Prof. Dr. Gilson Blitzkow Sydney
Entrevista exclusiva a
Antonio Inácio Ribeiro

 


Todo sucesso alcançado tem um sonho a sustentá-lo. O do JBE tem como um de seus pilares, incontestavelmente, o nosso homenageado deste número: o Prof. Dr. Gilson Blitzkow Sydney.
Por circunstâncias aleatórias, nós o estamos entrevistando no ano em que ele completa 25 anos de exercício da profissão, o que por si só já seria motivo de homenagem.
Quem sai em busca de seus ideais e por eles luta, muitas vezes abrindo mão de prioridades momentâneas, merece atingir o topo mais alto da glória. É o caso do nosso grande entusiasta da JBE, que foi para São Paulo em busca da especialização em Endodontia e, por incentivo do Prof. José Gustavo de Paiva, terminou por fazer Mestrado e Doutorado, com direito a tese na Noruega. Nada mais justo que, ao voltar, obtivesse todo o prestígio de que atualmente desfruta.
Numa carreira totalmente dedicada à Odontologia, o reconhecimento do filho, que seguiu seus passos, é a certeza de estar no caminho certo: a escolha do magistério como realização profissional primeira. Sem deixar de lado outras paixões, como a música, o futebol e a fórmula 1 de Ayrton Senna, provas inequívocas de seu lado bem brasileiro, que contrastam com seu nome pomposo.  A Odontologia paranaense merece nomes com a sua grandeza.

JAO - Como aconteceu sua vocação para a Odontologia?
R: Desde criança. Meus pais sempre contavam que eu gostava de examinar os seus dentes, usando uma colherinha como espelho bucal. São coisas que não se explicam. Já nasci com esta vocação.

JAO - Tem algum parente na Odontologia?
R: Sim, um tio: Dr. Guilherme Brenk. Quando entrei para a Faculdade de Odontologia, fui bolsista de uma instituição e quem proporcionou este estágio foi meu tio. Foi a minha primeira experiência em um consultório odontológico.

JAO - Qual lembrança lhe vem do tempo de estudante?
R: O tempo acadêmico é marcante. Um período que, quando o estamos vivendo, talvez não sejamos capazes de entender o quão especial ele é. Somente no momento da nossa formatura é que percebemos uma porção de coisas. Coisas boas que vivemos, amizades que conquistamos, aquelas que deixamos de conquistar, etc. Acho que a melhor lembrança é aquela dos verdadeiros amigos que conquistamos.

JAO - Quais foram seus mestres inesquecíveis?
R: Meus mestres foram muitos. Cada um deles no seu devido tempo. Na endodontia, tudo começou para mim com o prof. Altmann Marques Sampaio, responsável pela disciplina na época professor e amigo, foi quem me colocou nas mãos do prof. Luciano Loureiro de Melo. A partir deste momento, começou com o prof. Luciano uma amizade leal e infinita, que se traduz nos laços fraternos que nos unem. Amigo de muitos caminhos e jornadas, cujas palavras de força, de fé e de carinho me deram sempre a certeza de nunca estar só. Em 1979, quando fui fazer meu curso de especialização em endodontia, em São Paulo, conheci o prof. Hildeberto Francisco Pesce (Bebeto), que teve um papel importantíssimo na minha formação, o qual se estendeu até o doutorado. Sua sabedoria científica orientou minha formação universitária, tornando-se eixo e flecha da minha evolução. Vieram mestres como o prof. José Gustavo de Paiva que, sempre que encontrava comigo, pegava-me pela orelha perguntando quando eu iria para São Paulo fazer o mestrado. A luz do seu exemplo de dedicação, trabalho e dinamismo, permanece sempre presente, como exemplo edificante. E foi pelas mãos de outro grande mestre, o prof. João Humberto Antoniazzi, que o sonho tornou-se realidade. Seu caráter inequívoco, precioso e paciente me conduz, até hoje, com segurança e sabedoria, pelos caminhos do saber, fazendo minha admiração crescer e renovar-se a cada dia. Não poderia deixar de mencionar o papel importante desempenhado na minha vida universitária pelos profs. Leif Tronstad e Gilberto Debelian da Universidade de Oslo-Noruega, que abriram as portas do instituto de Biologia Oral daquela Instituição para a realização de nossa tese de Doutorado, introduzindo-me assim em sua linha de pesquisa.

