Prof. MARCELO CHAIN, CD, MS, PhD
Quem influenciou para fazer Odontologia? Ninguém, eu tive que fazer uma escolha para o vestibular e optei por Odontologia. Talvez no subconsciente, um ou dois profissionais bem sucedidos que conheci tenham tido alguma influência.
Onde fez a faculdade e quais suas lembranças desse tempo? Na querida Universidade Federal de Santa Catarina, onde tive tranquilidade para fazer um excelente curso de graduação. As melhores lembranças são dos amigos de turma e dos muitos eventos que organizamos juntos. Também me lembro da nossa preocupação com o futuro da profissão, e da competição acirrada para ter o melhor índice.
Como e onde foi seu início na profissão? Priorizei a parte acadêmica e logo ingressei como estagiário na Dentística da UFSC, convidado pelo Prof. Baratieri. Concomitantemente buscava um emprego ou consultório para trabalhar, o que me foi oferecido pelo Prof. Saulo Albuquerque. Foi um grande começo, pois o Dr. Saulo possuía muitos pacientes e me designou para a parte da Dentística. Em pouco tempo resolvi abrir meu próprio consultório.
Lembra quem foi seu primeiro paciente? Sim, uma senhora muito exigente que necessitava de uma raspagem periodontal. Ela ficou nervosa, pois eu era muito jovem e com pouca experiência. Não gostei da desconfiança e o tratamento terminou por ali mesmo.
Qual foi o caso que lembra como mais difícil? Foi no primeiro horário, quando uma senhora que tinha muita náusea engoliu um provisório removido por mim. Logo em seguida fui executar uma moldagem na mesma, com silicone de adição e o material travou nos torus linguais. Não havia quem tirasse a moldeira metálica com o material, e para piorar ela começou a ter fortíssima náusea, levando-a ao desespero. Sem saber o que fazer, dei-lhe um abraço forte e pedi que se acalmasse, o que de fato aconteceu. Ela ficou muito calma e me deixou tirar todo o material com uma lâmina de bisturi. Quando tudo terminou, ela me disse que para poder se acalmar lembrou que se morresse ali na minha cadeira arrasaria com minha carreira. Uma grande alma!
E um que tenha sido o mais gratificante? Foi quando no meio de um jogo de tênis noturno percebi um menino se atirando contra a parede de dor. Disseram-me que ele estava com dor desde manhã cedo, e que tinha tomado dois vidros inteiros de Novalgina. Abandonei o jogo imediatamente e voltei ao consultório com o menino. Abri o dente e foi impressionante o alívio do garoto, que quase desmaiou quando relaxou.
Lembra de algum caso pitoresco acontecido no consultório? Sim, quando no meio de um atendimento às 20:00hs, um homem arrombou a porta do consultório, me assustando muito pela violência. Era o marido da paciente, que muito ciumento pensava que ia dar um flagra na mesma. Quando ele viu a paciente sendo atendida e a secretária muito nervosa, se desculpou muito e foi saindo de fininho... Eu então perguntei quem ia pagar a porta.
Quais foram os seus maiores ou melhores momentos? Meus melhores momentos são quando reabilito esteticamente um paciente ou quando elimino a dor dos mesmos. Sinto-me um herói quando os pacientes além de pagarem pelos serviços me elogiam e me presenteiam. Também é fantástico poder ter a oportunidade de ensinar. O brilho dos olhos dos meus alunos é um super combustível para continuar me esforçando no trabalho e no estudo.
Qual foi o marketing que usou para começar? Sempre confiei muito no boca-a-boca, mas confesso que essa modalidade é muito demorada. Hoje eu recomendaria uma abordagem múltipla, envolvendo folders, rádio e cartões conjuntos com outros profissionais. Ser sociável também ajuda muito. Muita gente valoriza a amizade e a agradabilidade do profissional.
Tem algum parente Cirurgião Dentista? Minha mulher Juliana Chain, meu irmão Flávio Chain e meu primo Luiz Inácio.
Quem é seu maior ídolo na Odontologia? Tenho mais de um e vou homenagear um infelizmente falecido, o querido Prof. John Gwinnett, com quem muito convivi.
Quem são os seus grandes amigos na profissão? Os professores que trabalham comigo na disciplina de Materiais Dentários e nos cursos de pós-graduação.
E quem fez mais pela classe nestes anos todos? Acho que poderíamos todos ter feito mais para evitar a desvalorização da Odontologia. Critico um pouco nossos líderes de classe, que poderiam assumir uma postura melhor no sentido de evitar salários aviltantes e abertura de tantos novos cursos. No entanto enalteço os que fazem o que podem, dentre eles você Ribeiro, que se preocupa como ninguém com a classe.
Qual seu livro ou autor preferido na profissão? Há muitos bons livros, dentre eles os que participei. Mas um deles me marcou, o livro do Martin Brannstromm.
Qual a revista odontológica que mais gosta de ler? Por muitos anos gostei da Quintessence International, agora procuro ler mais revistas em que colaboro, como a Reality e a Full Science in Dentistry.
Quais entidades a que pertence ou participa? ABOSC, ABCD, IADR, APUFSC
Como está vendo o presente momento na Odontologia? Acho que está mais difícil, como todas as outras profissões que conheço. Hoje é necessário qualificação e tempo para deslanchar. No entanto vejo todos os profissionais que conheço com boa qualidade de vida, não há desemprego e boa perspectiva de melhora, principalmente frente ao crescimento da classe C.
Qual caminho vê como mais indicado para a profissão? Valorização profissional. É necessário uma política efetiva no sentido de orientar profissionais a não praticarem honorários desonrosos e/ou se submeterem a salários aviltantes. Se houver uma fiscalização neste sentido, todos sairão ganhando.
A que atribui o seu sucesso profissional? À vocação que tenho pela profissão, à disciplina e à capacidade de trabalho.
Quem o ajudou no crescimento profissional? Indiretamente minha mulher Juliana e meus pais Kaled e Sônia. Diretamente o Prof. Luís Narciso Baratieri.
Sente ter se realizado profissionalmente? Muito, devo à profissão tudo o que tenho e tudo que sou, o que é muito mais que jamais imaginei.
Como espera ser o futuro da profissão? Espero que tenha muito de dignidade. Que o CD seja cada vez mais chamado de Doutor e que tenha remuneração digna de sua importância e responsabilidade, dos riscos que assume. Que colegas não sejam explorados por empresários destituídos de sensibilidade.
Deixe uma sugestão ou mensagem para os mais novos: Aquilo que sempre digo: não dê atenção aos comentários negativos, pense sempre grande, qualifique-se, tenha disciplina e perseverança, pois nada resiste ao trabalho.
Amigo Marcelo, esta sua colocação final coincide com minha ideia e postura para se conquistar o sucesso profissional. Tenho tido o privilégio de desfrutar de sua amizade, ministrar o marketing nos seus cursos e ter dividido o palco contigo no estande da DFL no último CIORJ, o que para mim foi uma honra, como esta de te homenagear com a Odonto Entrevista. Aos amigos que quiserem parabenizá-lo, seu e-mail é marcelochain@uol.com.br
RECONHECENDO OS QUE FAZEM A ODONTOLOGIA MAIOR E MELHOR Antônio Inácio Ribeiro ribeiro@odontex.com.br
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