ODONTO ENTREVISTA Nº 48

Reconhecimento ao CD de Sucesso!

 

 

Cartum - Dentista  FÁBIO SILVA

 

 

 

Nosso entrevistado vive na cidade de Bragança     Paulista, São Paulo, desde seu nascimento em 1972. Além de exercer a profissão de Odontólogo, é cartunista e carrega na bagagem quatro prêmios internacionais; tendo sido o único cartunista brasileiro a ganhar dois primeiros lugares em competições internacionais no ano de 2005. Fez as ilustrações dos meus livros Odonto Causos e o Gestão. É editor do blog “Cartunísticas” e principal responsável pelo estúdio de cartum, o FGStudio.

 

Quem o influenciou a fazer Odontologia?

 

Durante a infância, gostava de frequentar meus Dentistas, mas para ler os gibis na sala de espera (risos). Na Dra. Marly era a “Turma da Mônica” do Maurício de Souza e no Dr. Lamartine Cintra, um exemplar de “TinTin, Pisando a lua” de Hergé; isso foi o chamariz aos consultórios. Daí, conhecendo o caráter e o carinho desses dois grandes profissionais, foi fácil apaixonar-me pela profissão, mas não fui um garoto que vivia dizendo: Serei Dentista! Aprendi a amá-la!

 

 

E o cartum? Não pensava em fazer algo mais diretamente ligado a ele?

Esse paradoxo me perseguiu uma boa parte da vida, inclusive durante a faculdade. Eu tinha enviado aos estúdios Maurício de Souza alguns desenhos pedindo orientações para a carreira e também à Folha de São Paulo, num concurso que a Folha promove para revelar novos talentos, pois eram minhas leituras favoritas (Na Folha tinha o Glauco, o Laerte , o Angeli, sem falar de Hagar do Dick Brownie e outros...) mas não tive sucesso. Daí decidi procurar publicação independente e estava tudo certo para lançar um jornal no qual praticamente sairia uma página só dos meus cartuns e personagens, mas também caiu por terra por falta de verba, e a partir deste momento decidi que deveria procurar um trabalho por afinidade e necessidade. Como a Odontologia é uma profissão muito abrangente, inclusive artisticamente, decidi encarar esse desafio e hoje, sinto-me muito feliz por isso!

 

Onde fez a faculdade e quais suas lembranças desse tempo? Fez muitos cartuns nesse período?

Fiz aqui em Bragança, na USF de 1989 à 1994. São ótimas, pois conheci muita gente bacana e que influenciou muito minha vida. Aprendi muito.  Como eu disse, enfrentei muito essa dualidade: ser um Cirurgião Dentista e ser um cartunista, por isso, sofri um bocado. Eu achava que não poderia desenhar, que tinha que me posicionar como um cuidador da saúde bucal, sisudo e competente, como era meu querido amigo Dr. Lamartine, na minha visão...

O interessante, é o inconsciente do homem, eu procurava me desligar de gibis, animações e afins, não assistia nem desenho animado, mas me pegava rabiscando nos livros, cadernos, lousas... Uma vez, fiz caricatura de metade da minha classe na lousa. Um colega nosso de Santos, Dr. Cláudio, se aproximou e disse: O que você está fazendo aqui? – Se soubesse como me perguntei isso várias vezes! Minha verdade hoje é: “O humor cura!” Se eu soubesse disso naquela época, tinha curtido bem mais a Odontologia e o cartum!

 

 

Nunca pensou em desistir?

Depois de dar o mel pra abelha? A Odontologia é cativante, desafiadora e maravilhosa, tem seus percalços como tudo em nossa vida, mas daí a desistir, não! O que fiz foi reencontrar-me com o cartum! Tem um médico no Sul do Brasil, que simplesmente é um dos cartunistas mais premiados do mundo, o Ronaldo Cunha Dias além de, pelo mundo existirem vários profissionais de saúde que também são cartunistas, então hoje eu me declaro cartunista sem medo de ser feliz! (risos)

 

Como foi seu início na profissão?

