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ODONTO ENTREVISTA Nº 26 |
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PROFESSOR MARIO GROISMAN
Nosso entrevistado da semana é graduado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Especialista em Periodontia pela mesma Universidade e Especialista em Implantologia Oral pelo CFO. Foi para o exterior em busca que qualificação, de onde voltou como Mestre em Ciências Dentais pela Universidade de Lund, Malmo, Suécia e é Professor do curso de especialização em Implantologia Oral da Universidade São Leopoldo Mandic.
Quem o influenciou a fazer Odontologia? Na verdade, na época do vestibular, pensava em ser artista plástico. Era aluno de Newton Cardoso e Rubem Grillo, dois grandes xilogravuristas. A influência de minha família foi determinante para o meu envolvimento com a Odontologia. Principalmente meu tio Samuel, irmão do meu pai, que sempre me dava orientações das mais variadas.
Como foi seu início na profissão? Quando me formei, o início foi muito conturbado e inclusive pensei em abandonar a Odontologia. Prestei vestibular para Farmácia e Bioquímica, e iniciei o curso na UFF. Pensava em seguir a carreira de meus pais. Em sequência comecei a realizar tratamentos endodônticos na clínica da Profa. Laura Sotello, e optei em realizar o curso de especialização em Periodontia na UERJ. Vale aqui a grande influência da monitoria sob a tutela do Prof. David Felix Balassiano e a orientação em Preventiva do Prof. Moyses Moreinos.
Qual foi o seu caso mais difícil? Foi um caso operado no ano passado. Adauto de Freitas, meu grande amigo, preparou o caso por anos, e o procedimento cirúrgico foi por mim realizado com base no trabalho do Adauto, duas semanas após o seu falecimento.
E um que tenha sido o mais gratificante? O que realizei em meu pai. Nos últimos anos de sua vida, uma de suas maiores alegrias era poder selecionar os alimentos pelo valor nutritivo e pelo prazer em degustá-los.
Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório? Vivi no ano passado um dos episódios mais engraçados da minha vida no consultório. Uma paciente muito querida retornou para uma consulta de manutenção, e ao ir embora me entregou uma sacola com um “presente”. Sempre fico muito envergonhado em situações como essa, e geralmente não abro os presentes na frente das pessoas. Após a sua saída, abri a sacola e vi que era uma verdura, que primeiro identificada como sendo uma chicória, descobrimos depois que era simplesmente uma alface. Bem, tanto faz, o fato é que, chicória ou alface, aquilo me deixou completamente intrigado a respeito do seu significado. Levantei uma enquete com minhas secretárias e até mesmo com alguns pacientes, para tentar desvendar o mistério e o valor simbólico da, até então, chicória. Vinte minutos depois, o mistério foi desfeito. A paciente voltou à clínica. A chicória, ou melhor, a alface era para o seu almoço. Ela deixara por engano e levara consigo o meu presente, um belíssimo livro. É claro, que ainda damos boas risadas com essa história.
Qual foi o marketing que usou para começar? Bases científicas, valorização do paciente com objetivo multidisciplinar, respeito pelo próximo e trabalho de time.
Tem algum parente Cirurgião Dentista? Como já comentei antes, tem o Samuca, meu tio, o Andre, filho do Samuca. E tenho também meus dois irmãos que escolheram o mesmo caminho. Sonia é um dos grandes expoentes em Odontologia Social e Preventiva, e um exemplo de dedicação e doação à profissão.
Quem é seu maior ídolo na Odontologia? Difícil idolatrar, mas Rolf Attström foi quem me passou um tremendo otimismo e sentimento de fé no ser humano, e sem dúvida alguma, Adauto de Freitas, pela genialidade clínica e pela generosidade.
E quem fez mais pela classe nestes anos todos? Para mim, Edgard da Cruz Ferreira, pelo exemplo, amizade e por ter valorizado a profissão ao extremo.
Qual seu livro ou autor preferido? Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marques.
Como está vendo o presente momento na Odontologia? Tenho uma visão muito ambígua e conflitante desse momento que vivemos na profissão. Estamos em um momento no qual a possibilidade de interação tecnologia / biologia permite que mais pacientes sejam restaurados de forma mais eficiente com um trauma muito menor, não só do ponto de vista funcional, mas também do estético. Ultrapassamos barreiras e oferecemos cada vez mais, mais conforto para os nossos pacientes, mas por outro lado, vejo com certo ceticismo o crescimento avassalador de faculdades de Odontologia, gerando um grande número de profissionais. Os planos de saúde se apoderam de valores odontológicos nem sempre realísticos, e são aviltantes para os profissionais, gerando essa tremenda falta de respeito pela profissão por parte de alguns segmentos da sociedade. Individualmente, passo por um excelente momento profissional, estudando muito, trabalhando muito, e tendo a possibilidade de vivenciar diferentes culturas. Recentemente, estive na Turquia, na Bélgica, na França, na Suécia e no Chile. Sempre a trabalho, e conhecendo a Odontologia com suas diferentes possibilidades. Obviamente, aproveito de sobremaneira as diversidades em nosso lindo Brasil.
Qual caminho vê como mais indicado para a profissão? O melhor caminho é a prevenção, o controle dos fatores etiológicos das patologias que mais afetam nossos pacientes. Tenho certeza que esse é o futuro. Vejo com muito bons olhos a integração da Odontologia no Programa de Saúde da Família. Reabilitaremos aqueles que precisam de ajustes estéticos e funcionais para uma qualidade de vida superior, e também os que perderam seus elementos dentários por trauma. Espero uma grande diminuição de pacientes que perdem os elementos dentários por cárie dentária e doenças periodontais.
A que atribui o seu sucesso profissional? Não acho que alcancei o sucesso profissional, mas penso que um dia o alcançarei. Esforço, concentração, disciplina e dedicação, dedicação e dedicação, construindo um conhecimento técnico-científico para um trabalho de longo prazo.
Como espera ser o futuro da profissão? Belo e saudável. Cada vez mais humano e tecnológico. Scaneamento intra-oral, ausência de moldagem, estudos clínicos controlados e randomizados em suas execuções, e uma tremenda valorização que a profissão tanto merece.
Deixe uma sugestão ou mensagem para os mais novos: Estudar e trabalhar sempre com respeito ao próximo.
A palavra é sua para suas considerações finais. Obrigado por me incluir nesta Odonto Entrevista, pela oportunidade de exteriorizar meus pensamentos sobre a nossa profissão.
Que pergunta gostaria de fazer ao entrevistador? Por que eu? Por uma razão simples: fostes um dos pioneiros da implantodontia e depois de teres buscado qualificação no exterior, te dedicastes a distribuir o conhecimento e experiência adquiridos por entre os colegas, para tornar a especialidade mais difundida e a profissão mais conceituada. Aos interessados em contactá-lo, para cursos ou parabenizá-lo, seu email é groisman@oralcare.com.br
Antônio Inácio Ribeiro ribeiro@odontex.com.br
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