DR. CLEBER BIDEGAIN PEREIRA
O
entrevistado de hoje é de Uruguaiana, RS, fronteira com a Argentina
e o conheço desde que comecei, porque ele é do tempo em que só
haviam dez autores brasileiros na Odontologia, dos quais cinco
gaúchos: Azzi, Cauduro, Cusato, Hebling e o nosso entrevistado. Foi
um dos primeiros a usar os computadores na Odontologia e hoje
membro das Academias Gaúcha e Brasileira de Odontologia, é o
responsável pelo site desta, tratando de modernizar sua imagem.
Quem o influenciou
a fazer Odontologia?
Desde cedo me dei conta que tinha habilidade
manual e aos quinze anos, me encantei com a prótese, iniciando a
trabalhar como protético.
Onde fez e quais
suas lembranças do tempo de faculdade?
Minha faculdade foi em Pelotas, pertencente a
UFGRS. Tenho as melhores lembranças. Ao terminar o científico, a
paixão era tanta que casei com minha amada Hilde, com a qual vivi 61
anos de amor e companheirismo. Fizemos o vestibular em plena "lua
de mel" e cursamos juntos a Faculdade. Foi um tempo muito bom.
Como foi seu início
na profissão?
Hilde e eu nos formamos em dezembro de 1952 e em
janeiro de 1953 já estávamos trabalhando. Meu pai havia alugado um
bom local para nós.
Qual a marca do seu
primeiro equipamento?
Atlante C. Hilde dedicou-se a Odontopediatria
e comprou mais outro para ela, com a cadeira própria para atender
crianças. Foi a primeira série que saiu no Brasil. Nosso
consultório foi comprado em agosto de 1952, antes de nos formarmos.
O representante da Atlante era Savio Capelosi, com quem depois
consolidamos linda amizade até o final de sua vida.
Lembra quem foi seu
primeiro paciente?
Sim!!! Perfeitamente. Meu primeiro paciente foi
Gilberto Oscar Miranda Schimit. Ele era namorado de uma amiga, que
era cunhada de meu irmão. Esta também foi uma linda amizade. Meus
primeiros clientes foram amigos de infância, bem como amigos de meu
pai.
Qual foi o seu
atendimento mais difícil?
Tenho bem na memória a extração de um molar em
que fraturou a raiz e deveria estar anquilosado. Eu não tinha
recursos de cirurgia e tive que trabalhar quatro horas para extrair.
E um que tenha sido
o mais gratificante?
Difícil precisar. Tenho sempre na memória uma
das primeiras vitórias, foram trabalhos de restaurações em amálgama
feitas pela minha amada Hilde, nos anos 50, em duas meninas
argentinas. Elas foram examinadas para atestado escolar e o colega
argentino classificou as obturações como "imejorables". Estes
pacientes estão ainda hoje em nosso consultório. Fazem mais de 50
anos...
Também lembro com orgulho alguns trabalhos de cirurgia
ortognata, feitos em conjunto com a Dra. Edela Puricelli, com os
quais tivemos os primeiros magníficos resultados. Também um caso de
Incisivo Central dilacerado por traumatismo, que junto com a Dra.
Edela, conseguimos salvar e este caso foi acompanhado por 20 anos.
Sabe o nome do seu
primeiro protético?
Meu primeiro protético fui eu mesmo... Fiz meus trabalhos
protéticos por muitos anos. Depois ensinei um amigo, Hernani
Molina, que veio a ser meu primeiro protético.
E da sua primeira
atendente / auxiliar?
Chamava-se Lila, era uma jovem viúva, contra parente, que nos serviu
com lealdade por muitos anos.
Qual foi o
marketing que usou para começar?
Não
se falava em marketing em 1952. Sempre procuramos, Hilde e eu, fazer
os trabalhos o melhor que podíamos. Procuramos aprender e ensinar
tudo que nos foi possível. Nos dois primeiros anos moramos na casa
de meus pais. Todo o dinheiro que ganhávamos era economizado. Assim
juntamos dinheiro para ir aos EUA aprimorar nossos conhecimentos,
onde ficamos por quase dois anos. Acredito que este foi um bom
início.
Tem algum filho ou
parente Cirurgião Dentista?
Muitos, um tio, irmão de meu pai. E, pelo lado da Hilde, tínhamos
sua mãe, o pai, tios e sobrinhos. Agora tenho duas filhas que
trabalham comigo. Houve um tempo em que trabalhamos os quatro juntos.
Quem é seu maior
ídolo na Odontologia?
Sebastião Interlandi.
E quem fez mais
pela classe nestes anos todos?
Jairo Corrêa.
Como está vendo o
presente momento na Odontologia?
Passou a época áurea da Odontologia, quando os bons trabalhos eram
mais valorizados. Hoje são poucos os pacientes que não procuram o
menor preço. É dez reais a hora de um Cirurgião Dentista.
Qual é a causa
desta situação enfrentada hoje?
A oferta de Odontólogos aumentou e com isto a competitividade.
Que solução vê para a profissão?
União e
entendimento.
Deixe uma sugestão para os mais
novos:
Quando avaliar o trabalho de um colega seja generoso no elogio e
comedido na crítica.
Mestre,
foi um privilégio esta entrevista e uma alegria por poder reconhecer
um dos primeiros autores da Odontologia nacional, conterrâneo e
comtemporâneo. Orgulho também por ter sido um dos primeiros a ter
seu livro publicado no exterior, em espanhol. Que seu trabalho nas
Academias seja eterno, como sua amizade e obra. Como ele é bom de
retorno nos e-mails, deixo-o para os amigos que quiserem matar as
saudades:
cleber@cleber.com.br