ODONTO ENTREVISTA Nº 22

Conhecendo e reconhecendo colegas

 

PROFESSOR JOSÉ BOSIO FROM USA

 

Procurando sempre alternar o perfil dos entrevistados, o de hoje é diferente em muitos aspectos. A começar porque foi morar nos Estados Unidos e é um dos muitos CDs brasileiros que fazem sucesso no exterior. Foi um dos primeiros a usar bem o marketing em Curitiba, provavelmente por ter morado nos EUA quando fez seu mestrado. Seu currículo é quase por inteiro do exterior. Especialização em DTM na Eastman Dental Center, Rochester, NY (1991-93); Mestrado em Ortodontia na The Ohio State University, OH (1993-96); Diplomado pelo American Board of Orthodontics (2002) e Board Brasileiro de Ortodontia (2004); Revisor Científico do American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics; Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial e Revista da Sogaor; Clínica Privada em Curitiba e Concórdia (1996-2007); Professor Assistente, Departmento de Ciências do Desenvolvimento/Ortodontia – Diretor da Clínica de Pós-graduação em Ortodontia da Marquette University School of Dentistry; Examinador do American Board of Orthodontics. Um orgulho para a Odontologia brasileira!  

Quem o influenciou a fazer Odontologia?
Creio que foram meus tios, Algacir (protesista, falecido em 2007), Ademir e Altair Brunetto e mais tarde minha irmã Márcia e meu cunhado Elói Aymay. Eu morava em Concórdia - SC e acompanhava a carreira deles podendo ver como sentiam-se felizes com o que faziam.  

Onde fez a faculdade e quais suas lembranças deste tempo?
Minhas lembranças dos tempos de faculdade estão vivas. Lembro da maioria dos meus colegas e o grupo com quem estava mais envolvido, das festas que fazíamos e das batucadas antes da aula. Gostaria de citar os nomes dos colegas, mas a lista seria longa e fatalmente eu cometeria injustiças esquecendo de alguns. Durante toda minha vida universitária eu jogava voleibol, e devo dizer que todo meu curso de Odonto foi pago com o esforço do volei. Nos dois primeiros anos, jogando pela universidade, eu ganhei bolsa de estudo integral, no terceiro ano fui jogar numa equipe profissional chamada Cristalino / Sanepar (Banestado), que me pagava um salário, que eu usava para pagar a faculdade e no último ano, eu tinha pensado em trancar a faculdade para dedicar tempo integral ao voleibol. Infelizmente (hoje digo felizmente), fui demitido do Cristalino (acho que eu não era muito bom), voltei a jogar pela PUC, recebendo novamente a bolsa integral.  Eu não participava muito das festas e viagens que meus colegas faziam. Perdi muitos eventos por causa do voleibol. Mas lembro de uma passagem muito engraçada na clínica de Odonto, quando eu estava fazendo um tratamento em canal de um incisivo central de uma paciente. Ela usava uma blusa preta bonita, e quando me despedi dela, tendo concluído o tratamento, acompanhei com o olhar ela caminhando para a porta, com uma mancha branca enorme nas costas. Infelizmente, acredito não devo ter colocado o dique de borracha corretamente e o “mardito” do líquido de Dakin, escorreu para a blusa dela. Eu, como não tinha um tostão furado para pagar uma blusa nova, fiquei quietinho. Meus amigos Carlos Rabelo, Zé Carlos Boeing e Marcelo Zandoná, morrendo de dar risada. A paciente nunca mais voltou.  Lembro também de uma excursão que fizemos para Guarapuava – PR, na fazenda de um colega. Foram três ônibus e o nosso ficou atolado. Marlus Pereira, Milton Portela, Robson Ampessan e eu tivemos que sair pela janela, pois a porta estava travada pelo barranco. Mas aquela excursão foi parecida com um Woodstock, uma festa inesquecível. Mas é melhor nem contar detalhes, pois certamente vou arranjar confusão.... 