Recebi muito apoio, tive a felicidade de passar logo de cara num concurso público, que aliviou muito minha despesa, e tive apoio da minha família, pois somos muito unidos. Aí comecei minha história lá na rua Dom Aguirre, que já abrigava profissionais de alto calibre e que muito me ajudaram, em um  consultório próprio.

 

Lembra quem foi seu primeiro paciente?

Certamente! Na universidade minha estimada colega Dra. Patrícia Marcondes, quando o explorador t-t-tremia para inspecionar seus molares (risos) e no consultório, Dona Angelina Salaroli (irmã da querida Dona Maria Salaroli, funcionária da Faculdade de Odontologia, na época!) Duas pessoas maravilhosas!

 

 

E quando o cartum retornou a sua vida?

Havia publicado algum material nos jornais aqui de Bragança, feito algumas ilustrações, mas como disse, durante a faculdade, deixei tudo de lado, só produzia pra satisfazer minha natureza, e arte a gente faz pras pessoas, não pra si... A arte é um agente de formação de uma idéia, que deve levar as pessoas a um questionamento, uma introspecção. Assim, quando recebi um prospecto do salão de humor de Piracicaba, em 1998, decidi arregaçar as mangas e tentar novamente, tendo neste salão um trabalho selecionado. Eram quatro pranchas de quadrinhos: “O Patinho Lindo” uma antítese à fábula de Andersen, nessa um patinho sofre por ser o mais lindo da ninhada! Nessa época a internet já fazia parte do meu cotidiano, e com o computador, pude produzir e divulgar melhor meu trabalho!

 

Qual foi o seu caso mais difícil?

Sempre aqueles que exigiam mais vivência que teoria! Aprendi a respeitar os pacientes, e encarar cada caso como o mais difícil! Intercorrências só tem quem põe a mão na massa! O mais importante é aprender com as dificuldades, ter humildade para pedir socorro e enfrentá-las!

 

Um caso que tenha sido o mais gratificante?

 

Foram vários! E essa é uma das razões pelas quais sou muito grato e feliz por ter abraçado a Odontologia! Já na faculdade, restaurei os incisivos superiores de uma garotinha de 8 anos, que tinha fraturado-os na escola, no dia seguinte, antes da clínica, ela veio até mim, me abraçou e me deu um beijo agradecido. Bom, nem preciso dizer que fiquei vermelho, mas muito emocionado.

 

 

É mais fácil fazer cartum?

O cartum eu fazia desde que me conheço por gente. É mais natural, mas bons cartuns com certeza não são fáceis de se fazer! Exigem também muita vivência, principalmente charges que retratam momentos políticos, tem que ter tino, senão é exatamente o contrário de provocar uma idéia! Se você não tem uma visão política, que seja, legal, você produz trabalhos parecidos, você veste uma idéia! Eu acredito que não é esse o caminho! Fazer um cartum pra agradar é fácil! Curto muito uma frase do Angeli, em que ele diz que a charge é pra destruir e não pra construir! Lógico, ele referia-se a idéias! Será?!! (Risos)

 

Você ilustrou o Odonto Causos, mas não colaborou com nenhum caso pitoresco, lembra de algum que tenha lhe acontecido?

Acho que todos nós Cirurgiões Dentistas temos Odonto Causos, e como eles se parecem! Aquela que a paciente senta no mocho é muito comum, mas eu me lembro de umas bem engraçadas também! Achei engraçado um rapaz que foi ao consultório com dor, pedi a secretária que o trouxesse ao gabinete para examiná-lo e ela não voltava. Quando fui até a recepção, ele estava segurando os batentes da porta e não arredava pé!

 

 

Quais foram os seus maiores momentos na Odontologia?

