Há menos de 20 anos eu tinha uma máquina de escrever manual, com a qual escrevia
meus textos, que depois troquei por uma eletrônica. Há 10 anos comprei meu
primeiro computador em um consórcio por 2.000 dólares, para depois o ligar em
rede com outros computadores. Cinco anos depois tinha um lap top sem fio e hoje
mando mensagens para o mundo pela Internet, a custo zero. Dá até para falar,
como se fosse um telefone, com imagem, a preço de uma ligação local.
E você há 20 anos tinha
somente telefone fixo, que muitos nem possuíam porque custavam quase o preço de
um carro usado, só a linha. Quando tinha que fazer interurbano, era preciso
gritar, agüentar o chiado da ligação e ainda chiar com o preço do DDD. Depois
teve o telefone sem fio, posteriormente o fax que passava imagens instantâneas e
hoje tem celular digital, que fala de qualquer lugar, manda e grava mensagens,
sendo que alguns até fotografam.
Por falar em 20 anos, neste
período passamos de 100 para quase 200 faculdades de Odontologia e de 100 mil
Cirurgiões Dentistas para mais de 200 mil. Abriram-se pelo menos 10 novos
consultórios nas suas imediações, bairro ou cidade e os preços cobrados pelos
tratamentos caíram à metade do que se praticava, por conta desta nova ordem
competitiva.
Será que depois de tudo isso,
você ainda vai ficar esperando que alguém tenha uma dor de dente, lembre de você
e o procure para tratá-la, quando não estiver mais agüentando? Você agüentará? E
ainda ter que torcer para ele não passar antes em uma farmácia, pedir algo para
dor e adiar ainda mais o tratamento?
O mundo mudou. Você tem que
mudar também. Não estamos falando das novidades da profissão e sim da
viabilidade do seu exercício. Neste mundo competitivo você precisa adequar suas
ações. Precisa conhecer mais de marketing odontológico, para não ficar atrás dos
que nele estão atuando. Nada de mais despesas. Apenas criatividade e
aproveitamento de oportunidades, com pessoas disponíveis.
A primeira delas esta
relacionada com os momentos vagos de sua atendente. Minha sugestão é que se os
aproveite para uma simples tarefa de relações públicas. Coisas comuns como ligar
para pacientes ausentes há mais de um ano e convidá-los para uma consulta de
revisão, aproveitando para atualizar os e-mails e celulares dos pacientes. Para
estes, enviar uma vez por semana ou quinzena, e-mails com orientações sobre
motivos para vir ao consultório dentário, podendo ser aproveitados os do meu
livro “100 motivos para ir ao dentista”.
A segunda é aproveitar algum
parente adolescente, com folga na grade de horários, para fazer visitas aos
consultórios e escritórios dos profissionais liberais de sua rua, bairro ou
cidade se pequena, para entregar seus cartões de visita e coletar os destes
profissionais, para a partir disto iniciar contato de divulgação por envio de
e-mails relacionados com a profissão.
Nesta finalidade o resultado
será tanto melhor quando houverem chamadas atrativas neste seu cartão, do tipo
clareamento, ortodontia com implantes ou em adultos, estética dental,
odontogeriatria, odontologia do trabalho, implantes dentários ou outras
equivalentes. Podendo ainda conter alguma imagem associativa a uma destas
modernidades odontológicas como um logotipo.
Não espere que sua entidade
faça este trabalho de motivação aos candidatos a pacientes. Faça você mesmo,
apenas tendo o cuidado de fazê-lo sem ser ou parecer propaganda. Apenas uma ação
de esclarecimento à população. O simples fato de ser você, quem o estiver
fazendo, já será o suficiente para que o identifiquem.
Não fique parado esperando que
as coisas venham a melhorar. Sem ação isto não irá acontecer. Pelo contrário, a
tendência é ficar cada vez mais difícil, portanto não espere chegar a uma
situação de necessidade para começar. Pense que sua profissão precisa de um
trabalho de conscientização e esclarecimento, para que as pessoas tenham mais
motivos para procurá-lo. E lembre que isto é função de todos, ainda que poucos o
façam. E exatamente por este motivo, os que o fizerem serão diferenciados e
distinguidos com a preferência de muitos. Os demais lhe serão gratos.