ODONTO ENTREVISTA Nº 25

A coluna sensação da Odontologia

 

EMPREENDEDOR MARCOS CORAL SCOCATE

 

Nosso entrevistado de hoje tem 47 anos, formou-se em 85 pela UNISA, é especialista em Ortodontia e em Ortopedia Funcional dos Maxilares, Mestre em Ortodontia.  Especialista em Acupuntura e DTM-Dor Orofacial, Professor do Curso de Especialização em Ortodontia da EAP-APCD Regional de Ourinhos- SP. Destaca-se por ser um dos mais criativos empresários do ramo odontológico, Diretor da Coraldent e criador de uma série de inventos que facilitam a vida do CD no dia a dia.

 

Quem o influenciou a fazer Odontologia?

Meu pai, Aldo Forli Scocate, que foi um grande profissional, admirado e respeitado por todos que o cercavam. Homem muito inteligente, culto, competente e como ele mesmo dizia, honesto e justo. Sua participação como Cirurgião Dentista do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) por muitas olimpiadas, foi muito marcante pra mim.

 

Onde fez a faculdade e quais suas lembranças deste tempo?

Na antiga OSEC, hoje UNISA (Universidade de Santo Amaro) de 1981 a 1985, no curso noturno com duração de 5 anos. Foi a melhor fase da minha vida, na qual aprendi a estudar e iniciei minha paixão pela Odontologia e tudo que a envolve, tanto cientifica como comercialmente.

 

Como foi seu início na profissão?

Iniciei a prática odontológica no consultório do meu pai, dando continuidade aos seus tratamentos, pois o mesmo havia se aposentado devido a um acidente de trabalho, afetando um dos seus olhos. Além disso, ingressei ao Pronto Atendimento do INAMPS, estagiando diariamente. Foi um experiência incrível, na qual presenciei situações incomuns, que levo como lição até os dias de hoje.

 

Lembra quem foi seu primeiro paciente?

Eu devia ter uns 10 anos de idade e foi um “ser vivo” chamado Kelly. Quando meu pai se ausentava da clínica, e sem a sua autorização, eu a colocava sentada na cadeira odontológica. Com a seringa tríplice, enchia sua boca de água, e com a escova de Robson e motor de baixa rotação, fazia imitações de procedimentos odontológicos. Ela ficava estática e demonstrava gostar muito da situação. Este “ser vivo” nada mais era que a minha cadela, da raça Dobermann, que adorava ser tratada como paciente.

 

Qual foi o seu caso mais difícil?

Foi um caso em que perdi uma raiz residual dentro do seio maxilar, o que me ensinou a não menosprezar um caso aparentemente simples, tornando-se o mais complicado de toda minha vivência profissional. Aprendi que tudo parece ser difícil antes de realizado e fácil após ser concluído!

 

E um que tenha sido o mais gratificante?

Foi quando consegui resolver com sucesso o caso descrito acima

 

Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório?

Sim. Uma antiga vizinha que, por economia, tinha uma PPR fraturada e pelo fato de não querer gastar, usava apenas um dos lados, onde existia dentes, e a parte que daria apoio e estabilidade no lado oposto da arcada tinha-se perdido. Ela comparecia ao consultório com certa frequência a fim de que eu ajustasse os ganchos de retenção nos dentes adjacentes aos espaços de ausência dental. Nestas ocasiões eu sempre lhe dizia que usar “aquilo” não era aconselhável, e que um dia ela poderia sofrer um acidente. Dito e feito... Num belo dia, ela ligou dizendo ter engolido a referida metade da prótese e me questionava o que fazer. Orientei a ir a um hospital, radiografar e se necessário fosse fazer uma lavagem intestinal, para que o objeto fosse retirado sem danos ao estômago e/ou intestino.

Ela se recusou e disse para que eu tivesse outra idéia, pois isto ela não faria. Em tom de brincadeira e insistindo em que fosse ao hospital, mencionei que, se ela comesse bastante mandioca, pizza e um bom chumaço de algodão, quem sabe ela sairia sem problemas! Ela balançou a cabeça para um lado e para o outro e no dia seguinte, mais pelo final do dia, ela me aparece com a prótese na mão, dizendo que tinha saído direitinho como eu havia mencionado, enrolada no algodão, e perguntou se poderia dar uma esterilizada na peça...

Confisquei a peça e a intimei em fazer outra nova, pois aquela ela não veria mais. Ela foi embora brava e em desacordo com a minha atitude. Na semana seguinte, ela estava na sala de espera para a confecção da nova prótese!

 

Qual foi o marketing que usou para começar?

O meu jeito de ser. Todos tem suas particularidades e isto nos diferencia mas, além disto, eu era filho do meu pai. Estrategicamente falando, conversava muito com o paciente, criando segurança e confiança. Gostava de ligar para as pessoas em datas importantes, desde aniversários até formaturas de pré-primário. Isto realizo até os dias atuais.

 

Tem algum parente Cirurgião Dentista?

No inicio era só o meu pai. Hoje a minha esposa, minhas cunhadas, primas e primos das minhas cunhadas são CDs.

 

Quem é seu maior ídolo na Odontologia?

Admiro a todos que de fato colaboram com a profissão, não visando apenas interesse próprio. Fazendo uma analogia digo que Deus é o meu Dentista favorito e que sempre opina e me ajuda nas minhas dificuldades.

                                                

E quem fez mais pela classe nestes anos todos?

