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PROF.
DR. LUIZ NARCISO BARATIERI
Nosso entrevistado de hoje é meu
ídolo desde o lançamento do seu primeiro livro. Mestre e Doutor em
Dentística pela FOB-USP; Especialista em Periodontia pela FOB-USP,
com Pós Doutoramento pela Universidade de Sheffield – Inglaterra. É
Coordenador do curso de Especialização em Dentística da UFSC; Coordenador do curso de Mestrado em Dentística da
UFSC e Professor Titular da UFSC – Florianópolis
SC. É Editor Chefe da Revista Clínica – International Journal of
Brazilian Dentistry e autor de 13 livros que já foram traduzidos para várias
línguas, sendo conferencista internacional com mais de 500 cursos
ministrados.
Quem o influenciou a fazer
Odontologia?
Talvez, não tenho bem
certeza, tenha sido o meu medo de Dentista no tempo de criança lá em
Capinzal. Sempre pensava que se fosse Dentista talvez perdesse o
medo. Não perdi. O que é mais provável, foi a minha irmã Rachel, que
é uma ótima Dentista e foi a primeira da nossa família a se formar.
Sinceramente, não tenho certeza, mas independente de quem tenha
sido, agradeço todos os dias. Ser Dentista é um privilégio.
Onde fez a faculdade e quais suas
lembranças deste tempo?
Fiz na Universidade
Federal de Santa Catarina em Florianópolis. As lembranças são
ótimas, mesmo com todas as dificuldades. A vida universitária sempre
foi algo mágico para todos. Um tempo inesquecível. Felizmente vieram
outros tempos tão bons ou ainda melhores.
Como foi seu início na profissão?
Foi, como para a
maioria dos profissionais em qualquer área de atividade, muito
difícil. Imagine eu sendo do interior, com o sotaque carregado, sem
conhecer praticamente ninguém, querer ficar na capital. Quando disse
isso aos meus pais, eles estranharam e ficaram com medo. Eu também.
Montamos um consultório em quatro recém formados e procuramos
divulgar da forma como na época era permitido: boca a boca. Por
incrível que pareça sempre conseguimos pagar o aluguel, condomínio e
funcionários. Depois de poucos meses, fui chamado para ser RNR
(reserva não remunerada) da Marinha do Brasil, onde trabalhei por
três anos e cheguei a primeiro tenente. Trabalhar na Marinha era
fantástico. Lá havia de tudo para ser feito e de tudo para ser
usado. Nunca esqueço que tinham um laboratório de prótese e um
técnico, o Manuel, que fez com que eu me dedicasse ainda mais a
profissão. Depois de três anos prestei concurso para ser professor
da UFSC e em seguida fui fazer mestrado em Bauru. Nunca esqueço que
só fui ter um carro um ano após formado e olha que a minha mulher
também é Dentista e sempre trabalhou. Tempos difíceis, mas sem
dúvida, bons tempos.
Lembra quem foi seu primeiro
paciente?
Lembro como se fosse
hoje. Foi um amigo de infância chamado Wilson Dambrós. Não devo ter
ido bem, pois ele nunca mais voltou.
Qual foi o seu caso mais difícil?
Uma vez fui extrair um
terceiro molar incluso de uma ex professora de português, por sinal
uma das melhores professoras que tive na vida, e depois duas horas
tive que desistir, por não conseguir fazer a extração. Alguns dias
depois mandei que ela fosse em um profissional mais experiente e ele
em poucos minutos fez a extração. Talvez tenha aprendido mais com
aquele caso do que em toda a minha vida profissional. Além desse
caso, em 35 anos de profissão, tive inúmeros casos difíceis, mas
acho que nunca mais tive um fácil que eu tenha tornado difícil.
Sabe o nome do seu primeiro
protético?
Sei, mas infelizmente
ele já faleceu. Se chamava Manuel e trabalhava na Marinha. Lembro de
todos. O Batista, o Jairo e o Adomiro. Eles ainda trabalham e são
ótimas pessoas.
E da sua primeira auxiliar?
Lembro, claro que
lembro. Com frequência encontro ela e o marido fazendo caminhadas
(eu caminho uma hora todos os dias).
Qual foi o marketing que usou
para começar?
