Todo sucesso alcançado tem um sonho a sustentá-lo. O
do JBE tem como um de seus pilares, incontestavelmente, o nosso
homenageado deste número: o Prof. Dr. Gilson Blitzkow Sydney.
Por circunstâncias aleatórias, nós o estamos entrevistando no ano em que
ele completa 25 anos de exercício da profissão, o que por si só já seria
motivo de homenagem.
Quem sai em busca de seus ideais e por eles luta, muitas vezes abrindo mão
de prioridades momentâneas, merece atingir o topo mais alto da glória. É o
caso do nosso grande entusiasta da JBE, que foi para São Paulo em busca da
especialização em Endodontia e, por incentivo do Prof. José Gustavo de
Paiva, terminou por fazer Mestrado e Doutorado, com direito a tese na
Noruega. Nada mais justo que, ao voltar, obtivesse todo o prestígio de que
atualmente desfruta.
Numa carreira totalmente dedicada à Odontologia, o reconhecimento do
filho, que seguiu seus passos, é a certeza de estar no caminho certo: a
escolha do magistério como realização profissional primeira. Sem deixar de
lado outras paixões, como a música, o futebol e a fórmula 1 de Ayrton
Senna, provas inequívocas de seu lado bem brasileiro, que contrastam com
seu nome pomposo. A Odontologia paranaense merece nomes com a sua
grandeza.
JAO - Como aconteceu sua vocação para a Odontologia?
R: Desde criança. Meus pais sempre contavam que eu gostava de examinar os
seus dentes, usando uma colherinha como espelho bucal. São coisas que não
se explicam. Já nasci com esta vocação.
JAO - Tem algum parente na Odontologia?
R: Sim, um tio: Dr. Guilherme Brenk. Quando entrei para a Faculdade de
Odontologia, fui bolsista de uma instituição e quem proporcionou este
estágio foi meu tio. Foi a minha primeira experiência em um consultório
odontológico.
JAO - Qual lembrança lhe vem do tempo de estudante?
R: O tempo acadêmico é marcante. Um período que, quando o estamos vivendo,
talvez não sejamos capazes de entender o quão especial ele é. Somente no
momento da nossa formatura é que percebemos uma porção de coisas. Coisas
boas que vivemos, amizades que conquistamos, aquelas que deixamos de
conquistar, etc. Acho que a melhor lembrança é aquela dos verdadeiros
amigos que conquistamos.
JAO - Quais foram seus mestres inesquecíveis?
R: Meus mestres foram muitos. Cada um deles no seu devido tempo. Na
endodontia, tudo começou para mim com o prof. Altmann Marques Sampaio,
responsável pela disciplina na época professor e amigo, foi quem me
colocou nas mãos do prof. Luciano Loureiro de Melo. A partir deste
momento, começou com o prof. Luciano uma amizade leal e infinita, que se
traduz nos laços fraternos que nos unem. Amigo de muitos caminhos e
jornadas, cujas palavras de força, de fé e de carinho me deram sempre a
certeza de nunca estar só. Em 1979, quando fui fazer meu curso de
especialização em endodontia, em São Paulo, conheci o prof. Hildeberto
Francisco Pesce (Bebeto), que teve um papel importantíssimo na minha
formação, o qual se estendeu até o doutorado. Sua sabedoria científica
orientou minha formação universitária, tornando-se eixo e flecha da minha
evolução. Vieram mestres como o prof. José Gustavo de Paiva que, sempre
que encontrava comigo, pegava-me pela orelha perguntando quando eu iria
para São Paulo fazer o mestrado. A luz do seu exemplo de dedicação,
trabalho e dinamismo, permanece sempre presente, como exemplo edificante.
E foi pelas mãos de outro grande mestre, o prof. João Humberto Antoniazzi,
que o sonho tornou-se realidade. Seu caráter inequívoco, precioso e
paciente me conduz, até hoje, com segurança e sabedoria, pelos caminhos do
saber, fazendo minha admiração crescer e renovar-se a cada dia. Não
poderia deixar de mencionar o papel importante desempenhado na minha vida
universitária pelos profs. Leif Tronstad e Gilberto Debelian da
Universidade de Oslo-Noruega, que abriram as portas do instituto de
Biologia Oral daquela Instituição para a realização de nossa tese de
Doutorado, introduzindo-me assim em sua linha de pesquisa.
JAO - Quando e como começou seu pendor pela especialidade?