Como foi seu início na profissão?
Lento. Como eu sabia que queria fazer ortodontia, influenciado por meus tios Drs. Ademir e Altair, recebi a autorização deles para fazer um estágio no consultório do Shopping Itália, juntamente com meu primo Sílvio Dalagnol,  ainda durante meu último ano da faculdade. Quando me formei, o consultório estava “bombando”. Haviam pelo menos 5 pacientes novos por dia. Era gente esperando na sala de espera, e até mesmo no corredor do prédio. Parecia fila do INSS. Eles tinham cinco cadeiras no consultório e então permitiram que a gente continuasse a trabalhar com eles. Fazíamos de tudo, deste traçados cefalométricos, aparelhos removíveis, remoção de aparelho e preparação de slides para palestras dos tios. Trocávamos lâmpada, levava carros para o conserto, fazíamos trabalho de banco. Enfim, um coringa, ou seja “pau-prá-toda-obra”. Acredito que ajudamos muito no crescimento do consultório deles. Por outro lado, estávamos também aprendendo o ofício da ortodontia, pois sentávamos sempre para estudar casos junto com nossos tios e eles nos delegavam algumas funções mais complexas, onde as assistentes não podiam ou deveriam atuar. Um aprendizado sem igual. Fiquei quatro anos e meio no consultório.  Mas não tinha meus próprios clientes. Era parte da equipe de trabalho. Também influenciado pelo aprendizado do meu tio Ademir, que tinha estudado na Universidade da Califórnia, eu tinha a intenção de estudar nos Estados Unidos. Assim sendo, logo que me formei, comecei a estudar inglês. Fiz quatro anos e meio de inglês no Phil Young, o que ajudou muito quando cheguei nos EUA na primeira vez. Meu primo Silvio havia conquistado uma vaga no curso do Fundão - RJ, e eu continuava com meu objetivo de fazer um curso de orto nos EUA. Não existiam tantos cursos em ortodontia como existe hoje no Brasil, mas eu sabia que o valor gasto com um curso feito no Brasil seria maior do que eu gastaria nos EUA. E também queria ter uma experiência de vida fora do pais, o que acabou sendo tão importante quanto a experiência profissional. Acabei sendo aceito para fazer um curso de um ano em TMJ na Eastman Dental Center, mas tinha certeza que não ficaria somente um ano, mas sim muitos anos, como de fato aconteceu. Fiquei fazendo um segundo ano do curso de TMJ e depois fui aceito na The Ohio State University para fazer o Mestrado em Ortodontia, um curso de três anos. Portanto, demorei nove anos e meio para ter meu primeiro paciente. 

Lembra quem foi seu primeiro paciente?
Luciane S. Logo que voltei dos EUA, passei algumas semanas decidindo onde iria trabalhar. Como eu havia passado muito tempo fora, voltei a conversar com meus tios da possibilidade de voltar ao consultório. Logicamente havia aprendido muitas coisas inovadoras, tinha uma filosofia diferente daquela usada no consultório, e se voltasse teria que fazer aquilo que estava sendo praticado na clínica. Além do mais, meu primo Sílvio já estava trabalhando com meus tios, e chegamos à conclusão que seríamos muitos profissionais sob o mesmo teto e possivelmente não teríamos tantos pacientes para tratar. Tendo decidido que não voltaria ao consultório deles, tive que começar o meu próprio consultório. Não sabia se ficaria em Curitiba, se voltaria a Concórdia, minha cidade natal, ou iria para Vitória, ES onde meu irmão morava. Mas tinha intenção de ensinar, assim teria que ficar em um centro maior, onde tivesse uma escola de Odonto. Curitiba foi a decisão. Minha irmã Márcia e meu cunhado Elói tinham um clínica em Concórdia e ofereceram para eu trabalhar alguns dias por mês. Logo que cheguei dos EUA, minha mãe já estava fazendo meu Marketing, dizendo prá todo mundo que eu estava voltando e a Luciane, filha de uma amiga de minha mãe, queria que eu colocasse aparelho nela, mesmo antes de eu decidir onde iria ficar. Quando resolvi atender em Curitiba e Concórdia, então iniciei o tratamento dela. No primeiro caso, já tive que extrair quatro pré-molares. Decisão difícil, mas 100% acertada. O caso terminou maravilhoso e procuro sempre mostrar em congressos. 

Qual foi o seu caso mais difícil?
Curiosamente, acredito ter sido meu caso número 2, Marionei S. Recomendado pelo Dr. Marcelo Zandoná, Marionei era muito amigo dele. Quão feliz fiquei eu, meu primeiro caso em Curitiba, uma mordida aberta de 10 mm, definitivamente um caso cirúrgico. Marionei disse que não faria nenhuma cirurgia, e que gostaria de fazer alguma coisa para melhorar seu sorriso, mesmo que não ficasse perfeito. Bem, lá estava eu, tento sido treinado por excelentes profissionais, sabendo o que precisava fazer, mas tendo que comprometer o resultado. Eu sabia que não terminaríamos perfeitamente como queríamos, mas acreditava que se extraíssemos quatro dentes eu possivelmente conseguiria atingir um resultado muito bom. Foi meu caso mais demorado, quatro anos e dez meses, quase cinco anos de tratamento. Tive muita dificuldade para fechar os espaços das extrações. Nesta época eu ainda não usava esporões com meus pacientes. Se tivesse usado, possivelmente teria encurtado o tratamento pelo menos dois anos.

