ODONTO ENTREVISTA Nº 09

Conhecendo e reconhecendo colegas

 

Profº. Dr. WILSON ROBERTO SENDYK

 

Nosso entrevistado de hoje tem carreira docente das mais brilhantes, e além da vida acadêmica, conseguiu ser simultaneamente um clínico de sucesso. Livre Docente em Implantodontia pela UNICAMP, Doutor em Periodontia pela Faculdade de Odontologia da USP, Mestre em Clinicas Odontológicas pela USP, Professor Titular da Disciplina de Periodontia e Implantodontia da UNISA, Coordenador do Mestrado em Implantologia da UNISA, Especialista em Implantodontia e Periodontia. Como destaque internacional é Membro do Advisory Council da Academy of Osseointegration.

Quem o influenciou a fazer Odontologia?
Venho de uma família odontológica. Meus dois tios-avós, avô, dois tios e meu pai eram Cirurgiões Dentistas. Neste ambiente familiar era muito difícil não ser influenciado pela Odontologia. Lembro que morávamos no andar de cima de um sobrado, em cujo andar térreo funcionava o consultório de meu pai. O laboratório de prótese ficava em um canto da cozinha! Os aromas de resina acrílica se misturavam com os cheiros de minha infância. 

Onde fez e quais suas lembranças do tempo de faculdade?
Fiz o curso diurno da Faculdade de Odontologia da USP de 1971 a 1975. Os primeiros dois anos eram ministrados nos “barracões” da Cidade Universitária. Os três últimos anos no prédio da rua Três Rios. Lembranças? Todas: a turma, a namorada, os professores, a época política, as primeiras clínicas, o amadurecer.

Como foi seu início na profissão?
Fui trabalhar no consultório de meu pai. Ele trabalhava de manhã e a tarde. Eu iniciava às 19:00 e trabalhava até as 22:00 horas. Comecei fazendo clinica geral e fui diretrizando minha atividade clínica para a periodontia. Paralelamente, o professor Joaquim Policiano Leite Neto me convidou para ficar como assistente de Periodontia na Faculdade de Odontologia da USP. Este foi o início da minha carreira acadêmica.

Qual a marca do seu primeiro consultório?
Um equipo Versa da Dabi Atlante. Muito bom.

Lembra quem foi seu primeiro paciente?
Um amigo meu chamado Joseph. Ele precisava de algumas incrustações metálicas fundidas. O tratamento periodontal ele ganhou de brinde.

Qual foi o seu atendimento mais difícil?
Uma reconstrução total e simultânea de maxila e mandíbula atrófica, feita com enxertos ósseos da crista ilíaca.

E um que tenha sido o mais gratificante?
Todos aqueles em que consegui atingir as expectativas do meu paciente. Dentre estes, os tratamentos mais gratificantes foram aqueles em que reabilitei pacientes considerados “mutilados bucais” com implantes osseointegrados.

Sabe o nome do seu primeiro protético?
Só fiz prótese nos primeiros 6 anos de clínica. O meu primeiro protético foi o Luis Kyian.

E da sua primeira atendente / auxiliar?
Esta é fácil. Chama-se Madalena Simões e trabalha comigo até hoje.

Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório?
São muitos. É importante curtir o consultório como se curte a vida.

Qual foi o marketing que usou para começar?
Achei que o marketing científico era o caminho correto a seguir.  No início fiz muitos cursos, estagiei nos consultórios dos meus professores, fiquei como assistente voluntário na Universidade. Fiz mestrado, doutorado ..., e por aí fui.

Tem algum filho ou parente Cirurgião Dentista?
Tenho dois filhos na Odontologia: a Michelle que é especialista em Ortodontia e Periodontia e o Daniel que está cursando o 6o semestre da FOUSP.  Eles são da 4a geração de Cirurgiões Dentistas da família. Tenho um irmão, o Cláudio, que é protesista e professor e uma irmã Eliana, que é especialista em Endodontia.

Quem é seu maior ídolo na Odontologia?
Meu maior ídolo é o professor S. Sigmund Stahl, da New York University. O professor Stahl  foi um ícone da Periodontia, reunindo em uma só pessoa, a cultura do humanista, a bondade do filantropo, a curiosidade do cientista e a habilidade do Cirurgião Dentista. Um professor completo, um exemplo a ser seguido. Também, dentro da categoria de exemplos a serem seguidos é necessário ressaltar a influência que o prof. Branemark teve sobre mim. Estudei com o prof. Branemark em 1990 e seu arquétipo de união de grande pesquisador, professor emérito e clínico habilidoso, ficou para mim como um padrão a ser alcançado. O professor Stahl mudou minha Periodontia. O professor Branemark modificou minha maneira de ver a Odontologia.

