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rir , o melhor remédio 

 

Antônio Inácio RIBEIRO

 

SEGUNDO MAIS ALTO DO MUNDO

Depois de cinco viagens aos Estados Unidos, sem conhecer Nova Iorque, estava mais do que ansioso por esta, que além da "big aple", nos levaria também a Chicago, onde aconteceria o encontro da Academia Americana de Osseointegração, motivo maior do grupo que organizamos. Desde meus tempos de adolescente, vendo os filmes policiais, a maioria rodados ou inspirados na vida das duas cidades, tinha vontade de conhecer estas duas das maiores cidades do mundo.
A recepção não poderia ser mais calorosa ou friorenta, melhor dizendo. Voamos num antigo DC 10, o antecessor do MD 11, e um dos colegas do grupo, depois das palmas ao piloto pelo excelente pouso, exclamou alto: "Terminou o estado de alerta!" E para os que como eu, não entenderam, ele explicou que toda vez que chegava um avião velho do Brasil, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil eram acionados para caso de emergência. Para sorte nossa não foi preciso.
Fomos para o hotel, que para nossa sorte era bem central. Nem bem tínhamos ido para os apartamentos, a ala feminina do grupo já deu o grito de guerra, querendo ir direto para as lojas. Com a outra ala, fomos para a Broadway, que ficava perto. E dali caminhamos o resto do dia, meio sem destino certo, até porque nenhum de nós havia estado antes no coração do mundo. Embora sem conhecermos, todos os lugares diferentes que passávamos no "downtown", nos pareciam familiares de tão conhecidos que são os pontos turísticos americanos.
Embora separados das “compradoras”, não resistimos a uma primeira comprinha. Como o frio era bem maior do que imaginávamos e o pior estava por vir, mais ao norte, em Chicago, decidiram alguns comprar um casacão daqueles ¾. O último do grupo, por ter mais limitações no inglês que os demais, não entendia o que o vendedor estava a responder para seu pedido algo inusitado: "one me". Como ao dizer "finish" não fechavam a comunicação, lembrou-se do italiano e dizia "finito", ao que o nosso colega respondia: "finito non grossito". Com jeito o convencemos a comprar em outra loja.
Para não gastar muito, decidimos ao invés do almoço, fazer um lanche. Como estávamos perto do Rockfeller Center, optamos por uma lanchonete, que tinha como atrativo a vantagem de podermos ficar apreciando uma centena de patinadores. Tão distraídos que estávamos, famintos e com pouca habilidade em manusear cardápios americanos, fomos pedindo sem muito atentar para os preços, inclusive tortas e outras especiarias de chocolate, que eram as preferidas dos demais freqüentadores. Nem nos chamou a atenção que a maioria dos mesmos tinha mais idade e jeitos de milionários. Só percebemos depois de pedir a conta e dividi-la. Foram mais de U$ 35 por cabeça. E nós queríamos economia e não tantas calorias.
Nos guiávamos por um pequeno mapa que nos havia sido dado no hotel e como por ele a Estátua da Liberdade parecia perto, decidimos ir caminhando. Depois de mais de uma hora caminhando e como a aparência da zona já não fosse mais tão segura, perguntamos a um taxista que nos disse precisar mais uns dez minutos para chegar. Como já havíamos caminhado uma hora, decidimos entre nós, ir a pé. Cubano, ele entendeu o que falávamos e completou a informação: "De táxi". A pé dá mais uma hora. Todos optaram pelo táxi.
Pagamos o ticket de acesso e começamos a subir. Depois de uns cinco andares por uma escada estreita, pude olhar para cima e ver que correspondia a um quarto do que ainda teríamos que subir. Por minha pressão alta, decidi desistir. Na volta, o grupo uníssono, disse que havia perdido uma das sete maravilhas do mundo moderno. Como alguns disfarçavam um sorriso, desconfiei e eles logo contaram a verdade: uma hora de escadas apertadas no anda e para, ao chegar lá em cima mal dava para fotografar, porque todos os de traz empurravam para chegar a sua vez. Rimos muito durante todo o trajeto de volta da barca.
No dia seguinte, refeitos do cansaço, decidimos subir na torre do Empire State. No guichê todos riram porque perguntei se o ticket dava direito a elevador ou se teríamos que subir os cem andares de escada. Em Chicago, subimos na torre da Sears, a mais alta do mundo. João Alfredo, de Cuiabá, passou o resto da viagem dizendo que a de Chicago era a segunda mais alta do mundo. Quando lhe corrigiam, emendava sorrindo que a maior estava em sua cidade e que os deputados de Brasília viviam reclamando da sombra que fazia, já que a mesma, durante o dia, cobria justamente a capital federal, de forma que os mato-grossenses precisariam diminuir pelo menos uns vinte andares, para a sombra não afetá-los, com o que não concordavam os deputados cuiabanos, pois com isto ela perderia a posição no livro dos recordes, até para Nova Iorque.
 

 

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