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DOUTORA FANNY JITOMIRSKI
Precisava de
alguém diferente para celebrar o marco da vigésima entrevista. Por
ser a semana do empreendedor, nada melhor do que uma empreendedora.
Atuante numa Odontologia diferente da habitual, numa área em que não
há saturação, pelo contrário. A Dra. Fanny Jitomirski nasceu em
Montevideu e veio para Curitiba com apenas um mês de idade.
Formou-se em Odontologia na UFPR em 1985. Detectou o primeiro caso
de manifestação bucal da AIDS no Brasil, quando acadêmica e monitora
da disciplina de Semiologia Aplicada. Trabalhou nesta disciplina e
em Diagnóstico Bucal ao lado do Professor Narciso Jose Grein e do
Professor Antonio Tommasi, respectivamente. Especializou-se em
Odontologia em Saúde Coletiva na UFPR quando trabalhava na
Prefeitura de Curitiba. Coordenou o Programa de detecção precoce do
Câncer Bucal na Secretaria Estadual de Saúde por 10 anos e passou a
Coordenar o Programa Estadual de Saúde do Idoso no ano de 1995. Em
2003 o Conselho Federal de Odontologia conferiu-lhe o Diploma de
Especialista em Odontogeriatria, sendo uma das primeiras do Brasil a
receber este título. Atualmente coordena uma rede privada de
atendimento odontológico domiciliar e é responsável técnica por
empresas odontológicas.
Quem a
influenciou a fazer Odontologia?
Fui
influenciada pela minha Mãe – Dra Sara Jitomirski - também Cirurgiã
Dentista, que se formou em Montevideu e revalidou seu diploma aqui
na UFPR.
Onde fez
faculdade e quais as lembranças deste tempo?
Tive
uma oportunidade maravilhosa de encontrar a equipe de Semiologia, na
Federal do Paraná. O professor Narcizo Grein era o chefe, sempre
elegante e entusiasmado, transmitia muito ânimo a todos os alunos. O
Professor Francisco Neves é muito ágil mentalmente e tinha muita
facilidade de obter um ótimo desempenho em situações complexas. O
Professor Edson Tetu é extremamente inteligente e ensinou-me a
ultrapassar os obstáculos burocráticos, pois além de ser um craque
na profissão, ensinou-me questões administrativas muito importantes
que uso até hoje, pois ele era Coordenador de Curso e precisava
sempre trabalhar com estas questões, além de ter uma experiência
prática excepcional. O Professor Iran Vieira também foi um grande
companheiro. Quando conheci o Professor Antonio Tommasi fiquei
impressionada com sua inteligência, conteúdo e perspicácia, por isso
acompanhei-o muitos anos na Disciplina de Diagnóstico, o que me deu
muito embasamento na carreira. Sou muito grata a todos eles.
Além dos
professores que citou teve outras influências em sua carreira?
Na
Faculdade aprendi a fotografar com a Dorit, que me ensinou muito. Eu
acompanhava como auxiliar e tudo que aprendi com ela, uso até hoje.
O Sérgio Gava também me ensinou muito na parte administrativa, que
são valiosos ensinamentos. A nível de Governo de Estado tive um
convite do Moyses Warsawiak, que me concedeu a oportunidade de
Gerenciar o Programa de Detecção Precoce do Câncer Bucal, um
programa ligado ao Inca e ao Ministério da Saúde. Foi uma
oportunidade que me permitiu conhecer outras Secretarias do Brasil e
aprender bastante. Devo muito ao Ex-Secretário de Estado da Saúde
Armando Raggio, que via como negativa a qualidade de ser
extremamente especializada e falou que precisava urgentemente de um
matriciamento. Indicou-me para coordenar o Programa de Atenção à
Saúde do Idoso. Nesta época trabalhei com a primeira dama do Governo
do Estado e com Médicos muito capacitados. Introduzimos a vacina
contra a gripe e o Curso para capacitar cuidadores de idosos,
evitando que os idosos fossem internados em asilos, para que
tivessem uma sobrevida maior e com qualidade. Trabalhei no Estado
com a Dra. Lais Moreira Amarante que coordenou o mais longo Programa
de Bochecho com Flúor no Mundo, uma das pessoas mais íntegras que
conheci até hoje. Trabalhar com o Dr. Vitor Gomes Pinto no SESI foi
uma experiência muito enriquecedora, pois ele é uma pessoa com
pontos de vista diferenciados, sempre trazendo propostas inovadoras
que nos fazem refletir e aprender.
Qual foi sua
primeira conferência?
