ODONTO ENTREVISTA Nº 05

Conhecendo e reconhecendo

 

PROFº. DR. CESAR ARITA

Gênio, generoso e gentleman. Este é o meu amigo GEN. Vocês logo saberão porque. Mestre e Doutor em reabilitação oral pela Universidade de São Paulo - Faculdade de Ribeirão Preto; especialista em prótese dentária; especialista em desordem temporomandibular e dor orofacial; diretor científico da Sociedade Brasileira de Reabilitação Oral - SBRO; coordenador do curso de especialização em dentística da Associação Odontológica de Ribeirão Preto - AORP; coordenador dos cursos de aperfeiçoamento profissional em implantes e reabilitação oral.

Quem o influenciou a fazer Odontologia?
Creio que a maior influência foi dentro de casa, pois meus pais Bem Hur e Teruko Mukai Arita são Cirurgiões Dentistas em minha cidade natal, Marília, interior de São Paulo e de meu professor de química no colegial, o também CD Francisco Chaves de Moraes Filho, o Moraes, que havia se graduado na USP de Ribeirão Preto.

Onde fez e quais suas lembranças do tempo de faculdade?
Graduei-me na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo em 1988. Minhas lembranças deste tempo são dos primeiros amigos que fiz ao chegar na nova cidade e de cada etapa que passei em minha graduação e pós-graduação. Se considerar que já se passaram 25 anos, ainda consigo lembrar de cada etapa e de como fui me formando ao longo deste tempo de graduação e pós-graduação. Mantenho contato com muitos amigos desta época até hoje, muitos deles meus parceiros de cursos e congressos.

Como foi seu início na profissão?
Como já lhe contei em conversa pessoal quando você esteve em RP, para um curso nos 60 anos da AORP, meu pai Bem Hur me aconselhou a seguir os estudos de pós-graduação para depois optar se voltaria para minha casa (com uma base mais sólida) ou se escolheria um novo local para morar e fazer carreira. Creio que foi o melhor conselho que recebi (entre outros legais) de meu pai, pois isto foi fonte de auto confiança que todo recém formado deve ter no início de sua profissão. Fiz residência em prótese dentária no programa de aprimoramento da FORP-USP em período integral por dois anos e trabalhava à noite duas vezes por semana em um consultório de um colega, Prof. Plauto Watanabe, em sistema de porcentagem. Ao terminar a residência, optei pelo não-óbvio, que foi ficar em Ribeirão Preto ao invés de voltar para o conforto de casa e da estrutura de meu pai em Marília. Fui aprovado na prova de mestrado e, logo em seguida, fui convidado pelo Prof. Dr. Cléber Geraldo Gentil a seguir carreira docente no departamento de Fisiologia, no qual trabalhei com eletromiografia em pacientes com DTM (na época chamava-se pacientes com problemas de oclusão).  Tive grandes orientadores nesta fase - Geraldo Maia Campos, Lúcio Celso Gosuen, César Bataglion e Luiz de Jesus Nunes - que, cada um em uma fase, me direcionaram aos estudos do sistema estomatognático e oclusão tanto no mestrado como no doutorado, quando trabalhei com o Prof. Mathias Vitti, um dos precursores da eletromiografia no Brasil. Pude ir a Seattle e fazer um curso de aprimoramento com Robert Jankelson e montar em minha clínica um laboratório de eletromiografia e eletrognatografia com o aparelho K6-I da Myotronics. Como não existe acaso, creio que estes esforços foram rapidamente recompensados já que dez anos depois, em 2001, foi reconhecida a especialidade de desordem temporomandibular e dor orofacial, quando pude, através de histórico e atuação, ser reconhecido como um dos primeiros especialistas nesta então recém criada especialidade.

Qual a marca do seu primeiro equipamento?
Kavo - Modulmatic, que tenho até hoje. O mais curioso foi que eu o ganhei quando fiz 18 anos (quando cursava o primeiro ano da faculdade) – era 1985 e a inflação estava aquela loucura. Meu pai, sabiamente, aproveitou uma oportunidade ímpar de comprar este equipo, que era um dos top de linha da época e me presenteou no lugar do esperado "carrão" (todo estudante da época tinha como sonho de consumo ter o seu carro na faculdade), que tive que esperar mais um ano (risos). Você pode imaginar minha cara, não? Mas, como todo bom oriental, acatei o conselho (ou consolo - risos) do meu pai que dizia que com este equipo teria oportunidade (mais tarde) de comprar muito mais coisas além do carro que tanto queria naquele momento. Pasme, Ribeiro, mais uma vez, o tempo me mostrou que meu pai tinha razão.

Lembra quem foi seu primeiro paciente?
Meu amigo e compadre Sérgio Akira Uyemura - atualmente professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto e na época aluno do curso de Farmácia e amigo de faculdade. Como todo recém formado, atender amigos e parentes é regra básica.

Qual foi o seu atendimento mais difícil?
Pulpite aguda neste mesmo amigo.

E um que tenha sido mais gratificante?
O mesmo das duas últimas respostas e, na semana passada, um implante no meu cunhado Sérgio Luiz Falha. Também tem uma paciente que me acompanha desde recém formado, meu primeiro caso de reabilitação oral pós-DTM, Maria Célia Marques, por quem tenho gratidão e carinho.

Sabe o nome de seu primeiro protético?
Luiz Carlos Natalício, que trabalhou com meu pai por quase 20 anos.

