|
WANDERLEY DE ALMEIDA CESAR
JÚNIOR
Nosso
entrevistado de hoje é representante da nova geração, que está
fazendo sucesso por meios modernos de comunicação. Clínico de
consultório privado em tempo integral, especialista em Dentística
restauradora pela FOB – USP, MBA em Marketing CESUMAR - PR, Trainer
em PNL - Programação Neurolinguística INAP - RJ, Mestre em
Odontologia restauradora FORP – USP. É Coordenador dos cursos de
Odontologia estética do INSBES - Instituto Sul Brasileiro de Ensino
Superior, Membro Credenciado da SBOE - Sociedade Brasileira de
Odontologia Estética; Consultor científico da Revista Dental Press -
Estética, publicação oficial da SBOE, Editor da Revista de Materiais
Dentários Surya News e Editor do Site Odontocases
www.odontocases.com.br
Quem o
influenciou a fazer Odontologia?
Posso
dizer que não tive como escapar. Desde pequeno, ainda nenê, ficava
em um “chiqueirinho” numa sala ao lado dos consultórios dos meus
pais, escutando o barulho do alta rotação o dia todo. Aquilo me dava
segurança, pois sabia que meus pais estavam ali ao lado, assim podia
brincar tranquilo com meus brinquedinhos. Minha mãe é endodontista e
meu pai é reabilitador oral. Aprendeu a arte com mestres como Dr.
Waldir Janson e Sebastião Simões Gomes. Aliás, o que me fez decidir
mesmo fazer Odontologia foi um livro que vi no escritório do meu
pai. O título do livro era “A Estética em Odontologia”, primeiro
livro do mestre da Odontologia estética mundial, Dr. Ronald Godstein.
Onde
fez a faculdade e quais suas lembranças deste tempo?
Fiz
faculdade na UEPG – Universidade Estadual de Ponta Grossa. Minhas
lembranças são muitas. Lembro-me dos grandes congressos promovidos
pela ABO - PG. Um em particular, lembro até hoje. Foi fantástico, se não
me engano foi em 1994. O professor americano John Kanca ministrou um
curso muito polêmico na época. Ele preconizava o condicionamento
ácido da dentina em exposições pulpares. Ele liderava a parte
clínica de um grupo que pesquisava adesão em dentina.
Lembro-me também que participei de um projeto de pesquisa sendo
orientado pelo Prof. Vitoldo Koslowisk Jr. de farmacologia. Foi
muito engraçado e trágico ao mesmo tempo, pois eu tinha que sedar as
cobaias, fazer o preparo cavitário nos dentes dos roedores e aplicar
flúor, com e sem corrente elétrica. Este procedimento era realizado
para ver se o flúor era mais bem absorvido por Iontoforese. Como eu
tinha que retirar os dentes dos ratos para análise por
espectrofotometria, infelizmente tinha que sacrificar os bichinhos!
Em uma manhã trabalhei muito com os ratos e na hora do almoço fui
almoçar no R.U. Não esperava pela sobremesa, mas quando vi o sagu passei
muito mal, pois na hora me lembrei dos olhinhos vermelhos das
cobaias. Nem almocei, terminei no banheiro “chamando o Hugo”.
Como foi seu
início na profissão?
Foi
um pouco diferente que da maioria dos colegas. Tinha o apoio da
família, que também era da área. Isto ajudou muito, mas por outro
lado aumentou a minha responsabilidade. Lembro-me de uma paciente
que reclamou com o meu pai por ele ter passado a dentística para eu
fazer. Mesmo ele explicando para ela que eu estava fazendo
especialização nesta área e que o trabalho ficaria muito bem feito.
Depois deste fato, preferi conquistar os meus próprios clientes. Uma
curiosidade: foi a partir daí que começou o meu envolvimento com o
marketing odontológico. Para satisfazer melhor os clientes.
Lembra quem foi
seu primeiro paciente?
