Prática comum nestes mais de 30 anos
que me dedico à Odontologia, a justificativa aos preços cobrados pelos serviços
odontológicos, quase sempre recaiu sobre fatores menores na composição de custos
dos consultórios dentários.
Nos anos setenta e em parte dos
oitenta, a justificativa mais usada era de que os materiais usados eram
importados. Com a realidade da indústria nacional, esta explicação perdeu um
pouco o sentido e caiu em desuso pela maioria.
Vencida esta fase, os que faziam muita
prótese, passaram a responsabilizar os valores, com os altos custos de protético
ou de laboratório, para aqueles que queriam valorizar mais o serviço do
protético, que até os dias de hoje é utilizada.
Como passei a me dedicar também aos
implantes, a partir de 1989 e como no início estes eram importados, o argumento
de que estes “pinos de titânio” são importados e caros, passou a ser a
explicação mais usada na especialidade.
Esta prática tinha ou tem por objetivo
explicar os altos valores (no entender do paciente) que lhe eram cobrados nos
consultórios dentários. Eram, porque na maioria dos profissionais dos novos
tempos, estes valores já não são mais tão altos e quase sempre nem precisam mais
de tanta justificativa.
Uma razão para a avaliação de uso
desta prática, está no fato de que com a Internet, a um paciente de mediano
conhecimento ou inteligência, ficou fácil procurar preços de produtos
odontológicos, que nos dias atuais não são mais tão altos assim, pelo menos
percentualmente, nos procedimentos em que os mesmos estão envolvidos.
Estranhamente um dos itens mais altos
no custo dos bons profissionais, pouco são mencionados como justificativa: os
valores gastos com atualização ou aperfeiçoamento em cursos, congressos, livros
e revistas científicas. Estranhamente porque estes deveriam ser sempre
comentados com os pacientes, pois a atualização é um dos critérios de escolha.
Talvez a razão para livros e revistas
não participem deste rol de justificativas, em minha opinião como livreiro
odontológico há 32 anos, reforçada pela proprietária da Editora Maio, que este
ano completa 10 anos, seja porque este custo, lamentavelmente, tem tido pouca
incidência no quadro de despesas do Cirurgião Dentista de hoje.
Estas constatações e o pequeno
desabafo, tem o sentido de comentar o que realmente deveria constar nas
justificativas para os valores de honorários profissionais e que rotineiramente
não é utilizado.
Tratam-se dos mais de 20 anos de
estudos ininterruptos para se chegar à condição profissional, aos expressivos
investimentos para se iniciar na profissão, sem dúvida um dos mais altos em
todas as profissões liberais e finalmente a grande responsabilidade por ter a
saúde das pessoas, como área de atuação.
O melhor caminho para a valorização do
seu trabalho é você mesmo. Se valorize. De ênfase às coisas que são suas. A sua
capacidade. Ao seu conhecimento. Por que estas é que valem e contam !
Estes sim deveriam ser os argumentos
justificativos básicos para os valores dos serviços profissionais mais
utilizados pela maioria dos CD’s, nos casos em que se fizerem necessárias tais
justificativas, já que muitos não comentam o aumento dos impostos de 32 para
40%. Mas isto já é outro assunto e fica para uma próxima coluna.
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