Procurando sempre
alternar o perfil dos entrevistados, o de hoje é diferente em muitos
aspectos. A começar porque foi morar nos Estados Unidos e é um dos
muitos CDs brasileiros que fazem sucesso no exterior. Foi um dos
primeiros a usar bem o marketing em Curitiba, provavelmente por ter
morado nos EUA quando fez seu mestrado. Seu currículo é quase por
inteiro do exterior. Especialização em DTM na Eastman Dental Center,
Rochester, NY (1991-93); Mestrado em Ortodontia na The Ohio State
University, OH (1993-96); Diplomado pelo American Board of
Orthodontics (2002) e Board Brasileiro de Ortodontia (2004); Revisor
Científico do American Journal of Orthodontics and Dentofacial
Orthopedics; Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial e
Revista da Sogaor; Clínica Privada em Curitiba e Concórdia
(1996-2007); Professor Assistente, Departmento de Ciências do
Desenvolvimento/Ortodontia – Diretor da Clínica de Pós-graduação em
Ortodontia da Marquette University School of Dentistry; Examinador
do American Board of Orthodontics. Um orgulho para a Odontologia
brasileira!
Quem o
influenciou a fazer Odontologia?
Creio que foram meus tios, Algacir (protesista,
falecido em 2007), Ademir e Altair Brunetto e mais tarde minha irmã
Márcia e meu cunhado Elói Aymay. Eu morava em Concórdia - SC e
acompanhava a carreira deles podendo ver como sentiam-se felizes com
o que faziam.
Onde fez a
faculdade e quais suas lembranças deste tempo?
Minhas lembranças dos tempos de faculdade estão
vivas. Lembro da maioria dos meus colegas e o grupo com quem estava
mais envolvido, das festas que fazíamos e das batucadas antes da
aula. Gostaria de citar os nomes dos colegas, mas a lista seria
longa e fatalmente eu cometeria injustiças esquecendo de alguns.
Durante toda minha vida universitária eu jogava voleibol, e devo
dizer que todo meu curso de Odonto foi pago com o esforço do volei.
Nos dois primeiros anos, jogando pela universidade, eu ganhei bolsa
de estudo integral, no terceiro ano fui jogar numa equipe
profissional chamada Cristalino / Sanepar (Banestado), que me pagava
um salário, que eu usava para pagar a faculdade e no último ano, eu
tinha pensado em trancar a faculdade para dedicar tempo integral ao
voleibol. Infelizmente (hoje digo felizmente), fui demitido do
Cristalino (acho que eu não era muito bom), voltei a jogar pela PUC,
recebendo novamente a bolsa integral. Eu não participava muito das
festas e viagens que meus colegas faziam. Perdi muitos eventos por
causa do voleibol. Mas lembro de uma passagem muito engraçada na
clínica de Odonto, quando eu estava fazendo um tratamento em canal
de um incisivo central de uma paciente. Ela usava uma blusa preta
bonita, e quando me despedi dela, tendo concluído o tratamento,
acompanhei com o olhar ela caminhando para a porta, com uma mancha
branca enorme nas costas. Infelizmente, acredito não devo ter
colocado o dique de borracha corretamente e o “mardito” do líquido
de Dakin, escorreu para a blusa dela. Eu, como não tinha um tostão
furado para pagar uma blusa nova, fiquei quietinho. Meus amigos
Carlos Rabelo, Zé Carlos Boeing e Marcelo Zandoná, morrendo de dar
risada. A paciente nunca mais voltou. Lembro também de uma excursão
que fizemos para Guarapuava – PR, na fazenda de um colega. Foram
três ônibus e o nosso ficou atolado. Marlus Pereira, Milton Portela,
Robson Ampessan e eu tivemos que sair pela janela, pois a porta
estava travada pelo barranco. Mas aquela excursão foi parecida com
um Woodstock, uma festa inesquecível. Mas é melhor nem contar
detalhes, pois certamente vou arranjar confusão....
