Já há muito tempo, acompanho e questiono um hábito no
linguajar dos Cirurgiões Dentistas, que creio deve ser colocado em debate, sobre
sua validade ou comprometimento à valorização profissional.
Trata-se de uma quase mania de, a título de minimizar o
efeito da atuação do profissional, ou suas conseqüências, tratar a maioria dos
problemas, ações e resultados, com o uso de palavras em sua forma diminutiva.
Desta maneira tornaram-se lugar comum no dia a dia da
Odontologia, expressões do tipo: cariezinha, broquinha, desgastadinha,
restauraçãozinha, canalzinho, obturaçãozinha, nucleozinho, coroinha, motorzinho,
rapidinho, entre outras tantas.
Mesmo sendo boa a intenção, qual seja a de diminuir o
impacto de alguns procedimentos e seus requisitos, os resultados são
discutíveis, na medida em que estas formas diminutivas dão uma conotação de
serem coisinhas, o que se pratica.
Isto consubstancia-se na hora da apresentação do
orçamento, que a despeito dos diminutivos, na maioria das vezes, aos olhos e
imagem do paciente, costuma ser encarado como um “preção”, principalmente na sua
expectativa subjetiva.
Ele considera que como tudo que lhe foi comentado como
necessário a ser feito era pequeno, seu preço deveria ser pequeno também, por
que a relação de valores que atribui ao que lhe foi apresentado, tende a ser
proporcional.
Neste sentido acertam os que ao fazerem um diagnóstico,
esmeram-se em detalhar os problemas, suas causas e conseqüências na hipótese de
não convenientemente tratados e que ao proporem os tratamentos, detalham a
exaustão os procedimentos necessários e tudo o que precisa ser feito e usado em
sua realização.
Esta postura, além de permitir ao profissional demonstrar
seus conhecimentos e envolvimentos da profissão, dá ao paciente uma sensação de
que lhe estão valorizando como pessoa e como cliente.
Mas o aspecto mais importante é a valorização do
profissional e da própria profissão, a partir desta postura mais detalhista e
esclarecedora. Sem contar que melhor entendida, a Odontologia passa a ser mais
valorizada.
Foi também neste sentido que escrevi o livro que me deu
mais satisfação: “100 motivos para ir ao dentista”, por permitir aos leigos,
conhecerem melhor seus problemas relacionados à saúde bucal e assim buscarem
tratamento.
Acredito que quanto mais e melhor as pessoas entenderem e
saberem sobre tudo que os pode afetar, odontologicamente falando, mais se
preocuparão em tratar-se. Neste sentido os “100 motivos” são o próprio marketing
da Odontologia, sem o demonstrar.
Curiosamente mesmo depois de quase três anos de lançado,
não lembro de nenhum comprador que tenha mencionado ou comentado com alguma de
nossas atendentes: “quero este livro porque meu dentista o recomendou”.
Tanto para os diminutivos, quanto para com a validade e
possíveis adaptações ao “100 motivos”, principalmente agora que ele está para
ser publicado por uma grande editora, que o colocará em todas a livrarias do
país, é importante a sua opinião. Envie-a ainda hoje pelo
ribeiro@odontex.com.br ou
melhor, respondendo a este.