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BRASÍLIA
Perfilada
pela UNESCO, junto com as Muralhas da China, as Pirâmides do
Egito, Machu Pichu, Veneza e São Petersburgo, como
Patrimônio Arquitetônico da Humanidade, nossa capital é mais
conhecida e visitada por estrangeiros do que por nós mesmos,
que deveríamos ter por ela admiração e orgulho. Inclusive
porque foi uma das nossas grandes obras, em escala mundial,
que, com a Hidroelétrica de Itaipú e a Ponte Rio-Niteroi,
entre outras, nos levaram à dívida externa que temos hoje.
Antes que nossa capital passasse de Salvador para o Rio de
Janeiro, já se falava, em Portugal, nos idos de 1822, época
da nossa independência, sobre um projeto de transferir a
capital federal para o planalto central – à época, como
forma de proteção em caso de guerra, que, naquele tempo,
tinha grande participação da marinha e infantaria. Nossa
primeira constituição, em 1892, já mencionava tal intenção,
inclusive fazendo menção do lugar aproximado em que deveria
se localizar. Cem anos depois, em 1922, marcado pela Semana
da Arte Moderna, o então Presidente Epitácio Pessoa lançou a
pedra fundamental para a construção da futura capital na
cidade de Planaltina, que hoje faz parte do Distrito
Federal. Em 1955, em campanha para a presidência, o então
candidato Juscelino Kubitschek faz menção de seu projeto de
construção da nova capital, como integrante de um programa
que se tornaria famoso com o lema “cinquenta anos em cinco”.
Elegeu-se e, em 1960, inaugurava Brasília, cumprindo o que
havia prometido.
Desde sua construção, um dos marcos da cidade tem sido a
mescla entre seus habitantes, de brasileiros vindos
literalmente de todas as regiões do país, encarregando-se de
formar hoje um brasileiro típico, por representar
influências de todas as nossas origens étnicas. Talvez por
isso, um alto percentual dos que mudam temporariamente para
ela, em virtude de cargo político ou público, terminem por
ela se apaixonando e nela decidindo para sempre viver.
Planejada para ter cem mil habitantes no ano 2000, tem hoje,
depois de quarenta anos, mais de um milhão de habitantes,
além de várias cidades satélites que não param de crescer.
Cosmopolita também, por abrigar embaixadas de todos os
países do mundo, com os quais o Brasil mantém relações, que
se identificam com a cidade, como se ela fosse a futura
capital do mundo.
Rompendo com os paradigmas tradicionais das tendências
européias e americanas para as grandes cidades, Brasília é
única e singular, diferente e modernista, substituindo os
conceitos de centro e bairros pelos de superquadras e
setores por afinidades, como o residencial, o comercial, de
diversões, de edifícios públicos, de embaixadas, o
hospitalar, o hoteleiro, entre outros, unidos por eixos
rodoviários monumentais num plano piloto, que tem como
limite um lago artificial, com o Palácio da Alvorada em um
dos vértices.
Supondo que você tenha três dias para conhecer a cidade, em
um feriadão, por exemplo, uma boa dica para os que a visitam
pela primeira vez é iniciar o passeio percorrendo o Eixo
Monumental Leste, para ter uma idéia global do diferente
estilo de cidade, em todos os sentidos, que é nossa capital.
Construções que merecem atenção neste trecho e parada para
fotos são: a estação rodoviária, o Teatro Nacional, a
catedral, os edifícios dos ministérios e a Praça dos Três
Poderes, onde se encontram o Palácio do Planalto, o Superior
Tribunal Federal e o Congresso Nacional, que, juntamente com
a Câmara dos Deputados, dispõe de guias para emocionantes
visitas. Finalize o dia visitando o Palácio da Alvorada.
Esta programação é oportuna por aproveitar melhor o tempo e
dar prioridade aos pontos mais importantes deste setor.