Como foi seu
início na profissão?
Lento. Como eu sabia que queria fazer ortodontia,
influenciado por meus tios Drs. Ademir e Altair, recebi a
autorização deles para fazer um estágio no consultório do Shopping
Itália, juntamente com meu primo Sílvio Dalagnol, ainda durante meu
último ano da faculdade. Quando me formei, o consultório estava “bombando”.
Haviam pelo menos 5 pacientes novos por dia. Era gente esperando na
sala de espera, e até mesmo no corredor do prédio. Parecia fila do
INSS. Eles tinham cinco cadeiras no consultório e então permitiram
que a gente continuasse a trabalhar com eles. Fazíamos de tudo,
deste traçados cefalométricos, aparelhos removíveis, remoção de
aparelho e preparação de slides para palestras dos tios. Trocávamos
lâmpada, levava carros para o conserto, fazíamos trabalho de banco.
Enfim, um coringa, ou seja “pau-prá-toda-obra”. Acredito que
ajudamos muito no crescimento do consultório deles. Por outro lado,
estávamos também aprendendo o ofício da ortodontia, pois sentávamos
sempre para estudar casos junto com nossos tios e eles nos delegavam
algumas funções mais complexas, onde as assistentes não podiam ou
deveriam atuar. Um aprendizado sem igual. Fiquei quatro anos e meio
no consultório. Mas não tinha meus próprios clientes. Era parte da
equipe de trabalho. Também influenciado pelo aprendizado do meu tio
Ademir, que tinha estudado na Universidade da Califórnia, eu tinha a
intenção de estudar nos Estados Unidos. Assim sendo, logo que me
formei, comecei a estudar inglês. Fiz quatro anos e meio de inglês
no Phil Young, o que ajudou muito quando cheguei nos EUA na primeira
vez. Meu primo Silvio havia conquistado uma vaga no curso do Fundão
- RJ, e eu continuava com meu objetivo de fazer um curso de orto nos
EUA. Não existiam tantos cursos em ortodontia como existe hoje no
Brasil, mas eu sabia que o valor gasto com um curso feito no Brasil
seria maior do que eu gastaria nos EUA. E também queria ter uma
experiência de vida fora do pais, o que acabou sendo tão importante
quanto a experiência profissional. Acabei sendo aceito para fazer um
curso de um ano em TMJ na Eastman Dental Center, mas tinha certeza
que não ficaria somente um ano, mas sim muitos anos, como de fato
aconteceu. Fiquei fazendo um segundo ano do curso de TMJ e depois
fui aceito na The Ohio State University para fazer o Mestrado em
Ortodontia, um curso de três anos. Portanto, demorei nove anos e
meio para ter meu primeiro paciente.
Lembra quem foi
seu primeiro paciente?
Luciane S. Logo que voltei dos EUA, passei algumas
semanas decidindo onde iria trabalhar. Como eu havia passado muito
tempo fora, voltei a conversar com meus tios da possibilidade de
voltar ao consultório. Logicamente havia aprendido muitas coisas
inovadoras, tinha uma filosofia diferente daquela usada no
consultório, e se voltasse teria que fazer aquilo que estava sendo
praticado na clínica. Além do mais, meu primo Sílvio já estava
trabalhando com meus tios, e chegamos à conclusão que seríamos
muitos profissionais sob o mesmo teto e possivelmente não teríamos
tantos pacientes para tratar. Tendo decidido que não voltaria ao
consultório deles, tive que começar o meu próprio consultório. Não
sabia se ficaria em Curitiba, se voltaria a Concórdia, minha cidade
natal, ou iria para Vitória, ES onde meu irmão morava. Mas tinha
intenção de ensinar, assim teria que ficar em um centro maior, onde
tivesse uma escola de Odonto. Curitiba foi a decisão. Minha irmã
Márcia e meu cunhado Elói tinham um clínica em Concórdia e
ofereceram para eu trabalhar alguns dias por mês. Logo que cheguei
dos EUA, minha mãe já estava fazendo meu Marketing, dizendo prá todo
mundo que eu estava voltando e a Luciane, filha de uma amiga de
minha mãe, queria que eu colocasse aparelho nela, mesmo antes de eu
decidir onde iria ficar. Quando resolvi atender em Curitiba e
Concórdia, então iniciei o tratamento dela. No primeiro caso, já
tive que extrair quatro pré-molares. Decisão difícil, mas 100%
acertada. O caso terminou maravilhoso e procuro sempre mostrar em
congressos.
