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PROF. DR. FLÁVIO VELLINI -
FERREIRA
Nosso
entrevistado da semana é Doutor, Livre-Docente e Professor Associado
pela USP, Coordenador do Curso de Mestrado em Ortodontia da
Universidade Cidade de São Paulo – UNICID e Coordenador do Curso de
Especialização em Ortodontia da UNISA. Diretor do Centro de
Treinamento Odontológico e Coordenador dos Cursos de Pós Graduação
em Ortodontia do Instituto Prof. Flávio Vellini, Member of the MBT
Global Group e autor do Livro ORTODONTIA - Diagnóstico e
Planejamento Clínico, Editora Artes Médicas que está na 7a. edição,
em português e na 2a. edição em espanhol.
Quem o
influenciou a fazer Odontologia?
Recebi grande
influência do meu pai, para seguir seus passos em Odontologia. À
época ele foi, a meu ver, um profissional de destaque, antevendo e
me orientando para um caminho que ainda estava por vir, com uma
tecnologia completamente diversa da que se usava até então.
Onde fez e quais
as suas lembranças do tempo de faculdade?
Como meu pai,
cursei a Faculdade de Odontologia da USP, na Rua Três Rios e as
lembranças que tenho de seu vestuto prédio são as mais
gratificantes. De fato seus laboratórios e salas de aula, a
diretoria, a biblioteca e o salão nobre da Escola, com toda sua
pompa e tradição, não me saem da memória. Mesmo por que neste
edifício, com toda sua magnificência, doutorei-me, com distinção e
louvor, após um árduo e concorrido concurso.
Como foi o seu
inicio na profissão?
Quando me formei
a Odontologia não tinha, ainda, atingindo o status de modernidade e
nem o avanço científico atual. Tudo era mais difícil. Os
intercâmbios internacionais praticamente não existiam e os poucos
que admitiam alunos brasileiros, mormente nos Estados Unidos, eram
tão caros que se tornavam inacessíveis á maioria dos recém formados.
Daí poder dizer que fui autodidata, aprendendo com muito esforço
pessoal.
Lembra quem foi o
seu primeiro paciente?
Como acontece com
a maioria dos recém-formados, meu primeiro paciente, após
graduar-me, foi meu tio Lino que, com paciência e resignação,
aceitava minhas incertezas de iniciante, incentivando-me com
palavras de estímulo e força, para que eu vencesse na profissão.
Qual foi o seu
atendimento mais difícil?
Sem dúvida
alguma, meu maior desafio, em toda carreira, foi extrair, quando
ainda fazia clínica, um terceiro molar do Egidio, meu cunhado, um
atleta braquifacial. As técnicas cirúrgicas ainda eram incipientes;
pouco se conhecia das clivagens para a retirada de sisos inclusos.
Por isso lembro-me bem dessa cirurgia que fiz e que, a duras penas,
tive sucesso.
E um que tenha
sido o mais gratificante?
O mais
gratificante tratamento que realizei foi, já como especialista em
ortodontia, corrigir clinicamente uma Classe II divisão 1° ( dentes
superiores muito projetados), de uma senhora, com aproximadamente 50
anos, e cuja indicação era cirurgia ortognática. Por decisão da
paciente a redução cirúrgica do prognatismo não foi realizada.
Consegui, com êxito resolver esse problema clínico que acredito, foi
o mais difícil de minha carreira. Acompanho periodicamente, há mais
de 20 anos, e a oclusão mantém a estabilidade desejável.
Sabe o nome do
seu primeiro protético?
Lembro
perfeitamente: Artêmio Luiz Zaneti, que mais tarde fez Odontologia,
chegando a Professor Titular da USP.
E da sua primeira
atendente / auxiliar?
Minha primeira
auxiliar chamava-se Elza. Não me lembro seu sobrenome.
Lembra de algum
caso pitoresco acontecido no consultório?
No início da
profissão sempre temos casos pitorescos a contar. Aconteceu comigo
quando, de certo feito, a mangueira do compressor avariou-se e eu
precisava atender, um senhor, com certa urgência. Improvisei,
colocando em seu lugar um tubo de borracha destes que usamos para
fazer garrote quando da tomada de pressão. Não preciso detalhar a
história, mas o mesmo, pouco tempo depois, estourou, deixando o
paciente e eu, bastante atônitos.
