Sonia Cardoso
Entrevista exclusiva a
Antonio Inácio Ribeiro

 


Conheci a nossa homenageada deste número em 1987, no primeiro curso de prótese sobre implantes osseointegrados ministrado no Brasil por Renzo Casellini, suíço, radicado em Los Angeles, e que trazia como crédito o fato de ter sido o último protético do Peter K. Thomas. Eram pouco mais de dez pessoas, talvez porque os cursos de implantes naquela época custassem sempre mais de U$ 1.000, e provavelmente naquele momento somente outros dez conheciam algo mais da revolução que estava começando. Sônia, como pioneira e interessada, estava lá, compondo um traço de sua carreira marcante: participou de todos os cursos importantes sobre implantes que se realizaram no Brasil nos dez anos seguintes, além de ter ido à Argentina, aos EUA e à Alemanha, em busca do novo da implantodontia.
Em pouco tempo estava nos cursos não mais como ouvinte, e sim como assistente TPD dos mais importantes cursos que se realizaram nesta área, no Paraná. Colaborou em artigos como co-autora, em livros como colaboradora, fundou revista e firmou-se como a protética que mais entende de prótese sobre implantes no país, coisa que de quando em quando me aproveito, fazendo-lhe alguma consulta ou indicando profissionais que estejam com problemas de difícil solução, pois sei que com ela o caso se resolverá. E de maneira magistral.
Inteligente, logo direcionou seu laboratório para a implantodontia e passou a conviver com os mais renomados implantodontistas do país. Perfeccionista, faz questão de planejar pessoalmente cada caso, acompanha o passo a passo de todos e faz questão sempre de dar o último toque em todos eles, motivo que talvez justifique o fato de ter clientes em 90% dos estados brasileiros. Avessa a egoísmos, foi eleita presidente da Associação dos Protéticos Dentários do Paraná, para logo em seguida ser conduzida à presidência do sindicato da mesma categoria. Organizou o primeiro congresso de âmbito internacional para protéticos do sul do país, que contou com a presença máxima do Prof. Schillingburg, época em que fundou uma revista (Apropar Ativa), de penetração nacional.
Para completar seu perfil, é jovem, loira, bonita, elegante e de bom gosto. Quem estiver imaginando uma pessoa arrogante ou prepotente, enganou-se. Sônia é discreta, fala pouco e tem uma ponta de timidez que a impede de qualquer atitude mais extravagante, fazendo com que, àqueles que tem a honra da sua convivência, a associem sempre com uma pessoa de agradável convívio.Quem teve a feliz idéia de lhe colocar na Prótese Dentária?
Como qualquer adolescente, e principalmente aqueles que vem do interior para a capital, passa por uma fase de questionamento e angústia pela definição do futuro. Comigo não foi diferente. Tentei ingresso na Odontologia em 1982. Como opção mais próxima, e convivendo com minha irmã que já cursava o 2o. ano de Odontologia, fui fazer curso de Técnico em Prótese.

Como foi seu começo: na bancada ou no banco da escola?
Meu primeiro contato com a Prótese Dentária não foi na bancada. Foi na escola.

Com quem você trabalhou antes de montar o Kadinho?
Quando me referi “ao vir para a capital” parecia que tudo era tranqüilo. Ainda bem que algumas coisas se amenizam com o passar dos anos. Mas vir para a capital para mim significou: trabalhar durante o dia e estudar à noite. Desta forma, fui bancária até o término do curso de prótese, para meu sustento e pela não obrigatoriedade do estágio em laboratório de prótese, o que me deixou com o conhecimento teórico e sem a prática de um laboratório.

Como surgiu este nome tão oportuno para o laboratório?
Nos idos de 1986, com certificado na mão, pedido de demissão do banco e apoio familiar, fui montar o meu laboratório. Só ao encaminhar a parte legal do mesmo ao contador fiquei sabendo que este tinha que ter um nome. “Sonia, como vai se chamar o laboratório?... Parei, pensei em algo relacionado, e quase de pronto respondi: Kadinho”.

Havia preconceito em entregar serviços a uma mulher?
Sim, havia. Na época, os laboratórios eram tradicionais e os homens eram os titulares. Há que se considerar que além disto eu era muito jovem, mas ao passar dos dias fui conquistando clientes que me prestigiam até a data de hoje. Posso dizer que todo início é realmente muito penoso, pois adquirir confiança e mostrar competência requer muita força de vontade.

A opção por implantes colaborou no seu sucesso?
Ciente das dificuldades (mulher, jovem...), percebi que tinha que despontar em alguma coisa e que fosse inovador. O implante estava surgindo ainda com muitas polêmicas. Acreditei ser uma área que poderia estudar e me aprofundar mais. Fiz meu 1o. curso sobre implantes em 1987, encontro este destinado somente a CD, mas tenho comigo que aprendendo a parte clínica também, poderei desempenhar melhor a parte técnica, isto levo até hoje.

O laboratório realiza outros tipos de trabalho?
O Kadinho é especializado em prótese sobre implante, e também atua em vários outros segmentos da prótese. Comportamos uma estrutura que nos possibilita realizar os trabalhos de uma maneira conscienciosa, e acima de tudo com muita qualidade, desde o buscar e levar até o confeccionar.

Quantas horas você trabalha por dia?

Dez horas em tempos normais. As atividades da APROPAR e do Congresso não aparecem neste “livro ponto”, pois aí posso dizer que extrapolo um pouco, chegando a até quinze horas.

Qual o segredo para tantas atividades?
É o querer fazer. Ser empresária, dona de casa, associação de classe, congressos, etc. já consomem o dia. Só tem tempo quem se organiza por não ter tempo.

