O número bodas de prata do nosso Jornal de Assessoria
ao Odontologista não poderia ter outra entrevistada que não a razão de
existir da própria Editora Maio, sua Diretora Executiva, nossa
Editora-Chefe, Marli Caetano. Com a escolha, decidimos homenagear a
criadora e sua criatura, visto ser o JAO a revista que acompanha todas as
demais (JBP, JBC, PCL, BCI, JBO, JBA e JBE), como cortesia da editora a
seus assinantes.
Conheci a Marli no início dos anos noventa, quando trabalhamos juntos na
Odontex por cerca de quatro anos, época em que firmei meu primeiro
conceito a seu respeito, o de grande vendedora que, posteriormente, faria
dela uma grande vencedora. Como publicávamos na época uma revista, a BCI,
em suporte de vendas aos nossos produtos principais, livros e implantes,
desejo que a vivência com a angariação de artigos e assinantes, digitação,
diagramação, impressão e envio da nossa revista, a tenha motivado ao mundo
da editoração de revistas odontológicas. Sentiria-me gratificado em
ter-lhe sido útil no início de seu desenvolvimento.
Quando ela pediu demissão, já como Gerente de departamento, dizendo que
iria lançar uma revista de Ortodontia, lamentei estar perdendo uma das
melhores vendedoras, ao tempo em que tive a certeza que algo vitorioso
estava por vir. Não foi diferente com todas as demais revistas que lançou,
para as quais tive a honra de indicar quase todos os diretores
científicos. Quando estava na quinta revista, decidi reconhecer seu
talento de forma concreta, passando para a Editora Maio a publicação da
Revista Brasileira de Cirurgia e Implantodontia, que fundei oito anos
atrás, no tempo em que a Marli ainda trabalhava conosco. A revista
melhorou em tudo e, em suas mãos, passou a ser mais um estrondoso sucesso.
A bem da verdade, tratou-se não só de uma homenagem, mas de um
reconhecimento, visto que pouco tempo antes ela havia me distinguido com a
direção científica do JAO, que é hoje uma das minhas atividades mais
prazerosas.
Recentemente, percebendo que tudo o que ela tocava fazia sucesso, decidi
fazer com a Editora Maio a publicação de uma série dos meus livros, que
também passaram a ser sucesso. Assim é a Marli Caetano, dedicada e
batalhadora, decidida e empreendedora, firme e lutadora, simples e direta
em tudo o que fez e faz. Só poderia dar certo e não poderia ser diferente,
pois conta com um grande aliado, que ao seu lado, é sócio e editor
responsável de todas as revistas publicadas pela Editora Maio, Vanderlei
Coelho, o seu braço direito.
Mate a curiosidade de alguns de nossos leitores:
onde e quando você nasceu?
Eu nasci num lugarejo que hoje nem existe mais, pois foi reflorestado e
faz parte do Parque Iguaçu, no distrito de Cascavel, no Oeste do Paraná.
Porque veio morar em Curitiba?
Quando eu tinha seis anos, meu pai decidiu mudar-se para Medianeira,
uma cidade bem pequena, também do Oeste do Paraná. Lá eu comecei a
trabalhar muito cedo, como babá, aos nove anos de idade. Então com 18
anos, eu já era gerente de vendas de uma livraria e, como tinha uma grande
experiência de vários outros tipos trabalho que exerci até esta idade,
julguei que Medianeira já não oferecia nenhum desafio, não havia nada de
novo para me oferecer, por isso comecei a imaginar que Curitiba, sendo uma
capital grande, poderia ser a realização de minha vida. E foi.
Conte-nos uma curiosidade a respeito de seus
filhos.
Tenho uma menina e um menino de nove anos, que são gêmeos. O que posso
contar deles talvez não seja exatamente uma curiosidade e sim, uma grande
qualidade de ambos. Mesmo não participando de nenhuma religião específica
eles têm o espírito completamente voltado à caridade e à bondade. Em todas
as ocasiões que os observei orando nunca os ouvi pedindo a Deus nada em
seu próprio benefício e sempre em benefício de crianças carentes e
deficientes, dependentes da ajuda alheia. Sempre parte deles a iniciativa
de fazer visitas e doações às entidades que acolhem os menos
privilegiados, e isso me deixa imensamente feliz.