Qual foi o seu
caso mais difícil?
Curiosamente, acredito ter sido meu caso número 2,
Marionei S. Recomendado pelo Dr. Marcelo Zandoná, Marionei era muito
amigo dele. Quão feliz fiquei eu, meu primeiro caso em Curitiba, uma
mordida aberta de 10 mm, definitivamente um caso cirúrgico. Marionei
disse que não faria nenhuma cirurgia, e que gostaria de fazer alguma
coisa para melhorar seu sorriso, mesmo que não ficasse perfeito.
Bem, lá estava eu, tento sido treinado por excelentes profissionais,
sabendo o que precisava fazer, mas tendo que comprometer o
resultado. Eu sabia que não terminaríamos perfeitamente como
queríamos, mas acreditava que se extraíssemos quatro dentes eu
possivelmente conseguiria atingir um resultado muito bom. Foi meu
caso mais demorado, quatro anos e dez meses, quase cinco anos de
tratamento. Tive muita dificuldade para fechar os espaços das
extrações. Nesta época eu ainda não usava esporões com meus
pacientes. Se tivesse usado, possivelmente teria encurtado o
tratamento pelo menos dois anos.
E um que tenha
sido o mais gratificante?
Christiano C. Sobrinho de minha secretária mais
antiga (começou e terminou comigo no consultório, durante onze
anos), portanto um caso que não poderia cobrar muito, já que ele não
poderia pagar. Christiano tinha sofrido um acidente de bicicleta
quando pequeno e lesionou o incisivo central superior esquerdo. Além
disso tinha o canino superior esquerdo impactado, um overjet
de treze mm, interposição lingual em repouso e Classe II de Angle
bilateral. Como iria perder o incisivo central, pensei em extrair o
primeiro premolar superior direito, distalizar o canino, o lateral e
o central e reduzir o overjet naquele lado. No outro lado
iria mesializar o lateral, canino (até então impactado), restaurar
os dois e ele ficaria com sua própria dentição. Encaminhei o caso
para a PUC, e recebi um telefonema numa sexta-feira à tarde, da sala
de operação, dizendo que não poderiam apenas expor o canino para
futuro tracionamento porque estava anquilozado. Teriam que extrair.
Meu Deus, e agora???? Então tive que improvisar um plano de
tratamento, com embasamento científico, de mover o incisivo central
superior direito para a posição do central esquerdo, atraves da
linha mediana. O lateral ficaria com o formato do central direito, o
canino como lateral e o primeiro premolar como canino. No lado
esquerdo o lateral ficaria na sua posição, o premolar seria o
canino, e terminaríamos mantendo a Classe II de Angle bilateral. O
resultado foi excelente, e acabei submetendo o caso para o American
Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics,que foi aceito
para publicação em outubro deste ano.
Lembra de algum
caso pitoresco acontecido no consultório?
Foram muitos, mas lembro uma vez que fui atender
uma senhora com 72 anos de idade, muito distinta na sociedade
curitibana. E como estava próximo ao final de ano eu vestia sempre a
fantasia de Papai Noel, durante minha última semana de atendimento
antes do Natal. Era a primeira vez que eu iria atender esta paciente
com problema de ATM e sentindo muita dor. Então tinha um dilema,
trocava de roupa ou não?!?! Eu já estava atrasado, e disse a mim
mesmo: “Seja o que Deus quiser”! Abri a porta da sala de espera,
coloquei a cabeça pra fora, com barba, bigode e gorro de Papai Noel,
mas com a roupa completa também, perguntei a ela: “Dr. Bósio não
veio hoje, a senhora se importa em ser atendida pelo Papai Noel?”