Foi
durante uma Semana Acadêmica Julio Estrela Moreira. Eu era acadêmica
e nem tinha noção de como eram feitos os slides. Fui orçar na
Colorama mas era caro para mim na época. Conversei com o Professor
de Radiologia Ataliba Moreira, pois estava no quarto período da
Faculdade. Ele levou-me até o consultório dele, fez todos os slides,
revelou, fixou e até pintou com canetinha da época para dar cor. Foi
nesta ocasião que ganhei o prêmio apresentando o primeiro caso de
manifestação bucal de AIDS. Dai para frente vieram muitos convites e
o Professor Narcizo Grein sempre me indicava. Graças a estas
conferências e cursos conheci muita gente.
Quando iniciou
seu trabalho em Odontogeriatria?
Como
minha mãe já tinha uma clínica há anos entrei em um consultório com
muitos clientes idosos. Haviam muitos casos de clientes que adoeciam
e que precisavam atendimento em suas casas e hospitais. Dezenas de
vezes quando acadêmica eu ia carregando maletinha em que ela levava
material para exodontias, confecção e ajuste de próteses totais.
Éramos limitadas em relação a procedimentos por falta de
equipamentos. Há mais de 25 anos tínhamos o sonho de ter
possibilidades de fazer qualquer procedimento que fosse necessário,
e não apenas exodontias e próteses totais. Hoje este sonho tornou-se
realidade não apenas para nós, mas para centenas de Dentistas. (www.dexpress.com.br)
Qual foi seu
caso mais gratificante?
Com
pacientes idosos aprendemos muito. Um caso que surpreendeu a todos
foi o da Dona Armênia, com 109 anos de idade e 19 dentes
absolutamente hígidos e gengiva totalmente saudável. Uma mulher
lúcida e sábia. Tamanha foi a surpresa que levei todos meus alunos
da ABO para vê-la e pedi que aprendessem muito com seus ricos
conselhos. Na Geriatria o profissional mais recebe do que dá, é uma
área maravilhosa. Aprendemos também muito com a equipe
multidisciplinar com quem somos obrigados a trabalhar e trocar
idéias. Trabalhamos com Médicos, Fisioterapeutas, Fonoaudiólogos,
Enfermeiros e Nutricionistas. Saimos das quatro paredes tradicionais
que envolvem os Dentistas em sua rotina diária.
Qual foi o
marketing que usou para começar?
Foi
natural no início conceder entrevistas em jornais e televisão e isto
acabou atraindo muita clientela. Por haver dado muitos cursos, os
colegas encaminham sempre casos de diagnóstico e odontogeriatria.
Com certeza acompanho e leio os livros de Marketing do Ribeiro, que
é craque nesta área e sempre traz novidades. Marketing é sempre
positivo para atrair clientes. Hoje em dia percebo que o simples
fato de entrar em um Hospital com um Consultório Portátil traz
muitos clientes, pois a medida que vamos nos aproximando do quarto
em que vamos fazer o atendimento, as pessoas vão conversando conosco
e pedindo cartão de visitas para contato. Até os próprios Médicos do
hospital tem parentes ou pessoas próximas que necessitam deste tipo
de atendimento e assim vamos conquistando as pessoas em nosso dia a
dia de trabalho.
Quem é seu maior
ídolo na Odontologia?
Com
certeza minha grande parceira, dotada de muita capacidade e bom
senso excepcional é minha mãe - Dra Sara. Com relação ao Professor
Tommasi nunca conheci alguém dotado de tanta sabedoria e sinto falta
do convívio com ele até hoje. Sou cria do Professor Narciso Grein e
me orgulho muito disto. O Professor Vitor Gomes Pinto com quem tive
a honra de trabalhar é também um grande ídolo e sou sua fã.
Quem fez mais
pela classe nestes anos todos?
Acompanhei a luta do Professor Roberto Eluard da Veiga Cavalli, que
presidiu a ABO-PR, trabalhou muito no Conselho Federal de
Odontologia. Ele é um grande lutador e merece nossos aplausos por
muito dos avanços obtidos. O Professor Silvio Gevaerd que
infelizmente não mais está entre nós, também foi um grande lutador
pelos avanços.
Qual seu
periódico e livro preferido na profissão?
Em
relação a periódicos desde a época de faculdade auxiliava a
bibliotecária Vera a traduzir os artigos para fazer resumos que ela
precisava indexar. Tomei gosto pelo Journal of American Dental
Association, onde dava sugestões e trocava idéias com os Editores.
Conheço-os há duas décadas e por este motivo me convidaram a trazer
para o Brasil materiais deles para pacientes em português, com boa
aceitação (www.adadistribuidorbrasil.com.br).
O Journal of Oral Medicine, Oral Surgery, Oral Pathology é muito
rico e acrescentou muito em meu conteúdo. Em relação a livros não me
canso de consultar quase todos os dias o “Diagnóstico em Patologia
Bucal” de Antonio Tommasi e os livros de Vitor Gomes Pinto, que
indico para todos os Cirurgiões Dentistas que trabalham em serviço
público.
Como está vendo
o presente momento da Odontologia?
