MARIA ELISABETH DE OLIVEIRA
Nossa entrevistada da semana é especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares, área que atua desde 1980. Idealizadora da Técnica Be Flash e Método de Confecção de Aparelhos Be Flash, já ministrou palestras e cursos na SOBRACOM, GEM, APCD, APDESP, ABEPO, SPO, SMILE, IMPG no Brasil, além de COOCH e UNAM, no Chile e México, respectivamente. É atuante na Sociedade de Odontologia Sistêmica, onde ministra cursos e work-shops, sempre com grande sucesso. Hoje ela é VIP mas já passou uma boa por isso...
Quem a influenciou a fazer Odontologia? Na verdade, não tive uma influência, apenas achei uma ótima profissão para seguir, sendo mulher.
Onde fez a faculdade e quais suas lembranças desse tempo? Realizei meu curso na UNESP São José dos Campos; amei a faculdade, foi um período de muito estudo e muitos amigos, minha turma era demais; até hoje é muito unida. Minha lembrança mais interessante, foi quando, numa prova oral com Prof. Dr. Bottino, fui arguida com a seguinte pergunta: “O que significa Vips? Como estava muito nervosa, respondi a ele: “A única coisa que conheço sobre esse assunto é o conjunto da jovem guarda, professor.” Perplexo diante dessa resposta, ele ficou sem atitude. Até hoje, rimos muito do ocorrido quando nos encontramos.
Como foi seu início na profissão? O início foi bem difícil para mim; tomava três conduções e trabalhava das 8 às 21 horas todos os dias e sábados das 8 ás 13 horas. Não foi muito fácil não, até abrir meu próprio consultório. Mas esse período foi de grande aprendizado, tanto na técnica como no trato com os pacientes.
Lembra quem foi seu primeiro paciente? Foi no Projeto Rondon, em que trabalhei na zona rural da cidade de Lorena-SP, quando estava no 3° ano de faculdade. Atendi uma menina de 18 anos, que tinha muitos problemas, inclusive subnutrição, e foi com a ajuda de Deus, que eu sozinha, extrai os últimos dentes que lhe restavam.
Qual foi o seu caso mais difícil? Foi neste mesmo Projeto Rondon, recebi um paciente de estatura muito alta e muito forte, que queria extrair seus dentes restantes, dois caninos e um pré-molar sadios. Tentei convencê-lo em manter os dentes já que estavam em bom estado, porém ele ficou muito bravo e me disse que se não conseguisse fazer isto não deveria estar nesta profissão. Então resolvi fazê-lo, quase morri de cansaço, e ainda tive de subir num caixote para alcançar o sujeito.
E um que tenha sido o mais gratificante? O mais gratificante foi idealizar a Técnica Be Flash (aparelho ortodôntico estético), desenvolvida a partir de 1992. O primeiro aparelho que desenvolvi foi para fechamento de um diastema anterior exagerado e acabei mudando a vida desta paciente pela melhora na estética e na dicção. A partir deste aparelho, aprimorei a técnica que hoje pode ser utilizada na resolução de diversos casos, além de ser um aparelho que atende às expectativas da atualidade, por ser confortável e transparente.
Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório? Um caso bem engraçado em meu consultório aconteceu quando fui tirar radiografia: arrumei tudo e coloquei o avental de chumbo no paciente, e talvez pela correria, não o tenha orientado quanto ao que iria acontecer. Acionei o botão e sai correndo junto com minha auxiliar, quando olhamos para trás o paciente estava atrás de nós com avental e tudo! Perguntei o que tinha acontecido. O paciente com cara de assustado me respondeu: - “Eu, heim, vocês apertam um botão e saem correndo; vai que explode alguma coisa lá dentro”. Demos boas risadas e me desculpei com o paciente por não tê-lo orientado como deveria, e ele é meu paciente até hoje.
Quais foram os seus maiores ou melhores momentos? Apresentar e ensinar a técnica que desenvolvi, a Be Flash, inclusive no exterior, sempre foi e continua sendo uma enorme satisfação. Além disso, claro, saborear os excelentes resultados que já obtive, e continuo tendo. Da mesma forma, ver outros profissionais alcançando o mesmo sucesso com a aplicação da técnica Be Flash me envaidece. Dentre os melhores momentos também estão as premiações que recebi em congressos e a publicação da técnica em revistas estrangeiras.
Tem algum parente Cirurgião Dentista? Na minha família somos em cinco irmãos, sendo quatro dentistas. Além disso, tenho cunhado, primos, tio, sobrinha e filha. Quer mais?
Quem é seu maior ídolo na Odontologia? Maurício Vaz de Lima (in memorian) pelo trabalho inspirador ao idealizar aparelhos ortodônticos que foram a base do meu trabalho e Lindbergue M.C. Alves, pela generosidade sem limite de acolher, ouvir e de ensinar tudo o que sabe (que não é pouco), com paciência e sem reservas.
Quem são os seus grandes amigos na profissão? Minhas irmãs Eliseth e Maria Teresa; minha filha Eva; Thaís e Virgínia; os casais Agné e Roseli Cervo Peres e Humberto e Eliana Soliva e tantos outros amigos do Grupo de Estudos Maurício, o GEM.
Como está vendo o presente momento na Odontologia? Como tudo está mudando, também na Odontologia não podia ser diferente. Considero que este é um momento de transição, no qual o profissional está deixando de ser autônomo para ser uma empresa.
Qual caminho vê como mais indicado para a profissão? Não existe mais a possibilidade de escolha. É uma questão de adaptação às novas regras para sobrevivência. É preciso adotar medidas mercadológicas modernas, contudo, sem nunca deixar de ter como premissa o conhecimento e aperfeiçoamento científico, pois, assim como o mercado, também o avanço tecnológico marca presença incontestável nos novos rumos da Odontologia. O único caminho para a profissão continua sendo o trabalho que prima pela qualidade do atendimento.
A que atribui o seu sucesso profissional? Ao amor à profissão e, por consequência, minha dedicação tanto no dia-a-dia, bem como no aprimoramento do meu trabalho.
Quem a ajudou no crescimento profissional? Todos ajudaram-me: os professores que encontrei no decorrer da vida, os colegas mais próximos, os alunos que sempre trazem perguntas, dúvidas e os pacientes, cujas histórias e necessidades são únicas, e aguçam meu espírito inventivo para solução de cada problema em particular.
Sente-se realizada profissionalmente? Sim, pela satisfação que continuo tendo no trabalho diário. Não, por saber que nada é definitivo e que tudo pode ainda ser aprimorado.
Deixe uma sugestão ou mensagem para os mais novos: Não desista jamais. Procure sempre por novos caminhos, pois com certeza você alcançará o sucesso.
A palavra é sua para suas considerações finais. Será muito bom quando o conceito holístico ou sistêmico estiver disseminado na Odontologia, ou seja, quando o profissional olhar o sistema estomatognático integrado ao organismo.
Que pergunta gostaria de fazer ao entrevistador? Por que você me escolheu para dar esta entrevista?
Admiro pessoas criativas, persistentes e empreendedoras. Você é uma delas! Além do que sua dinâmica e desprendimento são dignas de nota. Só poderia ter obtido sucesso. E por isso te escolhi. Aos que quiserem comprovar, sugiro que visitem o site: www.beflash.com.br e para cumprimentar nossa homenageada o e-mail é beflash@beflash.com.br.
RECONHECENDO QUEM FAZ A ODONTOLOGIA MAIOR E MELHOR!
Antônio Inácio Ribeiro ribeiro@odontex.com.br
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