Prof. Dr. JULIO CESAR JOLY
Quem influenciou para fazer Odontologia? Foi uma decisão casual, quase que aleatória, na plenitude dos meus 17 anos.
Onde fez a faculdade e quais suas lembranças desse tempo? Na Faculdade de Odontologia de Piracicaba – Unicamp. Indiscutivelmente, foram os melhores anos da minha vida: amadurecimento sem compromissos e muita diversão! Não posso me esquecer dos churrascos de quarta à tarde na república Kanil: grandes amigos e fortes emoções. Nesta época também conheci o grande amor da minha vida: minha colega de turma que se transformou em esposa e mãe dos nossos adoráveis filhos.
Como e onde foi seu início na profissão? Tudo começou com a Pós-graduação, também em Piracicaba. Tive a oportunidade de ingressar no Mestrado em Periodontia assim que me formei. Tornei-me estudante “profissional” até finalizar o doutorado. Nessa época eu vivia de bolsa de estudo e do subsídio paterno. Bons tempos! Eventualmente fazia “bicos” em consultórios de colegas e participava como colaborador de alguns cursos de extensão.
Lembra quem foi seu primeiro paciente? Um segurança do shopping de Piracicaba que tinha Periodontite agressiva. Empenho total e frustração plena, porque o cidadão não escovava os dentes por nada!
Qual foi o caso que lembra como mais difícil? De um professor universitário que tinha uma verdadeira “arapuca protética” sustentada por recursos improvisados. Era uma coisa maluca, que sinto não ter documentado. Um mix de prótese removível, fixa convencional e implantossuportada num único ambiente. Parecia um “aquário limboso”! E o pior é que o paciente questionava exaustivamente a necessidade de substituição.
E um que tenha sido o mais gratificante? Todos aqueles que atenderam integralmente às expectativas dos pacientes. Não há nada mais importante do que a devolução da saúde, função e estética, bem como, a manutenção estável desta condição à médio e longo prazo.
Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório? Não sei se pitoresco é a palavra ideal... Mas assim que me formei, planejei para extrair a raiz residual de um pré-molar inferior de uma senhora com seus 80 e poucos anos que tinha se submetido à plástica facial na semana anterior. Para completar a cena era um ensolarado sábado de carnaval! Após duas horas de tentativas frustradas, a paciente desmaiou! Pensei que a minha carreira estivesse encerrada com menos de 60 dias de atuação profissional!
Quais foram os seus maiores ou melhores momentos? Felizmente desfrutei de grandes momentos pessoais e profissionais. É difícil listá-los... Tenho uma família realmente fantástica que só me trouxe (e traz) alegria desde o meu nascimento, passando pelos meus aniversários, chegando ao meu casamento e ao apogeu com o nascimento de meus filhos! Por outro lado, posso destacar: ingressar numa faculdade, na época, bastante concorrida; ter sido o orador da minha turma de formandos; ingressar direto no mestrado; ter defendido com mérito as teses (mestrado e doutorado); o lançamento do nosso livro... Não há nada que me deixe mais feliz do que participar de uma atividade num congresso com a “casa cheia”, e atualmente, isso tem acontecido com frequência, graças a Deus!
Qual foi o marketing que usou para começar? Nenhuma estratégia específica ou ação profissionalizada. Tudo foi muito intuitivo, e nesse âmbito, acho que tenho certo mérito, ou pelo menos, tenho tido muita sorte.
Tem algum parente Cirurgião Dentista? Só um cunhado... , mas meus pais são professores primários! Acho que a “herança”, ou pelo menos, o estímulo provém daí. Hoje acho que me considero mais professor do que Dentista.
Quem é seu maior ídolo na Odontologia? Ídolo, mestre e amigo: Prof. Antonio Fernando Martorelli de Lima. A sua importância foi (e continua sendo) capital em todas as etapas da minha vida, mesmo distante momentaneamente de nós. Ele me fez acreditar que a concretização de projetos, depende do cumprimento de metas e de comprometimento coletivo. Certa vez nos disse: “O sucesso do homem só se evidencia quando seus projetos admitem continuidade”.
Quem são os seus grandes amigos na profissão? Essa resposta é difícil! Tenho muitos amigos na Odontologia: alguns circunstanciais, outros temporais e muitos eternos. Valorizo muito esse sentimento, procuro mantê-lo em primeiro plano, sempre!
E quem fez mais pela classe nestes anos todos? Os bons profissionais: clínicos e/ou formadores de opinião que acreditaram nos únicos valores que não devem ser discutidos: seriedade, honestidade e qualidade de trabalho.
Qual seu livro ou autor preferido na profissão? Essa é moleza! Desculpem-me pelo excesso de vaidade e falta de modéstia: Reconstrução Tecidual Estética, escrito por mim e pelos meus grandes irmãos: Paulo Fernando Mesquita de Carvalho e Robert Carvalho da Silva.
Qual a revista odontológica que mais gosta de ler? Leio inúmeros periódicos internacionais de impacto técnico/científico. As revistas nacionais estão num crescente, na busca de credibilidade e isenção.
Quais entidades a que pertence ou participa? Sou filiado a algumas entidades gerais como a APCD, mas também participo de algumas associações específicas nacionais e internacionais. No momento sou delegado de educação do ITI (Intenational Team for Implantology), uma grande associação internacional em prol do desenvolvimento técnico e científico da Implantodontia.
Como está vendo o presente momento na Odontologia? Com otimismo! Acho que realmente existe um número excessivo de profissionais no mercado, que serão naturalmente selecionados pela proposta qualitativa de trabalho.
Qual caminho vê como mais indicado para a profissão? Qualidade total! Continuo a entender a nossa profissão como algo artesanal, de relacionamento pessoal direto com o paciente, Não acredito nesta Odontologia coorporativa massificada.
A que atribui o seu sucesso profissional? Considero-me arrojado, às vezes, meio maluco, pois já encarei inúmeros desafios, sem parar para avaliar se estava devidamente preparado, mas nunca deixei a “peteca cair”. Sempre corri atrás do prejuízo...
Quem o ajudou no crescimento profissional? Muita gente boa! Contei com o estímulo permanente dos meus familiares, tive grandes mestres e principalmente encontrei parceiros sérios e comprometidos. Destaco mais uma vez a importância do Prof. Antonio Fernando Martorelli de Lima e dos meus amigos do grupo ImplantePerio.
Sente ter se realizado profissionalmente? Estou me realizando. O lançamento do nosso livro foi um marco importante e agora estamos investindo em um novo projeto: o Instituto ImplantePerio – nosso centro clínico e de treinamento avançado em Odontologia em São Paulo.
Como espera ser o futuro da profissão? Dependente da integração disciplinar, sustentado em evidências e amparado no desenvolvimento tecnológico. Não vejo outro caminho!
Deixe uma sugestão ou mensagem para os mais novos: Acreditem na excelência profissional! Pensem sempre no melhor para você e para seus pacientes.
Tenho apreço especial por todos aqueles professores que abrem seus conhecimentos aos demais, na forma de livros e cursos. Nos primeiros democratizando o conhecimento e nos segundos ensinando aquilo que conseguiram desenvolver de bom a partir de muita observação e experiência clínica. Exatamente o caso do nosso entrevistado de hoje. Os que pensarem assim e quiserem cumprimentá-lo pela entrevista ou pelo livro, seu e-mail é: julio.joly@yahoo.com.br
RECONHECENDO OS QUE FAZEM A ODONTOLOGIA MAIOR E MELHOR!
Antônio Inácio Ribeiro ribeiro@odontex.com.br
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