E quem fez mais pela classe nestes anos todos?
Muitos fizeram pela classe odontológica nestes 30 anos. Creio que citá-los individualmente poderia acarretar injustiça por omissão. O reconhecimento que a Odontologia alcançou na sociedade civil vem do trabalho sinérgico de clínicos, especialistas, professores, dirigentes classistas e empresários como você, Ribeiro, que tanto contribuiu no início da Implantodontia brasileira.

Como está vendo o presente momento na Odontologia?
Vejo, com tristeza, as dificuldades que os Cirurgiões Dentistas enfrentam no mercado de trabalho atual. Creio que estas dificuldades criem situações em que alguns colegas fiquem tentados a trilhar alguns “atalhos” comerciais. Historicamente estes sempre beneficiaram a poucos, em detrimento da grande maioria que, no frigir dos ovos, paga o ônus da conta.

Qual caminho vê como mais indicado para a profissão?
Creio que o caminho mais indicado para a profissão é o da especialização individual e a atuação dos Cirurgiões Dentistas unidos em condomínios de multi-especialidades.

A que atribui o seu sucesso profissional?
Estudo, dedicação, inovação, atividade clínica baseada em evidência científica, honestidade e constante procura da verdade.

Como espera ser o futuro da profissão?
Vejo o futuro da Odontologia com o desvendar de novas técnicas onde criaremos tecido ósseo e periodontal através da engenharia genética. Seguramente teremos a possibilidade de restaurarmos estruturas dentárias perdidas com materiais reabilitadores realmente biológicos, que mimetizem não só a aparência estética, mas também as qualidades biomecânicas e biológicas dos tecidos perdidos.

Deixe uma sugestão para os mais novos:
A Odontologia deverá enveredar por caminhos mais complexos e sofisticados no próximo decênio. Para quem quiser fazer Odontologia como profissão e não como simples negócio ou ganha-pão, fica aqui minha sugestão: estude, estude, estude... e após descansar um pouco..., volte a estudar.

Foi um privilégio esta entrevista, que como esperava, é uma aula de ciência e profissionalismo. O caminho escolhido pelos seus dois filhos, é a certeza de que a mensagem está correta e foi bem passada. Certamente eles terão orgulho em pertencer a este verdadeiro clã da Odontologia brasileira. Finalizo te confessando uma tietagem: há cerca de 30 anos, a pretexto de vender alguma coisa, fui visitar a Clínica Sendyk, até hoje considerada uma das mais conceituadas do Brasil. Não estavas, mas teu pai fez questão de me mostrar com satisfação toda a clínica e saí de lá certo de ter visto um modelo, que muito me influenciou na visão de gestão e marketing que tenho da Odontologia. Meus parabéns são extensivos a toda a família! Nas quatro gerações.

 

Antônio Inácio Ribeiro   ribeiro@odontex.com.br

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O Prof. Wilson Sendyk é um dos expoentes da festa dos 20 Anos da Osseointegração, que terá a noite do Grupo ABBA como um dos seus grandes momentos. Veja abaixo e não perca!

 

Abba
A Suécia é o berço da Osseointegração mas também de um dos maiores fenômenos da história da música pop. Foi lá que surgiu no início dos anos 70 o grupo ABBA, cujas melodias irresistíveis vão embalar a “Noite Mamma Mia”, festa temática com show da banda cover Reveillon e lucro destinado à construção de clínica médico-odontológica que ajudará centenas de moradores de rua assistidos pela Aliança de Misericórdia.

O ABBA foi batizado com as iniciais de seus integrantes (Agnetha, Bjorn, Benny, Anni-Frid) e começou a ganhar destaque com a canção “Waterloo”, vencedora da edição de 1974 do famoso concurso Eurovision de música popular. Seguiram-se hits mundiais que marcaram a era das discotecas como “Dancing Queen” e “Mamma Mia”, nome do musical que, recentemente, fez enorme sucesso no cinema graças ao carisma de Meryl Streep, aos paradisíacos cenários da Grécia e, claro, à deliciosa trilha sonora com 17 músicas do ABBA.

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20 Anos da osseointegração - Brasil