Todos que estiveram em evidência por pouco ou muito tempo tem o seu valor, e fica impossível citar nomes ou feitos. Mais impossível ainda é distinguir quem mais fez e em qual segmento. O importante é agradecer a todos que muito ou pouco fizeram, pois são estas contribuições que fizeram a Odontologia Brasileira ser o que é hoje, reconhecida como uma das melhores do mundo.

 

Como está vendo o presente momento na Odontologia?

Mudança total. Sinto que está para acontecer uma revolução. Tem muita coisa nova surgindo. São materiais e sistemas, que surgem em cada especialidade. O avanço tecnológico em imagens na Odontologia será o grande responsável por esta mudança. Falta conhecimento em saber o que fazer com tudo isto. Precisamos estudar mais.

 

Qual caminho vê como mais indicado para a profissão?

O caminho é o estudo de novas técnicas e ousar mais, para superar conceitos antigos sem medo. Isto gerará o desenvolvimento de tudo que envolve a Odontologia. Uma vez ouvi que se uma idéia não parecer absurda, está fadada ao insucesso.

 

A que atribui o seu sucesso profissional?

Perseverança, estudo e acreditar em mim mesmo.

 

Como a Coraldent começou?

Junto comigo, na faculdade em 1981. Na época meu pai havia ido a um congresso nos EUA de onde trouxe uma bandeja plástica para ser utilizada na clinica odontológica. Com ela fui  presenteado e fiz o maior sucesso entre colegas e professores. Descobri com qual máquina se podia fabricar uma semelhante e com um  "fero velho" manual, recuperado por mim mesmo fiz a minha primeira bandeja, que hoje demonina-se C10 ( "C" de Coraldent e 1 de primeiro modelo). Foi o inicio da linha de 22 bandejas e de todos os outros produtos Coraldent.

 

Quais são seus inventos?

Costumo dizer que a necessidade faz a invenção. A Mesa Auxiliar totalmente plástica possibilita ter mais bandejas em menos espaço, o Porta Tiras de Lixa, a usar lixas na sua totalidade sem machucar o paciente, o Tutor Ortodôntico demonstra ao paciente  que sei como tratá-lo. Com o Seat Ball fica mais gostoso trabalhar e me canso menos. Com o Template Ortodôntico chego facilmente ao diagnóstico mais próximo do ideal, e assim por diante. São mais de 60 itens que fui criando durante minha vida clinica e acadêmica.

 

Qual o próximo lançamento?

Os projetos são muitos e minha cabeça parece uma pipoqueira com tantas idéias surgindo. Isto é o que me faz bem. Adoro isto! O último é um travesseiro visco elástico, chamado Neckomfort, que tem como diferencial seu formato. Tem dupla função, para adultos e crianças que além de proporcionar conforto extremo ao paciente ajuda muito no posicionamento da sua cabeça durante o tratamento. Fica bom pra ele e melhor ainda pra mim.  Além disto, existe um novo projeto que certamente vai revolucionar a Odontologia. Como dizem... quem viver... verá!

 

Como espera ser o futuro da profissão?

Melhor do que hoje, mas diferenciado para a qualidade individual. Muitos tentarão padronizar sistemas e técnicas, mas ainda acredito na capacidade e qualidade individual de cada ser humano.

 

Deixe uma sugestão ou mensagem para os mais novos:

A Odontologia não é isto que vocês acabaram de conhecer. Vocês a descobrirão, no dia a dia, ao superarem seus próprios objetivos e desafios. Inove, invista em você mesmo, crie, faça do desconhecido uma conquista.

 

A palavra é sua para suas considerações finais.

Fiquei emocionado ao receber seu convite para entrevista e quero que saiba, publicamente, que me espelho em você, que é indubitavelmente um ícone admirável na Odontologia, fazendo chegar a todos os colegas as mais diversas informações, melhorando nosso bom humor com sua coletânea de “casos”, bem como enriquecendo nossos conhecimentos com seu marketing, tornando-nos mais valorizados como profissionais. É a você quem temos que agradecer e admirar como profissional.

 

Que pergunta gostaria de fazer ao entrevistador?

Como foi seu início na Odontologia?

Comecei vendendo livros odontológicos publicados pela Revista Gaúcha de Odontologia, em 1972. O diretor da revista, Haroldo Cauduro, era proprietário de uma empresa, Inodon, para a qual teu pai, de saudosa lembrança, fazia a consultoria e divulgação técnica dos produtos. Um ano depois, em uma solenidade na distrital da Vila Prudente ele comentou com o diretor de uma empresa que se encontrava também: não adianta o vendedor querer empurrar um produto ao Dentista. O que precisa acontecer é o Dentista saber bem do produto e o exigi-lo do vendedor. Fiquei impressionado com aquela sabedoria e isso foi o meu primeiro conceito de marketing aprendido. Depois fiz mais de 100 cursos de marketing e a história você já conhece.

E uma alegria, passados mais de 30 anos, poder ter o privilégio de vê-lo com tanto sucesso e entrevistá-lo. Aos que quiserem saber mais da Coraldent, o site é www.coraldent.com.br e aos que desejarem contato com o Marcos o e-mail é coraldent@coraldent.com.br. Desejo que continues sempre com mais sucesso e ajudando a Odontologia com a tua criatividade.

 

Antônio Inácio Ribeiro   ribeiro@odontex.com.br

 

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