ODONTO ENTREVISTA Nº 13

Conhecendo e reconhecendo colegas

 

PROF. ANTÔNIO GUEDES PINTO

 

Nosso entrevistado de hoje formou-se em 1963 pela FOUSP/SP, fez pós-graduação em 1966, Livre-Docência em 1974, Professor Associado 1981, Professor Titular 1995, títulos e cargos estes obtidos por concurso. É ex-Professor das Faculdades Metodista – SP, UNISA – SP, Mogi das Cruzes – SP, UNICASTELO – SP, foi Professor e Coordenador do Curso de Pós-Graduação da FOUSP de 1970 a 2009. É autor de oito livros e teve 140 trabalhos publicados. O conheci na década 70 quando do lançamento do Manual de Odontopediatria, que me propiciou a compra do primeiro carro, um motivo de brincadeira quando nos encontramos.

 

Quem o influenciou a fazer Odontologia?
Eu não tive uma pessoa que me influenciou para fazer Odontologia. Foi talvez uma vontade ou aptidão que me acompanhou desde muito jovem, sem um motivo específico. 

Onde fez e quais suas lembranças do tempo de faculdade?
Minhas lembranças do tempo de faculdade são as mais positivas e alegres, pois fui muito bom aluno, minha turma era muito unida e alegre (nos reunimos até hoje). Fiz parte da equipe de esportes e dos shows acadêmicos e trabalhava numa clínica mantida pelo Centro Acadêmico, onde havia um trabalho social muito bom. Enfim foi uma vida acadêmica ativa e alegre. 

Como foi seu início na profissão?
O início da minha vida profissional, como para a grande maioria foi de lutas e difícil. Trabalhava em um emprego, em meu consultório e na Faculdade. 

Lembra quem foi seu primeiro paciente?
Meu primeiro paciente na Faculdade foi um senhor de 65 anos, professor do curso primário, para o qual fiz uma dentadura. 

Qual foi o seu atendimento mais difícil?
Meu atendimento mais difícil foi um menino de 9 anos, com sérios problemas emocionais e a mãe omitiu este fato, com o que a relação foi desastrosa, quase me fezendo desistir da Odontopediatria. 

E um que tenha sido o mais gratificante?
Meu atendimento mais gratificante foi de uma menina de 2 anos e meio, de origem japonesa. O pai era colega e a boca estava toda destruída. Fiz uma reabilitação que ficou boa e a criança quando viu seus dentes anteriores recuperados, que ficaram muito bonitos, me abraçou longamente, sem falar nada. Quase chorei. 

Sabe o nome do seu primeiro protético?
Meu primeiro protético era o Wlademir, palmeirense fanático, que brigava muito comigo por causa do futebol. Claro que sou são paulino. 

E da sua primeira atendente/auxiliar?
Minha primeira auxiliar foi a Marina, mais velha que eu, competente e mandona, que me ajudou muito. 

Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório?
De pitoresco, lembro de um paciente que me devia muito. O encontrei socialmente e antes de qualquer cumprimento, já veio dizendo que sentia dor nos dentes que tratei, numa festa. Antes de me ver ele se divertia e ria muito... 

Qual foi o marketing que usou para começar?
No começo nem sabia o que era marketing. Se fiz algum foi sem saber.  

Tem algum filho ou parente Cirurgião Dentista?
Meu filho mais velho o Eduardo é Cirurgião-Dentista, Mestre e Doutor em Ortodontia e Professor da Especialidade, é um clínico que vai indo muito bem. 

Quem é seu maior ídolo na Odontologia?
Tive muitos ídolos na Odontologia, dentre os quais destacaria os professores Reinaldo Todescan – Prótese, Dr. Gustavo Paiva – Endodontia e João Jorge Barros – Cirurgia. 

E quem fez mais pela classe nestes anos todos?
Muitos colegas fizeram muito pela nossa profissão: nas associações, nos conselhos, nos sindicatos e principalmente nas universidades. Seria uma injustiça com outros nomear alguns. Da mesma forma há muitos oportunistas, no presente e no passado, que se fizeram da profissão. 

Como está vendo o presente momento na Odontologia?
A Odontologia no presente está mais difícil que há anos, por razões sociais, econômicas, excesso de Cirugiões Dentistas nos grandes centros, diminuição dos problemas odontológicos, principalmente nos pacientes que podem pagar o tratamento. 

Qual caminho vê como mais indicado para a profissão?
O caminho para a profissão em um país subdesenvolvido, em que o sucesso econômico é o que conta, não é fácil. Haveria necessidade de medidas governamentais, da classe odontológica e dos colegas individualmente, para mudarmos o que estamos vivendo e quem sabe a melhora da profissão. Não tenho uma proposta concreta para isto, tenho algumas idéias. Mas como se encontra a profissão, só vejo uma saída, para o indivíduo: ser sério, honesto e mostrar uma imagem positiva de seu trabalho. 

A que atribui o seu sucesso profissional?
Atribuo meu sucesso a inúmeros fatores: gosto do que faço e muito, tenho determinação, disciplina, muito estudo e sem medo de enfrentar os obstáculos. Usando uma expressão popular, comigo nunca teve “vento contra”. Mesmo nas lutas perdidas, tirei lições e proveitos. Podem ter certeza sofri um pouco nas sombras da vida, mas foi muito bom.  

Como espera ser o futuro da profissão?
Espero para o futuro que nos tornemos uma profissão que cuide da saúde. Ao contrário do que fazemos hoje, que é uma profissão essencialmente de curar e não prevenir, isto do ponto de vista da saúde. Sob o aspecto profissional, espero que todos tenham um futuro econômico satisfatório, sem prostituir a profissão.

Deixe uma sugestão para os mais novos
Como mensagem aos mais novos diria que acredito no trabalho sério e disciplinado. Um profissional se torna competente depois de muitos anos de aplicação diária. E ser competente profissionalmente não significa ganhar dinheiro. Este é muito bom, mas ganhá-lo requer uma arte que não é só a do trabalho. Outro aspecto é só fazermos o que gostamos. Caso se persista em exercer o que não gosta, pode até dar certo aos olhos alheios, mas no seu íntimo você perceberá que foi e é muito triste.

Mestre, considere esta entrevista uma homegagem deste amigo de mais de três décadas, que o admira e lhe tem uma gratidão pela ajuda no meu início de carreira, como certamente tem muitos que compartilharam da sua amizade ao longo dos anos. E pela amizade que mantivemos nestes quase 40 anos. Seus valores ajudam a entender melhor o sucesso profissional, que certamente orientarão muitos que o buscam.

 

Antônio Inácio Ribeiro   ribeiro@odontex.com.br

 

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