Não
sei se foi exatamente o primeiro, mas me lembro sim e ele está até
hoje comigo e me indica muitos pacientes. O nome dele é Armando.
Veio me procurar, pois tinha diastemas nos dentes anteriores. É
curioso e gratificante, pois ele conta hoje, que quando chegou para
ser atendido eu estava empolgado com uma Fita VHS que tinha comprado
num congresso. Eu era muito jovem, recém formado e segundo ele eu
mostrava com orgulho o professor que me inspirou no vídeo. Era um
conjunto de quatro fitas de um curso do “Team Atlanta”. Os
professores Goldstein, Garber e Salama. Era a época que se vendia
cursos em VHS. Não existia DVD!
Qual foi o seu
caso mais difícil?
Engraçado esta pergunta agora, pois estou passando atualmente por
ele. É uma reabilitação oral. A dificuldade não é tanto pela
complexidade do caso, mas sim pelos problemas psicológicos que a
paciente tem passado. Para se ter uma idéia, tentei moldar os
núcleos todos juntos, várias vezes e quando estava prestes a
finalizar, colocando o último fio a paciente tinha uma crise de
pânico e já não era mais possível moldar. Síndrome do Pânico é muito
grave e é difícil, pois a paciente neste caso tem resistência a ser
atendida no hospital. Tive que fazer núcleo por núcleo de forma
direta com Duralay e depois mandar fundir. Isto teve um preço.
Logicamente tive que consertar todo o paralelismo com a ajuda do
paralelômetro e desgastar na boca!
E um que tenha
sido o mais gratificante?
É um
caso que saiu publicado como caso selecionado na Revista Dental
Press Estética. Um caso em que fui muito ousado e realmente
extrapolei as indicações das resinas compostas em dentes anteriores.
A paciente era uma senhora que tinha os dentes da bateria anterior
todos apinhados, girovertidos e com indicação clara para ortodontia.
Mas ela mesma me disse que não tinha interesse em colocar aparelho.
Como era um caso em que eu poderia acompanhar de perto e tirar fotos
à vontade, fui em frente! Deu certo. O trabalho foi aprovado como
caso selecionado da revista e o caso está na boca e funcionando já à
três anos e meio. Tenho a convicção que devemos acreditar naquilo
que fazemos bem! Eu poderia entrar numa fria, pois este caso eu fiz
na minha sogra! Mas um compósito bem feito e dentro das técnicas
corretas, principalmente de adesão e de ajuste oclusal, fornecendo
uma boa estabilidade de cêntrica longa anterior, tem previsibilidade.
Lembra o nome da
sua primeira auxiliar?
Na
verdade quando comecei a trabalhar com meu pai ela me ajudava
também! O nome dela é Elda. Inesquecível, não pelos seus dotes
físicos, mas por sua alma sensível de sempre servir. Era muito
religiosa, simpática e cativava a todos. Até hoje alguns
pacientes antigos do meu pai perguntam dela! Já faz quatorze anos.
Ela se casou e foi morar em Curitiba. Indicamos o trabalho dela para
um amigo de Curitiba, Dr. Antenor Neves Junior, que nos agradece
sempre que encontramos com ele nos congressos. Ela trabalha lá até
hoje.
Lembra de algum
caso pitoresco acontecido no consultório?
Lembro-me de dois casos engraçados. Um foi quando atendi um cara
meio medroso. Às vezes tenho o costume de aquecer levemente o
anestésico na lamparina para deixar o liquido na temperatura do
corpo e diminuir a sensibilidade inicial da anestesia. O paciente
estava deitado e não tinha visão do que nós estávamos fazendo. Na
hora que a auxiliar riscou o fósforo para acender a lamparina o cara
sentiu o cheiro e falou: “O loco doutor o defunto aqui nem morreu
ainda e o senhor já está acendendo as velas”?
