Voltando das feiras Hospitalar e OdontoBrasil, encontro no Aeroporto de
Congonhas um amigo, que já foi do ramo dentário e agora está no médico. Comento
que não o encontrei na feira e ele me faz lembrar que há dez anos está
trabalhando com médicos e que de dentistas quer distância.
Pergunto-lhe porque tanto rancor e ele comenta que há uma
diferença cultural entre estes dois profissionais. Curto e grosso diz que “os
dentistas para comprarem cinqüenta reais, pedem desconto e depois querem pagar
com cheque para trinta dias”, o que concordei ser verdade em muitos casos.
Perguntei como eram os médicos, neste particular e a
resposta veio rápida: eles para comprarem cinco mil, ao invés de falarem de
preço, ficam perguntando dados e características técnicas do produto. Quais
vantagens tem aquele produto, qual garantia e que resultados trará. Ao final
perguntam quanto é, e dão um cartão para entrega.
Isto me fez passar todo o vôo de volta pensando no quanto
de verdade existe nisso. A maioria alega estar sempre sem dinheiro, diz sempre
que a coisa está ruim, que estão ganhando pouco e que querem comprar, mas não
tem como pagar. Manifestam isto perante os seus fornecedores ou com quem lhes
presta serviços.
Junto aos clientes o choro parece ser maior, pois quase
sempre que comento que trabalho com venda a dentistas, os leigos perguntam se
eles tem dinheiro, porque quando vão aos consultórios, estão sempre reclamando,
muito embora as aparências destes estejam a indicar situação bem diferente.
Não sei donde se origina esta cultura, porque nas
faculdades de Odontologia, a maioria são filhos de quem pode pagar e muito, a
julgar pelos altos preços das mensalidades. Chama a atenção que já nos tempos de
escola, os futuros dentistas já se punham a chorar toda a vez que tinham que
comprar um livro. Hoje mudou um pouco, porque não sei como eles estudam, pelo
fato de serem muito poucos os alunos que compram livros.
Se a maioria tem este posturamento, àqueles que quiserem
se diferenciar, está fácil. Basta agir de maneira oposta, evidenciando saúde
financeira, decorrente de bastante trabalho e boa paga pelos seus serviços. Com
isto se destacarão dos demais e serão disputados pelos que querem fornecer à
classe.
Dentre as vantagens desta outra postura, estão o conseguir
melhor preço sempre, pela melhor condição de pagamento. Não pagar juros, que
estão, ainda que o vendedor fale o contrário, embutidos no preço a prazo.
Receber antes os produtos, ser lembrado sempre que houver em boas ofertas e
promoções.
Perante os clientes demonstrarão sua força e saúde
financeira, decorrente de serem bem sucedidos na profissão e pessoas de sucesso,
levando a pensar que isto está relacionado ao quanto fizeram por merecer para
chegar aonde chegaram. Do contrário fica sempre a idéia de terem feito por
merecer uma condição melhor.
Em qualquer segmento ou atividade, os bons tratam de se
afirmar por suas boas condições, decorrentes do quanto mais conseguem por seu
trabalho e por conta disto são disputados ou procurados. Tanto mais clientes
tem, mais outros os procuram, dando a idéia de que aos chorões só concorrem os
que gostam de chorar, ficando a sensação de que uns irão consolar os outros.
O que mais se vê além de choro, são demonstrações de
fraqueza. Hoje ainda vai, já que as coisas ficaram bem mais difíceis, mas antes
não dava para entender, pois em cinco ou dez anos, um profissional de nível
médio estruturava a sua carreira e a parte financeira também. Fico imaginando
como será daqui para frente, já que com 180 milhões de habitantes e 200 mil
dentistas, todos terão menos de mil clientes.
NESTE NOVO QUADRO O MARKETING NÃO SERÁ SÓ UMA FERRAMENTA E SIM A MANEIRA DE
TRAZER MAIS CLIENTES SATISFEITOS, POR MAIS VEZES AOS CONSULTÓRIOS, PROMOVENDO
OUTRAS RAZÕES PARA SE IR AO DENTISTA, AFORA A DOR E A ESTÉTICA. QUEM ESTIVER
VIVO VERÁ.