ODONTO ENTREVISTA Nº 45

Reconhecimento ao CD de Sucesso!

 

 

PROFESSOR SÉRGIO WEYNE

 

 

Nosso entrevistado da semana é Doutor em Odontologia – UFRJ, Professor e Coordenador das Disciplinas de Saúde Bucal e Sociedade (Saúde Coletiva) I e II da Faculdade de Odontologia / UNESA, Professor e Coordenador da Disciplina de Microbiologia e Imunologia da Faculdade de Odontologia / UNESA, Professor Adjunto IV da Disciplina de Microbiologia – Instituto Biomédico – UFF (aposentado) Coordenador Nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde / 1990, Coordenador Nacional dos Programas de Saúde do Ministério da Saúde / 1991 e Secretário Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde / 1992.

 

Quem o influenciou a fazer Odontologia?

Embora meu pai fosse Dentista, desde o segundo grau eu estava inclinado para profissões onde biologia e química fossem importantes.

 

Onde fez a faculdade e quais suas lembranças desse tempo?

Foi na F. O. da Universidade Federal Fluminense e tenho ótimas lembranças do sonho de que eu, de alguma forma, influenciaria o futuro de minha profissão... Um tempo maravilhoso, pois o sonho, como todos sabemos, é muito melhor do que a realidade...

 

Como foi seu início na profissão?

Não deve ter sido muito diferente do tradicional: muita esperança, muitos sonhos, muitas dúvidas, muito suor e às vezes, uma pitada de frustração...

 

Lembra quem foi seu primeiro paciente?

Não, mas certamente foi da Policlínica Geral do Exército, onde estagiei e muito aprendi com o Dr. Jaime Barandes, meu primeiro guru... Depois viriam muitos outros.

 

Qual foi o seu caso mais difícil?

No início todos os casos eram muito difíceis, não me lembro de nenhum deles em particular.

 

E um que tenha sido o mais gratificante?

Certamente foi o caso de uma menina de cerca de 5-6 anos e que apresentava cavidades cariosas em praticamente todos os elementos dentais, com exceção de um central inferior permanente que estava irrompendo. Eu não sabia nem por onde começar, pois a prática odontológica corrente se limitava a fazer restaurações. Afinal comecei colhendo saliva para fazer contagem de bactérias cariogênicas e determinar o fluxo salivar. Essa criança era multimilionária de S. mutans e também de lactobacilos e apresentava um quadro de hipossalivação (xerostomia). Fiquei muito mobilizado com o caso e pedi autorização aos pais (que por acaso eram médicos pediatras) para utilizar um anti-séptico que ainda não era usado no Brasil (clorexidina) e cuja solução concentrada eu importava da Inglaterra para usar em pesquisas com animais de experimentação no laboratório de Microbiologia do Instituto de Microbiologia da UFF (onde eu já era professor) e alguns outros recursos que ainda não eram usados rotineiramente. É uma longa história, mas teve um desdobramento muito importante para mim. Era a primeira vez que eu tratava a doença cárie como uma doença infecciosa (antes só usávamos esse protocolo em animais roedores). O resultado foi surpreendentemente bom (nenhuma cavidade nos dentes permanentes, um sonho...). A partir desse caso, mudei completamente a abordagem exclusivamente restauradora e comecei a engatinhar no que hoje, com muitos outros recursos e conhecimentos conhecemos com o nome de Odontologia de Promoção de Saúde. Mudou minha vida profissional e reconciliou-me com os sonhos iniciais que pareciam tão distantes...

 

Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório?

O caso de um paciente que chegou muito cedo para um atendimento de urgência e tinha colocado a peruca invertida: o topete para trás e o rodamoinho para frente. Eu não sabia o que fazer, pois ele não admitia que usava peruca...

 

Quais foram os seus maiores ou melhores momentos?

Foi num encontro da ABOPREV, quando enfim, foi criado um espaço para discutir e aprender como produzir e manter saúde, já que os congressos tradicionais naquela época pareciam com uma exposição de Belas Artes... só casos lindos de restaurações e próteses!

 

Qual foi o marketing que usou para começar?

O marketing da produção e manutenção da saúde... sem dúvida, imbatível.

 

Tem algum parente Cirurgião Dentista?

Tive, sim, meu pai.

 

Quem é seu maior ídolo na Odontologia?