No
outro passei muita vergonha. Tinha acabado de fechar um ótimo
orçamento com a paciente. Era uma senhora muito distinta e
inteligente. Até então conversas formais para cá e para lá! Fui
começar o atendimento e estava sentado no mocho. Tenho costume de
deslizar com o mocho para ver meu note book, que fica em
uma mesa atrás de mim. Quando peguei o impulso para traz a rodinha
do mocho “engastalhou” no rejunte do piso e eu caí de costas!
Tem algum filho
ou parente Cirurgião Dentista?
Sim,
meu pai Vanderlei de Almeida Cesar, minha mãe Altairdes que é
endodontista e minha irmã Giovana que é periodontista. Tenho uma
prima no Rio, a Fabiana que é ortodontista. Tenho outra prima que
está no terceiro ano de Odonto na PUC de Curitiba, a Fernanda.
Quem é seu maior
ídolo na Odontologia?
Sem
dúvida nenhuma o Dr. Luis Narciso Baratieri. Por tudo o que ele fez,
faz e ainda fará. Pois sei que ele faz Odontologia por missão e por
amor às pessoas. Ele quer ver o Cirurgião Dentista brasileiro amar a
profissão que escolheu. Admiro muito a sua obstinação em elevar o
espírito do CD e mostrar que a Odontologia é uma profissão
formidável! Reproduzo aqui um trecho que li em um dos seus
editoriais da revista Clínica, que poderia servir como fonte
inspiradora para muitos colegas especialmente os que estão
começando:
“Eu
não nasci assim. Eu me fiz com sonhos e trabalho. Muito trabalho.
Não esqueço que minha mulher, também Cirurgiã Dentista, e eu já
tínhamos, os dois, feito especialização, mestrado e doutoramento,
mas ainda assim morávamos, com nossos três filhos pequenos, em um
apartamento de 42 metros quadrados, em que o freezer tinha de ficar
na sala, porque não havia espaço na diminuta cozinha. Lá moramos por
alguns anos. Lá escrevi meu primeiro livro.” L.N. BARATIERI
E quem fez mais
pela classe nestes anos todos?
Não
consigo ver uma pessoa, mas vários que deram sua contribuição para a
Odontologia Brasileira e Paranaense. Só para citar alguns: Raphael
Baldacci, Mario Sérgio Limberte, Júlio Cesar Sá Ferreira, Olimpio
Faissol, João Carlos Gomes, Vanderlei de Almeida Cesar (pai),
Laércio Nickel Ferreira Lopes, Prof. José Mondelli, Prof. Waldir
Janson, Paulo Kano, Ricardo Marins de Carvalho. E mais atualmente
Fábio Bibancos, os Marcelos, Kyrillos e Moreira. Enfim cada um com a
sua forma de elevar o nome da Odontologia nacional. Seja na
imprensa, na política de classe ou no ensino e na pesquisa.
Como está vendo
o presente momento na Odontologia?
Vejo
o presente momento como fantástico, mas só para aqueles que
realmente tomaram uma decisão! É isso mesmo! O momento é o melhor
possível, mas exige decisão. Anthony Robbins, um consultor americano
de comportamento diz: “É nos momentos de decisão que seu destino é
traçado”. Neste sentido, se você tomou a decisão verdadeira, se
realmente é a Odontologia que você quer para sua vida, o sucesso
será inevitável. Mas se você ainda tem dúvida, fica procurando
outros negócios, reclamando da crise e da profissão, realmente você
está construindo seu próprio fracasso.
Volto
a afirmar que a Odontologia vive atualmente um momento fantástico!
Aí alguém pode me perguntar. Mas como Wanderley, e a crise? Não
acredito em crise, prefiro acreditar em ação e criação! Muito antes
desta tal crise, já se ouvia comentários sobre excesso de
profissionais no mercado e falta de pacientes. O primeiro é fato, mas a falta de pacientes não existe. Há uma infinidade de
pessoas querendo fazer um tratamento odontológico de qualidade e
dispostas a pagar bem por isso, porém não acham o profissional
que promovam nelas o encantamento que elas necessitam. O
encantamento e a emoção é que disparam o gatilho da confiança e
quando isso acontece, os pacientes não olham mais preços e sim para
o valor agregado.
