ODONTO ENTREVISTA Nº 04

Conhecendo e reconhecendo

 

 

PROF. DR. JOSÉ MONDELLI

 

Nosso entrevistado de hoje é um dos meus ídolos. Como vendedor de livros odontológicos há 37 anos, conheci-o através dos livros da Editora Sarvier e pessoalmente, com o primeiro mega livro lançado pela Editora Quintessence, editado e impresso na Alemanha, um marco na Odontologia Brasileira.

Titular do Departamento de Dentística da FO de Bauru, é um dos responsáveis por esta escola ser hoje uma referência nacional. Nela fez seu mestrado e doutorado, livre docência, professor adjunto e titular, numa formação e carreira que é parte da história da famosa escola.

Sua produção científica também ostenta números impressionantes: 325 trabalhos publicados no Brasil e 96 no exterior; 15 livros publicados, 9 capítulos de livros e 7 manuais didáticos, tendo participado de 315 bancas de concursos e ministrado 241 cursos e orientado 129 teses e pesquisas.

Como particularidade, tínhamos em comum o hábito de usar coletes, sem o paletó, que hoje em desuso, faz a diferença do ministro do Meio Ambiente. Como honra, o fato de o ter indicado para a direção da JBD - Revista Brasileira de Dentística e realizado a primeira entrevista de apresentação da revista.

 

Quem o influenciou a fazer Odontologia?
Os Drs. Ivo e Odorante Tavano, que me ensinaram prótese odontológica.

Onde fez e quais suas lembranças do tempo de faculdade?
Graduei-me pela Faculdade de Farmácia e Odontologia de Araraquara, posteriormente ligada à UNESP. Como já tinha facilidade com trabalhos práticos, fui indicado para monitor de Prótese e, após a formatura, convidado para permanecer como docente nessa cadeira.  Não pude aceitar, mas aproveitei muito o meu curso, onde convivi de maneira tão especial com todos os colegas que até hoje, 52 anos após a formatura, continuamos nos encontrando anualmente.

Como foi seu início na profissão?
Em consultório particular, no centro da cidade de Bauru, onde nasci.

Qual a marca do seu primeiro equipamento?
Atlante, que depois viria a ser comprada pela DABI.

Lembra quem foi seu primeiro paciente?
Dentre os que me lembro, Lucia Albano, Mário Tavares, Pelegrino Bacci e Silvério Campanelli.

Qual foi o seu atendimento mais difícil?
Uma extração de canino incluso.

E um que tenha sido mais gratificante?
Uma reabilitação oclusal metaloplástica.

Sabe o nome de seu primeiro protético?
Os sócios Evardo Cunha Castro e Walter Moura.

E da sua primeira atendente/auxiliar?
Eu me recordo da Virginia Salvador, que chamávamos de Quinina.

Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório?
Anestesiei um paciente de 20 anos, desconhecendo que era epilético, e ele se debateu e desmaiou. A Quinina saiu correndo, assustada, e eu tive de chamar um médico vizinho, Dr. Pieroni, que normalizou a situação.

Qual foi o marketing que usou para começar?
Uma placa com os dizeres: Alta rotação; Cirurgia da boca; Raios X

Tem algum filho ou parente Cirurgião-Dentista?
Dois filhos, um deles, RAFAEL, que é professor no mesmo departamento onde atuo, e o ADRIANO, que coordena programas de especialização em Ortodontia no Rio de Janeiro.

Quem é seu maior ídolo da Odontologia?
Dr. GREENE VARDIMAN BLACK, o precursor da Odontologia Científica.

E quem fez mais pela classe nestes anos todos?
As associações e conselhos odontológicos que procuram lembrar os deveres, defender os direitos e interesses da classe, assim como aqueles Cirurgiões Dentistas que tem buscado imprimir competência e ética à sua profissão, em todos os ambientes e níveis de atuação.

Como está sendo o presente momento da Odontologia?
Vejo um interesse maior por certificados, títulos, cursos com bolsas de estudo, do que por um desempenho efetivo da profissão. Uma Odontologia bem feita é consequência para o clínico geral que procura se preparar adequadamente sem, porém, perder de vista o objetivo de servir a comunidade.

Qual é a causa desta situação enfrentada hoje?
A multiplicação de escolas, de centros, de programas, sem uma avaliação de resultados, que poderia ser feita, por exemplo, conhecendo o desempenho dos seus egressos.

Que solução vê para a profissão?
Maior controle sobre esse crescimento quantitativo, que nem sempre significa qualidade, por meio de atuação decisiva das lideranças odontológicas, junto aos órgãos governamentais pertinentes.

A que atribui o seu sucesso profissional?
Muita dedicação, estudo e trabalho, sem qualquer preocupação com o exercício do poder.

Como espera ser o seu futuro?
Quero prosseguir na minha missão de professor, clínico, pesquisador, orientador e, principalmente, continuar a escrever livros didáticos, particularmente dirigidos a alunos, profissionais e docentes que visualizam uma Odontologia integrada, para melhor atender seus pacientes, aplicando e transmitindo conhecimentos e experiências.

Deixe uma sugestão para os mais novos.
Atualização constante, sobre materiais, procedimentos e, especialmente, muito embasamento técnico-científico, a fim de acompanhar a evolução da Odontologia e poder exercê-la, dentro das possibilidades próprias, mas sempre de forma consciente e segura.

 Professor, foi um privilégio esta entrevista, que agradeço desejando sempre mais saúde e sucesso, nos livros e cursos.

 

Antônio Inácio Ribeiro   ribeiro@odontex.com.br

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