R: Quando eu estava no segundo ano do curso, comecei a estagiar na clínica
de um dos mais conceituados profissionais de nossa cidade, o Dr. Rubens
Pinho. Lá fui acompanhar o prof. Cláudio Cezar de Miranda, um dos mais
completos profissionais da nossa Odontologia, que na época era quem fazia
toda a endodontia da Clínica. Foi ele o responsável pelo meu pendor pela
endodontia.
JAO - Que lembra de seu primeiro consultório?
R: O meu primeiro consultório é onde estou até hoje, 25 anos depois. Ele
representa tudo na minha vida profissional. Dos momentos mais difíceis aos
mais alegres, aquelas paredes guardam uma história completa.
JAO - Onde se realiza mais: consultório, ensino ou vida associativa?
R: Em todos. Acho que cada momento é único e temos que aprender a ser
felizes em cada um deles.
JAO - Comente algum fato marcante de sua vida profissional?
R: Vários fatos marcam nossa vida profissional. Desde os mais simples,
como a satisfação de um paciente quando você resolve um quadro álgico
complexo, até o resultado final de um tratamento desafiador, sem deixar de
considerar o quão marcante é a constatação de um fracasso. Mas acho que os
dois momentos mais marcantes da minha vida profissional estão relacionados
com o ensino. O primeiro, a minha defesa de tese de Doutorado na
Universidade de São Paulo. Aquele momento foi muito especial por toda a
trajetória e tudo o que ele representava para mim. O segundo, quando tive
o privilégio de nomear a turma de Odontologia 1998-2001 da Universidade
Federal do Paraná, da qual meu filho Roberto era um dos formandos. As
emoções daquela sessão solene, de poder entregar-lhe o diploma de
Cirurgião-dentista, de vê-lo receber o prêmio Dr. Nilo Cairo e do carinho
recebido por todos os seus colegas, tornaram aquele momento único.
JAO - Qual foi sua maior contribuição para a profissão?
R: Acho que talvez ela ainda esteja por ser realizada.
JAO - Que homenagens foram mais marcantes?
R: A comenda e medalha do mérito endodôntico MARIO BADAN, concedido pela
ABESP, em 1994, e nomear a turma de formandos 1998-2001 da UFPR.
JAO - Tem alguma dica para se fazer sucesso?
R: Todo sucesso tem um custo. Se o sucesso não tivesse um custo, todo
mundo seria um sucesso. Se as conquistas não tivessem um custo, todos
seríamos conquistadores. Se a felicidade não exigisse dedicação, ela
perderia o sentido. Fazer sucesso exige esforço, dedicação, disciplina,
foco, paixão e tantas outras qualidades que devem ser exercitadas em todos
os momentos.
JAO - Quem são seus ídolos?
R: Na Odontologia, os mencionados acima.
JAO - E fora da profissão?
R: Ayrton Senna foi um dos grandes exemplos de determinação e coragem.
JAO - Onde a Odontologia está mais avançada?
R: O grande avanço tecnológico tem propiciado inovações em todas as áreas,
de modo que a Odontologia ainda terá avanços muito significativos.
JAO - Como é ser o editor científico do Jornal Brasileiro de Endo-Pério?
R: Tarefa das mais difíceis. A revista vem crescendo muito, o número de
trabalhos enviados é cada vez maior e, conseqüentemente, o trabalho é
redobrado. Mas a revista conta com um corpo de conselheiros científicos
excelente, que tem realizado um trabalho magnífico e árduo, analisando
cuidadosamente toda a produção científica.
JAO - Comente sobre algum hobby seu.
R: A música é uma grande paixão que resiste à prova do tempo.
JAO - Qual seu esporte favorito?
R: O futebol, embora não o pratique.
JAO - Que mensagem tem para os mais novos?
R: Todos falam das dificuldades da profissão. Mas isto não é
característica apenas da Odontologia. É de todas as profissões. Por
maiores que possam ser as suas dificuldades, nunca desistam dos seus
sonhos. É enfrentando as dificuldades que se fica forte. É superando os
nossos limites que a gente cresce. É resolvendo problemas que se
desenvolve maturidade. É desafiando perigos que descobrimos a coragem.
Arrisque, e você descobrirá como as pessoas crescem quando exigem mais de
si próprias. Nossos sonhos mantêm aceso o fogo sagrado em nossos corações.
E eles são a seiva da vida. Nós envelhecemos, não porque o tempo passa,
mas principalmente porque abandonamos nossos sonhos. Não esqueça que o
sucesso se constrói nos bastidores. Lutem sempre, mesmo sabendo que,
muitas vezes, não se alcançará o resultado esperado. Mas o treino de lutar
gerará forças e nos preparará para a próxima vitória (Roberto Shinyashiki).
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