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ODONTO ENTREVISTA Nº 37 |
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PRESIDENTE ADOLFO RODRIGUEZ
Nosso entrevistado de honra desta semana é o Presidente da Federação Odontológica Latino Americana – FOLA, a maior entidade de Odontologia da América Latina, que esteve conosco na posse do Presidente da ABO Nacional, Newton Miranda de Carvalho, dia 5 de fevereiro em Belo Horizonte e que estará novamente no Brasil entre os dias 2 e 5 de setembro para o Congresso Mundial da Federação Dentária Internacional – FDI em Salvador, Bahia, como convidado do seu presidente, o odontopediatra carioca Roberto Vianna.
Recentemente apresentou ao mundo odontológico uma campanha humanitária para ajudar os Cirurgiões Dentistas do Haiti que perderam tudo no terremoto de Porto Príncipe. Para lembrar, ele é da República Domenicana, país que divide a ilha com o país vítima de um dos cinco maiores terremotos da história da humanidade.
Fez pós graduação em periodontia, administração hospitalar, marketing, planificação em gestão na área da saúde e auditoria odontológica. É professor de várias universidades domenicanas e professor convidado de outras faculdades de Odontologia da América Latina. Ocupou funções públicas em seu país e recebeu reconhecimentos por suas colaborações em benefício da Odontologia.
Quem o influenciou a fazer Odontologia? Para estudar Odontologia influenciou-me o desejo de ser independente e poder criar minhas próprias idéias e ser uma pessoa que pudesse contribuir por meu próprio esforço à sociedade, sem ter que fazer por outra via, que não a minha condição de ser humano.
Onde fez a faculdade e quais suas lembranças desse tempo? Estudei na Faculdade de Odontologia da Universidade Pioneira da América, a Universidade Autônoma de Santo Domingo, a mais antiga do novo mundo e a ela devo minha formação política, como dirigente associativo e ativo nos problemas da sociedade onde vivo. Minhas melhores lembranças do tempo de faculdade são muitas, das experiências vividas, mas creio que ter participado das lutas na universidade foram minhas melhores lembranças. Ter este conceito do certo, do importante, do essencial. Essas são as coisas que mais lembro da faculdade.
Como foi seu início? O início da minha vida profissional, como muitos, foi difícil devido a minhas condições econômicas. Quando ia ingressar na universidade para estudar Odontologia, perguntei ao meu pai se podia. Perguntei porque é uma carreira muito cara para pessoas que como nós, não tem muitos recursos. Meu pai respondeu sem pensar que sim e veríamos adiante o que fazer. Assim entrei na faculdade e para facilitar as coisas, fiz testes para ser cantor no coro da Universidade. Fui aceito e por conta disso fiquei isento das mensalidades e ainda me pagavam o transporte e a comida, além de facilitar meu acesso aos livros. Além disso tinha o privilégio de cantar para muitos estudantes, o que me promoveu no meio estudantil.
Lembra quem foi seu primeiro paciente? O nome eu não lembro, mas foi uma senhora de poucos recursos, dessas que vão a faculdade para ter atendimento sem pagar. Nela realizei uma profilaxia e cheguei em casa emocionado por ter feito meu primeiro atendimento odontológico. Lembro que para isso meu pai se esforçava em comprar alguns instrumentos e materiais. Algumas coisas que não tinha, pedia emprestado.
Qual foi o seu caso mais difícil? Nunca tive casos difíceis, pois estava sempre pronto e preparavam-nos para as atividades de cada dia e de cada semana, mas lembro de uma cirurgia com o Dr. Aristides Garcia, cirurgião de muito prestígio e excelente professor. Todos o temiam e eu arrisquei-me em realizá-la com ele. Fiz com medo de que me dissesse que tinha saído mal. Ao finalizar ele só me disse que terminara bem e felicitou-me pela cirurgia.
