suba na
Torre da Telepar, com um mirante a noventa e cinco metros
de altura (aproximadamente quarenta andares) servidos por
modernos elevadores, inaugurada em 1991.
- Acabou o dia. As atrações
não. Retorne no dia seguinte a alguma que lhe atraiu de
forma especial, ou busque algumas novidades, tais como o
Parque Barigüi, onde se realiza o CIOPAR, e desfrute da
mais concorrida pista de cooper da cidade, ou do melhor "happy
hour". No mesmo estilo, temos o Parque São Lourenço, do
outro lado da cidade, ou ainda o Bosque de Portugal,
desfrutando dos melhores poemas de escritores da língua
portuguesa. Sem medo de distâncias, ou com acompanhante
disponível, conheça ainda o Parque Passaúna, de cujo
mirante pode-se apreciar o mais belo entardecer da cidade.
A programação alternativa é, seguindo uma linha vermelha
existente na Rua XV de Novembro (Rua das Flores), visitar
os pontos centrais da história da cidade, alguns deles já
enumerados, outros não, que no somatório se constitui em
ótimo passeio aos que gostam de caminhar.
Para a programação noturna, além de restaurantes típicos
de praticamente todas as cozinhas do mundo, reserve uma
noite, ou todas, para conhecer o primeiro e único espaço
de lazer e diversão do país, o Polloshop Estação Plaza
Center, onde 110 atrações farão a sua alegria e de sua
família, num ambiente fechado e seguro, com variada praça
de alimentação estrategicamente localizada em frente ao
palco de shows, incluindo ainda um Playbowling com 24
pistas de boliche e um Playland, com os melhores e mais
avançados simuladores do país. Dez cinemas, Parque da
Mônica, Museu Ferroviário e variada gama de serviços e
lojas completam-se com um estacionamento para 1500 carros
em seis andares, todos servidos por elevadores, que o
levam direto para todas as atrações.
Por tudo isto e um pouco mais, que seus amigos curitibanos
se encarregarão de lhe sugerir, você conhecerá uma das
mais modernas, bonita e progressista cidades do Brasil.
Ah! já ia esquecendo, não deixe de conhecer a nova sede da
Editora Maio e da Odontex, em novas, grandes e modernas
instalações; sem dúvida as empresas que mais crescem em
seus respectivos setores. Até breve.
Publicado na JAO julho/agosto 2000 Nº21