ODONTO ENTREVISTA Nº 19

Conhecendo e reconhecendo colegas

 

RICARDO CAUDURO NETO

 

A nova geração está mais uma vez presente nas nossas entrevistas. E desta feita de um modo muito especial. Nosso entrevistado de hoje é nada mais, nada menos, que o filho do entrevistado da semana passada. Ricardo é Diretor da Revista Gaúcha de Odontologia, fundada por seu pai e publicada ininterruptamente há mais de 50 anos. Editor de livros, revistas e material didático, dentre outras atividades, teve na sua formação além da Odontologia, o curso de Propaganda.

 

Quem o Influenciou a fazer odontologia?
Meu pai, Haroldo Cauduro.


Onde fez a faculdade e quais suas lembranças deste tempo?
Fiz a graduação na PUCRS e a pós na UFRGS, ambas em Porto Alegre. As
lembranças deste tempo são da convicção dos colegas em abrirem seu próprio consultório e a confiança em terem uma vida tranquila.

Como foi seu início na profissão?
Iniciei trabalhando como editor científico adjunto da Revista Gaúcha de
Odontologia em 1977.


Tem algum parente Cirurgião Dentista?
 Nossa família tem muitos dentistas. Mais de 10 (pai, tios, primos...)

Quem fez mais pela classe nestes anos todos?
Orlando Limongi, por ter tido a visão de criar o primeiro grupo de trabalho
para divulgar a Odontologia junto da população, quando era dirigente do CFO (ninguém ainda falava em marketing profissional).  E José Luiz Cintra Junqueira, por democratizar a oferta de vagas para o CD interessado em fazer uma pós-graduação, antes restrita a poucos privilegiados.


Qual seu livro ou autor preferido na profissão?
O livro "Odontologia Social", escrito por Mario Chaves em 1974 e que até
hoje consulto. Também merecem ser citados o livro "Farmacoterapia para o CD" do Antonio Carlos Neder, pelo seu pioneirismo em divulgá-lo com cursos de atualização, e o primeiro livro de Dentística do Luiz Baratiéri, um dos mais vendidos da Odontologia e que tive a honra de prefaciar.


Como está vendo o presente momento na Odontologia?
As visões sociais e técnico-científicas já são rotineiramente analisadas e
expressas. Somos um sucesso como profissão... Na visão financeira do CD, somos a 15ª profissão no ranking de salários/rendimentos (média de apenas R$ 3.131,00 mensais), de acordo com estudo recente da Fundação Getúlio Vargas. É deprimente para uma profissão conviver com este paradoxo.


Qual caminho vê como mais indicado para a profissão?
A Odontologia foi capa da TIME, por ser a profissão que em prol da saúde pública acabou com o seu próprio negócio: a cárie. De um CPOD médio superior a 10 (criança com 12 anos) até os anos 70/80, hoje está abaixo de 3. Mais de  70% de redução, Restará a ORTO,  a PERIO e a Cirurgia BMF. Mas não chegam  nem perto do velho sistema da obsolescência restauradora: restauração, endo,  extração, prótese, implante... Ainda temos um residual pela frente.


A que atribui o seu sucesso profissional?
Trabalho até hoje para pagar minhas contas e não terei aposentadoria digna se parar de trabalhar. Isso não é sucesso profissional. Pode ser muitas outras coisas.

Como espera ser o futuro da profissão?
Brilhante! Em todos os sentidos, principalmente nos quesitos mortalidade
dentária, estética e universalidade de atendimento. Mas para poucos CD´s, quando a visão é financeira. O mesmo estudo da FGV acima citado, verificou que os salários/rendimentos máximos dos CD´s mais bem sucedidos, andam por volta dos R$ 60 mil mensais. Quem são? Os grandes especialistas focados na classe AA. Somos a 6ª profissão no ranking dos maiores salários. Perdemos apenas para advogados (250.000), jornalistas (200.000), administradores (150.000), médicos (130.000) e diretores de empresas (120.000). Não entram nessa conta os donos dos planos, franquias, redes, escolas de pós...


Deixe uma sugestão ou mensagem para os mais novos?
Ouse enfrentar a si mesmo. Experimente atender os pobres, nem que seja de forma complementar. Eles também tem renda. E cada vez mais! Mas pense em escala, com qualidade, baixo custo e foco específico.


A palavra é sua para as considerações finais..
Não leve muito a sério os pessimistas da Odontologia. Geralmente não
tiveram o sucesso que sonhavam quando tinham a sua idade. Valorize mais os otimistas. É possível que errem suas análises (a verdade é filha do tempo). Mas lhe darão uma grande esperança até lá.

Ricardo, foi um privilégio esta sua entrevista. Atual, consciente e direta, como é próprio dos novos tempos. Parabéns por seu trabalho e obrigado pelas informações que nortearão muitos leitores.

 

Quem você gostaria de ver entrevistado em nossa coluna semanal?

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Antônio Inácio Ribeiro   ribeiro@odontex.com.br

 

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