PROFº. DR. CESAR ARITA
Gênio,
generoso e gentleman. Este é o meu amigo GEN. Vocês logo saberão
porque. Mestre e Doutor em reabilitação oral pela Universidade de
São Paulo - Faculdade de Ribeirão Preto; especialista em prótese
dentária; especialista em desordem temporomandibular e dor
orofacial; diretor científico da Sociedade Brasileira de
Reabilitação Oral - SBRO; coordenador do curso de especialização em
dentística da Associação Odontológica de Ribeirão Preto - AORP;
coordenador dos cursos de aperfeiçoamento profissional em implantes
e reabilitação oral.
Quem o influenciou a fazer
Odontologia?
Creio
que a maior influência foi dentro de casa, pois meus pais Bem Hur e
Teruko Mukai Arita são Cirurgiões Dentistas em minha cidade natal,
Marília, interior de São Paulo e de meu professor de química no
colegial, o também CD Francisco Chaves de Moraes Filho, o Moraes,
que havia se graduado na USP de Ribeirão Preto.
Onde fez e quais suas lembranças do
tempo de faculdade?
Graduei-me
na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São
Paulo em 1988. Minhas lembranças deste tempo são dos primeiros
amigos que fiz ao chegar na nova cidade e de cada etapa que passei
em minha graduação e pós-graduação. Se considerar que já se passaram
25 anos, ainda consigo lembrar de cada etapa e de como fui me
formando ao longo deste tempo de graduação e pós-graduação. Mantenho
contato com muitos amigos desta época até hoje, muitos deles meus
parceiros de cursos e congressos.
Como foi seu início na profissão?
Como já
lhe contei em conversa pessoal quando você esteve em RP, para um
curso nos 60 anos da AORP, meu pai Bem Hur me aconselhou a seguir os
estudos de pós-graduação para depois optar se voltaria para minha
casa (com uma base mais sólida) ou se escolheria um novo local para
morar e fazer carreira. Creio que foi o melhor conselho que recebi
(entre outros legais) de meu pai, pois isto foi fonte de
auto confiança que todo recém formado deve ter no início de sua
profissão. Fiz residência em prótese dentária no programa de
aprimoramento da FORP-USP em período integral por dois anos e
trabalhava à noite duas vezes por semana em um consultório de um
colega, Prof. Plauto Watanabe, em sistema de porcentagem. Ao
terminar a residência, optei pelo não-óbvio, que foi ficar em
Ribeirão Preto ao invés de voltar para o conforto de casa e da
estrutura de meu pai em Marília. Fui aprovado na prova de mestrado
e, logo em seguida, fui convidado pelo Prof. Dr. Cléber Geraldo
Gentil a seguir carreira docente no departamento de Fisiologia, no
qual trabalhei com eletromiografia em pacientes com DTM (na época
chamava-se pacientes com problemas de oclusão). Tive grandes
orientadores nesta fase - Geraldo Maia Campos, Lúcio Celso Gosuen,
César Bataglion e Luiz de Jesus Nunes - que, cada um em uma fase, me
direcionaram aos estudos do sistema estomatognático e oclusão tanto
no mestrado como no doutorado, quando trabalhei com o Prof. Mathias
Vitti, um dos precursores da eletromiografia no Brasil. Pude ir a
Seattle e fazer um curso de aprimoramento com Robert Jankelson e
montar em minha clínica um laboratório de eletromiografia e
eletrognatografia com o aparelho K6-I da Myotronics. Como não existe
acaso, creio que estes esforços foram rapidamente recompensados já
que dez anos depois, em 2001, foi reconhecida a especialidade de
desordem temporomandibular e dor orofacial, quando pude, através de
histórico e atuação, ser reconhecido como um dos primeiros
especialistas nesta então recém criada especialidade.
Qual a marca do seu primeiro
equipamento?
Kavo -
Modulmatic, que tenho até hoje. O mais curioso foi que eu o ganhei
quando fiz 18 anos (quando cursava o primeiro ano da faculdade) –
era 1985 e a inflação estava aquela loucura. Meu pai, sabiamente,
aproveitou uma oportunidade ímpar de comprar este equipo, que era um
dos top de linha da época e me presenteou no lugar do esperado "carrão"
(todo estudante da época tinha como sonho de consumo ter o seu carro
na faculdade), que tive que esperar mais um ano (risos). Você pode
imaginar minha cara, não? Mas, como todo bom oriental, acatei o
conselho (ou consolo - risos) do meu pai que dizia que com este
equipo teria oportunidade (mais tarde) de comprar muito mais coisas
além do carro que tanto queria naquele momento. Pasme, Ribeiro, mais
uma vez, o tempo me mostrou que meu pai tinha razão.
Lembra quem foi seu primeiro
paciente?
Meu
amigo e compadre Sérgio Akira Uyemura - atualmente professor da
Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto e na época
aluno do curso de Farmácia e amigo de faculdade. Como todo
recém formado, atender amigos e parentes é regra básica.
Qual foi o seu atendimento mais
difícil?
Pulpite aguda neste mesmo amigo.
E um que tenha sido mais
gratificante?
O mesmo
das duas últimas respostas e, na semana passada, um implante no meu
cunhado Sérgio Luiz Falha. Também tem uma paciente que me acompanha
desde recém formado, meu primeiro caso de reabilitação oral pós-DTM,
Maria Célia Marques, por quem tenho gratidão e carinho.
Sabe
o nome de seu primeiro protético?
Luiz
Carlos Natalício, que trabalhou com meu pai por quase 20 anos.
E da sua primeira
atendente/auxiliar?
