Durante a década de 90 a
tendência dos profissionais que iam atingindo um bom patamar de clientes era
partir para um curso de especialização e gradativamente passar a se dedicar a
uma única especialidade, como forma de se diferenciar e evoluir. Foi quase
incontável a quantidade de novos cursos de especialização surgidos em todo o
país, originando mais de 10.000 novos especialistas e pós-graduados a cada ano.
Concomitantemente a isto,
cerca de 70 novas faculdades de Odontologia foram criadas neste mesmo período,
colocando no mercado novamente mais de 10.000 novos Cirurgiões-dentistas a cada
ano. Em conseqüência, os preços praticados na Odontologia despencaram, não só
pela nova concorrência, mas também pelo aumento impressionante de planos de
saúde e cooperativas de atendimento odontológico.
A exceção de uma minoria,
dificilmente a maioria conseguirá atingir os resultados de uma década atrás,
principalmente porque os valores praticados nos serviços odontológicos
reduziram-se significativamente, em parte justificados pela infindável
quantidade de cursos com pacientes, quer de especialização, atualização ou
aperfeiçoamento, surgidos em todos os cantos do país, que se colocaram a atender
pacientes, a preços de custo, ficando aos próprios egressos destes cursos,
difícil conseguir maneira de aplicar os conhecimentos adquiridos neles.
Soma-se a isto a tendência da
Odontologia moderna, por seu ímpeto desenvolvimentista, de estar sempre
introduzindo novidades num ritmo frenético, incluindo entre os itens básicos
para o exercício da profissão, alguns que se a há dez anos não existiam, outros
que hoje são quase obrigatórios, tais como: celular, computador, laser,
autoclave, câmara intra-oral, só para citar alguns que hoje são indicadores de
profissional atualizado.
Como ingrediente adicional,
funcionando como acelerador desta situação, os momentos difíceis da nossa
economia, nos dois últimos anos, fazendo com que a preferência ou procura dos
clientes seja por atendimentos em clínicos gerais na sua maioria, não só por
questões exclusivamente ligadas a preço, mas também por contingência da vida
apertada nos últimos tempos, que não tem favorecido muitos deslocamentos, quer
por razões de custo, como por tendência em sua maioria, por falta de tempo e
dinheiro, a realizar somente o sumamente indispensável.
Que fazer? Para onde ir, agora
que as carreiras da maioria dos bons profissionais está planejada e orientada
para o exercício das especialidades? Uma das soluções é baixar os preços dos
serviços praticados nestas, o que nem sempre é possível pelos maiores custos que
demandam uma especialidade. Outra é baixar os custos e aumentar a produtividade.
Mas como, se estamos em crise,
sem perspectiva de mudança positiva imediata? Uma alternativa é a montagem de
policlínicas, reunindo vários colegas de distintas especialidades, somando os
clientes de cada um e compartilhando os custos comuns na forma de condomínios
profissionais, parecidos com os residenciais.
Esta idéia de condomínios
odontológicos é a forma alternativa intermediária aos convênios e cooperativas,
permitindo que numa nova estruturação celular do exercício profissional,
dividindo os custos, aumentando o número de pacientes, se faça frente a esta
dura realidade, que se apresenta como desafio para este conturbado início de
novo século, que sinaliza nas ações conjuntas, trabalho em equipe e formação de
parcerias, a maneira ideal para enfrentá-lo. Se estiver difícil aumentar a
receita, a saída é diminuir custos ou compartilhá-los.
Para exemplificar com alguns
dados concretos esta proposta, imaginemos que um Cirurgião Dentista para montar
seu consultório precisa dentre outros itens, um autoclave, um compressor, um
raios-x, um telefone, uma atendente e algumas modernidades como um laser e uma
vídeo câmara. Se cinco profissionais forem montar seus consultórios em cinco
locais diferentes, serão necessárias cinco unidades de cada item destes. Caso
eles decidam montar num mesmo endereço, poderão simplesmente compartilhar estes
itens e mais, dividir os custos dos mesmos por cinco. Isto mesmo, investirão
vinte e cinco vezes menos, por trabalharem de forma cooperada.
Mas o aspecto mais importante,
caso sejam de especialidades diferentes e decidam pela alternativa condomínios
odontológicos, se cada um tiver 1.000 clientes, a clínica desta união surgida,
terá 5.000 clientes, com um incremento significativo. Obviamente esta modalidade
envolve uma série de aspectos importantes, que deram origem a um livro, onde
procuro abordar um a um, detalhando como poderia ser a Odontologia para superar
a crise e se firmar como uma profissão mais coesa, na qual um dos segredos seria
individualizar receitas e compartilhar despesas.
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