JAO - Quando e como começou seu pendor pela especialidade?
R: Quando eu estava no segundo ano do curso, comecei a estagiar na clínica de um dos mais conceituados profissionais de nossa cidade, o Dr. Rubens Pinho. Lá fui acompanhar o prof. Cláudio Cezar de Miranda, um dos mais completos profissionais da nossa Odontologia, que na época era quem fazia toda a endodontia da Clínica. Foi ele o responsável pelo meu pendor pela endodontia.

JAO - Que lembra de seu primeiro consultório?
R: O meu primeiro consultório é onde estou até hoje, 25 anos depois. Ele representa tudo na minha vida profissional. Dos momentos mais difíceis aos mais alegres, aquelas paredes guardam uma história completa.

JAO - Onde se realiza mais: consultório, ensino ou vida associativa?
R: Em todos. Acho que cada momento é único e temos que aprender a ser felizes em cada um deles.

JAO - Comente algum fato marcante de sua vida profissional?
R: Vários fatos marcam nossa vida profissional. Desde os mais simples, como a satisfação de um paciente quando você resolve um quadro álgico complexo, até o resultado final de um tratamento desafiador, sem deixar de considerar o quão marcante é a constatação de um fracasso. Mas acho que os dois momentos mais marcantes da minha vida profissional estão relacionados com o ensino. O primeiro, a minha defesa de tese de Doutorado na Universidade de São Paulo. Aquele momento foi muito especial por toda a trajetória e tudo o que ele representava para mim. O segundo, quando tive o privilégio de nomear a turma de Odontologia 1998-2001 da Universidade Federal do Paraná, da qual meu filho Roberto era um dos formandos. As emoções daquela sessão solene, de poder entregar-lhe o diploma de Cirurgião-dentista, de vê-lo receber o prêmio Dr. Nilo Cairo e do carinho recebido por todos os seus colegas, tornaram aquele momento único.

JAO - Qual foi sua maior contribuição para a profissão?
R: Acho que talvez ela ainda esteja por ser realizada.

JAO - Que homenagens foram mais marcantes?
R: A comenda e medalha do mérito endodôntico MARIO BADAN, concedido pela ABESP, em 1994, e nomear a turma de formandos 1998-2001 da UFPR.

JAO - Tem alguma dica para se fazer sucesso?
R: Todo sucesso tem um custo. Se o sucesso não tivesse um custo, todo mundo seria um sucesso. Se as conquistas não tivessem um custo, todos seríamos conquistadores. Se a felicidade não exigisse dedicação, ela perderia o sentido. Fazer sucesso exige esforço, dedicação, disciplina, foco, paixão e tantas outras qualidades que devem ser exercitadas em todos os momentos.

JAO - Quem são seus ídolos?
R: Na Odontologia, os mencionados acima.

JAO - E fora da profissão?
R: Ayrton Senna foi um dos grandes exemplos de determinação e coragem.

JAO - Onde a Odontologia está mais avançada?
R: O grande avanço tecnológico tem propiciado inovações em todas as áreas, de modo que a Odontologia ainda terá avanços muito significativos.

JAO - Como é ser o editor científico do Jornal Brasileiro de Endo-Pério?
R: Tarefa das mais difíceis. A revista vem crescendo muito, o número de trabalhos enviados é cada vez maior e, conseqüentemente, o trabalho é redobrado. Mas a revista conta com um corpo de conselheiros científicos excelente, que tem realizado um trabalho magnífico e árduo, analisando cuidadosamente toda a produção científica.

JAO - Comente sobre algum hobby seu.
R: A música é uma grande paixão que resiste à prova do tempo.

JAO - Qual seu esporte favorito?
R: O futebol, embora não o pratique.

JAO - Que mensagem tem para os mais novos?
R: Todos falam das dificuldades da profissão. Mas isto não é característica apenas da Odontologia. É de todas as profissões. Por maiores que possam ser as suas dificuldades, nunca desistam dos seus sonhos. É enfrentando as dificuldades que se fica forte. É superando os nossos limites que a gente cresce. É resolvendo problemas que se desenvolve maturidade. É desafiando perigos que descobrimos a coragem. Arrisque, e você descobrirá como as pessoas crescem quando exigem mais de si próprias. Nossos sonhos mantêm aceso o fogo sagrado em nossos corações. E eles são a seiva da vida. Nós envelhecemos, não porque o tempo passa, mas principalmente porque abandonamos nossos sonhos. Não esqueça que o sucesso se constrói nos bastidores. Lutem sempre, mesmo sabendo que, muitas vezes, não se alcançará o resultado esperado. Mas o treino de lutar gerará forças e nos preparará para a próxima vitória (Roberto Shinyashiki).

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