Quando começou a atuar na área editorial
cientifica?
Sempre gostei de ler, e adquiri grande parte do meu aprendizado através da
leitura; talvez por isso, com 18 anos, quando trabalhava numa livraria,
comecei a me interessar pela área editorial. Em 1988 conheci o Vanderlei
Coelho, que tinha a Editora Phoenix. Me associei a ele e publicamos por
alguns anos uma revista de laser e da sociedade curitibana. Logo em
seguida, tomamos gosto pela área editorial cientifica, quando por algum
tempo fizemos parte do staff de uma empresa importadora de revistas
médicas e odontológicas, no entanto, nos desligamos, pois o foco principal
do empresário importador de revistas não era a boa qualidade do serviço
prestado aos clientes. Nesta ocasião comecei a trabalhar na Odontex, onde
realmente tive um imenso contato com a área editorial odontológica e
aprendi muito a respeito.
Como foi o começo da Editora Maio?
A idéia inicial de publicar revistas foi do Vanderlei Coelho, que, sendo
um profissional muito sensato e observador, viu que os CDs tinham
necessidade de revistas de boa qualidade dentro de suas áreas de atuação.
Ele, assim como eu, trabalhava com livros de Odontologia e, nesta época só
existia a BCI, publicada pela Odontex. Então, em 1994, o Vanderlei
incutiu-me a idéia de lançarmos uma revista, e desafiou-me a
desenvolvê-la. Aliás, excetuando o JBE, todas as revistas foram criadas
pelo Vanderlei, que vê a necessidade de uma determinada especialidade;
imagina como deve ser a revista; idealiza-a e me desafia a colocá-la em
prática.
Por que a escolha deste nome?
Na verdade este nome surgiu com uma brincadeira, pois a razão social da
empresa é Editora Caetano Coelho Ltda., mas precisávamos de um nome que
fosse fácil de gravar, então começamos a fazer brincadeira do tipo: “já
existe a editora Abril e nós, como somos ambiciosos, esperamos ser como a
Abril, então tem que ser o nome do mês seguinte”. Mas eu acabei levando o
nome a sério em consideração ao Vanderlei Coelho que é nascido em 3 de
Maio no RS. Quis manter o nome para homenageá-lo, uma vez que a Editora é
fruto de sua imensa capacidade de imaginação e criatividade.
Como surgiu a idéia de lançar a JBO?
Os profissionais que mais clamavam por uma revista de atualização, sempre
foram os de Dentística e Ortodontia. Na época, havia uma revista de
Dentística muito bonita, que começou a ser publicada na cidade de Bauru –
SP (que infelizmente logo fechou), optamos então pela Ortodontia e
Ortopedia Facial que eram outras especialidades muito carentes de um
periódico.
O JBC é uma revista para o Clínico geral?
O JBC foi lançado especialmente para o Clínico geral, e ficou assim por um
ano. Porém, quem dita as regras em nossa editora é o assinante e, os
Clínicos gerais, nossos assinantes, começaram a pedir que publicássemos um
maior número de artigos de estética. Acatamos a sugestão e o JBC passou a
se chamar de Jornal Brasileiro de Odontologia Clínica e Estética. Para
tal, convidamos o Professor José Carlos Mondelli, para dirigir e formar um
conselho científico para este caderno especial.
Você acreditava na JBP desde o início?
Esta pergunta merece uma resposta longa. Costumamos dizer e pensar que
cada vez que decidimos lançar uma revista é como um filho que vai nascer.
Planejamos, damos um nome, pensamos nas primeiras etapas e escolhemos um
padrinho. Numa revista, o padrinho é o Diretor Cientifico e esta escolha é
muito importante, pois é ele quem vai dar o direcionamento científico da
revista, por isso fazemos pesquisa, solicitamos indicações de amigos, etc.