Patrícia Silva.
Lembra de algum caso pitoresco
acontecido no consultório?
Caso de
moldagem mandibular (que sempre cito em aula de moldagem) com
silicone de adição em moldeira metálica. Eu não conseguia sacar a
moldagem e "bateu" desespero, primeiro em mim e, vendo minha cara,
no paciente. Pensei em até cortar a moldeira, mas acabei conseguindo
(depois de vários momentos de meditação - risos) sacar a moldagem.
Qual foi o marketing que usou para
começar?
Tentei, logo que formei, me posicionar junto aos colegas como um
profissional que se dedicava à oclusão. Usava no meu cartão de
visita, os termos Reabilitação Oral - Oclusão/ATM. Era o ano de 1989
e teorias a respeito de oclusão eram motivos de muitas dúvidas e
discussão. Procurei, desde o segundo ano de faculdade (1986),
estudar bastante sobre o assunto - fui monitor da disciplina recém
criada pelo Dr. Luiz de Jesus Nunes em nossa escola e lá fui
orientado pelo então jovem professor César Bataglion, hoje meu
amigo. Até hoje, além da parte de implantes e estética, sou
convidado para conferências nesta área e indicado por colegas para
encaminhamento de pacientes.
Tem algum filho ou parente
Cirurgião-Dentista?
Sou
casado com Camila Cinto Arita, Cirurgiã Dentista que trabalha com
ortodontia. Temos um filhinho, o Augusto, que neste domingo, dia dos
pais, completou dois aninhos. Ficaria muito feliz, se no futuro, ele
quiser ser Dentista. Mas isso ele é quem vai decidir. Meu irmão Ben
Hur Arita Jr. é Dentista em Marília, junto com meu pai, Bem Hur
Arita e minha mãe, Teruko Mukai Arita. Tenho vários primos por parte
de pai e de mãe que são Dentistas: Liliana, Harumi e Sérgio.
Quem é seu maior ídolo da
Odontologia?
Waldyr
Janson, na Odontologia nacional e Marvin Rosenberg, na Odontologia
internacional.
E quem fez mais pela classe nestes
anos todos?
Creio
que todos tem sua história em prol de nossa classe, cada um de sua
maneira. Muitos são sempre lembrados e com méritos, mas gostaria de
citar meu padrinho (já falecido) Mário Alberto Consentino e, na
região da Alta Mogiana, meu companheiro de AORP, Ernani Bezerra da
Silva.
Como está sendo o presente momento
da Odontologia?
Como
um divisor de águas. Estamos partindo para uma maioridade e para um
maior profissionalismo das pessoas que nela atuam. Eu acredito na
Odontologia, como uma profissão digna e humana e que já tem seu
espaço e respeito junto à população. É uma época de incertezas, mas
amigo Ribeiro, em qual época se pode dizer, que alguém tinha certeza
do futuro? Devemos continuar investindo na profissão, pois estou
seguro que é a única forma de nela prosperar. Tenho certeza de que
logo navegaremos em águas calmas.
Que solução vê para a profissão?
Reforço e estímulo aos valores básicos de ética e respeito pela
profissão. Devemos sempre nos posicionar como Dentistas, termos
orgulho de sermos Dentistas e termos cara de Dentistas. Nada contra
quem investe em outros ramos, mas devemos investir mais na
Odontologia.
A que atribui o seu sucesso
profissional?
Parte
à dedicação e investimento no lado técnico e científico. Outra parte
ao maior patrimônio que prezo em nossa profissão: a ampla rede de
relacionamentos e amizades, conquistada ao longo de 25 anos
(graduação e tempo de formado). Posso dizer, sem nenhuma dúvida, que
tenho muitos amigos; a maioria deles pela Odontologia e sou
imensamente grato por isso.
Como espera ser o seu futuro?
Abrindo e completando ciclos, renovando conceitos, quebrando
paradigmas e, claro, ajudando os que vem vindo, a encurtar caminhos.
Deixe uma sugestão para os mais
novos.
A
Odontologia precisa de excelentes profissionais, gente com paixão,
que queira ir além. Concordo plenamente com Roberto Shiniyashiki que
diz que o sucesso é construído durante a noite, quando os outros
estão dormindo, na balada ou tomando cerveja. Faça algo mais além da
média, ou seja, procure estar acima dela. Mas o mais importante,
procure sempre ser feliz.
Ribeiro, obrigado por estes momentos agradáveis de responder a esta
entrevista. Me fez recordar de tempos legais, de coisas que muitas
vezes não temos tempo de recordar e de refletir, que sempre deixamos
para depois. O tempo está passando muito depressa e precisamos mais
de ações como estas e de nos encontrarmos mais. Você tem uma
história dentro de nossa profissão e faz muito por ela. Eu respeito
e admiro seu trabalho e torço por você. Deus abençoe seu trabalho e
seu caminho. Um grande beijo e até breve. Do amigo, César Arita. Tel.
16 3636.8436
cesar.arita@cesararita.com.br
16 3636 8436 e
www.cesararita.com.br.
Nosso próximo encontro será nos 20 Anos da Osseointegração,
onde o nosso entrevistado será um dos apresentadores importantes.
Aproveito para agradecer os inúmeros comentários acerca desta
nova coluna, que pelo visto já é sucesso. Certamente será um
privilégio, todas as semanas entrevistar uma personalidade
odontológica e dividir com os amigos estas histórias de vida, que
são verdadeiros modelos e exemplos.
Quem quiser fazer sucesso na profissão, fixe-se nos que já o
fazem e deles colete o que tem de melhor. Saúde e sucesso!