Meu irmão Fernando, que dedicou 15 anos de sua vida à
Odontologia e à Implantodontia, que lhe resultaram um filho
Cirurgião Dentista, tinha uma opinião formada sobre os cursos de
Implantodontia, quer de especialização, como de atualização e
por uma destas fatalidades da vida, encontrou a morte, indo para
um deles.
Ele dizia seco e sem rodeios, como a maioria dos gaúchos faz:
tem que mudar estes cursos, senão eles vão matar tudo o que de
bom foi conquistado pela implantodontia. Por aviltar os preços,
por formar deformados, que querem sair colocando implantes de
qualquer jeito, sem planejamento.
Comentava sempre que os cursos, no atual modelo de massificação
e competição autofágica, estavam nivelando a implantodontia por
baixo, justo no momento que ela tinha atingido seu pico de alta,
depois de todo o passado negativo dos fibrointegrados.
Os cursos de implantes eram, na opinião dele, uma competição
disfarçada entre as empresas, que através dos cursos ficavam se
digladiando, para ver quem conseguia tirar mais clientes dos
outros cursos, sem perceber que com isto estavam tirando
clientes dos outros .... colegas, que nada tinham a ver com esta
guerra.
Pensava também que como a maioria dos fabricantes e revendedores
de implantes são dentistas / implantodontistas / comerciantes,
que esta cultura desmedida para se colocar o máximo possível de
implantes nos cursos, era do interesse destes próprios e não dos
professores, nos casos em que os professores, não eram os próprios
comerciantes.
Muito embora, estes quando locais, algumas vezes se beneficiavam
de alguns clientes que depois de se inteirarem como funcionava a
coisa nos cursos, terminavam optando em fazer a colocação com o
professor, que era mais seguro, além da vantagem de nestas
condições, o professor ainda fazer um preço “quase de curso”.
Especificamente em Santa Catarina, estado a que dedicou um terço
da sua vida, reclamava que de cinco cursos, dois ele havia
ajudado a começar, tendo arrumado alunos e clientes, outro ele
tinha conseguido alunos, clientes e até o local para o curso e a
secretária, todos passaram para outra marca de implantes. Que em
outros dois cursos nem deixavam ele entrar para oferecer nossos
produtos.
Com relação à ética, dizia não entender como isto acontecia, se
os a quem ele ajudou a organizar cursos, nunca lhe tinham feito
comentários sobre os implantes, nem para o bem nem para o mal.
Também não entendia porque os fabricantes e revendedores perdiam
tanto tempo em falar mal dos outros e muitas vezes até se
esquecendo de falar o que tinha de bom ou de melhor o seu
implante. Parecia estarem mais interessados em destruir os
outros do que construir a imagem dos seus próprios.
Queixa-se que depois de terminados os cursos, muitos dos
ex-alunos continuavam pedindo implantes e componentes como antes
ou no início dos cursos: sem ter as medidas decorrentes de um
bom planejamento. Nos componentes perguntavam quase sempre o que
era melhor usar neste caso, muitos dando a entender que não
sabiam o que fazer.
Relato estas inquietudes dele, para colocar o tema dos cursos de
implantes neste modelo, como algo que precisa ser repensado, sob
pena de invibializá-los, como já tem acontecido em outros
estados, onde algumas instituições não conseguem completar suas
turmas. Por excesso de concorrência ou falta de credibilidade.
Só com sua atenção e contato com outros colegas que manifestem
seu descontentamento com esta situação, acho que já terá sido
válida esta preocupação do meu irmão Fernando, que deixou muita
saudade, exatamente por se preocupar mais com os demais.
SAUDADES DOS
RIBEIROS QUE FICARAM E DE MUITOS AMIGOS
QUE FIZESTE NESTA TUA ABREVIADA PASSAGEM PELA TERRA.