Mas essa mulher deu tanta risada, que foi muito difícil terminar a
consulta. Ela ria o tempo todo. Durante uma hora e meia atendi
vestindo a roupa do Sr. Noel. Definitivamente foi muito engraçado.
Qual foi o
marketing que usou para começar?
Nos últimos dois anos e meio antes de voltar para
Curitiba, todos os cursos sobre Marketing e gerenciamento de
consultório que apareceram na minha frente, eu fiz. Logo que cheguei
em Curitiba voltando dos EUA, decidi que não ficaria no consultório
dos meus tios, aluguei um consultório de uma colega de faculdade em
frente ao Shopping Muller. Eu tinha todas as manhãs para atender e
apenas uma tarde. Como tinha uma secretária para atender telefones,
eu saia visitar antigos colegas. Mas eu não tinha carro, então ia de
ônibus. Ficava esperando o ônibus e vendo aquelas pessoas passarem
de carro e eu pensava, “um dia ainda vou ter um, e não vou precisar
mais pegar ônibus”. Fui para todos os lugares, Santa Felicidade,
Vila Hauer, Fazendinha, Boqueirão, Santa Candida, Pinheirinho e
muitos outros. Onde tinha alguém que dizia que eu poderia visitar e
me apresentar, eu ia. Pensava comigo, “se esta visita trouxer pelo
menos um paciente, então já terá valido a pena”. Pior que eu estava
não ficaria, pois não tinha nenhum cliente. Se tivesse um, já teria
aumentado em 100% minha carteira de clientes. Mas sempre gerenciei
meu consultório como uma empresa. Esta é a filosofia americana, e eu
empregava em meu consultório. Dizia “se esta bodega não der lucro,
então fecho”. Sempre investi muito em Marketing. Tenho plena
consciência que muitos colegas não aprovavam meus métodos, achavam
muito agressivo. A estes, peço desculpas se os ofendi, mas eu queria
vencer e sabia o que poderia fazer, pois tinha aprendido isso nos
EUA. Tinha como lema, “se não puder olhar meus colegas nos olhos por
fazer algum tipo de Marketing, então não faço”. Sempre acreditei
fazer Marketing responsável, sem prometer o que não podia cumprir,
mas nunca tive vergonha das campanhas de Marketing que fiz. Investi
muito na internet. Fui o primeiro Cirurgião Dentista brasileiro a
ter uma página na internet. Ainda antes de voltar dos EUA em 1994 (a
internet tinha começado em 1992). Criei uma página para colocar
minha cidade natal, Concórdia, na internet. Tudo muito amadoramente.
Fazia Marketing interno e externo. Interno promovendo concursos
entre meus clientes. Sorteava televisões, telefones, viagens,
estadias em hotéis e várias outras coisas que não lembro mais, e
para participar, os clientes jovens tinham apenas que trazer o
boletim com notas altas. Criei um boletim informativo, para divulgar
nossos cursos, congressos, grandes acontecimentos dos pacientes,
enfim, tentanto unir e valorizar nosso maior “ASSET” (VALOR): o
paciente. Fizemos campanha de arrecadação de alimentos para várias
instituições de Curitiba. Na área externa, criamos o boletim Conexão
Sorriso – compartilhando informações. Artigos científicos que
achávamos interessantes, resumíamos e mandávamos para impressão em
gráfica e distribuíamos para os colegas, que de uma forma ou outra
haviam entrado em contato com a gente. Contratei uma assessora de
imprensa. Ela cuidou de toda a papelaria do consultório, cada
detalhe era importante, pois se fizessemos as coisas com qualidade,
estaríamos representando a qualidade dos nossos serviços. Isto era
fundamental. Escrevia artigos para jornais. Mandávamos “releases”
para os canais de televisão e tivemos a oportunidade de ir a todos
os canais de Curitiba, para ser entrevistado, exceto a Globo, sem
nunca ter pago um tostão a nenhum deles. Mandávamos relatórios aos
colegas que indicavam os pacientes para que pudessem acompanhar
nossas idéias e ficarem informados do nosso trabalho. Enfim, fizemos
muito mais, mas o leitor já deve estar cansado de ler.