Qual foi o
marketing que usou para começar?
Sempre usei como
arma de marketing o estudo. Com isso pude sempre prestar a meus
pacientes serviços de alta qualidade e tecnologia. Ainda acredito
que esta seja a melhor forma de divulgarmos nosso trabalho.
Tem algum filho
ou parente Cirurgião Dentista?
Minha família é
de Cirurgiões Dentistas. Meu pai, meu filho, minha filha e duas
sobrinhas seguiram a profissão.
Quem é o seu
maior ídolo na Odontologia?
Hoje sou
especialista em Ortodontia, e talvez por isso meu maior ídolo na
profissão seja Angle, o pai da Ortodontia Cientifica. Seu gênio
criador, suas idéias inovadoras, fez com que um ramo quase
desconhecido da Odontologia se tornasse a especialidade de maior
destaque na profissão.
E quem fez mais
pela classe nestes anos todos?
Todos nós,
Cirurgiões Dentistas, sempre fomos batalhadores para a ascensão da
Odontologia. Caso contrário, não teríamos uma profissão tão pujante
como a atual. No campo político eu citaria os nomes de Baldacci,
Razuk, Nobre, Duval, Mercadante, Lapa e tantos outros que se
destacam pelo que fizeram e fazem em prol da classe. Não posso
deixar de citar jovens profissionais como Ana Stella Haddad e
Gilberto Pucca que brilhantemente atuam como interlocutores da
Odontologia no cenário de políticas públicas nacionais e
internacionais.
Como está vendo o
presente momento na Odontologia?
Dentro do
panorama de um mundo globalizado, a Odontologia brasileira tem se
destacado de maneira significante tanto sob o ponto de vista técnico
quanto cientifico. Desenvolvemos pesquisas que são relevantes e
contribuem sobremaneira ao aperfeiçoamento da profissão. No campo
social, estamos cada dia mais conscientes de nossas
responsabilidades. A Odontologia como as demais profissões, está
passando por uma fase de ajuste. Todo o mundo atravessa um período
aonde se nota uma transformação do velho para o novo. As novas
tecnologias permitem melhores atendimentos. Um maior número de
pessoas tem, atualmente, acesso ao tratamento dentário. Contudo o
número de profissionais aumentou consideravelmente. Necessitamos
preparar melhor estes profissionais em todas as áreas., pois
profissionais bem preparados, não importa seu número, resultará em
um maior número de pacientes com acesso a bons serviços, pois a
população brasileira é imensa. Todos ganharão: profissionais,
pacientes e a indústria como um todo.
Qual caminho vê
como mais indicado para a profissão?
O caminho que
vejo para nossa profissão é o da constante atualização, da
especialização. Especialização, em todos os sentidos, mesmo em
Clinica Geral. Isso porque, não conseguimos mais abarcar todo o
conhecimento possível da Odontologia moderna.
A que atribuiu o
seu sucesso profissional?
Como já disse o
meu sucesso profissional atribuo a muito trabalho, exaustivo estudo
e inteira dedicação á Odontologia.
Como espera ser o
futuro da profissão?
O futuro da
Odontologia é admirável. Novas tecnologias permitirão o atendimento
de um grande número de pacientes com menos tempo se cadeira,
ofertando serviço de primeira qualidade. Nossa profissão vai se
sobressair enquanto muitas outras desaparecerão. Vencerá quem usar
melhor seu raciocínio, quem for mais criativo. Por isso sou otimista
quanto ao futuro.
Deixe uma
sugestão para os novos:
A sugestão que
quero transmitir á nova geração é de esperança e de sucesso, calcado
em muito estudo, pesquisa e dedicação. Mais do que isso, ou acima de
tudo que exerçam a profissão com dignidade e ética. Só assim
continuaremos crescendo nesta difícil, mas cativante Odontologia.
Professor,
foi um privilégio a sua entrevista, pela qual muito lhe agradeço.
Como livreiro odontológico há 37 anos, acompanho pelos livros o seu
sucesso. São poucos os autores na Odontologia que chegam à sétima
edição, menos ainda a ter uma reedição no exterior. Parabéns pelo
seu sucesso! Gostaria que deixasse seu e-mail para os amigos que
quiserem fazer contato.
vellini@vellini.com.br
http://
www.vellini.com.br
Antônio Inácio
Ribeiro
ribeiro@odontex.com.br
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