ODONTO ENTREVISTA Nº 12

Conhecendo e reconhecendo colegas

 

DOUTOR MIGUEL NOBRE

 

Nosso ilustre entrevistado de hoje, procurando alternar clínicos, professores e políticos da classe, é o Presidente do Conselho Federal de Odontologia, com uma vida dedicada à profissão e que nos últimos anos abdicou boa parte do seu tempo, para viajar por vários estados e marcar presença nos principais momentos e movimentos da Odontologia, trabalhando por melhores condições aos colegas.  

Quem o influenciou a fazer Odontologia?
A grande influência na escolha que fiz em direção à Odontologia foi do meu querido primo, excelente cirurgião dentista, Luis Fernando Santiago Velasco. 

Onde fez e quais suas lembranças do tempo de faculdade?
Sou egresso do curso de Odontologia da PUC-RS e de minha turma, a ATO/73, guardo muitas lembranças, tanto dos colegas quanto dos professores, que são revividas ao longo destes 40 anos pelo convívio que ainda mantemos nas reuniões em que comemoramos o aniversário de nossa formatura. Muitos destes colegas destacam-se liderando várias entidades de classe gaúchas. 

Como foi seu início na profissão?
Pelas mãos de meu primo Dr. Luis Fernando Santiago Velasco, conheci meu verdadeiro mestre, Dr. Francisco Amado Bastos Lacroix, com quem trabalhei nos primeiros anos de minha carreira, sempre com muita satisfação por estar realizando o que gosto. Dedico portanto desde aqueles tempos uma grande gratidão ao Dr. Velasco pelos ensinamentos de Clínica e ao Dr. Lacroix pelo aprendizado em Prótese e Oclusão. 

Qual a marca do seu primeiro equipamento?
Os primeiros equipamentos foram da marca Atlas, adquiridos em leilão do Bradesco. Desde então tenho sempre utilizado dois equipamentos com a finalidade de racionalizar o tempo utilizado no atendimento. 

Lembra como foi seu primeiro paciente?
Os primeiros pacientes que atendi foram na clínica da graduação e perderam-se em minha memória. 

Sabe o nome do seu primeiro protético?
Foi o Sr. Avelino Kell. 

E sua primeira atendente / auxiliar?
Sra. Maria Onice Veiga Quintana, que até hoje trabalha em meu consultório. 

Qual foi o marketing que usou para começar?
Quando estagiei em São Paulo na clínica dos Drs. Radamés e Nelson Pugliesi, constatei que usavam apenas o número na porta. Esta conduta me encantou pela simplicidade em anunciar sua clínica. Para mim o principal marketing era esta discrição, tendo eu adotado também o número na porta sem nenhuma placa, o que continuo praticando até hoje. 

Tem algum filho ou parente Cirurgião Dentista?
Sim, minha filha Daniela graduada pela Faculdade de Odontologia da ULBRA - Canoas e Mestre em Ortodontia pela PUC – RS, trabalha no consultório, é professora do curso de Odontologia da ULBRA - Canoas e coordenadora do curso de especialização em Ortodontia da Sociedade de Ensino e Saúde - São Leopoldo Mandic na unidade de Porto Alegre. Além dela tenho vários primos e sobrinhos que se dedicam à Odontologia. 

Quem é seu maior ídolo na Odontologia?
Cirurgião Dentista Admar Raupp Terra, que já não está mais entre nós. 

E quem fez mais pela classe nesses anos todos?
São muitos colegas que dedicam um considerável tempo e um grande esforço às causas da Odontologia no Brasil. Estou me referindo aos líderes nos Conselhos, nas Associações, nos Sindicatos e especialmente aos mestres que se entregam à tarefa de formar nossos cirurgiões dentistas. 

Como está vendo o presente momento na Odontologia?
Estamos gradativamente reformulando os nossos conceitos promovendo saúde e não só tentando infrutiferamente o tratamento das doenças. Sonhamos e temos trabalhado para ter uma “Odontologia de todos para todos”. 

Qual é a causa desta situação enfrentada hoje?
Acredito que não exista uma única causa a ser responsabilizada pelas dificuldades dos profissionais. Podemos citar algumas: Má distribuição da renda; Necessidade de mais programas do governo no sentido de aproximar o dentista disponível da população necessitada, mas sem recursos; Centralização dos cirurgiões dentistas nas capitais. O que nos entusiasma mais no momento é o programa do Governo Federal “Brasil Sorridente” que hoje é o maior empregador de CDs do Brasil, o que começa a democratizar o atendimento odontológico à população. 

Que solução vê para a profissão?
As possibilidades além das referidas são: Programas governamentais que contemplem uma melhor avaliação do piso salarial que possibilite uma remuneração digna aos profissionais de saúde bucal. 

Deixe uma sugestão para os mais novos.
Além de um preparo qualificado e ético, sugiro que participem das atividades de seu Conselho Regional, filiem-se a sua Associação e trabalhem com seu Sindicato, pois só assim nossa profissão terá a representatividade que merece. “Tudo nos une e nada nos separa em benefício da população que sofre”. 

Doutor Nobre, agradeço e quero que saiba, foi um privilégio a sua entrevista, que com certeza também será de agrado dos nossos leitores. Parabéns pelo trabalho e gestão a frente da entidade máxima da Odontologia. O felicito também pela sugestão aos colegas, para que sejam atuantes nas entidades. Este é um caminho para o crescimento

 

Antônio Inácio Ribeiro   ribeiro@odontex.com.br

 

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