ANDRÉ VILELA DA DRILLER
Formado pela FOUSP em 1987, realizou seu primeiro implante em 1988, sendo do grupo dos 100 pioneiros da implantodontia, fez o primeiro enxerto em seio maxilar em 1989, ano em que colocou também seu primeiro implante osseointegrado. Tendo obtido o título de especialista em Implantodontia pela FDCTO USP, é Sócio Fundador da Driller, marca que agregou quase como um sobrenome, a empresa que permitiu a melhoria na colocação dos implantes no Brasil, por seu padrão da qualidade total na fabricação de motores e pontas, onde é Diretor Científico.
Quem influenciou para fazer Odontologia? Minhas primas médicas... Prestei o vestibular para Medicina e Odontologia, acabei entrando na Santa Casa de SP, na PUC Sorocaba e ABC em Santos. Queria ter contato com pessoas e ao mesmo tempo, que tivesse qualidade de vida no meu planejamento familiar. Optei por Odontologia na USP, por achar mais flexível e menos árduo o caminho. Disse minhas primas, pois elas eram médicas e sofriam bastante com a falta de materiais nos Hospitais, de leitos e principalmente falta de tempo para conviver em família.
Onde fez a faculdade e quais suas lembranças desse tempo? Cursei a FOUSP-SP no Campus da Cidade Universitária, ainda instalada precariamente nos “barracões”, mas sem dúvida uma época maravilhosa e um Campus privilegiado, com muito espaço, verde e professores dedicados.
Como e onde foi seu início na profissão? Aqui em São Paulo, na Zona Norte. Minha irmã mais velha já estava formada e trabalhava em um consultório na Vila Nova Conceição, num prédio, mas achei melhor buscar mais experiência trabalhando com mais pessoas em um consultório de bairro.
Lembra quem foi seu primeiro paciente? Sim, recém-formado e sem ser alguém conhecido, atendi aos prestadores de serviço do consultório que estava em reforma. Próteses totais, uma delas inclusive com braquetes ortodônticos em um servente de pedreiro mais jovem.
Qual foi o caso que lembra como mais difícil? Mais difícil e desafiador, a indicação de um brasileiro que retornava de uma temporada de trabalho na África do Sul. Demandava conhecimentos em todas as especialidades e dispunha de pouco tempo para resolver os problemas. Dividi o trabalho com uma colega de turma, sócia do consultório na época, começamos a fazer a profilaxia e fomos até o final, mesmo que com um pouco de insegurança. Desta época devo agradecer a ajuda de vários colegas “consultores”, que fraternalmente tiravam dúvidas ou davam sugestões no planejamento. Nesta época achava que iria ser endodontista, no mês seguinte protesista e finalmente resolvi ser um cirurgião implantodontista.
E um que tenha sido o mais gratificante? Bom, gratificante em todos os aspectos, do serviço bem realizado, paciente feliz e dinheiro no bolso, lembro-me de uma menina morena lindíssima, com dezesseis anos e uma fratura cervical no incisivo central anterior. Uma reconstrução com endo, pino metálico e metalo-cerâmica (ainda não havia a possibilidade de coroa cerâmica sem metal). Com a cor fora de padrão na escala, acertar todas as nuances foi bastante gratificante, dividindo a responsabilidade com o laboratório, extremamente feliz com o resultado.
Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório? Talvez a prótese total com bráquetes tenha sido meu momento mais divertido no início de carreira.
Quais foram os seus maiores ou melhores momentos? Bom, ainda tenho muito a agradecer a colegas, alguns que se dispuseram a abrir portas para aprendizado e treinamento, o que influiu sobremaneira minha formação. Tive chance de estudar algum tempo fora do país, estagiando na área de implantes ainda em 1988 e 1989, bem no começo da implantologia mundial. Recém chegado de Israel, numa temporada com Dr. Itzhak Binderman, fui contratado pela UNIP como professor na cadeira de Cirurgia, Coordenada pelo Prof. JJ Barros e na equipe de implantes, chefiada pelo amigo Prof. David Serson. Foi uma honra dividir conhecimento com colegas tão nobres e numa situação inusitada, onde o conhecimento específico era desconhecido para a maioria dos profissionais.
Qual foi o marketing que usou para começar? Minha formação na USP foi baseada na ética profissional, não se fazia nenhum tipo de anúncio. Minha estratégia sempre foi fazer o melhor e trabalhar com o “boca a boca”, porém sair da inércia foi difícil. A estratégia baseava-se no conhecimento, estudava bastante sobre a área de implantes e biomateriais, aproveitando os cursos como ministrador para montar a rede de profissionais de referência. Trabalhava ás vezes de graça, no intuito de resolver casos para produzir material didático e promoção pessoal, acelerando o processo de referência de outros profissionais e mesmo o “boca a boca” de pacientes.
Tem algum parente Cirurgião Dentista? Direto, apenas minha irmã que é especialista em ortodontia e ortopedia-funcional. Fora ela, um tio em Uberlândia, referência na área de prótese, um homem á frente do tempo, Dr. Cícero Macedo Alvim, Cicinho, já falecido, que teve chance de estudar com Peter Thomas e treinou muitos bons profissionais aqui no Brasil, como Dr. Olympio Faissol e Dr. Sebastião Simões Gomes.
