167ª COLUNA 

 

A BOCA TEM LINGUA E MUITO MAIS

 

A cirurgia de hérnia inguinal bilateral me deixou debilitado e meio fraco para escrever. Estou tentando finalizar o ODONTO CAUSOS, mas está difícil e esta coluna semanal também, tanto que vou aproveitar o comentário de um amigo baiano, para tocá-la em frente.

 

Na visão dele, a idéia restritiva dos dentistas se porem a tratar só de dentes, tem colaborado para diminuir não só a área da atuação do Cirurgião Dentista, bem como seu faturamento e importância frente a imagem que gera perante seus amigos e clientes, que na maioria das vezes só lembram dele, quando tem dor de dentes.

 

O bom baiano em questão, Júlio Motta, concluiu este ano o seu doutorado e defende uma idéia muito interessante junto aos colegas. Por ter desenvolvido um higienizador de língua, quando ninguém no Brasil falava deste, sugere a ampliação de função do dentista, algo como ampliá-lo para Odontólogo.

 

O raspador de língua ainda é pouco indicado aos pacientes, dentro do instrumental recomendado para higiene bucal, mas as empresas do setor, que tem departamento de marketing  e acompanham as tendências, não só desenvolveram raspadores de língua, como o agregaram aos benefícios da escova.

 

Neste conceito, além de dentes os pacientes tem gengivas, glândulas que lhe brindam os prazeres da boa mesa, que algumas vezes não estão funcionando adequadamente, tem lábios, tem a ATM e suas disfunções, roncam, além de aftas, herpes e uma infinidade de outras enfermidades da mucosa oral, que muitas vezes são motivo de consulta médica.

 

A idéia de buscar outros horizontes para a Odontologia, não é disputar pacientes com outras profissões e sim levar a população, outros motivos para que os pacientes venham aos consultórios, além da dor dentes e da estética. Com isso os Odontólogos serão lembrados mais vezes e terão mais por fazer.

 

No início dos anos 2000 lancei o livro que imaginei fosse me projetar para sempre na Odontologia: 100 motivos para ir ao dentista, que na próxima edição vai trocar de nome: ir ao Odontólogo, porque apresenta 98 outros motivos além da dor e da estética. E será direcionado direto ao público e não para ser indicado, o que não aconteceu.

 

Coisas de uma profissão que ainda não descobriu o marketing para lhe ajudar a gerar mais pacientes, mais vezes e com mais coisas para fazer nos consultórios. E que ainda pena com as novidades maiores: os novos sistemas de gestão, em forma de clínicas, convênios, cooperativas e franquias.

 

Reflitam isso e descubram o caminho de novos clientes, não necessariamente pacientes. Pensem Gestão e Marketing. Usem GEMA, a revista que abre caminho aos novos tempos da profissão, colocando-o no mundo novo e da globalização.

 

Antônio Inácio Ribeiro        ribeiro@odontex.com.br

 

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