E um que tenha sido o mais gratificante?
Christiano C. Sobrinho de minha secretária mais antiga (começou e terminou comigo no consultório, durante onze anos), portanto um caso que não poderia cobrar muito, já que ele não poderia pagar. Christiano tinha sofrido um acidente de bicicleta quando pequeno e lesionou o incisivo central superior esquerdo. Além disso tinha o canino superior esquerdo impactado, um overjet de treze mm, interposição lingual em repouso e Classe II de Angle bilateral. Como iria perder o incisivo central, pensei em extrair o primeiro premolar superior direito, distalizar o canino, o lateral e o central e reduzir o overjet naquele lado. No outro lado iria mesializar o lateral, canino (até então impactado), restaurar os dois e ele ficaria com sua própria dentição. Encaminhei o caso para a PUC, e recebi um telefonema numa sexta-feira à tarde, da sala de operação, dizendo que não poderiam apenas expor o canino para futuro tracionamento porque estava anquilozado. Teriam que extrair. Meu Deus, e agora???? Então tive que improvisar um plano de tratamento, com embasamento científico, de mover o incisivo central superior direito para a posição do central esquerdo, atraves da linha mediana. O lateral ficaria com o formato do central direito, o canino como lateral e o primeiro premolar como canino. No lado esquerdo o lateral ficaria na sua posição, o premolar seria o canino, e terminaríamos mantendo a Classe II de Angle bilateral. O resultado foi excelente, e acabei submetendo o caso para o American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics,que foi aceito para publicação em outubro deste ano. 

Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório?
Foram muitos, mas lembro uma vez que fui atender uma senhora com 72 anos de idade, muito distinta na sociedade curitibana. E como estava próximo ao final de ano eu vestia sempre a fantasia de Papai Noel, durante minha última semana de atendimento antes do Natal. Era a primeira vez que eu iria atender esta paciente com problema de ATM e sentindo muita dor. Então tinha um dilema, trocava de roupa ou não?!?! Eu já estava atrasado, e disse a mim mesmo: “Seja o que Deus quiser”! Abri a porta da sala de espera, coloquei a cabeça pra fora, com barba, bigode e gorro de Papai Noel, mas com a roupa completa também, perguntei a ela: “Dr. Bósio não veio hoje, a senhora se importa em ser atendida pelo Papai Noel?” Mas essa mulher deu tanta risada, que foi muito difícil terminar a consulta. Ela ria o tempo todo. Durante uma hora e meia atendi vestindo a roupa do Sr. Noel. Definitivamente foi muito engraçado. 