Qual caminho vê como mais indicado para a profissão?
Tenho
a convicção que o melhor caminho seja: não acreditar em nada que
desabone a sua nobre profissão, afinal você estudou muito e continua
estudando. É importante cobrar aquilo que você acha justo. Tenha a
certeza de que se você tiver retidão na sua intenção, ou seja, se
seu trabalho vier carregado de vontade para promover o máximo em
termos de qualidade, o paciente pagará por isso, com muita
satisfação.
No
presente momento, é mais do que necessário que você respeite a sua
profissão e acredite em você e na sua equipe. Se você acredita no
que faz, cumpre o que promete, se você dedica a sua vida para a
Odontologia e o que você faz é excelente, mantenha seus próprios
padrões. O primeiro passo é acreditar. Eu posso dizer com certeza,
firmeza e convicção: Eu acreditei e deu certo!
A que atribui o
seu sucesso profissional?
Todos
os dias fazer um pouquinho por ela. É como aqueles antigos cofrinhos
de banco tipo porquinhos. Todos os dias colocar uma moedinha! Essa
moedinha é ler um artigo, enviar um e-mail, ligar para um paciente
para ver se ele passou bem. Enfim, definir um foco e ir em direção a
ele, alimentando o objetivo traçado todos os dias. Como este. Passei
o fim de semana respondendo esta entrevista, isto é colocando mais
moedinhas na minha carreira!
Como espera ser
o futuro da profissão?
Espero que o futuro guarde surpresas que já estão sendo construídas
pelos nossos profissionais. Espero que nossa Odontologia seja
referência no mundo todo. Isto felizmente já está acontecendo!
Talvez já no Mundial da FDI no próximo ano, que a exemplo da Copa e
da Olimpíada, serão no Brasil, já possamos começar a mostrar isso ao
mundo. E conquistar nosso espaço no cenário mundial.
Deixe uma
sugestão para os mais novos:
Seja
você mesmo, jamais fique triste e não se esconda atrás da máscara de
Cirurgião Dentista. Crescimento pessoal é uma coisa, incongruência
de identidade é outra! Lembre-se, na vida você atua em vários papéis
e como profissional é apenas um deles. Se você é extrovertido não
precisa ser carrancudo, só porque agora se tornou um profissional.
Isto faz mal, não é saudável. O que os outros pensam de você, não é
da sua conta. Foque no conteúdo e não na forma. Mire naquilo que
você sabe e no que pode aprender, não assumindo nenhum estereótipo que
não seja você. Você será muito mais feliz!
Amigo Wander,
obrigado pela entrevista. Foi um privilégio ter toda esta sua
energia. Com certeza a nova geração vai se inspirar e muito, no seu
exemplo. Agradeço também a dica de todo entrevistado fazer-me uma
pergunta. É muito boa idéia e vou sugerir para que os próximos as
façam também. Aproveito para responder a primeira pergunta, que
muitos já fizeram:
Ribeiro, porque você manda tantos e-mails?
Boa pergunta!
Primeiro porque gosto de ler e escrever. Segundo porque sempre
gostei de me comunicar. Terceiro porque assim vou divulgando meus
cursos, livros e componentes protéticos. Além do que imagino que
todos os Cirurgiões Dentistas deveriam fazer isso com seus clientes,
pois assim eles viriam mais aos consultórios, indicariam mais
pacientes e a saúde bucal do povo seria melhor. A você e a todos os
CDs que me leem, parabéns pelo Dia do Dentista!
A propósito, deixe
seu e-mail para os seus amigos mandarem mensagens.
wanderleyjr@bs2.com.br
Antônio Inácio
Ribeiro
ribeiro@odontex.com.br
|