No caso do JBP foi uma história muito curiosa pois, a Odontopediatria
oferece inúmeros profissionais gabaritados e houve a indicação de muitos
nomes importantes. A escolha era muito difícil, porém a grande amizade que
temos pelo Antônio Inácio Ribeiro, Diretor do JAO, nos fez confiar na
indicação do professor Guedes-Pinto, pelo seus enormes atributos e
qualidades, que foram a razão para sua indicação. Aliás, pedimos para que
ele mesmo fizesse o convite. Felizmente para Editora Maio ele aceitou
pois, além das qualidades apontadas pelo Ribeiro, descobrimos muitas
outras e uma delas, que julgamos muito importante é sua imparcialidade
profissional e científica. E o que mais agradou foi, que ao formar o corpo
cientifico do JBP ele colocou os interesses dos leitores acima de qualquer
interesse pessoal e profissional, convidando justamente a maioria dos
professores mais importantes da Odontopediatria, que já haviam sido
indicados em nossa pesquisa. Isto feito nos primeiros passos da revista,
não havia como não acreditar no sucesso do JBP desde o inicio. Sem contar
o excelente trabalho que ele, em parceria com o conselho editorial
científico tem desenvolvido até o momento
O JAO quando começou era uma cortesia?
O JAO começou como um encarte especial do JBO. Começou a crescer e
resolvemos fazer dele uma publicação à parte, que oferecíamos somente como
brinde. Quando convidamos o Sr. Antônio Inácio Ribeiro para dirigi-la, no
final de 98, ela realmente tornou se uma revista importante, os assinantes
já estavam acostumados, então continuamos oferecendo-a como brinde aos
assinantes. Porém, nos dois últimos anos o Ribeiro acrescentou algumas
mudanças excelentes que, somadas com outras sugeridas pelo Editor
Responsável, tornaram-na uma revista necessária. Hoje, além de ser
oferecida como brinde em todas as assinaturas das demais revistas da
Editora Maio, há muitos profissionais que preferem assiná-la, e os que a
recebem como brinde ficam atentos, aguardando a data de recebimento da
mesma, pela enormidade de informações que contém suas matérias. O JAO
acabou se transformando numa revista tão importante, que é requisitada por
professores e bibliotecas da maioria das faculdades do Brasil.
É verdade que a PCL seria só para protéticos?
Quando surgiu a idéia de uma revista de prótese, foi baseada na pouca
literatura disponível para o protético. No entanto, pesquisamos sobre o
assunto e amadurecemos a idéia, já colocando prótese laboratorial e
clínica juntas, com o intuito de criar um maior vínculo entre protético e
o Cirurgião-dentista, especialmente com o protesista. A fórmula hoje é
vitoriosa, pois além desta união, a PCL promove a evolução conjunta destas
áreas.
Alguma vez pensou em ter a BCI antes de recebê-la?
Sim, mas sabia que você, apesar de não ter tempo para transformá-la numa
grande revista, tratava-a com um amor muito especial. E isso sempre me
desencorajou a pedir-lhe. Na verdade, sempre desejei lançar um revista de
Implantodontia. Não lancei e jamais lançaria, enquanto você mantivesse a
BCI. Felizmente, você percebeu que eu poderia dedicar a ela o mesmo amor
que você dedicava e fez a concessão dos direitos de publicação para a
Editora Maio. Repito que, felizmente você tomou esta iniciativa, pois
agora o pouco tempo que te sobra, você dedica de forma muito especial à
direção da JAO e às suas outras atividades, inclusive com maior destaque à
sua condição de autor.
A Endo e a Perio não mereceriam revistas
independentes?
Esta pergunta eu ouço todas as semanas, através dos vendedores e
representantes que ouvem dos especialistas que visitam. Então, respondo da
seguinte forma: o Endodontista e o Periodontista não estavam acostumados a
ter uma revista para publicar seus artigos, portanto não os produziam com
freqüência e, como a JBE ainda é muito jovem, este hábito ainda não se
criou entre nossos especialistas. Assim que percebermos um aumento na
quantidade e recebermos artigos com qualidade, estaremos dividindo estas
especialidades em duas revistas. Creio que isto deverá
ocorrer dentro de um ou dois anos.
O JBA será oferecido a todos os especialistas?