O maior momento da minha vida foi o nascimento do meu filho, que aconteceu durante o curso de implantes do querido Professor José Tortorelli.

 

Quais foram os seus maiores ou melhores momentos no cartum?

Tive a felicidade de ter vários, e espero ter muitos outros, dentre eles as premiações e participação nos salões! Mas o melhor de tudo é conhecer várias feras do traço, quer por Internet ou pessoalmente!

 

Qual foi o marketing que usou para começar? Usou o cartum?

Ah! Sim! Fazia desenhos para orientar as crianças e me comunicar com elas, mas não como hoje, que o cartum é um instrumento de trabalho tanto no consultório quanto em qualquer outra situação. Na época era só um temperinho, hoje é o prato principal! Um grande amigo médico, Dr. Gérson Canella sempre repetia pra mim “Use o seu cartum, Fábio!” Ele foi cêdo desse mundo, mas marcou muito minha vida! Um grande abraço Sérgio!

 

Quer dizer que uniu o útil ao agradável?

Em suma, sim! Desenvolvemos material para o consultório praticamente personalizado e inédito. Como trato o meu estúdio de cartum com muita disciplina e respeito, ele funciona como um laboratório de apoio, mas no cartum!  Risos!  Supre nossa demanda visual, pois tenho parceiros em quase todas as áreas: edição de vídeo, 3D, fotografia, gráfica, animação, entre outras...

 

Tem algum parente Cirurgião Dentista?

Sim! Meu irmão Márcio, minha prima Kátia e meu cunhado Marcelo!

 

E cartunistas?

O Márcio desenhava, mas não se dedicou a isso!

 

Quem é seu maior ídolo na Odontologia?

Todos que conheci e fizeram parte da minha vida! Em especial o Dr. Lamartine Cintra, a  Dra. Marly Galvão, o Dr. José Tortorelli e o Dr. José Cássio Magalhães.

 

E no cartum?

Puxa é uma lista tão grande quanto a última! Henfil, Ziraldo, Hergé, Quino, Loredano, Uderzo, Glauco, Moacir Torres, Canini,  Hanna & Barbera, Crepax, puxa... muita gente mesmo! Deixo um espaço super reservado  para o cartum do Jules Feiffer, as caricaturas de Loredano e os quadrinhos do Henfil!

 

Quem são os seus grandes amigos na profissão?

Em especial a galera do consultório: meu irmão, as Dras. Adrianas, nossa fono e a nossa fisioterapeuta, Carla e a Cris e nossa secretária Maria Lucy! Meus irmãos de coração Gustavo e Bel Valsani, minha turma (que sempre dou furo nas reuniões, mas moram no meu coração), meus colegas da Secretaria de Saúde da Prefeitura, o pessoal da turma de implante do Prof. Tortorelli e todos os que conheci nessa jornada, desde a faculdade.

 

E quem fez mais pela classe nestes anos todos?

Aqui em Bragança, o Dr. Francisco Valle, a Dra. Marly, Dr. Gilmar, Dr. Marco Antônio e na Prefeitura o Dr. Lucas e Dr. Luís Fernando! Mas sem sombra de dúvida, quem faz mais pela classe sempre será a própria classe, unida em busca de melhores condições de trabalho e valorização da nossa categoria.

 

Qual seu livro ou autor preferido na profissão?

Histologia Dental Avançada de Ten Cate é uma ótima leitura, entre outros vários! Ortodontia e Cirurgia Ortognática do Gregoret e Implantologia do Carl Mish!

 

E no cartum?

Durante muito tempo eu li muito Calvin e Haroldo, Bill Waterson!

Hoje em dia, o Odontocausos! Risos!

 

Qual a revista odontológica que mais gosta de ler?

Tenho lido a Implant News!

 

Como está vendo o presente momento na Odontologia?