Sobrando tempo, dê um passeio pelo Eixo Monumental Oeste e
faça uma parada na torre da televisão. De seu mirante se tem
a melhor vista da cidade. Da torre, vá a pé até o Memorial
JK. De acordo com o horário, inverta a seqüência para pegar
a torre no fim de tarde, o que dará ao panorama da cidade um
toque especial.
No segundo dia, parta novamente da estação rodoviária, por
representar ponto estratégico, perguntando pelo Hotel
Nacional. Dele, vá em direção ao setor comercial sul. Perto
deste se encontram o Hospital de Base e o Hospital Sarah
Kubitschek, dois pontos altos da saúde na cidade. Visite uma
ou duas superquadras, que pode ser a SQS 308, por conter a
Igreja Nossa Senhora de Fátima, o Cine Brasília e o Clube da
Vizinhança e para apreciar o especial projeto paisagístico
de Roberto Burle Marx. Para os que tenham interesse, a
Universidade de Brasília tem um campus muito agradável.
Gostando de arquitetura, não deixe de conhecer o Instituto
Central de Ciências, uma das obras memoráveis de Niemeyer.
Já mais familiarizado com as distintas atrações da capital,
reserve o terceiro dia para conhecer coisas de seu interesse
específico. Para os que têm curiosidade pela história da
cidade, algumas sugestões: o Catetinho, onde JK despachava,
quando estava na cidade em construção, as residências dos
engenheiros, nas cercanias do Palácio do Planalto, conhecida
como Vila Planalto. Para os de gosto sofisticado ou exótico,
a dica é visitar o Setor das Embaixadas, com suas grandes e
belas construções, a maioria no estilo de seu país de
origem. As mais procuradas e imperdíveis são: Espanha,
Itália, Alemanha, México e Portugal. Sobrando tempo, visite
o Instituto Rio Branco (escola de embaixadores) e os novos
prédios do poder judiciário, obras mais recentes, com todo o
esplendor dos trabalhos do gênio Oscar Niemeyer. Para ver
onde se escondem os brasilienses, escolha algum clube ou
restaurante à beira do lago Paranoá. Se quiser algo
sofisticado, pergunte pela Academia de Tênis, um clube que
virou hotel para pessoas especiais e que conta com um dos
melhores restaurantes da cidade, onde você certamente
encontrará políticos conhecidos. Para os místicos, um
passeio interessante é a comunidade religiosa Vale do
Amanhecer, que, no trajeto de ida, permite uma vista do
Plano Piloto da cidade, em um ângulo bem panorâmico. Se
quiser conhecer onde moram as pessoas que mais trabalham na
cidade, vá a uma das cidades satélites. Informe-se, de
acordo com o dia da semana, que solenidades, atrações ou
espetáculos são mais recomendadas, como a troca da guarda, a
chegada de algum visitante ilustre, a banquetes oferecidos
pelo Itamarati ou recepções do presidente a alguns de seus
convidados e arrisque a sorte de conseguir algum convite
para cerimônias de boas vindas aos mesmos no Congresso
Nacional ou na Câmara dos Deputados. Boa parte destas
solenidades são abertas ao público.
Informe-se, de acordo com o dia da semana, que solenidades,
atrações ou espetáculos são mais recomendadas, como a troca
da guarda, a chegada de algum visitante ilustre, a banquetes
oferecidos pelo Itamarati ou recepções do presidente a
alguns de seus convidados e arrisque a sorte de conseguir
algum convite para cerimônias de boas vindas aos mesmos no
Congresso Nacional ou na Câmara dos Deputados. Boa parte
destas solenidades são abertas ao público. Na volta ajude a
divulgar Brasília, para que mais brasileiros conheçam a sua
capital e para que os estrangeiros não pensem que a capital
do Brasil é Buenos Aires, inclusive porque boa parte dos
brasileiros conhecem a capital dos argentinos e não conhecem
a sua.
PUBLICADO NA
JAO Nº 27 DE JUL/AGO 2001
ANTÔNIO INÁCIO RIBEIRO
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