Qual foi o marketing que usou para começar?
Nos últimos dois anos e meio antes de voltar para Curitiba, todos os cursos sobre Marketing e gerenciamento de consultório que apareceram na minha frente, eu fiz. Logo que cheguei em Curitiba voltando dos EUA, decidi que não ficaria no consultório dos meus tios, aluguei um consultório de uma colega de faculdade em frente ao Shopping Muller. Eu tinha todas as manhãs para atender e apenas uma tarde. Como tinha uma secretária para atender telefones, eu saia visitar antigos colegas. Mas eu não tinha carro, então ia de ônibus. Ficava esperando o ônibus e vendo aquelas pessoas passarem de carro e eu pensava, “um dia ainda vou ter um, e não vou precisar mais pegar ônibus”. Fui para todos os lugares, Santa Felicidade, Vila Hauer, Fazendinha, Boqueirão, Santa Candida, Pinheirinho e muitos outros. Onde tinha alguém que dizia que eu poderia visitar e me apresentar, eu ia. Pensava comigo, “se esta visita trouxer pelo menos um paciente, então já terá valido a pena”. Pior que eu estava não ficaria, pois não tinha nenhum cliente. Se tivesse um, já teria aumentado em 100% minha carteira de clientes. Mas sempre gerenciei meu consultório como uma empresa. Esta é a filosofia americana, e eu empregava em meu consultório. Dizia “se esta bodega não der lucro, então fecho”. Sempre investi muito em Marketing. Tenho plena consciência que muitos colegas não aprovavam meus métodos, achavam muito agressivo. A estes, peço desculpas se os ofendi, mas eu queria vencer e sabia o que poderia fazer, pois tinha aprendido isso nos EUA. Tinha como lema, “se não puder olhar meus colegas nos olhos por fazer algum tipo de Marketing, então não faço”. Sempre acreditei fazer Marketing responsável, sem prometer o que não podia cumprir, mas nunca tive vergonha das campanhas de Marketing que fiz. Investi muito na internet. Fui o primeiro Cirurgião Dentista brasileiro a ter uma página na internet. Ainda antes de voltar dos EUA em 1994 (a internet tinha começado em 1992). Criei uma página para colocar minha cidade natal, Concórdia, na internet. Tudo muito amadoramente. Fazia Marketing interno e externo. Interno promovendo concursos entre meus clientes. Sorteava televisões, telefones, viagens, estadias em hotéis e várias outras coisas que não lembro mais, e para participar, os clientes jovens tinham apenas que trazer o boletim com notas altas. Criei um boletim informativo, para divulgar nossos cursos, congressos, grandes acontecimentos dos pacientes, enfim, tentanto unir e valorizar nosso maior “ASSET” (VALOR): o paciente. Fizemos campanha de arrecadação de alimentos para várias instituições de Curitiba. Na área externa, criamos o boletim Conexão Sorriso – compartilhando informações. Artigos científicos que achávamos interessantes, resumíamos e mandávamos para impressão em gráfica e distribuíamos para os colegas, que de uma forma ou outra haviam entrado em contato com a gente. Contratei uma assessora de imprensa. Ela cuidou de toda a papelaria do consultório, cada detalhe era importante, pois se fizessemos as coisas com qualidade, estaríamos representando a qualidade dos nossos serviços. Isto era fundamental. Escrevia artigos para jornais. Mandávamos “releases” para os canais de televisão e tivemos a oportunidade de ir a todos os canais de Curitiba, para ser entrevistado, exceto a Globo, sem nunca ter pago um tostão a nenhum deles. Mandávamos relatórios aos colegas que indicavam os pacientes para que pudessem acompanhar nossas idéias e ficarem informados do nosso trabalho. Enfim, fizemos muito mais, mas o leitor já deve estar cansado de ler. 

Tem algum parente Cirurgião Dentista?
Até onde sei, somos onze na família. Seis ortodontistas, dois endodontistas / dentística restauradora, dois protesistas, e uma odontopediatra. Certa vez eu contei dezoito (não sei quem mais, pois acho que estou esquecendo alguns). 

Quem é seu maior ídolo na Odontologia?
“Idolos, mais que um, Bjorn Zachrisson, Vincent Kokich and Patrick Turley (pessoas que temos como inspiração e ainda vivem entre a gente). Além destes, Dr. Subtelny e Dr. Tallents, professores que permitiram que eu continuasse meus estudos nos Estados Unidos. Entre os que partiram Alam Brodie e Robert Ricketts. 

E quem fez mais pela classe nestes anos todos?
No Brasil, pela Odontologia geral, tive a oportunidade de ouvir Dr. Norberto Lubiana uma vez em Curitiba e tive a impressão de ser ele uma pessoa definitivamente compromedita com a Odontologia. Espero que eu esteja certo.
No Paraná, por eu ter formado na PUC, o professor Luis Pilotto parece ser uma das grandes figuras da Odontologia paranaense, assim como Dr. Roberto Cavali, cujo qual tivemos como coordenador do curso da PUC, enfrentando-nos com muita inteligência e tom apaziguador quando da decisão de aceitar 120 alunos na PUC, e posteriormente na ABO e no CRO. Tenho plena convicção que Dr. Cavali sempre foi muito comprometido com a Odontologia do Paraná, assim como vejo esta qualidade no Dr. Ermenson Jorge, Dr. Rubens Pinho foi e também sempre será um profissional lutador pelos direitos dos colegas no Paraná. Especificamente na Ortodontia, apesar de controverso, Dr. Eros Petrelli lutou, do seu jeito, pelo engrandecimento da nossa especialidade, tentando unir alguns elos perdidos. Mais recentemente, Drs. Roberto Lima, Carlos Vogel, e Eustáquio Araújo, foram e continuam sendo profissionais de inspiração para jovens ortodontistas.
 

Qual seu livro ou autor preferido na profissão?
Ortodontia Contemporânea, escrito por William Proffit e Henry Fields. Seguramente um dos livros mais publicados e mais completos na área de ortodontia. 

