30ª COLUNA

ODONTOLÓGICA

RIBEIRO                                                                                               ODONTEX

 

MEU PRIMEIRO TERREMOTO

 



Saí com a certeza de que seria uma viagem perfeita em todos os sentidos. Um curso no 4º Congresso Internacional do Oeste do Paraná na 5ª a tarde, uma conferência no Salon Dental de Chile na sexta a noite e um curso de oito horas em Santiago no sábado. Aproveitei para fazer um jogo novo de slides, em espanhol, para adaptá-lo ao novo programa que estou ministrando e estudei-o bem durante um fim de semana e três noites.
 

Terno novo, malas prontas e boa leitura preparada para tantos vôos, saí para o aeroporto. O que era para ser a primeira experiência positiva, voar no ATR, transformou-se na primeira surpresa negativa. Ao chegar no balcão da companhia, fui informado que o vôo havia sido cancelado e, portanto iriam me passar para um vôo à tarde, da Varig, para Foz do Iguaçu e de Van me levariam a Cascavel. Argumentei que teria um curso à tarde e fui colocado num da TAM, e que com a ajuda de um táxi cheguei à sala do curso às 14:00 em ponto, sem ter ido ao hotel e sem trocar de roupa.
 

Depois do curso fui convidado a participar da solenidade de abertura do congresso e de um animado coquetel. Fui ao hotel e depois de um relaxante banho, coloquei o terno e voltei. Um bom papo com o João Carlos Gomes (sempre presente com seu ótimo curso "Estética do Sorriso") e um encontro com um amigo que havia muito tempo não encontrava: Adriano Perini, (que está ministrando um interessante curso sobre "Informática em Odontologia") e uma mordomia: ser levado no carro do prefeito a Foz do Iguaçu, onde no horário me apresentei para embarque rumo ao Chile.
 

A atendente me informou que o vôo estava atrasado, por que o avião ainda não havia saído de Buenos Aires e que iria chegar às 14 horas ao invés das 10, como estava previsto. Meia hora depois anunciam que o vôo havia sido cancelado e que iríamos embarcar no dia seguinte. Expliquei minha necessidade, já sabendo que não chegaria a tempo para a conferência, mas que ao curso não poderia faltar, até porque bolei na hora introduzir o assunto da conferência no curso e fazê-la aberta aos congressistas na primeira hora da manhã de sábado.
 

Com bastante negociação consegui que me passassem para um vôo da Varig a Santiago, para o qual tive que retornar a São Paulo e seguir às 22:30 para a capital chilena, onde finalmente cheguei à 1:30 da madrugada. Imigração, bagagens, aeroporto distante e às 2:30 estava dormindo, para acordar às 6:30.
 

Cansado depois de uma tarde e uma noite de aeroporto, aviões e de quatro horas mal dormidas, comecei o curso, com um adicional de concentração, por que além de estar falando em espanhol, tinha o roteiro das falas slides igualmente no idioma de "Don Quijote", que não eram os meus habituais, os quais já conhecia de cor e salteado. Além de ter incluído dois temas novos. Com muito em contra, seguia normalmente o curso, tendo obtido da maioria uma unanimidade de entendimento, quando ao final da primeira parte perguntei se haviam entendido tudo ou se tinham perguntas a fazer. Sem perguntas, só elogios, inclusive ao idioma, tanto me empolguei para o segundo tempo.
 

Quando tudo ia muito bem no curso, inclusive com algumas piadas e tiradas de bom humor, a ponto de, para demonstrar o que era determinação, tirar uma nota de 10 dólares do bolso, perguntar quem a queria e depois de muitos levantarem a mão, perguntar quem iria ficar com os dólares, ver um dos cursantes se levantar e vir tomá-la da minha mão. Os demais apenas queriam, ele a pegou. A seguir, para exemplificar que o cliente de hoje percebe quando alguém está querendo por a mão no seu bolso, coloquei a mão no bolso de um dos participantes, que para minha surpresa tinha dinheiro. O tomei e mostrei como fazem os mágicos, para espanto e delírio geral. Ele confirmou que sentiu !
 

Tinha decididamente o auditório nas minhas mãos, quando subitamente minhas pernas começaram a tremer. De início desordenadas, para a seguir balançarem descontroladamente. Como sou hipertenso, pensei se havia tomado o remédio e olhei para os mais próximos para ver se estava com a vista turva, mas nenhuma destas suspeitas se confirmava. Apoiei-me no encosto em uma cadeira e continuei falando para que não percebessem minha dificuldade, quando meu amigo chileno, Rodrigo Jofre, perguntou-me se eu estava sentindo o sísmico. Naquele momento me caiu a ficha. Era um tremor de terra, que como todos estavam sentados, o sentiam menos e eu com as pernas bambas da viagem, do curso do dia anterior e até das três horas em pé no coquetel, sentia mais, a ponto de ser perceptível e incontrolável.
 

Lembro de ter perguntado ao Rodrigo se não era um terremoto ao que ele me acalmou, dizendo ser só um abalo sísmico, que acontecem três a quatro vezes por ano no Chile e que aquele era só de quatro a cinco na escala Richter, portanto não haveria problema. Como o local do congresso era térreo e seu nome Casa Piedra, dando-me a sensação de segurança, decidi continuar o curso, não sem antes pedir às doutoras presentes, para em caso deste se transformar em terremoto de verdade, me abraçarem e assim morrer rodeado das lindas doutoras chilenas. Depois da gargalhada geral o terremoto para mim, abalo sísmico para eles, parou e a única vibração que sentia era a emoção que eles sentiam a cada nova idéia que lhes passava para conquistar novos e manter antigos clientes.
 

Para mostrar que precisamos fazer algo urgente no controle de horário de nossos vôos, o avião partiu de Santiago exatos dez minutos antes, com todos a bordo, sem correrias. Como Santiago é hoje a cidade mais primeiro mundo da América Latina, pensei: isso é coisa de país adiantado. Trocamos de avião em Assunção e pensei, no meio de quase mil pessoas embarcando em quatro vôos praticamente ao mesmo tempo: vai atrasar. Errei! Saiu britanicamente no horário, como eu fiz às quatorze em ponto em Cascavel e às nove em Santiago. Isso é respeito para com o cliente, consumidor ou cursante, que deveria ser obrigação de todos. E dizer que não ministrei a conferência por conta de dois vôos cancelados, por duas companhias diferentes em dois dias contíguos. Isso tem que mudar. Ou breve perderemos nossa credibilidade e turistas.

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ANTÔNIO INÁCIO RIBEIRO, Diretor da Odontex e New Odontex, Doutorando em Administração de Marketing pela Universidade La Rioja - Espanha; Mestre executivo em Marketing pelo ISAE da Fundação Getúlio Vargas, Especialista em Marketing pela PUC do Paraná; Habilitado ao Magistério no Ensino Superior pela PUC do Paraná; Pós-graduado em Vendas e Marketing pela ADVB - Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil; Administrador pela Universidade Mackenzie de São Paulo e Autor dos livros "Marketing para o Profissional Liberal", "Segredos ao Sucesso" e "Marketing ao Sucesso" além de 26 outros nestas áreas.  

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