 

 

Acho que existem várias realidades no Brasil e cada uma delas exige uma adaptação da Odontologia, o que não pode acontecer é depreciar a profissão e agredir seus princípios biológicos e éticos. Você pode fazer um tratamento decente num local de dificuldades estruturais se você respeitar esses limites. No geral acho que a Odontologia carece de mais representantes nos meios políticos, e que eles recebam apoio da nossa classe, quem fará por nós seremos nós mesmos!

 

 

Qual caminho vê como mais indicado para a profissão?

Ah! Sair do consultório, mesmo!  Pra quem me conhece sabe que é um “Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”, mas admito aqui meu erro, e que sirva de exemplo às avessas, pois sou um ermitão no consultório. Acho que é a minha predileção pelo anti-herói... (risos). Enfim, a Odontologia tem que ter mais representatividade nos meios políticos mesmo, mostrar pra administração do país que todos ganham com uma Odontologia bem suportada, valorizada e solicitada.

 

E no cartum? Podemos esperar algumas surpresas?

Com certeza sim! O cartum faz parte da minha vida como a Odontologia, e espero mostrar cada vez mais meu trabalho! Sempre sonhei com Bragança Paulista sediando um evento de humor, como um salão próprio! O benefício para a cidade e para a população é enorme, desde que seja um trabalho sério e que tenha respaldo da administração! O cartum e a animação são agentes de culturas, de formação educacional, além de possibilitarem a instalação de um setor de serviços e gerador de renda!

 

Qual foi seu último trabalho?

Está sendo, será lançado ainda este ano, um conto de fadas, “Ariela e o Vale da Cachoeira Nebulosa” do Psicólogo Norte-americano Ronald Janesh. O Ronald é apaixonado pelo Brasil e esteve conosco alguns anos atrás, quando visitou Bragança e Jundiaí, onde baseou-se para ambientar esta fábula que trata da vocação de uma garotinha para vencer os obstáculos e mudar o mundo a sua volta! Antes dele, ilustrei o “Gestão de Negócios na Área de Saúde”. Conhece o autor?! Risos!

 

Para conhecer seu trabalho, hoje, qual é o melhor caminho?

Sem dúvida a internet! Mantenho um blog na Uol, o Cartunísticas. Lá tem bastante material inédito, sem falar que mantenho uma lista de emails para envio da newsletter Cartunísticas, no qual envio cartuns, caricaturas e afins por e-mail!  Tenho tido também a oportunidade de publicar na Pharaos Magazine, uma revista egípcia de cartuns da FECO (Federação de Cartunistas do Egito). Pode ser baixada diretamente da internet também no endereço a seguir: http://www.pharaohs.effatcartoon.com/issues.htm

 

A que atribui o seu sucesso profissional?

Bem, estou trabalhando com Odontologia há quinze anos, considero-me muito feliz com o que conquistei, mas tenho muito chão pela frente e espero sentir-me muito mais feliz no futuro, assim como no cartum e na vida!

 

Que pergunta gostaria de fazer ao entrevistador?

Não é uma pergunta, é um agradecimento por ceder este espaço tão importante e precioso, no qual existem milhares de pessoas mais indicadas para deixar algumas palavras aqui. Agradeço de coração seu apoio e parabenizo-te também pelo entusiasmo com que trata a Odontologia.

 

 

“Todo Dentista é um artista,

mas nem todo artista

é um cartunista!”

FGS

 

 

 

Fábio, você é Dentista, Artista e Cartunista, além de Implantodontista, por isso a escolha para a entrevista. Além de boa gente! Que é o mais importante. Teu sucesso só será maior. Para receber o cartunísticas por e-mail, é só enviar seu e-mail com o assunto: Cartunísticas para fgstudio@gmail.com ou pedir diretamente pelo messenger em  drfgs@hotmail.com

 

 

 

RECONHECENDO QUEM FAZ A ODONTOLOGIA MAIOR E MELHOR!

 

Antônio Inácio Ribeiro     ribeiro@odontex.com.br

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