E um que tenha sido o mais gratificante? Creio que o mais gratificante foi a minha defesa de tese. Este momento foi muito esperado. Fui muito aplaudido e vi que ali iniciava minha nova vida profissional e finalizava assim minha vida de estudante.
Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório? O mais curioso foi que formei-me muito jovem, além do que eu era muito magro e baixo. Uma senhora entrou no consultório e perguntou pelo doutor. Quando lhe disse que era eu, ela começou a rir e não acreditava que podia ser, dizendo que era muito jovem para ser um doutor. Conversamos bastante e aí decidiu ser tratada por aquele doutor baixinho e jovem.
Quais foram os seus maiores ou melhores momentos? Foram muitos, mas acredito que o fato de converter-me em doutor de muita gente que confiou em mim, foi a melhor coisa que aconteceu.
Qual foi o marketing que usou para começar? Isso eu não conhecia quando formei. Meu marketing foi fazer as coisas corretamente e esperar que os pacientes divulgassem meu trabalho. Agora depois que pos graduei-me em marketing, sei que fiz muitas coisas que serviram para que muita gente me procurasse no consultório.
Tem algum parente Cirurgião Dentista? Não tenho parentes na Odontologia, mas alegro-me pelo fato de que minhas filhas estão neste momento fazendo a faculdade e seguirão a minha profissão.
Quem é seu maior ídolo na Odontologia? Não tenho ídolos na Odontologia e sim creio que existem muitos colegas que antes, durante e depois de mim, fizeram coisas extraordinárias pela profissão. Mas acredito na Odontologia Social e acho que a maioria dos colegas de hoje só se utilizam dela para seu próprio benefício e não deixam um legado na profissão. Mas eu os entendo já que a sociedade em que vivemos é muito comercial e só podem sobreviver com uma constante agressividade comercial.
Quem são os seus grandes amigos na profissão? Considero as pessoas pelas suas contribuições a sociedade. Os valorizo dessa maneira, reconhecendo seu desprendimento como seres humanos. Creio que quem faz isso é meu amigo, ainda que não tenha o privilégio de conhecer-lo.
Qual seu livro ou autor preferido na profissão? Não tenho um livro favorito na Odontologia. Leio os artigos de periodontia e nela lembro de um autor em especial, Carranza, como um de grande contribuição. Mas de fato, atualmente, gosto de ler sobre a investigação social.
Qual a revista odontológica que mais gosta de ler? As revistas que mais leio são as da Dental Tribune, assim como a da APDESP, as da Associação Brasileira de Odontologia e as da ADA.
Como está vendo o presente momento na Odontologia? Esta é uma pergunta muito ampla e importante. Creio que a profissão está sendo escravizada, ficando cada vez mais dependente dos empresários da profissão, dos planos odontológicos, que são prejudiciais a sociedade. A profissão em sua essência perdeu qualidade e a dedicação com que estudávamos há alguns anos. A única coisa que ganhamos nestes últimos anos foi que muita gente quis fazer Odontologia e isso criou uma super população de mão de obra, que resultou na diminuição dos ganhos da maioria dos Cirurgiões Dentistas em todo o mundo. As faculdades de hoje, em sua maioria, são negócios com poucos fundamentos acadêmicos e quase nenhum de ordem social. Temos que mudar e dar um outro rumo, mas isso não será possível sem que os governos vejam esta profissão como uma prioridade. A entendam como uma atividade social e não como muitos políticos que só a usam para fazer campanha, o que desacredita a imagem da Odontologia. Podemos saber se somos uma prioridade para os governos pelos salários que pagam por estes serviços. Ou em que lugar nos colocam nos ministérios de saúde. Quando vemos o salário de um Cirurgião Dentista, sabemos que somos apenas pontos da sociedade em que vivemos. Basta parar uns minutos para nos darmos conta desta realidade, da importância para os que nos governam.
