Indiscutivelmente uma das maiores barreiras ao
tratamento odontológico sempre foi o medo que alguns procedimentos provocam nas
pessoas. Dentre os principais, um que quase sempre está presente é o temor à
anestesia. Pavor em alguns casos. Por conta dele, talvez milhões de brasileiros
deixaram de freqüentar os consultórios odontológicos.
Desde o simples gesto de esconder a seringa
dentro da mão ou levá-lo por traz da cabeça do paciente, todos estão buscando
uma maneira de deixá-lo mais à vontade para o tratamento dentário. Tornar seu
serviço menos rejeitado, já que gostar dele e sentar naquela cadeira, poucos
leigos dirão que gostam. Nisto estão, inconscientemente, iniciativas de
marketing.
As agulhas siliconizadas, tribizeladas e os
anestésicos tópicos, com diferentes sabores, desde laranja podre até o morango
silvestre, foram atenuantes utilizados na batalha de trazer de volta os mais
medrosos. Até hipnose foi tentada nos mais relutantes, tudo para tirar o medo ou
para ter mais clientes.
Se considerarmos que a grande massa dos que
manifestam temor ao Cirurgião Dentista tem seu maior contingente entre as
crianças, este problema traz um outro contorno preocupante, já que envolve a
possibilidade de trauma para o tratamento dentário, que poderá se manifestar
pela vida toda, prejudicando ou impedindo tratamentos futuros.
Contar histórias infantis, por desenhos
animados e até a cooperação de psicólogos, dentre outros, foram instrumentos de
luta para domar crianças rebeldes ou simplesmente temerosas. Faltava algo
científico e potente para neutralizar esta barreira ao início dos cuidados para
com a saúde bucal.
Efetivamente a analgesia inalatória consciente
por óxido nitroso e oxigênio é um dos grandes diferenciais da Odontologia dos
novos tempos e elemento de marketing dos mais potentes na conquista dos clientes
mais relutantes e atenuante naqueles que insistiam em não admitir o medo, ainda
que a região superior do lábio ou a palma das mãos apresentasse sudorese,
evidenciando tensão.
Lembro bem quando, no ano de 1989, comecei a
levar Cirurgiões Dentistas brasileiros para fazerem um curso de capacitação de
implantes na Argentina e afora estes, o que mais impressionava a todos, era o
fato de eles operarem com uma tal de “neuroleptoanalgesia”, que demandava
presença de um anestesista. O comentário da maioria dava conta que a mesma no
Brasil era proibida aos CD’s.
No início dos anos 2.000 ao participar de um
congresso de Odontopediatrias, na paradisíaca Ilha do Mel, PR, antes do meu curso
de marketing, decidi assistir ao que me antecederia, Prof. Regatieri, exatamente
por abordar o assunto da analgesia. Para minha surpresa o professor emérito do
Paraná saiu-se com um argumento muito inteligente, para justificar que já usava
a técnica há mais de 20 anos: “se dizem que não é permitida ao Cirurgião
Dentista, quero que me mostrem onde está a lei que a proíbe”.
A partir do terceiro milênio o óxido nitroso
começou a ganhar força na Odontologia brasileira. Palestras em congressos, cursos por toda
parte, até chegar a um modismo nacional. Evento que não programa algo sobre analgesia está perdendo público, porque esta é a grande novidade da Odontologia
dos últimos tempos, atraindo centenas de interessados, como ocorreu no curso do
Prof. João Roberto Rosa, que esteve lotado no último CIOSP.
Afora a odontopediatria e a implantodontia, já
citadas, outras especialidades têm se beneficiado sobremaneira com a utilização
da sedação consciente, entre elas a cirurgia e a periodontia, por permitirem uma
condição melhor ao cirurgião e ao periodontista durante seus procedimentos.
Também a odontologia para pacientes com necessidade especiais dela se tem
utilizado.
Sem entrar no mérito de suas vantagens e
benefícios, por não dispor de conhecimentos e qualificação para tal, me
restrinjo a um dos aspectos mais fortes, ao meu ver, da analgesia: o seu
potencial de marketing, pelo alto conteúdo diferencial e pela novidade que
reveste quem com ela trabalha.
Especificamente dentro do marketing, ela repõe
no rol dos candidatos aos tratamentos dentários, aqueles que declaradamente
manifestavam medo, além de um contingente muito maior que por várias razões não
o denunciava, mas intimamente o nutria. Estes somados são um público digno de se
chamar mercado alvo.
Como força de marketing está também o fator
novidade, que costuma atrair cada vez mais um grupo que se orienta bastante por
estes atrativos, que coincidentemente faz presença significativa nos
consultórios, talvez por permitir abordagens em forma de artigos e anúncios na
imprensa leiga, com a técnica em destaque.
Sua força de persuasão é tão forte, que mesmo
os que não pretendem se dedicar a ela ou adquirir o equipamento necessário,
deveriam contatar quem o tenha e pratique, para nos casos indicados,
disponibilizar o serviço através da presença nesta consulta, de um colega para
que a realize e desta forma atender o cliente.
Aos que apenas leram algo e tem curiosidade de
saber mais da técnica, fazer um curso de habilitação com segurança, ou
participar de um congresso só sobre o tema, existe uma entidade específica com a
denominação ABASCO – Associação Brasileira de Analgesia e Sedação Consciente,
www.abasco.com.br cujo telefone é 11.4618.1439.
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