Tem algum
parente Cirurgião Dentista?
Até onde sei, somos onze na família. Seis
ortodontistas, dois endodontistas / dentística restauradora, dois
protesistas, e uma odontopediatra. Certa vez eu contei dezoito (não
sei quem mais, pois acho que estou esquecendo alguns).
Quem é seu maior
ídolo na Odontologia?
“Idolos, mais que um, Bjorn Zachrisson, Vincent
Kokich and Patrick Turley (pessoas que temos como inspiração e ainda
vivem entre a gente). Além destes, Dr. Subtelny e Dr. Tallents,
professores que permitiram que eu continuasse meus estudos nos
Estados Unidos. Entre os que partiram Alam Brodie e Robert Ricketts.
E quem fez mais
pela classe nestes anos todos?
No Brasil, pela Odontologia geral, tive a
oportunidade de ouvir Dr. Norberto Lubiana uma vez em Curitiba e
tive a impressão de ser ele uma pessoa definitivamente compromedita
com a Odontologia. Espero que eu esteja certo.
No Paraná, por eu ter formado na PUC, o professor
Luis Pilotto parece ser uma das grandes figuras da Odontologia
paranaense, assim como Dr. Roberto Cavali, cujo qual tivemos como
coordenador do curso da PUC, enfrentando-nos com muita inteligência
e tom apaziguador quando da decisão de aceitar 120 alunos na PUC, e
posteriormente na ABO e no CRO. Tenho plena convicção que Dr. Cavali
sempre foi muito comprometido com a Odontologia do Paraná, assim
como vejo esta qualidade no Dr. Ermenson Jorge, Dr. Rubens Pinho foi
e também sempre será um profissional lutador pelos direitos dos
colegas no Paraná. Especificamente na Ortodontia, apesar de
controverso, Dr. Eros Petrelli lutou, do seu jeito, pelo
engrandecimento da nossa especialidade, tentando unir alguns elos
perdidos. Mais recentemente, Drs. Roberto Lima, Carlos Vogel, e
Eustáquio Araújo, foram e continuam sendo profissionais de
inspiração para jovens ortodontistas.
Qual seu livro
ou autor preferido na profissão?
Ortodontia Contemporânea, escrito por William
Proffit e Henry Fields. Seguramente um dos livros mais publicados e
mais completos na área de ortodontia.
Como está vendo
o presente momento na Odontologia?