Qual caminho vê como mais indicado para a profissão? Os que estão dirigindo entidades de classe, devem dar um giro de 180 graus na profissão. Voltar-se ao serviço social e a conscientização dos alunos e as reivindicações dos nossos profissionais. Creio ser necessário redefinir o perfil dos formandos com o que precisamos nos próximos dez anos. Temos que fortalecer a pesquisa obrigando as universidades a investir nessa área tão importante da ciência, permitindo assim inovar nos campos mais escuros, para trazer luz ao conhecimento da informação e a tecnologia da Odontologia moderna.
A que atribui o seu sucesso profissional? Não sei se posso dizer que sou um sucesso na profissão. Isso devo deixar às outras pessoas, que estão vendo meu trabalho. O que sim posso dizer aos colegas, é que as coisas devem ser feitas com dedicação, respeito e sempre tendo presente que não sabemos muito e que a cada dia devemos aprender algo mais. Não devemos acreditar que somos os únicos sábios do mundo. Somos uma milionésima parte imperceptível, que apenas respira e pensa. Devemos deixar as vaidades e dividir o que sabemos e fazemos, difundindo o amor que nos rodeia, semeando nosso terreno com ternura e carinho, para que todos os que estão aí hoje, venham amanhã e construam uma profissão melhor. Assim estaremos contribuindo para uma vida melhor para as presentes e futuras gerações.
Quem o ajudou no crescimento profissional? Colaborou muito a formação que fora dada por meus pais, depois a minha dedicação ao que pretendia e também haver encontrado o caminho e conquistar a ciência por via do compromisso social.
Sente-se realizado profissionalmente? Creio que sim, se nos referimos aos reconhecimentos que nos foram dados, mas não se trata só de ter chegado até aqui e sim de deixar um legado aos novos profissionais. Por isso creio que me faltam ainda muitas coisas por construir para os futuros colegas que virão a ocupar nossos espaços, quando a vida nos leve a ausência física inevitável. Estarei permanentemente seguindo este caminho e peço a todos que nos unamos para que esta via, este trajeto, seja cada vez mais adornado de dignidade e decência em nossa profissão. Por isso creio que nunca terminarei, porque sempre haverá algo novo a construir, com as mãos de hoje e as de amanhã.
Como espera ser o futuro da profissão? Esta pergunta deveria ser feita a alguém mais jovem, mas creio que no futuro devemos transformar a profissão e conquistar o coração dos políticos, para que entendam que um bom serviço odontológico é uma necessidade social.
Deixe uma sugestão ou mensagem para os mais novos: Só posso dizer que espero ter construido um caminho pelo qual eles possam trilhar com dignidade e que não existam espinhos. Que façam coisas por convicção com amor, com entrega e com fé. Com dedicação e que uma vez por mês façam um ato de fé para uma pessoa necessitada. Que façam por alguém que necessite, pois assim estaremos contribuindo minimamente para conscientizar a humanidade e que só com respeito e ética poderemos trabalhar o caminho do bem, na profissão mais digna que existe, a Odontologia.
A palavra é sua para suas considerações finais. Creio no ser humano, creio na ação com dedicação e entrega. Precisamos um mundo diferente e ainda que não acreditem, cada um desde seu pequeno lugar pode contribuir para a criação de um grande amor, que possa contribuir para este mundo tão conturbado, volte à calma, que estas mudanças de conduta se convertam em ações mais benéficas para a sociedade e que todos os seres humanos nos demos um grande abraço de fé e amor, como fez o homem que mais admiro, Jesus.
Presidente Rodríguez, foi um privilégio ter me concedido esta entrevista, que certamente ajudará aos seus colegas da América do Sul a conhecer melhor o presidente da maior entidade da Odontologia latino americana, que estará conosco no Congresso Mundial da Federação Dentária Internacional – FDI, de 2 a 5 de setembro deste ano em Salvador, Bahia. Aos que quiserem ter contato, parabenizar nosso entrevistado ou também participar da sua campanha UM SORRISO PELO HAITI, seus e-mails são: arn@codetel.net.do; oral@codetel.net.do e folaoral@hotmail.com.
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