Quem é seu maior ídolo na Odontologia? Bom, ser ídolo requer muito investimento. Caráter, personalidade e capacidade profissional. Amor com desinteresse e dedicação. Na área de implantes, diria sem dúvida Prof. PI Branemark, uma vida pela Odontologia, mesmo não sendo Dentista e com frutos eternos.
Quem são os seus grandes amigos na profissão? Sem dúvida, José Carlos Garófalo e Alênio Calil Mathias, colegas de turma e com uma vida profissional e pessoal compartilhada. Sem exagero, amo como irmãos.
E quem fez mais pela classe nestes anos todos? Acho que os fabricantes. Eles ensinam e oferecem produtos melhores, estimulam a capacitação e o conhecimento. Infelizmente a política entre as entidades, sindicatos e outros de cunho pessoal, não levam muito a Odontologia adiante. Pelo contrário, não conseguimos diminuir as escolas, não mantemos o nível de ensino elevado e não conseguimos uma política de atendimento social.
Qual seu livro ou autor preferido na profissão? Não posso citar um livro apenas. Cada livro ensina algo novo, tão ou mais importante para o crescimento profissional. Compro livros até hoje e ás vezes, por conta de um capítulo, uma sequência de ilustrações didáticas, que me aguçam ideias para novas aulas.
Qual a revista odontológica que mais gosta de ler? Ainda prefiro o JOMI (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants), mais sólida cientificamente e com um cunho mais objetivo na profissão. Das revistas nacionais, a Implant News pelo seu destaque nos casos clínicos, que sempre estimulam os profissionais a melhores resultados.
Quais entidades a que pertence ou participa? Hoje participo apenas como associado da APCD.
Como está vendo o presente momento na Odontologia? Difícil para uma grande maioria que precisa se destacar para conseguir sucesso financeiro. O problema é que só marketing não mantém a máquina rodando, é necessário muito amor e dedicação, profissionalismo e capacitação. Não há glória sem investimento.
Qual caminho vê como mais indicado para a profissão? Estudar sempre e investir em equipamentos, conhecimento e tecnologia.
A que atribui o seu sucesso profissional? Aprendi a amar o que faço, com desapego, com paixão, tratando meus pacientes como pessoas. São 24 anos de formado, 22 anos dedicados quase que exclusivamente á cirurgia de implantes e nenhum processo, nem ético, nem sobre o exercício da profissão.
Quem o ajudou no crescimento profissional? Bom, são tantos nomes. Por um lado, no início de carreira, os pioneiros da Implantodontia, homens de visão e coragem. David Serson tem um lugar especial em meu peito, Ariel Apelbaum também, talvez a pessoa que sem saber tenha influenciado um lado empreendedor ainda escondido.
Sente ter se realizado profissionalmente? Sim, sem dúvida, com uma legião de amigos e colegas que valorizam meu nome e mais ainda, que gostam muito da minha companhia e aconselhamento. Mais ainda, outra legião de clientes amigos, com sorriso no rosto e agradecidos pelo resultado profissional obtido em seus tratamentos.
Como espera ser o futuro da profissão? Ainda difícil aos que começam, porém com crescimento tecnológico cada vez maior. Somos prestadores de serviço e é aí que nos destacamos entre nós. Melhor atendimento, melhor estrutura, melhor conhecimento, postura, competência. Juntos estes fatores multiplicam a clientela, isoladamente cativam muito pouco.
Deixe uma sugestão ou mensagem para os mais novos: Estudar, dedicar, aprender e amar a profissão. Investimento em capacitação, investimento em novas tecnologias. Uma vez na semana, sentem-se na cadeira no lugar de seus pacientes e olhem para os vossos consultórios com olhos de pacientes... Limpeza, pontualidade, presteza, rapidez, organização, documentação, conforto, equipamentos, etc. Temos que aprender a identificar nossos pontos fracos, para melhorar sempre.
A palavra é sua para suas considerações finais. Odontologia é uma profissão linda, difícil no começo e que pode dar muito ao profissional em termos de conhecimento de vida. Não pense apenas em bocas e dentes, pense em pessoas. Pacientes amigos e conhecidos que podem formar uma rede a seu favor ou contra. Melhor escolher a primeira opção.
André, você é um ícone de implantodontia! Para ela o considero como um Steve Jobs, por sua dedicação ao desenvolvimento de equipamentos que permitiram não só melhorar o exercício da implantodontia, como torná-la mais acessível aos colegas. Lembro do seu início num endereço que me era familiar: a clínica do Antônio Ilson Giordani, na Bela Cintra, outro visionário que não só saía em busca do novo, como fazia o que nem todos fazem: o compartilhava com os colegas. Por sua trajetória, repleta de história, você merece esta homenagem. Aos que o quiserem parabenizá-lo, seu e-mail pessoal é: almva@hotmail.com
RECONHECENDO OS QUE FAZEM A ODONTOLOGIA MAIOR E MELHOR Antônio Inácio Ribeiro ribeiro@odontex.com.br
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