Vejo com tom de preocupação. Apesar de agora
termos o presidente da Federação Dentária Internacional, Dr. Roberto
Vianna, empossado há pouco tempo, acredito que principalmente pelo
número elevado de profissionais de Odontologia que temos no Brasil,
sem desmerecer a qualidade e as habilidades políticas que o levaram
a tal posição, o número crescente de profissionais, preocupa a
todos. Quantos profissionais mais serão necessários para suprir a
demanda da população? Costumo comparar as coisas que existem aqui
nos EUA: são 58 escolas de Odontologia em todo o país. Quase 400
milhões de habitantes, o dobro da nossa população no Brasil,
enquanto nós, sem saber números exatos, somos capazes de ter este
número apenas no estado de São Paulo. O que está errado? Em minha
modesta e talvez desinformada opinião, é que faltam profissionais
dedicados a fazer lobby no congresso nacional em favor da
Odontologia. Certa vez perguntei ao Dr. Nóbrega, presidente do CFO,
durante um congresso em Curitiba, por que nosso CFO, juntamente com
ABO Nacional e outras entidades da Odontologia, não pagavam para
profissionais ficarem no congresso representando nossos interesses,
e ele me respondeu que custaria muito caro eleger alguém para esta
função. Infelizmente eu não falava de cargos políticos, mas sim de
pessoas pagas para defender nossa profissão. Em fevereiro deste ano
participei de um congresso em Orlando, Florida, patrocinado pela
Associação Americana de Ortodontia (AAO), promovendo jovens líderes
da profissão e um dos convidados para ministrar uma palestra, era o
advogado contratato para defender os interesses da AAO em
Washington. E estamos falando apenas de uma especialidade da
Odontologia. A ADA também tem seus representantes dentro do
congresso. Mas não como congressistas e sim como lobistas. Este
advogado dizia que “Em Washington, se você não está sentado a mesa
para o jantar, você é o jantar”. O objetivo que estes profissionais
tem é de esclarecer aos congressistas pontos importantes da nossa
profissão/especialidade. Como os lobistas explicam, “se você não
tiver empurrando as coisas para o outro lado, sempre terá alguém
empurrando as coisas contra você.” Assim, creio que precisaríamos
ter ainda maior participação política dentro do Congresso Nacional
defendendo nossos interesses. Mas estou ciente de que é mais fácil
falar do que fazer.
A que atribui o
seu sucesso profissional?
Determinação, comprometimento e honestidade. Não
acredito ser um sucesso, mas tenho convicção e certeza que fui, sou
e continuarei sendo bem sucedido naquilo que faço. Gosto do que faço
e por isto sou feliz. Tenho uma mulher maravilhosa, Maria Marta, que
faz tudo por nossos três anjinhos: Sofia, Elena e Luisa, e permite
que eu dedique um tempo enorme à minha profissão. Minha irmã Márcia
e meu cunhado Eloi, foram também suportes constantes para minhas
conquistas. Logicamente não poderia deixar de mencionar todos os
profissionais que acreditaram em meu trabalho. E todos sabem quem
são. Certamente cometeria injustiças se mencionasse um ou dois
nomes. Foram muitos. E o mais interessante é que ainda existe espaço
para aprendizado. E bota espaço nisto. Entre erros e acertos
continuamos evoluindo. Vivo repetindo que, “trabalho duas vezes
mais, acordo duas horas mais cedo, ganho duas vezes menos, mas sou
quatro vezes mais feliz.” Vai entender.....
Deixe uma
sugestão ou mensagem para os mais novos:
Para aqueles que estão começando, saibam que o
caminho é difícil, mas vale a pena! Tracem seus objetivos e saiam
atrás deles. Não de ouvidos aqueles que apenas conseguem ver as
coisas difíceis. A vossa história será traçada por você e ninguém
mais. Talvez uma ou outra pessoa possa ser importante para você
seguir sua carreira. Mas apenas você poderá escrever sua história.
Boa Sorte!
Que pergunta
gostaria de fazer ao entrevistador?
Quem foi a pessoa mais importante, para seu
sucesso profissional e por quê?
Tive muitos que
me motivaram a lutar por um dia melhor, para mim e para o meio que
vivo. Mas foram importantes os que me abriram as portas da
implantodontia, o que permitiu que eu pudesse estudar mais e
diferenciar-me com marketing e gestão. Foram Salvador e Marcelo Jaef
da Argentina, Bill Knox dos EUA e Axel Kirsch da Alemanha. Tive o
privilégio de aprender muito com eles.
José, obrigado
pelo desprendimento em dar uma aula de como se conquistar sucesso na
profissão e aproveito para desejar sucesso nas tuas mini residências
em Ortodontia aí nos EUA, que certamente o serão, pois muitos
poderão aprender aí contigo a como chegar lá. Deixo o teu e-mail para
os que quiserem mais informações ou te parabenizar:
jose.bosio@marquette.edu
Antônio
Inácio Ribeiro ribeiro@odontex.com.br