Porque você faz tantos cursos?
Acredito na atualização constante e na busca permanente de novas informações.

É verdade que sua filha já foi capa de revista?
Sim. Foi a capa mais linda que já olhei.

Sua mãe trabalha no ramo?
Minha irmã é Cirurgiã-dentista, eu faço prótese, e minha mãe é representante comercial do ramo odontológico desde 1992. Tudo por mera coincidência...

Como é ser presidente de duas entidades?
Para mim é uma satisfação, pois percebo que as pessoas confiam no meu trabalho, pois já estou terminando meu segundo mandato. Mas olhando de um outro prisma é triste, tem-se muito a fazer e não temos todo tempo disponível para execução, e a falta de recursos, e mesmo apoio, às vezes é fatal a algum projeto. Tento trabalhar dentro dos limites da APROPAR e SINPAR. Com isto, sempre fica algo a fazer, mas me desdobro para conseguir participar de todas as atividades relacionadas às entidades, e também sempre em busca de algo mais para nossos colegas de classe, como cursos, jornadas, revistas, etc.

Quem são seus ídolos na Prótese Dentária?
Citar nomes talvez seria um tanto constrangedor, mas posso garantir que admiro muito os colegas que estão sempre em busca de algo inovador e envolvidos com o que realmente interesse à nossa classe.

Fale do sucesso do 1° congresso.
No início da preparação do congresso trabalhamos para um final razoável, mas com o passar dos dias fomos percebendo que o Congresso estava se tornando um evento muito conhecido, aí houve a necessidade de redobrar nossos esforços para que tudo fosse condizente com o que se comentava. Trabalhamos uma divulgação muito balanceada e obtivemos os melhores resultados, tanto para a parte comercial como científica do evento. Nosso lema foi, e acredito que sempre será, a integração da Prótese Dentária, Clínica e Laboratorial, com isto, podemos contar com praticamente toda a classe Odontológica.

Quais são as perspectivas para o segundo?
Hoje trabalhamos nos mesmos moldes do primeiro, com um pouco mais de experiência, com certeza faremos um congresso à altura dos nossos participantes, superando em vários pontos. Estamos com uma grade científica diversificada, podendo o congressista assistir a várias palestras e cursos em dias e horários diferentes, assim absorvendo o máximo dentro de cada segmento. Além disto, remodelamos a feira comercial, para um maior conforto do congressista. Com todas estas mudanças, acredito que este congresso também ficará na história da APROPAR como um marco.

Quem serão as presenças mais importantes?

Estamos com 7 ministrantes internacionais, mais de 16 ministrantes nacionais para cursos já confirmados, e teremos aproximadamente 36 conferências, os stands praticamente fechados com empresas de renome. Para nós, todos os que participam são importantes, pois a união faz a força.

Como é a parceria com a Editora Maio?
A Editora Maio hoje desponta no mercado e é uma empresa que sempre nos ajudou no que se diz respeito à divulgação, com suas revistas se alastrando pelo Brasil. Para nós, é um dos maiores meios de divulgação.

O local será o mesmo do anterior?
Sim, as pessoas e as empresas já conhecem, fica então mais fácil. O Centro de Convenções de Curitiba está localizado em uma área de muito conforto, pois temos em sua volta inúmeros hotéis, restaurantes, shoppings, estacionamentos, e tudo o que todos possam precisar, sem necessidade de muita locomoção.

Quantos lugares ele comporta?
Temos 3 auditórios para 200 pessoas, 1 auditório para 1000, várias salas que aproximam a 100 pessoas. Suas capacidades e nossa área de exposição comercial serão em dois pisos, este ano maiores. 

Alguma inovação no modelo do congresso?
Inovações sempre existem, mas principalmente baseados em experiências do congresso anterior é que buscaremos superar dificuldades, almejando um êxito ainda maior para este.

Quantos estandes estão previstos na feira?
São aproximadamente 60 stands pré-determinados, com tamanhos que variam entre 9 e 40m2. 

Quais os estados que pretendem abranger?
Nossa divulgação abrange o Brasil todo e alguns países vizinhos, mas com a experiência do primeiro acreditamos trazer mais público dos estados mais próximos. Isto levando em consideração o custo de deslocamento e os elevados números de eventos que vem acontecendo. 

Haverá programação para todos os participantes?
Estamos trabalhando para que todos tenham condição de assistirem o máximo de palestras e cursos na sua área. A programação social está sendo elaborada com cuidado para que os participantes conheçam um pouco mais de Curitiba.

Existem planos especiais para grupos?
Sim, nossa agência de turismo oficial desenvolveu vários planos para várias localidades, e está fazendo visitas em escolas e faculdades para a divulgação dos mesmos.

Quantos participantes, congressistas vocês esperam receber?
Falar de números é complicado, mas estamos trabalhando para superar e muito o primeiro.

Qual será o tema principal do congresso?
Como já havia citado, nossa preocupação é e sempre será com a Prótese Dentária, então, para isto, insistimos sempre na interação CD e Técnico. Nossa programação científica abrange bem este conceito, pois teremos workshops práticos com pacientes em que poderemos interagir ao máximo. E não deixando sempre de trazer o que existe de mais inovador em todo o segmento da Prótese.

Quais são seus projetos futuros?
A princípio penso somente em realizar da melhor maneira possível este segundo congresso e investir mais a cada dia em meu laboratório, tanto em materiais como em informações, para que possa continuar a minha filosofia de trabalho.

 

Endereço Para Contato:
Kadinho Laboratório de Prótese Odontológica Ltda.
Rua Gal. Aristides Athayde Jr., 1025
Cep 80710-520 - Curitiba, Pr
Telefone e e-mail
Fone/Fax (41) 339 5011
Kadinho@Bsi.com.br