Como está vendo o presente momento na Odontologia?
Vejo com tom de preocupação. Apesar de agora termos o presidente da Federação Dentária Internacional, Dr. Roberto Vianna, empossado há pouco tempo, acredito que principalmente pelo número elevado de profissionais de Odontologia que temos no Brasil, sem desmerecer a qualidade e as habilidades políticas que o levaram a tal posição, o número crescente de profissionais, preocupa a todos. Quantos profissionais mais serão necessários para suprir a demanda da população? Costumo comparar as coisas que existem aqui nos EUA: são 58 escolas de Odontologia em todo o país. Quase 400 milhões de habitantes, o dobro da nossa população no Brasil, enquanto nós, sem saber números exatos, somos capazes de ter este número apenas no estado de São Paulo. O que está errado? Em minha modesta e talvez desinformada opinião, é que faltam profissionais dedicados a fazer lobby no congresso nacional em favor da Odontologia. Certa vez perguntei ao Dr. Nóbrega, presidente do CFO, durante um congresso em Curitiba, por que nosso CFO, juntamente com ABO Nacional e outras entidades da Odontologia, não pagavam para profissionais ficarem no congresso representando nossos interesses, e ele me respondeu que custaria muito caro eleger alguém para esta função. Infelizmente eu não falava de cargos políticos, mas sim de pessoas pagas para defender nossa profissão. Em fevereiro deste ano participei de um congresso em Orlando, Florida, patrocinado pela Associação Americana de Ortodontia (AAO), promovendo jovens líderes da profissão e um dos convidados para ministrar uma palestra, era o advogado contratato para defender os interesses da AAO em Washington. E estamos falando apenas de uma especialidade da Odontologia. A ADA também tem seus representantes dentro do congresso. Mas não como congressistas e sim como lobistas. Este advogado dizia que “Em Washington, se você não está sentado a mesa para o jantar, você é o jantar”. O objetivo que estes profissionais tem é de esclarecer aos congressistas pontos importantes da nossa profissão/especialidade. Como os lobistas explicam, “se você não tiver empurrando as coisas para o outro lado, sempre terá alguém empurrando as coisas contra você.” Assim, creio que precisaríamos ter ainda maior participação política dentro do Congresso Nacional defendendo nossos interesses. Mas estou ciente de que é mais fácil falar do que fazer.  

A que atribui o seu sucesso profissional?
Determinação, comprometimento e honestidade. Não acredito ser um sucesso, mas tenho convicção e certeza que fui, sou e continuarei sendo bem sucedido naquilo que faço. Gosto do que faço e por isto sou feliz. Tenho uma mulher maravilhosa, Maria Marta, que faz tudo por nossos três anjinhos: Sofia, Elena e Luisa, e permite que eu dedique um tempo enorme à minha profissão. Minha irmã Márcia e meu cunhado Eloi, foram também suportes constantes para minhas conquistas. Logicamente não poderia deixar de mencionar todos os profissionais que acreditaram em meu trabalho. E todos sabem quem são. Certamente cometeria injustiças se mencionasse um ou dois nomes. Foram muitos. E o mais interessante é que ainda existe espaço para aprendizado. E bota espaço nisto. Entre erros e acertos continuamos evoluindo. Vivo repetindo que, “trabalho duas vezes mais, acordo duas horas mais cedo, ganho duas vezes menos, mas sou quatro vezes mais feliz.” Vai entender..... 

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Para aqueles que estão começando, saibam que o caminho é difícil, mas vale a pena! Tracem seus objetivos e saiam atrás deles. Não de ouvidos aqueles que apenas conseguem ver as coisas difíceis. A vossa história será traçada por você e ninguém mais. Talvez uma ou outra pessoa possa ser importante para você seguir sua carreira. Mas apenas você poderá escrever sua história. Boa Sorte! 

Que pergunta gostaria de fazer ao entrevistador?
Quem foi a pessoa mais importante, para seu sucesso profissional e por quê?
Tive muitos que me motivaram a lutar por um dia melhor, para mim e para o meio que vivo. Mas foram importantes os que me abriram as portas da implantodontia, o que permitiu que eu pudesse estudar mais e diferenciar-me com marketing e gestão. Foram Salvador e Marcelo Jaef da Argentina, Bill Knox dos EUA e Axel Kirsch da Alemanha. Tive o privilégio de aprender muito com eles.

José, obrigado pelo desprendimento em dar uma aula de como se conquistar sucesso na profissão e aproveito para desejar sucesso nas tuas mini residências em Ortodontia aí nos EUA, que certamente o serão, pois muitos poderão aprender aí contigo a como chegar lá. Deixo o teu e-mail para os que quiserem mais informações ou te parabenizar: jose.bosio@marquette.edu

 

 Antônio Inácio Ribeiro    ribeiro@odontex.com.br

 

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