Sempre procurei
mostrar aos meus pacientes e a todas as pessoas com quem conversava,
o quanto eu gostava da profissão que havia escolhido. Sempre mostrei
no olhar que amava o que fazia. Nos anos 70 era proibido divulgar
de outra forma aquilo que fazíamos, então usava a conversação. Ainda
acredito que essa seja a melhor maneira: demonstre que ama aquilo
que faz, e os outros farão o resto por você.
Tem algum filho ou parente
Cirurgião Dentista?
Minha irmã Rachel, meu
cunhado Losso e a minha filha Carolina são Dentistas. A minha filha
já fez especialização em ortodontia e agora está fazendo mestrado,
também em ortodontia.
Quem é seu maior ídolo na
Odontologia?
Já tive vários, mas
atualmente é o Paulo Kano. Cada vez que falo com ele, tenho uma aula
de humildade e do melhor conhecimento possível. Parafraseando o
“cara” do Pânico na TV: “sabe muito”. Ele mudou a minha vida
profissional de uma forma que eu nunca imaginei que fosse possível.
E quem fez mais pela classe
nestes anos todos?
São tantos em todas as
áreas que é injusto mencionar alguém especificamente, mas deixar de
apontar alguns é, ao meu ver, imperdoável. O Dr. Mondelli e o Dr. Janson. Eles mudaram o Brasil. Mais recentemente o Paulo
Kano. O Paulo fez uma revolução que, infelizmente, muitos ainda não
perceberam.
Como está vendo o presente
momento na Odontologia?
A sociedade como um
todo, está complicada. Alguns valores fundamentais tem sido deixados
de lado e isso acaba complicando tudo. A Odontologia é apenas uma
parte dessa sociedade, da mesma forma que os políticos, os médicos e
os empresários. Na minha opinião apesar de todos os problemas, a
Odontologia ainda é uma das melhores profissões liberais que existe
e, acredito que sempre será. Os mais bem preparados superarão esses
tempos difíceis. Digo isso porque tenho escutado essas mesmas
reclamações, por mais de trinta anos e ainda assim tenho
testemunhado o sucesso de milhares de Dentistas por todo o Brasil.
Qual caminho vê como mais
indicado para a profissão?
Estar bem preparado
para o exercício da clínica geral. Ser um bom clínico geral é, ao
contrario do que muitos pensam, um dos grandes segredos para o
sucesso profissional.
A que atribui o seu sucesso
profissional?
Sinceramente não sei
dizer, mas tenho a leve impressão que o fator determinante foi o
quanto eu amo as minhas duas profissões: Dentista e Professor. Claro
que aliado a isso, sempre procurei estar bem preparado. Talvez tão
importante quanto é o fato que trabalho de forma intensa,
praticamente, todos os dias e tenho prazer em fazer aquilo que faço.
É claro que houveram pessoas que me ajudaram e outras que ainda me
ajudam. Ninguém faz sucesso sem a ajuda dos outros e eu sou grato a
todas as pessoas que de alguma forma me ajudaram e me ajudam. Mas
uma coisa é certa, não há fórmula para isso.
Como espera ser o futuro da
profissão?
Fantástico para alguns
e, infelizmente, decepcionante para outros, como em qualquer outra
profissão. Se me fosse dado o direito de voltar no tempo, ou de
viver, no futuro, outra vida, gostaria de ser, novamente Dentista e
correr todos os riscos da profissão.
Deixe uma sugestão para os mais
novos:
Essa ainda é a melhor
profissão do mundo. Para que você a veja dessa forma é fundamental
que a ame. Para amá-la é importante que a conheça. Para conhecê-la é
fundamental que você passe a vida estudando. Só não queira adquirir
com ela, nos seis primeiros meses, aquilo que seus pais levaram a
vida toda para conseguir. Esteja preparado, que as oportunidades
aparecerão e quando elas aparecerem, você estará apto a
aproveitá-las. Felicidades, por isso é muito mais importante que
sucesso. Mas se você preferir: sucesso e felicidades!
Foi um privilégio ter me
concedido esta entrevista, porque o considero um dos maiores nomes
da Odontologia e ter sua amizade é motivo de orgulho. Que o sucesso
fora do Brasil, ajude a firmar nossa Odontologia como a melhor do
mundo. Que verdadeiramente é! Muito obrigado, mesmo!
Antônio Inácio
Ribeiro
ribeiro@odontex.com.br
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