A
Odontologia passa por um processo de socialização. O serviço público
aumentou de forma qualitativa e quantitativa graças aos esforços de
cada Cirurgião Dentista e equipes que coordenam os 5.575 Municípios
do Brasil. Com certeza o Dr. Gilberto Pucca do Ministério da Saúde
tem um grande mérito por haver mostrado a necessidade aos Prefeitos
do Brasil de investir em programas nesta área. A Saúde Pública tem
espaço para a contratação de novos profissionais. Em relação ao
setor privado a situação não é boa para quem não se diferenciou,
pois é necessário trabalhar com foco específico. Ainda há bastante
espaço para quem tem conhecimento e sabe se colocar em posição
estratégica.
Qual caminho vê
como mais indicado para a profissão?
Quando vou a hospitais vejo que a saúde bucal dos pacientes é
negligenciada. Não é algo proposital, é realmente pela falta de
profissionais que conheçam algo sobre o assunto. A Odontologia
Hospitalar vai crescer muito, principalmente na área que se dedica a
Cardiologia, Diabetes, Geriatria e Demências. O campo da
Odontogeriatria é muito grande, principalmente na área domiciliar e
atendimento a instituições. Pacientes Especiais também estão
recebendo maior atenção nesta área. Atendimento em locais remotos
tem excelente aceitação. Por exemplo, conheço casos em que colegas
oferecem atendimento em zona de garimpo ou fazendas afastadas e
estão muito satisfeitos. Tenho amigos que trabalham dentro de
plataformas petrolíferas, o que é um trabalho fascinante, além de
ter um reconhecimento financeiro pelo diferencial.
A que atribui seu sucesso profissional?
Ao fato de aprender com todas as pessoas,
independente do cargo que ocupem. Estar aberto a oportunidades e
saber reconhecê-las bem como valorizar a todos que o cercam é muito
importante, pois a vida é um aprendizado constante. Como está
escrito numa placa no Museu Thomas Edson, em Nova York: “Minha vida
foi 1 % de inspiração e 99% de perspiração”. Acho difícil conseguir
conquistas sem árduo trabalho. Sem o apoio de meu dedicado marido
Jose Aker e de meu filho Ariel, não conseguiria chegar até aqui.
Como espera ser
o futuro da profissão?
Para
os que se diferenciarem e trabalharem com planejamento direcionado,
vejo muito sucesso. Profissionais que se especializarem nos campos
em que há carência como distúrbios de saliva, atendimento domiciliar
e hospitalar, terão seu espaço garantido. Oferecer serviços de
urgência odontológica para cooperativas médicas é um grande
diferencial. Montar cursos para cuidadores de idosos em parceria com
outros profissionais de outras áreas, tem mercado garantido. Acabar
com a idéia de montar consultórios isolados e integrar-se em centos
de atendimento a idosos, adolescentes, sindicatos profissionais, tem
muito espaço ainda.
Deixe uma
sugestão para os mais novos.
Procurem estudar bastante. A cada novo caso revisem os livros e
artigos sobre o assunto. Isso vai dando muito embasamento ao longo
dos anos. Ganhar dinheiro não pode ser objetivo de uma profissão, é
apenas uma consequência do trabalho. Trabalhar com ética, humildade
e honestidade é fundamental no dia a dia da profissão.
A palavra é sua
para considerações finais
Sou
muito grata à Odontologia porque graças a esta profissão tenho uma
vida muito feliz. Graças a esta entrevista com você Ribeiro, tive a
oportunidade de refletir sobre a minha vida e minha profissão, por
isto desde já meu sincero agradecimento por esta oportunidade tão
valiosa. Sou uma pessoa temente a Deus e acho que tudo na vida
precisa de uma bênção e sou muita grata por tudo que recebi.
Que perguntas
gostaria de fazer ao entrevistador?
Por
que veio para Curitiba?
Casei-me com uma
Cirurgiã Dentista daqui e depois que terminou o relacionamento,
gostava tanto da cidade, que resolvi ficar.
Qual
o segredo do sucesso de seus cursos?
Tenho paixão
pelos temas que abordo: marketing, motivação, sucesso profissional e
agora pela gestão.
O que
mais lhe dá prazer em suas viagens para ministrar cursos?
Conviver com
pessoas diferentes, além de conhecer lugares novos e participar da
vida de outras regiões e culturas.
O
Cirurgião Dentista brasileiro lê muito? Refiro-me a literatura
leiga.
Muito.
Infelizmente muito... pouco, na sua maioria. Sinto isso ao receber
vinte a trinta e-mails todos os dias.
Na
sua opinião, quem é o grande expert do Marketing?
O papa do
marketing chama-se Phillip Kotler, que embora em idade avançada, vem
bastante ao Brasil, ministrar palestras.
Antônio Inácio
Ribeiro
ribeiro@odontex.com.br
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