E da sua primeira atendente/auxiliar?
Patrícia Silva.

Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório?
Caso de moldagem mandibular (que sempre cito em aula de moldagem) com silicone de adição em moldeira metálica. Eu não conseguia sacar a moldagem e "bateu" desespero, primeiro em mim e, vendo minha cara, no paciente. Pensei em até cortar a moldeira, mas acabei conseguindo (depois de vários momentos de meditação - risos) sacar a moldagem.

Qual foi o marketing que usou para começar?
Tentei, logo que formei, me posicionar junto aos colegas como um profissional que se dedicava à oclusão. Usava no meu cartão de visita, os termos Reabilitação Oral - Oclusão/ATM. Era o ano de 1989 e teorias a respeito de oclusão eram motivos de muitas dúvidas e discussão. Procurei, desde o segundo ano de faculdade (1986), estudar bastante sobre o assunto - fui monitor da disciplina recém criada pelo Dr. Luiz de Jesus Nunes em nossa escola e lá fui orientado pelo então jovem professor César Bataglion, hoje meu amigo. Até hoje, além da parte de implantes e estética, sou convidado para conferências nesta área e indicado por colegas para encaminhamento de pacientes.

Tem algum filho ou parente Cirurgião-Dentista?
Sou casado com Camila Cinto Arita, Cirurgiã Dentista que trabalha com ortodontia. Temos um filhinho, o Augusto, que neste domingo, dia dos pais, completou dois aninhos. Ficaria muito feliz, se no futuro, ele quiser ser Dentista. Mas isso ele é quem vai decidir. Meu irmão Ben Hur Arita Jr. é Dentista em Marília, junto com meu pai, Bem Hur Arita e minha mãe, Teruko Mukai Arita. Tenho vários primos por parte de pai e de mãe que são Dentistas: Liliana, Harumi e Sérgio.

Quem é seu maior ídolo da Odontologia?
Waldyr Janson, na Odontologia nacional e Marvin Rosenberg, na Odontologia internacional.

E quem fez mais pela classe nestes anos todos?
Creio que todos tem sua história em prol de nossa classe, cada um de sua maneira. Muitos são sempre lembrados e com méritos, mas gostaria de citar meu padrinho (já falecido) Mário Alberto Consentino e, na região da Alta Mogiana, meu companheiro de AORP, Ernani Bezerra da Silva.

Como está sendo o presente momento da Odontologia?
Como um divisor de águas. Estamos partindo para uma maioridade e para um maior profissionalismo das pessoas que nela atuam. Eu acredito na Odontologia, como uma profissão digna e humana e que já tem seu espaço e respeito junto à população. É uma época de incertezas, mas amigo Ribeiro, em qual época se pode dizer, que alguém tinha certeza do futuro? Devemos continuar investindo na profissão, pois estou seguro que é a única forma de nela prosperar. Tenho certeza de que logo navegaremos em águas calmas.

Que solução vê para a profissão?
Reforço e estímulo aos valores básicos de ética e respeito pela profissão. Devemos sempre nos posicionar como Dentistas, termos orgulho de sermos Dentistas e termos cara de Dentistas. Nada contra quem investe em outros ramos, mas devemos investir mais na Odontologia.

A que atribui o seu sucesso profissional?
Parte à dedicação e investimento no lado técnico e científico. Outra parte ao maior patrimônio que prezo em nossa profissão: a ampla rede de relacionamentos e amizades, conquistada ao longo de 25 anos (graduação e tempo de formado). Posso dizer, sem nenhuma dúvida, que tenho muitos amigos; a maioria deles pela Odontologia e sou imensamente grato por isso.

Como espera ser o seu futuro?
Abrindo e completando ciclos, renovando conceitos, quebrando paradigmas e, claro, ajudando os que vem vindo, a encurtar caminhos.

Deixe uma sugestão para os mais novos.
A Odontologia precisa de excelentes profissionais, gente com paixão, que queira ir além. Concordo plenamente com Roberto Shiniyashiki que diz que o sucesso é construído durante a noite, quando os outros estão dormindo, na balada ou tomando cerveja. Faça algo mais além da média, ou seja, procure estar acima dela. Mas o mais importante, procure sempre ser feliz.

 Ribeiro, obrigado por estes momentos agradáveis de responder a esta entrevista. Me fez recordar de tempos legais, de coisas que muitas vezes não temos tempo de recordar e de refletir, que sempre deixamos para depois. O tempo está passando muito depressa e precisamos mais de ações como estas e de nos encontrarmos mais. Você tem uma história dentro de nossa profissão e faz muito por ela. Eu respeito e admiro seu trabalho e torço por você. Deus abençoe seu trabalho e seu caminho. Um grande beijo e até breve. Do amigo, César Arita. Tel. 16 3636.8436 cesar.arita@cesararita.com.br 16 3636 8436 e www.cesararita.com.br.

Nosso próximo encontro será nos 20 Anos da Osseointegração, onde o nosso entrevistado será um dos apresentadores importantes.

Aproveito para agradecer os inúmeros comentários acerca desta nova coluna, que pelo visto já é sucesso. Certamente será um privilégio, todas as semanas entrevistar uma personalidade odontológica e dividir com os amigos estas histórias de vida, que são verdadeiros modelos e exemplos.

Quem quiser fazer sucesso na profissão, fixe-se nos que já o fazem e deles colete o que tem de melhor. Saúde e sucesso!

 

Antônio Inácio Ribeiro   ribeiro@odontex.com.br

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