A lista pode ser muito grande, mas com certeza, estão nela incluídos os Professores Walter Loesche, Bo Krasse, Paul Keyes, Simon Katz, Page Caufield, Kauko Makinen, Douglas Bratthall (não brasileiros) e José Luis Freire de Andrade (o Zé da Placa), Hamilton Bellini, Jaime Cury, Rui Oppermann, Mariza Maltz, Eduardo Tinoco, Wilson Chagas de Araújo, Mário Araújo, Paulo Louro, Urubatan Medeiros, Maria Isabel Castro... (tenho receio de ter esquecido alguns...)

 

Quem são os seus grandes amigos na profissão?

Muitos deles foram citados na lista anterior. Eu acrescentaria a Vilma Rangel (com quem tive o privilégio de trabalhar na Amil Dental), minhas colegas de disciplina na Faculdade Estácio de Sá: Inger Campos, Kaklin Darlen Maia, Mariana Passos, Caroline Amêndola e os meus colegas do corpo docente da Faculdade Estácio de Sá.

 

Qual seu livro ou autor preferido na profissão?

Odontologia Restauradora: Fundamentos e Possibilidades, de Luiz Narciso Baratieri e colaboradores (Mauro Caldeira, Sylvio Monteiro Junior e os demais da Disciplina de Dentistica de Florianópolis). Foi um divisor de águas relativamente ao modelo de prática.

 

Qual a revista odontológica que mais gosta de ler?

Journal of Dental Research, Caries Research, Science, Nature...

 

Como está vendo o presente momento na Odontologia?

Com bastante otimismo, pois os novos Cirurgiões Dentistas estão sendo muito melhor preparados e naturalmente, vejo um futuro muito promissor, pois percebo que finalmente estamos começando a assistir a uma transformação (positiva) no modelo de prática.

 

Qual caminho vê como mais indicado para a profissão?

Aquele em que a primeira preocupação é com o diagnóstico e controle da atividade das doenças, para depois nos concentrarmos na reabilitação (tipo: primeiro apagar o incêndio e depois reconstruir a casa..).

 

A que atribui o seu sucesso profissional?

Sendo bastante franco, não me acho um “sucesso profissional”. Como no início da carreira, continuo “suando a camisa”...

 

Sente-se realizado profissionalmente?

Ainda não acabei de perseguir meus sonhos...

 

Como espera ser o futuro da profissão?

Com maior reconhecimento do papel do Cirurgião Dentista no âmbito da saúde e, naturalmente, melhor remuneração, especialmente para os credenciados aos planos de saúde, cuja situação a meu juízo, é insustentável... e precisa ser revertida urgentemente!!! Um setor não pode ir bem quando quem realiza o serviço vai tão mal...

 

Deixe uma sugestão ou mensagem para os mais novos:

“O tempo amadurece todas as idéias. Nenhum homem nasce sábio”

(Miguel de Cervantes)

 

A palavra é sua para suas considerações finais.

Obrigado pela oportunidade de falar com meus colegas...

 

Que pergunta gostaria de fazer ao entrevistador?

Como você escolhe os personagens de suas entrevistas? Espero que não seja só pela idade...! (risos...)

 

Sérgio, obrigado pelo privilégio da entrevista. Talvez os 73 do entrevistado anterior possam ter dado a impressão, mas já tive a honra de entrevistar pelo menos três ex-alunos seus, fazendo nossa média baixar bastante... Mas concordo que num segmento cada vez mais competitivo, como o da Odontologia, levaremos cada vez mais tempo para fazer sucesso. Tomara que não tanto a ponto de não termos tempo para usufruir do reconhecimento, que foi o que busquei nesta entrevista. Um fator técnico da escolha foi sua passagem na Universidade de Indiana - USA, onde também estiveram outros grandes da Odontologia, como Roberto Vianna e Sylvio Monteiro Júnior. Aos que quiserem parabenizar nosso homenageado, o e-mail dele é sergio.weyne@terra.com.br

 

 

 

Antônio Inácio Ribeiro     ribeiro@odontex.com.br

 

clique aqui para ver mini currículo

 

Crie o hábito de sempre encaminhar estas notícias para a sua lista de amigos DENTISTAS
Se não quiser mais receber esta coluna, nos retorne com um REMOVER