É sabido que muitos odontológos atuam interdisciplinarmente no tratamento
da dor e das doenças que acometem a ATM, e das disfunções relacionadas à
Oclusão. Por isso quase todas, senão todas as especialidades da
Odontologia precisam de conhecimentos profundos sobre os assuntos
abordados nesta revista. O JBA se propõe justamente a suprir estas
necessidades, portanto, ele será oferecido a todas as especialidades, como
um complemento de nossas revistas nas respectivas áreas.
Qual será a próxima revista a ser lançada pela
Editora Maio?
Não temos no momento o objetivo de lançar mais revistas na Odontologia, a
não ser o desmembramento do JBE em duas revistas, mas estamos fazendo
algumas pesquisas objetivando o lançamento de periódicos em outras áreas
da saúde.
Existe projeto para publicação das revistas no
exterior?
Já há algum tempo estamos sondando a possibilidade de traduzir e lançar em
língua espanhola alguns títulos de nossas revistas. Inicialmente para os
países da América Latina, e é provável que isso aconteça já no ano que
vem. Após o resultado desta primeira iniciativa planejamos abranger todos
os países de língua portuguesa e espanhola.
Que importância teve a mudança de sede para a
empresa?
Muita, a beleza, a funcionalidade e o tamanho da nova sede são parte de um
sonho realizado, sendo minha realização profissional.
A Editora Maio teve um crescimento constante desde que começou, e esta
evolução se deve à confiança que conquistamos dos nossos clientes, e
porque sempre visamos a máxima qualidade em tudo o que fazemos. Nosso foco
principal é o assinante de nossas revistas, por isso damos o melhor de nós
em tudo o que fazemos. Fiz uma pesquisa e descobri que somos a única
editora do país que sobrevive tendo 95% de sua receita financeira vinda de
assinaturas, ou seja, somos os únicos que sobrevivem sem contar com a
receita de publicidade e continuamos crescendo. Só as empresas
fornecedoras de produtos Odontológicos ainda não perceberam isso. Mas,
resumindo, nesta sede maravilhosa construída com recursos próprios, estou
trabalhando em dobro, porém, agora eu posso olhar para trás e pensar: todo
o stress constante que tenho vivido, meu esforço e de toda a equipe da
Editora Maio, valeu a pena. O nosso tamanho é o resultado de nossa
competência.
A Editora Maio pretende continuar lançando livros?
Nosso principal interesse são as revistas, no entanto continuaremos
publicando livros, porém não indisciplinadamente, somente títulos muito
especiais e diferenciados dos já existentes no mercado.
Qual o objetivo da construção de um auditório
dentro da Editora?
Como a política da Editora Maio sempre foi: “não meça esforços ou
investimentos, ofereça o melhor”, o auditório foi mais uma forma que
encontramos de investir na atualização e qualidade dos profissionais. A
criação deste auditório não visa lucro, tanto que os cursos terão um custo
muito baixo para o CD e mais baixo ainda para os assinantes de nossas
revistas, unicamente para cobrir os custos dos palestrantes. E traremos
sempre os melhores professores para ministrar estes cursos, objetivando
maior crescimento profissional daqueles que virão participar. Portanto,
estaremos a partir de junho, fazendo cursos semanalmente para todas as
especialidades. Iniciaremos no dia 09 de junho com a inauguração do
auditório e um curso do Professor Guedes-Pinto para a Odontopediatria em
conjunto com um curso de Marketing Odontológico do Antônio Inácio Ribeiro.
Existem outros projetos em programação?
Os projetos para o próximo ano, são: lançar nossas revistas em outros
países, lançarmos assinaturas eletrônicas via Internet e lançar um Cd Rom
de cada revista, contendo todas as edições publicadas. Mas, além disso,
temos inúmeros projetos em planejamento para os próximos cinco anos. Na
verdade, temos tantos planos em andamento que abrangeria os próximos 10
anos, tanto que pretendemos ser dentro de oito anos, uma das três maiores
editoras cientificas do mundo.
Qual o seu segredo para o sucesso?
Trabalho tanto em prol daqueles que dependem de minhas boas atitudes
profissionais que ainda não tive tempo para pensar neste assunto. Quando
eu descobrir algum segredo que não exija muito trabalho, dedicação,
honestidade e boa vontade eu te conto.
Qual o seu maior sonho?
Daqui há alguns anos, olhar para trás e saber que fui boa mãe.