Alguns pensam que a maior revolução da Odontologia no
século passado, o XX, foram os implantes osseointegrados, que terminaram a
década 90 como a grande sensação da arte e ciência de Fauchard.
Ledo engano. Bonita esta palavra. Vejo os outros usarem e
não resisti à tentação, mesmo não sabendo seu significado. Fui ao dicionário e
fiquei triste. Quer dizer alegre, contente, jubiloso. Mas vale o engano.
A maior revolução da Odontologia foram as próteses sobre
implantes ou mais especificamente os parafusos para fixá-las, pois permitem
remoção periódica, para melhor trabalho de manutenção e controle.
Como os implantes não têm recidiva de cárie e por muitas
vezes os tecidos epiteliais juncionarem nas suas superfícies lisas, brindam um
melhor prognóstico, além de menor risco da perda dos pilares de sustentação, se
comparadas com as convencionais.
Também inovaram por permitir a reabilitação de um só
elemento perdido, sem tocar nos dentes vizinhos. Se por um lado diminuem os
trabalhos de endo, por outro promovem mais trabalho para outros especialistas: o
radiologista, o cirurgião, o protesista e o periodontista para sua manutenção.
Afora isto, garantem mais trabalho para os TPD’s e APD’s
por requerem soluções que demandam um serviço que agrega mais valor do que as
próteses totais e removíveis. Também para ACD’s e THD’s garantem mais trabalho,
por ser difícil a um implantodontista ou protesista realizarem seus trabalhos
sem o concurso delas.
Como tudo que evolui, logo tende a se elitizar, as próteses
sobre implantes também experimentaram esta tendência, obrigando a compra de
kits, torquímetros e outros apetrechos, elevando os orçamentos a níveis
restritivos.
Pela tendência de mercado, considerando que nosso país
ainda é de terceiro mundo, embora em franco desenvolvimento, existe hoje uma
tendência por soluções híbridas, onde em casos indicados e por questões
econômicas, as próteses sobre implantes poderem ser realizadas exatamente nos
moldes das convencionais.
Nestes casos qualquer clínico geral pode intervir sem ter
que fazer cursos de especialização ou comprar kits e similares. Basta um munhão
que parafusado aos implantes, funciona como um coto ou núcleo metálico e uma
réplica para confeccionar o modelo de gesso.
Estes munhões servem como postes de moldagem, pilares de
transferência e como provisórios. Permitem desgastes e correções de pequenos
desparalelismos, estando indicados sempre em próteses esplintadas.
Por demandarem menor quantidade de componentes, são mais
econômicas também porque qualquer protético pode executá-las, sem maiores
complicações e obviamente com custos de próteses convencionais.
Aos mais antigos da implantodontia ficará fácil lembrar
como eram as próteses no início dos implantes. Simples e baratas. A maioria em
sobredentaduras e próteses que ficaram conhecidas como protocolo.
Voltando aos parafusos, as soluções foram se sofisticando e
hoje algumas requerem componentes que custam mais de R$ 250,00 por elemento e
obviamente custos laboratoriais proporcionais.
Neste novo quadro, o importante é poder atender as três
realidades. Os que podem mais, os que podem menos e a classe média.
Provavelmente nisto está o grande segredo do sucesso das próteses sobre
implantes: ter soluções para tudo e para todos.
Por isso ela é a grande sensação dos consultórios, por
estar ao alcance de todos os CD’s e por ser hoje defendida por quase 100% dos
profissionais, a ponto de ser fator de seleção. Quem não faz, arrisca a ficar
por fora da preferência da maioria dos clientes.
Principalmente considerando-se que nas próteses está aquilo
que o paciente mais quer: repor dentes perdidos. Não são implantes que ele
busca. A maioria quer próteses boas, bonitas e baratas. A minoria, sofisticadas
e caras.
Dentro deste novo contexto, que de novo só tem a
constatação, o profissional de hoje, precisa ser bom de prótese. Inclusive para
planejar melhor os seus casos, de acordo com as pretensões e disponibilidades
dos clientes.
Nisto está o sucesso dos implantes e das próteses sobre
implantes. Pelo planejamento passa o destino dos implantes. Presente e futuro.
Inclusive no encaminhamento da carreira dos que pretendem se fixar como bons
profissionais.